Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Toda Semana é Recomeço

Toda Semana é Recomeço



Não adianta a pressa

Sem a esperança,

Qualquer confiança

N'alma é promessa.


 Não que se impeça

A boa lembrança

Que gira e dança

Sobre a travessa,


Mas que se peça

A paz, bonança

De quem descansa

E recomeça.


domingo, 29 de novembro de 2020

Lenitivos

Lenitivos


Cuidados redobrados

Devem ser objetivos,

Caminhos respeitados

São abrigos e motivos


Nesses dias continuados

E iguais, convidativos,

 Cativos e isolados,

Mas também gradativos;


São essas cores, os dados,

E somos fugitivos

Da tristeza, ocupados

 Ao dia a dia, lenitivos.

sábado, 28 de novembro de 2020

Evanescente

Evanescente     


Hoje caminhei pela praça, queria conversar com uma árvore e me sentir um grão de areia entre tantos os que formam o espaço de esportes.

     Senti o perfume que estava pelo ar, silvestre, respirei com calma, pensei ou não pensei, que me importava o pensamento nessa manhã de sol.

     Apenas deixei fluir a energia que pairava entre eu e o universo, esse desconhecido.

     Era eu quem devolvia à natureza a beleza que ela inspira; às crianças, aos jovens, algo inusitado, um sorriso solto e leve, como se me libertasse de todo o peso, como se fosse eu a terra que não pertenço, e a areia que passeia conforme o vento deseja, sem vontade, sem preguiça, longe das atribulações que o dia a dia provoca.

     Caminhar pela praça, pisar na grama, volver a areia, olhar para os pássaros infinitamente companheiros nesse dia.

     Cheguei em casa como se tivesse caminhado quilômetros, ou alguma espécie de caminho santo.

     Depois do almoço, um sono irrecusável apareceu.

     Acordei quase na hora de tomar mais um café.

     Entendi o dia, a vida e a espiritualidade, o imaterial, o transcendente, mas também da necessidade dessa experiência chamada realidade, porque é ela que nos faz perceber que existe o não palpável, o desejável, essa outra realidade abstrata que, por ser desconhecida, chamamos de divina.

     Qualquer palavra não descreverá as sensações desse dia, que eu não queira, de forma alguma, organizá-lo, sistematizá-lo, enquadrá-lo em alguma realidade conhecida e palpável.

     Um bem-te-vi chegou à janela agora mesmo, e parecendo sorrir, me disse para voltar outras vezes nesse lugar, parece que ele é o dono da praça, e ficou feliz.  

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Coisas da Internet / Crônica

Coisas da Internet / Crônica

      Quem não gosta de poesia, não tem luz de emergência. Gostei da vizinha. Eu gosto deles por perto.

     A rede de internet tem um alcance inimaginável.

     Outra vizinha veio e disse que não liga a mínima para o que eu faço, desde que ela esteja bem e eu também. Gosto de vocês também.

     Tem aqueles que odeiam o lado lúdico das coisas e só apreciam quando estou limpando a casa?! Eu os escuto igualmente desde que com respeito.

     Onde se viu a literatura perturbando o sossego dos moradores.

     Vamos ter reformas, mas só no ano que vem e, depois da pandemia.

     Uma vizinha, postou uma imagem do edifício no meio da literatura? Postou. Beijo para ela. A tarde foi repleta de atenções com os meus vizinhos e com outras pessoas do edifício.

     Estou exausta, mas por que?

     Qual é o problema de se gostar de literatura?

     A função da literatura não é a de dar sorte, a de enriquecer, a de trazer fama, ou qualquer outro fato similar.

     A função da literatura é trazer novas ideias à vida das pessoas, tirar a falta de conhecimento quando o assunto é a experiência vivida, pois os personagens têm vida própria e nos contam das suas experiências nas mais diversas áreas da existência.

     Querer que as pessoas sejam ausentes da leitura, é instrumento de dominação e manipulação praticada pelo ser humano desde que o ser humano existe.

     A literatura é uma atitude solitária, concordo, mas a arte, não.

     Independente da condição da estratificação social, acredito que todos têm acesso à cultura, seja através dos livros, dos filmes, das músicas, das pinturas artísticas permitidas nos muros da cidade.

     Negar o acesso a essa cultura, é negar o direito à alfabetização.

     Até aviso ouvi:

     "A senhora se cuide porque vão aprontar uma coisa feia."

     Agradeço os avisos, mas penso ser da mais absoluta estupidez tentar impedir que alguém leia José de Alencar, ou Eça de Queiróz.

     Parece que o único objetivo é para poder chamar o outro de analfabeto, quando o analfabeto é aquele que precisa muito de ajuda, pois não consegue ler a placa constante do ônibus que indica a rota que precisa para chegar em algum lugar.

     Quem nada sabe, não pode ajudar a essa pessoa que sente prazer em chamá-lo de analfabeto.

     Eu, no entanto, feliz de saber que um jovem escritor foi criado em meio aos evangélicos, porque os evangélicos precisam ler mais, conforme conversa tida na igreja.

     Depois, essas mesmas pessoas que sentem tal prazer abjeto se queixam das situações do cotidiano sem preceberem que elas são parte da causa da situação.

     O que se deseja é que todos tenham acesso à cultura sem se sentirem não merecedores desse acesso.

     Acreditem que existem pessoas que proibem a cultura. Não, não estou falando de governo nenhum. Nem daqui e nem de nenhum outro lugar do planeta. Estou constatando uma realidade, que é a de considerar a cultura algo somente para quem a possa ter, como se não fosse possível a qualquer pessoa que saiba ler e escrever, abrir um livro e saber o que está escrito dentro dele.

     Estamos em meio a uma pandemia, um caminho difícil para a humandade.

     Continuem a ler! continuem a ler! Sejam os leitores quem forem, pois a troca de ideias, de culturas e experiências é o que traz o desenvolvimento ao ser humano.

     Grata ao blog por desabafar.  

     

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Oração

Oração


Acontece

E se esquece,

Por que não?


Não se tece

Se anoitece

Sem razão,


Mas conhece


A oração. 

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Intuição

Intuição


Essa intuição

Me leva a crer,

Minha razão

Sem poder ver,


Que é vocação

Servir e ser

Toda a intenção

De se entreter


O coração,

Quando a querer

Faz da oração

O seu saber;


É uma doação

A se escrever

Numa canção,

E derreter. 

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Placidez

Placidez


Pensei que a curiosidade

Tivesse se ido de vez

Junto com a mocidade,

Que hoje não é senão talvez,


Mas sinto a preciosidade

Que é, quando sorriu e se fez

Bela atemporalidade

De mim, querendo outra vez


Descobrir felicidade,

Porque vivi de um a dez

Mimos, nessa suavidade

Que veio e trouxe a placidez.