Vontade de Conversar Noutro Tempo / Crônica
Nós, os velhos, temos vontade de conversar noutro tempo.
Sem celular, sem notebook, mas nos adaptamos, e seguimos nos atualizando enquanto podemos.
Haviam histórias tão familiares, discutidas em casa, hoje não, o celular também nos distrái.
Não eram histórias de família ou novela, eram observações pessoais a respeito do que nos rodeia, e percebíamos com sensibilidade.
Aquelas histórias ficavam na cabeça da gente.
Depois, no tempo, uma palavra significa muito.
Existem pessoas muito atentas na vida das demais, e hoje em dia, com todos os apetrechos que possuímos, é fácil, mas assim perdemos o nosso próprio tempo.
Acreditem, nisso o tempo era bom.
Era bom ouvir:
_Eu tenho nojo disso! Vou ficar no quarto por sua causa.
Não era enjoo, a refeição fora saudável, e era uma palestra de hora e meia, com todos os preceitos pessoais inseridos naquela expressão.
Outra frase interessante:
_Isso é triste. Você sabe disso.
Não era minha essa tristeza. Era outra palestra de hora e meia.
Sei que ouvindo o que ninguém diz, fiquei vendo a novela.
De repente, o protagonista, em prantos, exclama:
_É horrível, não posso mais falar, e caiu em prantos.
Desliguei a televisão.
A bronca veio:
_Apagou a televisão? Graças a Deus.
Era daquele tempo do "Vale a Pena Ver de Novo".
Por mais enfadonha que seja esta crônica, nela contém horas de conversas e reflexões.
Cabe repetir que família é dentro de casa que vale.
Está bem, desliguei a tv.
Grata pela leitura.

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