Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

sábado, 11 de agosto de 2012

Homenagem ao Dia dos Pais – Crônica Familiar

Homenagem ao Dia dos Pais

Crônica Familiar

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Eu não faço bolos bonitos, não tenho mãos para decorações de festas, etc. e tal. No entanto, eu sempre fiz o bolo que o meu pai (in memoriam) mais gostava.

O bolo preferido dele era o de chocolate com nozes e doce de leite. Não se enganem, não havia recheio. As nozes iam à massa e o doce de leite de cobertura.

Era um sábado como hoje e o bolo estava no forno e ele elogiando o aroma e perguntando quando ficaria pronto.

_Daqui a pouco, mas vamos comer amanhã. Eu, guardiã do bolo de chocolate.

Minha mãe saiu para se arrumar, estávamos os dois na cozinha tomando café com pão e goiabada conversando sobre o bolo. Naquele dia eu não fiz o bolo na forma de costume, vidro transparente. Tinha resolvido colocar numa assadeira de desenformar e tínhamos um problema: a mesa de fórmica era incompatível com o bolo na assadeira de metal. Nem sei como explicar tanta vontade de fazer o bolo perfeito, mas para ele cheguei a comprar esteiras e tinha decidido que o bolo esfriaria na sala de jantar em cima dos protetores para a mesa.

Não demorou muito e o bolo estava pronto. Meu pai estava preocupado com tanta atenção ao bolo e ao Dia dos Pais, eu parecia bajuladora, não filha. Foi nesse momento do bolo pronto, que ele disse:

_Filha, deixe que eu leve o bolo para a sala.

Eu e a xícara de café concordamos. Ele pegou o pano de prato e tirou o bolo do forno para ir à sala. Não deu dois passos sem dizer que queimava as mãos.

Eu olhei para ele e vi que ele pegou o pano de prato úmido. Não se coloca pano úmido em forma quente e ele não sabia. Quando fui dizer a ele sobre o pano, ele jogou o bolo para cima tentando apanhá-lo na queda. Quando ele começou a pensar que bolo era bola de futebol ou ping-pong (apelido da bola de tênis de mesa), eu me apavorei e disse:

_Deixe que eu pego na queda!

_Não, não. O bolo é meu, disse ele.

O bolo caiu no chão com a forma virada para baixo.

_Pai, a culpa é minha. Eu devia ter feito na forma de sempre.

_Filha, a culpa é minha, eu não sei fazer nada além de café.

Com o bolo esfarelado no chão começamos a rir, gargalhar. Eu peguei a vassoura e ele a pá para recolher o que havia sobrado para jogar no lixo.

Depois de limparmos a bagunça, eu disse:

_Tudo bem, eu faço outro bolo, disse eu.

_Na forma de vidro temperado, disse ele.

O segundo bolo no forno e a gente conversando, quando a minha mãe entra na cozinha. Levamos uma bronca imensa pela bagunça.

_Quer dizer que é eu sair para vocês aprontarem!

Ela estava toda arrumada e nós a protegemos das unhas feitas da louça de dentro da pia. Ou não tivemos tempo de lavar a louça ou ela tinha voltado rápido, fica assim a dúvida, poupando a todos os envolvidos na confusão de qualquer culpa.

Foi um dos melhores dias que tivemos!

Feliz Dia dos Pais!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Vampiros - Mais Uma Crônica de Supermercado

Vampiros - Mais Uma Crônica de Supermercado

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De novo fui comprar o pão crocante da tarde, encontrei a fila dos sonhos, e de novo encontrei gente de gabarito para conversar.

Comprei um livro cujo tema envolve teologia cristã e a jovem a minha frente leu o título do livro e pediu-me para ler a resenha na contracapa.

_Fique à vontade, disse eu.

Ela leu e releu e virou-se para mim a fim de dizer algo. Eu sorri, praticamente dando permissão para que ela fizesse a sua crítica sobre o livro que estava na minha cesta de compras.

A moça não teve dúvidas e disse:

_Finalmente alguém que não aprecia Crepúsculo!

Sou de alguma experiência cronológica e perguntei se ela falava dos vampiros.

_Minha senhora, sou curitibana. Vampiros são plenamente aceitos e bem quistos, principalmente os de Dalton Trevisan. Eu estudo e frequento a biblioteca, quero ser, quando deixar de ser adolescente, intelectual. Vampiros eu aceito de bom grado e de acordo com a grade das disciplinas. Gostar mesmo, assim, ao ponto da saga Crepúsculo, não mesmo!

Eu olhei para ela e disse que esse negócio de querer o sangue do outro não é bom. Mesmo que o vampiro seja alguma espécie de herói, eu também não gosto.

Os olhos da moça vibravam e continuou falando:

_Eu sou adolescente, ainda não tenho vinte e um, tenho dezenove e posso mudar de opinião, mas teologia tem algo a acrescentar, embora também não seja da minha religião gostei que fosse um livro de vampiros.

_Somos duas, disse eu a ela.

Ela repetiu que deveríamos respeitar os vampiros curitibanos, eu concordei:

_É melhor nem conversarmos sobre esses vampiros. Deixemos os morcegos para outra hora, inclusive o Batman.

Ela estava entusiasmada e falou mal do Batman, disse que mais comeu pipoca e tomou Coca-cola do que prestou atenção ao que se passava na tela do cinema.

_De fato, não gostamos de vampiros.

Chegou a minha vez de ser atendida, comprei os pães e disse boa noite à jovem estudante.

Ela disse que tinha ganhado o dia ao saber que ela não era a única da cidade que decididamente não gostava de vampiros.

