Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A Descoberta da Pizza

A Descoberta da Pizza

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O empresário havia perdido os seus bens nos negócios mal sucedidos da bolsa de valores. Aplicou os seus valores em empresas que faliram.

Depois de se desesperar, ficar aturdido e praticamente sem rumo, o cansaço o venceu e ele se acalmou.

Trabalhava e podia se sustentar, mas sentia-se fracassado.

Andando como um homem deve andar diante das dificuldades, tratava de se recompor, mas quem o via de longe, percebia o seu olhar distante e tristonho.

Sem saber o motivo, começou a implicar com um colega. Ele era tão bom quanto ele, mas nunca havia se arriscado nos negócios e parecia feliz.

Aquilo o incomodava profundamente, era como se estivesse errado em ter se arriscado nos negócios e fracassado.

Certo dia, após pensar sobre si e sobre a vida que levava naquele momento, encontrou-se com o colega, que sorria, como de costume, e o indagou num ímpeto vindo do fundo da sua mágoa:

_Preciso te fazer uma pergunta: você está contente pelo meu infortúnio?

O colega, surpreso com a pergunta, sorriu para ele e respondeu:

_Que ideia! Vá se distrair e passear porque o que eu sinto é um orgulho danado de estar ao seu lado. Você não sabe, mas foi numa conversa no boteco da esquina, enquanto tomávamos café com leite e conversávamos esperando a hora da empresa abrir, que você me convenceu que eu deveria tentar esse emprego. Eu estava desempregado a mais de ano, quando você apareceu ali contando da sua experiência profissional. Puxa! Foi o jeito como você falou naquele dia que me convenceu a vir aqui também. Nós dois estamos empregados e eu devo o meu emprego a você. Naquele dia, depois que a empresa abriu para receber os currículos dos candidatos, você foi para lá. Eu fui para casa e burilei o meu currículo, imprimindo-o em papel novo. Fui chamado. Eu tenho muito a te agradecer.

Naquele dia, o antigo empresário, que se sentia fracassado, descobriu dentro de si uma capacidade nova, a de motivar. Descobriu-se esperança na vida de quem tinha passado por momentos tão difíceis quanto os dele.

Sentiu-se bem de vida no mesmo instante e, de certa forma, feliz. Tinha novas habilidades que poderiam se desenvolver. A alegria dentro de si vinha como se fosse uma fonte nova que levava consigo, na corredeira, todo o cansaço anterior.

Ele era bom e sentia-se bom. Acabava de conseguir um tesouro para cuidar.

Depois das emoções, abraçou o colega e disse que ele é quem tinha orgulho de tê-lo conhecido.

Mas era hora de expediente e foram com vontade ao que tinha que ser feito, deixando o final do expediente para irem conversar e comer pizza.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Cama de Casal

Cama de Casal
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Completaram seis anos de casados, os filhos indo à escola. Gente batalhadora e amorosa, ele mestre de obras e ela, doceira ocasional.
Com as crianças na escola, ela pensa em incrementar os seus doces deixando-os além de saborosos, bonitos.
Conhecida no bairro onde mora, logo a freguesia aumenta e o lucro também. O marido e ela dividiam o pagamento das contas, os filhos estudavam em escola pública, sobrou um troco para que ela se cuidasse.
Foi numa quarta-feira pela manhã que ele reparou que ela se maquiava depois do banho.
_Maria, há quantos anos você não fica bonita desse jeito? Não adianta se arrumar porque eu não posso sair com você hoje. Estamos no meio da semana.
Ela respondeu que era para levar os doces nas casas das freguesas, queria se sentir arrumada.
Chegou o sábado e o marido viu que a casa precisava de algumas arrumações.
_Quando eu tirar férias, eu vou chamar uns amigos e reformar o banheiro, a cozinha e a lavanderia.
Ela ouvia enquanto se arrumava e colocava maquiagem.
Ele a viu e perguntou se havia entrega de doces aos sábados.
_Eu não aceito encomendas para os domingos, mas se tiver encomenda para domingo, eu folgo na segunda-feira.
Os doces da Maria causavam a sensação de perda a ele. Ele tinha a sensação que algo nela não era mais igual, parecia que havia casado com outra Maria, muito embora ela continuasse atenciosa como antes.
Mário não entendia que ela cuidava de si.
_Para que tanta vaidade mulher? Eu continuo o mesmo.
A mulher serviu um doce ao marido.
_São bons? Todo mundo gosta.
Os doces eram bons.
Passados dois meses nessa nova rotina de beleza na vida de Maria, ele chega até ela e diz:
_Maria, eu comprarei uma motocicleta essa semana.
Ela não gostou da ideia.
_Desde que nós éramos namorados que você não tem motocicleta. Para que essa compra agora? Você não iria reformar o banheiro, a cozinha e a lavanderia?
Ele disse que deixaria para depois. Agora queria a moto.
Maria querendo fazê-lo desistir da ideia fez alguns doces com o nome dele e dela decorando o bolo.
Naquela semana a folga dela seria na segunda-feira.
Com os filhos arrumados para irem à escola, a moto na garagem e a Maria maquiada, ele criou coragem e disse:
_Maria, eu te amo de verdade. Você está bonita e eu espero que você não esteja de olho em ninguém. Nós temos uma família.
Maria, surpresa, disse que se arrumava também para ele.
_Eu quero que o meu marido tenha uma mulher ajeitada. Você me magoa pensando desse jeito.
Ele olha para ela com profundidade de sentimentos.
_Maria, eu até pago para você fazer ginástica, mas me responda uma pergunta. Essa pergunta não mais pode esperar para ser feita. Preciso sair, mas deixe-me te perguntar algo.
Ela, observando a seriedade com a qual ele dizia cada palavra, pediu a ele que fizesse a pergunta de uma vez.
_Maria, quer namorar comigo? Acho que preciso te conhecer melhor.
Maria atirou-se nos braços dele, aceitando o pedido.
Ele saiu e Maria ficou pensativa. Outro homem? Não teria paciência na vida para duas vezes daquilo. Chegou à conclusão que, se algum dia, ele arrumasse outra, não seria culpa dela. Ela se arrumava para si e para ele. Definitivamente, de homem, para se incomodar, bastava ele.
Mais alguns meses e, os pisos do banheiro, da cozinha e da lavanderia descolaram do chão. Ele a chamava para ajudar na reforma.
Era o namoro acabado dando lugar ao cansaço de marido e mulher roncando na cama de casal.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Grão

