Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

http://frasesemcompromisso.blogs.sapo.pt/

O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

terça-feira, 18 de junho de 2013

domingo, 16 de junho de 2013

Domingueira

Domingueira

clip_image002

O livro, na mesa de cabeceira;

A fronha, de sono convidativo;

O sonho, cadeira de penteadeira,

Dizendo: _Vem cá, me dá esse sorriso.

 

Ao sol, amanhece toda a floreira;

À flor, nesse encanto bom, positivo.

Descansa a sonhar com o que bem queira,

Sem livro, sem grampos, porque é preciso.

 

Deixando que flua o cansaço à beira

Do sono embalado ao som prestativo;

E deixa o pensar a essa domingueira,

Mas deixa nas vagas, nesse impreciso.

sábado, 15 de junho de 2013

Achando a Identidade

Achando a Identidade

clip_image002

A mãe comprava tênis novos para o filho, era um presente. Ela comemorava o fato do filho estar comemorando o seu primeiro ano no emprego.

_Deixa a mamãe fazer um carinho para você!

O garoto de dezenove anos estava contente da mãe ainda querer presenteá-lo.

Enquanto Miguel experimenta os sapatos, a mãe conta que no próximo final de semana haveria festa na casa da amiga.

Miguel muda a fisionomia e diz que não vai.

A mãe muda de fisionomia:

_Como assim? Não vai? A Laura é minha amiga e nos convidou para a festa do Naldo, que tem a sua idade?!

A conversa tomou outro rumo entre eles. Miguel expôs o seu ponto de vista:

_Mãe, você me educou como um ser responsável e hoje eu sou aquilo que se pode chamar de gente. O Naldo não é do jeito que você me disse que significa ser gente. Você conhece o Naldo. Não vou.

A mãe ficou constrangida e pediu ao filho que fosse, nem que fosse e ficasse meia hora e depois viesse embora.

O filho a encarou e disse:

_Mãe, meia hora para você com a sua amiga pode ser bom, mas meia hora com o Naldo-punk é ruim. Eu não vou ficar nem cinco minutos com o Naldo-punk e os amigos dele. Se eu tiver que ir, sentar-me-ei ao seu lado e pedirei um chá para a sua amiga.

A mãe disse que desconhecia esse comportamento dele. Ele não toma chá desde o tempo do berço e do chá de funcho.

O filho disse que tomaria do mesmo refrigerante que a amiga servisse para a mãe. Não iria para a festa na garagem de modo algum.

A mãe disse que ele poderia festar na garagem e que quem sabe ele conhecesse alguma garota interessante por lá.

_Garotas interessantes não se dão com o Naldo-punk.

A mãe disse que ele não a fizesse passar vergonha em frente à amiga.

_Você não passará vergonha. Irei à festa com uma joelheira sobre a calça jeans e direi do supremo esforço para chegar até a sala de visitas dela. Você aceita a sugestão.

A mãe disse que não gostava de mentiras.

_Mãe, não é mentira, é uma desculpa social para você dar a sua amiga. Para a garagem eu não vou. Você não conhece o Naldo-punk bem. Você é mais velha e eu compreendo as nossas diferenças. Agora, se você conhecesse o Naldo-punk como eu o conheço, eu duvido que você mesma não arranje uma desculpa para não ir à casa da sua amiga. Você me educou bem. Ela, com todo o respeito, não se incomodou com a educação do filho. Entendeu?

A vendedora estava ao lado dos dois e esperava para saber se os tênis estavam confortáveis e se o filho levaria o par de calçados.

_Serviram bem?

Miguel disse que serviam e os seus pés se esticavam confortavelmente dentro deles.

A mãe disse que iria comprar o par de tênis.

Miguel suplica para a mãe uma joelheira para a festa.

A mãe compra a joelheira para ele. Ele beija o rosto da mãe.

A vendedora os acha bonitos e sonha com o filho crescido e encaminhado para o bem.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Causo: Sempre a Sogra!

Sempre a Sogra!

clip_image002

Estava o homem indignado conversando com o amigo.

O amigo, João, perguntou o que ele tinha de errado.

“_Minha sogra morreu e eu viajei ao interior para levar a minha mulher para as últimas homenagens. Fui triste, a minha mulher chorou baixinho durante toda a viagem. Prestei muita atenção na estrada, naquelas circunstâncias todo o cuidado era pouco. Demoramos seis horas na viagem, mas chegamos a tempo para o velório.”

O amigo interrompeu-o perguntando se ela havia deixado uma família grande e se alguém precisaria de ajuda.

“_Deixou cinco filhos, mas estão bem de vida. Nenhum é rico, mas todos podem se sustentar sem ajuda de ninguém, também não há ninguém doente. Quanto a essas preocupações todos estamos tranquilos.”

O amigo comentou que o velório por certo foi deprimente, pelos modos como o amigo se comportava, ele deduzia.

“_Deprimente? Não. Era noite quando as bailarinas chegaram. Uns olhavam para os outros se perguntando se algum deles estava envolvido com danceterias. Ninguém estava. Vieram em seis casais e dois carros. As moças vestidas a caráter, todas de vestido de baile preto; os homens de terno completo preto, camisa branca e gravata borboleta. Chegaram, e perguntaram a quem poderiam se dirigir para prestar a homenagem. O mais irritado era o Geraldo e ele disse que o assunto poderia ser tratado com ele.

O representante dos bailarinos disse que a dona Geraldina havia sido uma das melhores dançarinas do corpo de baile e mostrou as fotos dela dançando boleros, rumbas, rock’nroll, e, até mesmo lambada.