Eu me despedi dizendo a ela que a conversa para mim fora agradável porque é cansativo seguir o pensamento comum da intelectualidade como se não tivéssemos gosto e raciocínio. Cheguei ao supermercado, cansada e saí renovada com a disposição da estudante em discutir vampiros.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Diálogo

Diálogo
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Tiraste-me a ferida,
Curaste-me da dor,
Fizeste-me fervor.

E, deste-me na vida,
Paciência e destemor;
Sonhaste-me uma flor.

Se, guiaste-me na lida,
Subtraíste o desamor,
Trocando-o pelo suor.

Fizeste-te guarida
Ao tempo do Senhor;
Das horas, pensador.

Venceste-te à subida,
Ao esforço cumpridor
Das metas; vencedor.

Bondade compartida
E amigo demonstrador
De um diálogo a compor.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Joaquina de Chapéu

Joaquina de Chapéu

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Joaquina, menina, tão linda de branco;

De flores e sonhos, de fitas ao céu,

Cresceu, ninguém viu, e, se mudou, fez-se pranto.

 

Joaquina, mulher a tecer véus de encanto,

Ninguém vê o bordado de renda no véu;

Saudade que brota da flor feito manto.

 

Joaquina viveu sem mostrar seu quebranto,

 

Ninguém a verá sem ideias ou chapéu.

domingo, 5 de agosto de 2012

Fama

Fama
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A fama se consome com o vento,
Nesse ar que se evapora sublimando.
O artista, cuja fome é o pensamento,
Sem dono, se detém sob seu comando.

Infiel ao se cuidar do catavento,
Exige que o capricho esteja quando
Quiser ou precisar de polimento;
Empenho da ilusão ao seu sofrimento;

O nome de improviso se transforma
Na estrela que conduz a sua sorte,
E, ao real ser, se abandona dessa forma.

Fascínio que não raro muda o norte
Da bússola na meta que se adorna
Com brincos de talento e se faz forte.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Deseducando para a Felicidade

Deseducando para a Felicidade

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Regras de etiqueta a serem quebradas:

1 - Meu amigo (a), se você tem diabetes, leve o seu chocolate sem açúcar, o seu doce de leite, enfim, as suas guloseimas dentro da bolsa, se for mulher, e na bolsa da mulher, se for homem. Quantos diabéticos reclamam das festas na hora em que os convivas comem os doces e eles ficam olhando e tomando um copo de água ou tomam um refrigerante zero ou diet. Ocorre que os problemas de saúde não podem isolar o convidado das guloseimas, e mesmo que, por educação, ninguém diga, é a hora mais chata da festa. Uma amiga querida leva em todos os lugares aonde vai as suas guloseimas. Ela me conta que abre a bolsa e tira o chocolate e o come acompanhado de um refrigerante. Diz ela que ninguém percebe, todos estão olhando para o próprio prato de doces. As únicas pessoas que reparam são as que estão de regime e vão à festa para a propaganda do regime, são estas pessoas que reparam e o jeito é não ligar, dizer a verdade e curtir a hora da gula igual a todo mundo.

2 -Meu amigo (a), se você tem a taxa de colesterol alto e te convidam para uma churrascada, vá. Almoce antes e coma pão com salada. A história que conto é bem mais triste que a dos doces: numa festa uma senhora comia pão com salada e alguém implicou e perguntou a ela se era vegetarianismo. Ela disse que não, que era taxa alta do colesterol ruim e que se cuidava. O amigo que implicou com ela replicou que ele também tinha o diacho do colesterol alto, mas que se excedia aos finais de semana. Passados dois meses, a mulher recebe um telefonema dizendo que aquele amigo havia falecido de enfarto fulminante e que a mulher e os filhos pequenos estavam muito abalados. Lembraram-se da conversa dos dois, mas ela não acusou o falecido. Ficou triste pelo acontecido e disse que não cabia a ninguém culpar ninguém, disse também que foi uma fatalidade e que os amigos orassem ao invés de comentar.

3 -Meu amigo (a), a franqueza é considerada por muitos como grosseria, penso que nem sempre. Conheci um garoto estagiário que ao falar com o seu chefe e perguntado sobre o objetivo daquele estágio na vida dele, ele foi absolutamente franco e disse que aquele estágio era uma escada para um emprego melhor, disse também que era de origem pobre e não usou o eufemismo humilde, que queria o emprego para ajudar a família, mas também para mais tarde conseguir o emprego que o fizesse sair da condição de pobre. Disse que era ambicioso em consequência da condição de vida que tivera na infância e era sério e competente e iria subir na vida. O chefe se encantou com a resposta porque entrevistas são para serem sinceras, mas aquele garoto foi mais que sincero. Ele precisava com urgência daquele emprego, mas não lastimou a sorte, antes a enfrentou com altivez e até com certo orgulho. Aquele garoto tinha orgulho de ser bom, aquele garoto mereceria atenção nos seus potenciais, ele não enrolou e foi direto ao assunto. Aquele garoto chegou lá.

Acho que a etiqueta passa por aí, passa pelo bom senso e pela liberdade individual de gostar de si mesmo do seu jeito.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Corolário

Corolário

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Quantos sorrisos de Eva

Imaginados, vários

Na fantasia discreta;

Derivação aos recatos.

 

Originais, de cepa,

Direcionada aos tratos

Dos artifícios nela

Orientados, atos.

 

De tal sorriso, a fera,

De horripilantes hálitos,

Que oferecendo a terra,

Vem e quebranta os halos.

 

O corolário à inversa,

Se traduzido aos fatos,

Diz que Esse amor revela

Conhecimentos fartos.