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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Eu e o Livro / Crônica

Eu e o Livro / Crônica


     Ler um livro é uma coisa. Prestem atenção nesse caso curioso.

     A Bíblia é como um dicionário onde se pesquisam palavras sagradas.

     Não é o caso. 

     Há mais ou menos sete anos, essa pessoa mandou me avisar:

     _Essa coleção de livros é sua. Venha pegar.

     Eu não costumo pegar livros. Ou me dão de presente ou eu os compro.

     Olha o que o tempo faz. Milhões de voltas andei, mas depois e os livros estavam guardados para mim.

     Li como se fosse um misterioso presente de Deus.

     Livros nacionais, incluso nessa coleção Érico Veríssimo, O Tempo e o Vento, e outros de autores fundamentais na literatura brasileira.

     Acontece que passado esse tempo de leitura, os livros continuam falando.

     Por outro lado, Jorge Amado esqueceu de me contar que a minha interação seria tão apaixonante.

     O problema é que eu sei o que vai acontacer, porque a história é igual.

     Nada a ver com política, filosofia, mas talvez sociologia.

     O livro termina com todas as pessoas em situações péssimas porque acreditaram na valorização do cacau na bolsa de valores.

     Os mais sensatos se contentaram em sair dali sem receber o preço justo das suas lavouras cacaueras, mas o preço que estavam dispostos a pagar, para poderem continuar as suas vidas, ou o fim das suas vidas no caso dos velhos.

     O livro fala da pobreza imensa, e de vários outros problemas sociais da época em que foi escrito.

     No entanto, todos os que começaram a tentar recuperar o custo com a lavoura de cacau terminaram em péssimas condições.

     Daquele tempo até hoje os Karbanks continuam a oferecer produtos, prejuízos e fórmulas inverossímeis de recuperar o prejuízo que causam mais prejuízos e que os conduzem àquela pobreza imensa descrita no livro.

     Agora, quando percebo nos outros essa sensação, digo.

     Pareço viver naqueles anos getulistas, com a necessidade de atrair investimentos estrangeiros, os quais nem sempre são bons para a população.

     Acordo com Jorge Amado e, pasmem, sonho com Érico Veríssimo, porque, toda a coleção que agora é minha, faz parte do meu cotidiano, querendo ou não.

     Entre aquele dia em que ouvi que aqueles livros eram meus e o meu hoje, é que é o mistério.

     Nenhuma filosofia ou religião me explica esse fenômeno, mas é preciso dizer que nem tudo nessa vida pode ser explicado, o que faz dela sensacional.

     Grata pela leitura.   

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