Grão
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A arte revelada soa aos tempos
Mudos, onde Chaplin, musicado,
Era comovente ao chapéu e aos ventos
Eólios, com sujeito e predicado.

Bálsamos sem pixels, sentimentos
Pálidos, sensíveis ao enviesado
Foco, a seu propósito, em momentos
Lúdicos de luz; apaixonado.

Mito entrelaçado de alimentos,
Grão ao bel prazer descombinado,
Dádiva amadora em gregos templos
Frágeis, ao esboçar o imaginado.

domingo, 11 de agosto de 2013

Feliz Dia dos Pais!

Onde você estiver, meu pai, saiba que eu continuo a mesma.
O sonho não morreu!
Fica com Deus, que eu tô nessa…

sábado, 10 de agosto de 2013

Pode Ser Chamado de Homem? Crônica do Cotidiano

Pode Ser Chamado de Homem? Crônica do Cotidiano

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Hoje parei para tomar um café. Lugar bom e ambiente aconchegante. Estou para ser servida pela moça, quando o jovem adulto se interpõe ao atendimento:

_Dois salgados e um café. Aqui está o comprovante de pagamento feito no caixa.

Não havia fila, mas ele estava com pressa.

_Quero o terceiro pastel desse prato e a segunda coxinha de frango do outro.

A moça perguntou se ele iria comer ali e ele respondeu que não, pedindo um copo descartável para o café.

A moça colocou os salgados no pacote e o café no copo.

Ele a olhou com indignação:

_A moça não ouviu que eu quero metade do copo com café e a outra metade com leite?

Ela disse que não. Eu também não tinha ouvido.

_Jogue fora metade do café e coloque leite.

O tom da voz convenceu a moça e ela jogou fora o café e colocou leite, sem dizer a ele que ela pagaria o que havia posto fora.

Ela então perguntou se ele queria açúcar ou adoçante para levar.

_Nem pensar! Passe bem.

Ele saiu do café com as suas calças jeans skinny e camisa ligeiramente aberta no peito, além dos salgados e do café com leite.

Ele saiu e eu tomei o meu café do jeito que eu gosto. Se bem que nós duas estávamos sem sorrisos, o comportamento dele não foi dos melhores.

Pensei em todos os donos de restaurantes e nos chefes cozinheiros, todos os homens responsáveis que fazem o sabor dos restaurantes nos dias em que as famílias saem para almoçar juntas.

São os homens bons que merecem as crônicas, são eles que fazem o dia bom de muita gente.

Fica a minha gratidão aos chefes de cozinha.

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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Ganhando o Dia

Ganhando o Dia

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A advogada, recém-formada, bem empregada num escritório de advocacia levou o carro ao mecânico para verificar um problema no motor.

Ela chegou à oficina, retirou um livro de direito do automóvel e foi avisar da sua chegada à recepção.

Colocou o livro sobre o balcão anunciando a profissão, bem sucedida e segura de si, conforme observou a recepcionista: Com aquele microvestido e sapatos de salto combinando com os acessórios, era uma jovem advogada bem sucedida e bem cuidada.

A recepcionista chamou o mecânico. Ele veio e, se viu a cliente, ninguém percebeu. Olhou para a moça da recepção e disse boa tarde para a consumidora.

