Rio de Janeiro

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http://frasesemcompromisso.blogs.sapo.pt/

O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

domingo, 31 de maio de 2020

Um Brilho

Um Brilho


Falta o lazer,
Sobra a ideia fixa
E unhas em lixa,
Muito a fazer

Ao invés de ser
Menos prolixa
Nessa preguiça
Ao anoitecer,

E se escrever
À cola fixa
Com unha em lixa;
Resplandecer.

sábado, 30 de maio de 2020

Conformada à Rotina

Conformada à Rotina

Conformada


O inverno se aproxima
E é sentido na geada
 Gelada e distanciada,
Movida à vitamina,


Um cuidado que anima
A cor alaranjada
E a noite aconselhada
Que se transforma em rima,


E a semana termina
E começa arrumada
Como determinada;
Recomeça a rotina. 

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Bom Consigo Mesmo

Bom Consigo Mesmo


Não pise na grama
Nem ande na lama,
Espere o melhor
E seja o que for,


Durma em sua cama
Arrumada e plana;
Não pense no horror
Que é temer a dor,


Pense um monograma,
Renova a semana
Num aquecedor,
Faça a si um favor.



quinta-feira, 28 de maio de 2020

Tudo Diferente

Tudo Diferente

Tudo está diferente,
Tempo da introspecção
Atípica e silente
Numa desinfecção

Precisa e descontente
Porque é uma condição
Estar sobrevivente;
Necessária é a razão

Mesmo quando não mente
A afetiva em ação,
Efetiva semente
Do amanhã e da canção.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

O Caminho é Por Aqui / Reflexão

O Caminho é por aqui / Reflexão 

     Observo as mudanças feitas na interface do Google blog, e já começo a sentir dificuldades, embora saiba que há um aprimoramento na página de postagem.
     Por enquanto vou postar pela interface antiga, pois já me habituei com o jeito, enquanto aprendo o novo jeito, ou seja, todas as frases com um traço no meio, algo de que não gostei e nem das linhas de caderno escolar. Estou aprendendo a mexer com esse novo jeito de escrever algo no blog.
     De repente me deu saudades de Nara, da revolta da Nara que eu não entendi.
     Nara sabia aos dezessete o que eu sei agora.
     Graças a Deus, eu sei aos quase sessenta o que Nara sabia aos dezessete.
     Era uma festa de aniversário, onde nos encontramos.
     Eu não a via há alguns anos. Era amiga de poucas palavras, mas amiga. 
     Nara levou um bolo de presente ao aniversariante.
     Nara chocou a todos. Em cima do bolo, um absorvente higiênico com xarope de groselha.
     Ela colocou o bolo em cima da mesa onde estavam os docinhos e os salgados feitos com capricho pela mãe do aniversariante.
     Eu era jovem e chamei a Nara para conversar:
     _Nara, o que é isso. Os garotos estão rindo e você está maluca! Nara, por favor, eu católica e você evangélica, boa aluna, séria, de poucas palavras e disciplinada. O que é isso?
     Nara respondeu:
     _Isso é o que me ensinam todos os dias. É sobre isso é o que as garotas e os garotos pensam o tempo todo! O mundo se resume a isso!
     Discutimos, me magoei com ela, e vim embora da festa.
     Não, Nara. Você não conheceu Mara, a outra moça evangélica com a qual estudava a Bíblia antes de entrar na sala de aula.
     A verdade não era a verdade de Nara, Deus existe.
     Por vezes, a tragédia humana é tanta, que eu lembro de Nara e o bolo da festa do menino.
     Nara tinha os motivos dela, mas não percebeu que ninguém a compreenderia.
     Eu também não a compreendi. Logicamente que fui aconselhada a não conversar mais com Nara e não conversei.
     Agora eu entendo a revolta de Nara e nem sei se Nara está por aí. 
     Sei que os fatos não mudaram, mas que eu mudei e por fim, aconselhada pelo meu avô, muito que indiretamente, mas muito.
     Mas, se escrevo é porque há algo que eu gostaria de dizer.
     Nara, acredita em Deus. Pelo menos não deixa ele morrer no seu pensamento.
     Acharam amargo? Vocês não viram o bolo. 
       

terça-feira, 26 de maio de 2020

Máscara

Máscara


Quando não se sabe,
Resta acreditar,
Fazer como cabe,
Mas sem descansar;


É um tal de fecha e abre
E se respirar
E o medo que acabe
Ao se transpirar


Porque o ar é esse sabre
Invisível no ar,
E que não desabe
A máscara!Ufa, ar.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

O Problema Dele é o Problema da Humanidade / Crônica de Supermercado

O Problema Dele é o Problema da Humanidade / Crônica de Supermercado

     Aquele menino de dezessete anos disse com sinceridade, humildade, e verdade o porblema que a todos incomoda.
     Ele dirigiu-se ao colega, e disse:
     _Não adianta, algo está errado. Eu me sinto empurrado para fazer as coisas e a semana está começando.
     O outro perguntou se ele estava se sentindo bem e foi por este motivo que fiquei atenta.
     _Estou bem, de saúde, comigo, está tudo bem.
     O outro menino perguntou se ele gostava de trabalhar no supermercado.
     _Eu gosto de trabalhar aqui. É bom mesmo, a gente aprende muito e pra toda a vida.
     O outro perguntou o que estava errado.
     _Hoje eu acordei e disse para a minha mãe que preferia ficar dormindo, mas era uma coisa que eu não sei dizer o que era. Eu sinto falta de jogar bola, de ficar conversando bobagem aos finais de semana.
     Bom, isso é normal, mas com o tempo você se acostuma.
     _Com o tempo eu me acostumo a não sair de casa com medo de voltar e deixar a minha mãe doente porque eu fui jogar bola? Eu gosto da minha mãe e gosto de comprar alguma coisa para a casa quando eu recebo. Gosto de comprar alguma coisa para mim também, mas eu não tenho o que comprar porque eu não saio, não compro lanche, nada. Esse mês passou e eu comprei coisas para a minha mãe fazer para mim. É ruim, sabe. Eu me sinto desanimado com isso, embora consciente de que é necessário.
     O outro, para animar o garoto, perguntou se ele não tinha planos para o futuro.
     _Saiba você, que do jeito que as coisas estão, eu me sinto um velho e quero arrumar um emprego para cada um dos meus colegas de futebol, mas em qualquer supermercado, não aqui. Eu quero que eles passem o dia melhor, porque nós passamos o final de semana nos queixando das dificuldades e isso me deixou cansado para hoje.
     O outro perguntou se os colegas de futebol estavam precisando de emprego.
     _Nem todos. Os mais novos não vão conseguir emprego porque não tem idade, mas passar o final olhando para uma bola parada é algo ruim. A gente fica mal.
     É verdade, a humanidade tem que se sentir com mais de sessenta anos na hora do lazer e isso é ruim.