Racional
A primeira palavra
É a que quebra o silêncio,
A segunda desbrava.
E a terceira é a que crava
Novo conhecimento
Onde era essa a palavra;
Busca do que apalavra
A mitologia helênica.
É um blog com artes e contos, crônicas, comentários, imagens e, arteiros em geral
Racional
A primeira palavra
É a que quebra o silêncio,
A segunda desbrava.
E a terceira é a que crava
Novo conhecimento
Onde era essa a palavra;
Busca do que apalavra
A mitologia helênica.
Marajoara
Ao que divaga cedo,
A tarde se faz clara,
E, à noite, sem segredo.
Pela manhã o brinquedo,
Que à tarde, pois, declara,
Que a noite, em seu sossego,
É som de desapego,
É arte de marajoara.
Inteiração
Ah! Se não fosse essa arte
Que se imagina pronta,
Desfaçatez, em parte,
Que da ilusão desponta,
E vê beleza em Sartre,
E, num devir, desconta;
Faz da tristeza o aparte
Num rodapé de conta.
Ah! Se não fosse essa arte,
Não haveria o que encontra,
Quando ao buscar, é parte,
E, sendo parte, a apronta.
A Citação Musical / Reflexão
É comum utilizarmos citações, frases de efeito, em textos. São úteis para que nos lembremos dos pensadores, dos filósofos, saibamos do pensamento humano.
Outros de nós, em conversas informais usamos slogans, os quais são úteis para o entendimento daquilo que conversamos.
Esse é o caso da minha reflexão: a palestra de um mestre muito culto.
Ele se utiliza de um refrão, por sinal, impactante e que não vem à história porque não é motivo do texto.
É óbvio que os seus discípulos, por admiração, usam o mesmo refrão.
A admiração não é vulgar.
Agora, quando o refrão,ou, a citação de um pensamento, é utilizada como desdém do que foi explicitada, a frase se afasta de quem a profere e volta-se ao pensador que a compôs.
Não se trata de imitação, a imitação é a ingênua vontade de aprender mais.
Outro dia uma frase aconteceu de ouvir uma frase nesse sentido inverso que é o sentido do desdém.
Bendito ouvido musical que a transformou em algo dissonante e a transformou num acorde sem nexo dentro de um fraseado melódico.
Ocorre que essa frase ainda ribomba nos meus ouvidos como se eu tivesse que procurar um lugar para colocar um acorde que não cabe numa melodia.
É como se eu conhecesse o filósofo e soubesse da sua intenção nessa inserção frasal dentro do texto.
São os meus ouvidos musicais que pedem esse texto como se houvesse um caminho, um sentido entre a frase e o pensador e o motivo de quem a proferiu. Eu desconheço esse caminho musical.
No entanto, sei que é importante essa colocação. A música nada mais é do que um numeral adequado e lógico. Acalmo a mim mesma com esse texto.
Não é um texto fácil, mas precisava ser escrito.
Existem regras em música, uma das quais é conhecida de todos: não adianta insistir em bater na mesma tecla (errada). Quando acontece, a música é deixada para o dia seguinte.
É o que farei com esse texto. Compartilharei com vocês, mas eu mesma o lerei em outro dia com vagar.
Fantasia
Não basta a melodia
De alguma nostalgia
Do que não volta mais...
E nessa fantasia,
Que será, pois, do dia,
Dos nossos castiçais,
Que o pandemônio unia?
Bonitos madrigais...
Irrequieto
A realidade não se nega,
De parafuso ao vil inseto
Que, ousado, pousa numa tela,
Programação de excerto abjeto.
Nem vitrinista na janela
Põe-se a enfeitar o mesmo teto,
Quando é outra a tolda que modela
Toda a aparência de um afeto.
Tal como um quadro, se revela;
Toda pintura tem objeto,
Mesmo invisível, que engambela;
Quando à parede, é algo irrequieto.
Conversa Frutífera / Crônica do Cotidiano
Veio uma amiga conversar.
_Diante de todas as variáveis que observamos: o que você acha?
Acho que foi uma conversa sincera e com disposição para futuros planos.
Não adianta conversarmos sobre suposições. Tudo o que temos são ideias pré-concebidas e fatos constatados, ou, em constatação.
Não há nada a ser pensado ou dito quando não somos as pessoas que constatam ou as donas dessas ideias pré-concebidas.
Situação bizarra como essa, não vivi.
Teremos que conversar novamente. Os nossos parâmetros estavam suficientemente confusos que não nos propiciou nenhuma conclusão.
As ideias existem e são tanto minhas, quanto dela.
Mas, e daí que existam ideias, quando nos encontramos num meio desencaixado, como versos sem rimas que não estão livres da métrica?
Mas, enfim, um rascunho para a nossa questão foi delineado.
Concordamos com a falta de parâmetros reais, concordamos com ideias de soluções, concordamos em pensar sobre os paradigmas e concordamos em não tentar resolver nada por enquanto.
E foi uma conversa frutífera porque concordamos em muitos pontos de vista, inclusive a de pensar.
Ninguém mais estava com vontade de falar no assunto, que é bom, que é harmônico e implica em amor ao próximo.