_Eu vou com o senhor para mostrar o problema do carro, disse a advogada.

O mecânico concordou e seguiu tentando visualizar o carro dela, ao que ela indicou pela cor.

Os dois ao lado do automóvel e ela mostrando o interior do veículo como se estivesse vestindo calças compridas.

O mecânico olhando o veículo. Algumas gotas de suor eram observadas no rosto pálido. No entanto, não desviou a atenção das suas funções.

Consertou o carro dela e a acompanhou até a recepção, onde ela efetuaria o pagamento do conserto.

Chegando ao escritório onde trabalhava, disse aos colegas que a mulher que se coloca bem, não se incomoda.

No que ela saiu, ele se queixou sobre o quanto era difícil ganhar o dia, dentre todas as circunstâncias que ele apresenta.

_Eu aguento tudo que aguento porque tenho família para sustentar.

Os colegas deram um tapinha nas costas em solidariedade ao colega, como que sentindo na pele o dia difícil do colega.

E o dia acabou bem para todos.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Fala Enquanto o Chefe se Atrasa

Fala Enquanto o Chefe se Atrasa

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Os rapazes, 21 anos de idade ambos, colegas de serviço, conversam na hora do lanche.

_O chefe vem comer o sanduíche? Amarildo pergunta com jeito de quem está ansioso para dividir a novidade.

Wanderlei diz que sim, mas que atrasou alguns minutos explicando os detalhes do serviço ao cliente. Pede ao colega que conte. Ele estava curioso.

_Ontem, eu saía da danceteria quando vi um homem chegar numa motocicleta velha e emparelhar com um carro. Quando vi, ele tirou uma arma e assaltou o motorista do carro. Eu me escondi atrás da pilastra da igreja. Fiquei até com medo de pegar o ônibus no ponto. Peguei o ônibus dois pontos acima. Quando você for lá, não pegue o ônibus naquele ponto que fica na rua da frente. Ande e veja se não tem perigo.

Os dois conversavam quando o chefe chegou junto a eles.

_Onde foi isso? Que absurdo essa violência!

Amarildo olhou para o colega e contou de novo o fato, mas de forma a ficar bem perante o chefe.

_Não sei se o senhor sabe, mas eu sou muito religioso. Ontem à noite, depois de sair do expediente, fui à igreja. Na saída, quando fui pegar o ônibus, vi um assalto. A situação foi perigosa.

Wanderlei emendou o assunto porque a danceteria era para os dois frequentarem. E, se o chefe resolvesse ir com eles para confirmar o índice de boas relações sociais com os empregados?

_Volta e meia eu vou com ele até a igreja. Ele é o meu bom amigo. Quando o senhor quiser ir conosco orar, por favor, nos avise.

Amarildo não gostou nada da proposta que o Wanderlei fez ao chefe e mostrou na fisionomia a sua contrariedade.

Wanderlei, com jeito sonso, disse ao amigo:

_Não dá nada. Ensinamos a maneira com a qual oramos.

O chefe, desconfiado, perguntou qual era a igreja.

Amarildo, sem titubear, disse:

_Vamos à Igreja do Bispo Edir Macedo.

O chefe percebeu o que era trigo e o que era joio na conversa e começou a se divertir dizendo:

_Amarildo, você contou aos fiéis o que aconteceu? Por que não pediu carona para um deles?

_Eu tinha colocado o boné e não estava apropriado para entrar lá. A minha mãe frequenta lá e ela sabe que eu sou homem de bem. Domingo teremos almoço de família, a minha mãe está comprando os alimentos e eu não quis incomodá-la contando de assaltante. Ele estava armado, o senhor acha que eu não fiquei com medo? Eu, que não sou besta, fiquei escondido até acabar o assalto.

Wanderlei concordou com o amigo:

_A gente não pode se meter com essa gente. Eles são bandidos e, nós, gente de bem.

O chefe perguntou se alguém tinha avisado a polícia e Amarildo respondeu que, talvez, o homem que foi assaltado tivesse avisado.

_Se bem que, se fosse eu, não diria nada. No dia seguinte eu pego o ônibus.

O chefe perguntou para o Amarildo os detalhes sobre o que ele tinha visto e disse que ele contaria o fato a um amigo policial, dizendo:

_Não se preocupe Amarildo, não direi que você viu o fato. Pode pegar o seu ônibus e deixar a sua família sossegada. Eu sou contra a cultura do medo, mas forçosamente sou obrigado a aceitar a sua resposta.

Wanderlei sentiu-se aliviado pelo amigo. Querendo ser gentil perguntou ao chefe se ele gostaria de ir à igreja com eles.

O chefe disse que agradecia o convite, mas frequentava outra igreja.

Os rapazes ajeitaram os bonés e comeram o lanche.