Ocorre que, nenhum de nós sabia das atividades dela como dançarina de salão, muito menos das apresentações dela junto ao corpo de baile da Danceteria Dançando Passam-se as Horas. Todos nós víamos os vestidos de baile dentro de casa, mas ela dizia que os lavava e passava para deixá-los com aspecto de novos para quem quisesse ir às festas com vestidos usados. Nós acreditávamos nela.

Houve a homenagem que era uma flor embutida numa flâmula com o nome da Danceteria.

Eles estavam emocionados e passaram a noite conosco. Eles estavam tristes, nós estávamos indignados com o segredo dela. Todos os filhos casados. Ela morava sozinha, mas nunca saiu vestida para dançar de casa.

A minha mulher ficou com pena dela ter guardado esse segredo, ela compreenderia. A minha mulher gosta de dançar.

Acabo o assunto por aqui e mantenha o respeito. Contei porque estou injuriado de ter ficado na sala de velório mais curiosa da cidade. A minha mulher me compreendeu e prometeu que não terá segredos para comigo ou para com os nossos filhos.

“Antes não tivesse ido, mas foi bom, eu e a minha mulher nos acertamos sobre muitos pontos de vista.”

João, completamente sem graça, depois de o amigo ter dito o motivo do aborrecimento, que, aliás, não era por sua causa, disse que havia se lembrado do compromisso do escritório do sócio. Ele levantou-se e foi embora do bar.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Quem é Dono de Quem?

Quem é Dono de Quem?

clip_image002clip_image004

A mulher pediu ao marido para sair e levar o cachorro para a caminhada diária.

A primeira resposta do homem foi não, mas pensou olhando para o bolso e a ida ao veterinário pela falta de exercícios do cachorro e concordou.

Saiu resmungando porque o cachorro da mulher fazia com que ele saísse depois da dura jornada de trabalho.

Ao entrar no elevador, lembrou-se dos vizinhos do prédio onde ele, a mulher e os filhos moravam. Os homens tinham cachorros de médio porte e as mulheres em sua maioria, preferiam os cachorros pequenos.

Concentrando-se na tarefa de sair com o cachorro da mulher, olhou para ele.

Verificou que não era “ele”, era “ela”. Tinha laços de fita e roupa de lã com flores bordadas. Era da raça poodle, branquinha, com os pelos tosados na altura certa e toda enfeitada.

Até então ele não tinha reparado que a mulher tinha uma cachorra. Agora que observara o bicho com atenção, pensou em voltar e dizer à esposa que não sairia às ruas com uma cachorra. Ela se quisesse que levasse, o seu animal de estimação para sair.

Voltou ao apartamento e disse o que pensava para a mulher.

Ela apelou aos sentimentos dele, dizendo que o jornal dava notícias ruins e que era perigoso sair à noite com a cachorrinha.

Os sentimentos entre eles eram diferentes, pois ela sentia medo enquanto ele se sentia envergonhado de sair com o poodle dela. Não era exatamente o tipo de cachorra que o agradava.

A mulher convenceu-o a passear com a cachorra.

Ele desceu do elevador e foi ao portão do edifício. Olhou para um lado e para o outro até que não passasse nenhum vizinho que o conhecesse.

Avistou, na rua, o lugar mais escuro que pode encontrar. Dirigiu-se para detrás da árvore com a cachorrinha.

A situação atrás da árvore não era das mais confortáveis. Era difícil se esconder com um poodle na coleira numa árvore de tamanho normal.

Olhava para o relógio de minuto a minuto a fim de verificar se o tempo de passeio tinha acabado, mas atrás da árvore e no escuro, não consegui ver exatamente o ponteiro dos minutos.

Dizia a si mesmo que ele era o melhor marido do mundo, afinal, que outro homem levaria a cachorra da raça poodle da mulher para passear?

De repente, sentiu-se nervoso para entrar no edifício. Queria, no entanto verificar o tempo do passeio para não criar problemas com a esposa. Correu para o primeiro poste com lâmpada.

Uma senhora que vinha na direção contrária do sentido da luz do poste, pensou que ele fosse um bandido e meteu-lhe a sombrinha no pescoço.

_A senhora está maluca? Quem pensa que eu sou?

A senhora ergueu o nariz e seguiu o caminho dela dizendo que se ele fosse bom não sairia correndo de detrás de uma árvore.

Ao ouvir o que a senhora disse, correu para a árvore novamente e pegou a coleira com a cachorra.

A senhora que tinha dado com a sombrinha no pescoço dele, ainda em passos rápidos, dirigiu-se a ele novamente:

_Meu caro senhor, estamos em novos tempos. O senhor não precisa se esconder para sair com a sua cachorrinha. Na minha idade, vi muitas coisas nessa vida. Essa é mais uma. Errado é você ficar atrás da árvore assustando os pedestres. Da próxima vez, eu peço para o porteiro do seu prédio para tomar providências contra o senhor.

Ele respondeu que não haveria segunda vez e entrou no edifício onde morava dizendo à mulher que não mais sairia para passear com a cachorra.

A esposa, para resolver a situação, disse a ele para comprar um cachorro do qual ele gostasse.

Ele comprou um Husky siberiano.

Depois de alguns passeios com os cachorros, a família mudou-se para um sobrado, ficou com os respectivos animais de estimação e não mais precisaram os levar para passear. Questão de estabilidade familiar.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Aos Namorados

Enamorados

clip_image002

Os amores felizes insistem

Em dizer das palavras sinceras

O sentir do sereno. Deveras,

Os amores etéreos persistem.

 

São valores perenes que existem

Como dádivas, luz das esferas

Metafísicas vindas às terras,

Ao pulsar namorados, e brilhem...

 

Nos casais em união. Assim transmitem

O seu amor plenilúnio das eras;

O convite a sentir as esperas

Do dia em festa, e, ao universo, iluminem.