Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Mulher no Espelho

 

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À surpresa, não ganho tempo

Nesse espelho de muitas cores.

O momento passou no vento,

Não o retive. São tantas flores

Num jardim parecido: intento

De mulher; na beleza as dores

Dos amores sentidos. Penso

No depois: _ Amanhã demores

A chegar, estarei a contento.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A Próxima Reportagem.

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Edson Prado recebeu a pauta para a próxima reportagem. O jornal pediu uma reportagem sobre um fato comum que despertasse a vontade de ler para os cidadãos comuns em tema de livre escolha.

O tema era tão vago, que ele foi tomar um café a dois quilômetros dali para pensar em alguém comum. No café, conversou prestou atenção nos freqüentadores. De todos os presentes, tinha um homem sisudo, do tipo que cortaria qualquer diálogo, pelo menos esta era a impressão que o homem passava a quem o observava naquele momento.

Edson gostou do homem, ele seria a desculpa para que mudassem o tema proposto para ele.

_Bom dia. Está frio hoje. Eu sou jornalista, trabalho no Jornal da Cidade e gosto de conversar, às vezes falo até demais. A sua profissão deve ser séria, qual é a sua profissão?

_Engenheiro.

Ele perguntou se o homem gostava da profissão que exercia.

_É uma profissão edificante.

O homem baixou a cabeça e franziu os sobrolhos.

Edson se desculpou e perguntou se era inconveniente. Ao pedir desculpas, perguntou o nome do engenheiro.

_Ozias. A sua conversa não me aborrece, pelo contrário, me ajuda. Você que é jornalista, tem uma resposta para o meu dilema? Por que a população vota em quem faz praças e parques e não vota no político que investe em infra-estrutura? Estou cansado de ouvir que tatu não é eleito. Para nós engenheiros, que participamos das licitações, construirmos edifícios públicos, praças ou a rede de saneamento de água para a cidade dão o mesmo lucro.

Edson ficou atento à explanação e se postou com os cotovelos em cima do balcão e a cabeça voltada para ele, indicando que o ouviria.

_Sabe jovem, se um prefeito calçar uma rua e discutir com os moradores a forma de pagamento, os moradores o aprovam. Depois do calçamento pronto é que se pode falar e saneamento. Abrir a calçada da rua, fazer um buraco, instalar as manilhas e criar outra discussão sobre o assunto dá voto. É ilógico esse comportamento. Mas, se o prefeito construir a rede de água antes do calçamento e parcelar em doze vezes a benfeitoria, sem polêmica, nas próximas eleições ele não se elege.

Edson não o conseguia levar a sério, mas o caixa do estabelecimento concordou com o engenheiro.

_O doutor tem razão, disse o caixa. Para o político é necessário que o povo discuta sobre ele, que venha a oposição política e o critique e que a situação demonstre a necessidade da obra. Ele precisa ser discutido, as suas obras precisam de discussão, são essas discussões que o garantem no posto. Quando não há discussão, o povo e os outros políticos dizem que ele não fez nada, que colocou meia dúzia de manilhas e quer se reeleger.

Edson pediu mais um café e aguardou que Ozias continuasse a conversa.

_Enquanto isso, nós, engenheiros fazemos o mesmo trabalho duas vezes. Nós gostamos de dinheiro, mas é aborrecido esburacar a mesma rua que nós calçamos, quando há tantas ruas para serem calçadas. É uma incongruência. Eu não sei se é o analfabetismo que produz esse raciocínio, eu não entendo. Tira o prazer de construir, tira a motivação dos peões, mas deixa o povo feliz. Haja praça bonita para tampar a fossa.

Edson interferiu:

_O senhor não culpa a classe política, então?

_Jovem, não é prazeroso ganhar dinheiro em cima da incapacidade de convencimento da população pelo político. Eu quero é melhorar a condição de vida e moradia e, dentro desse próprio povo, a mesquinharia os impede de progredir.

Foi um café amargo, mas a matéria estava pronta. Pediu permissão para citar o nome do Ozias e não a obteve. No entanto, Ozias indicou algumas ruas recentemente calçadas onde algumas empresas faziam as melhorias necessárias. Ozias pediu ao repórter que entrevistasse os moradores dessas ruas e ouvisse os elogios ao governante.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Carta de Esperança em Meio à Dor - Solidariedade

mãos de amor

Curitiba, 15 de janeiro de 2011

Prezado Amigo,

Jamais escreveria esta carta se não soubesse a dor que te invadiu nesse momento.

Ainda pequena, vivi algo semelhante. Lembro-me de estar sentada no degrau da escola chorando. Meu pai e a minha mãe me procuravam e eu me escondia. Junto a mim estava uma amiga que me repreendia. Ela perguntava o porquê da minha atitude. Eu respondi que não queria que eles me vissem chorando. Ela pediu-me para parar de chorar e ir ao encontro deles.

No dia seguinte, ela me perguntou por que eu chorava. Eu respondi que não tínhamos mais nada, que nos restava a vida e era “por enquanto”. Disse também que eles tinham a mim. Toda criança é egocêntrica, lembre disso. Eu pensava que se eles me vissem séria, eles sofreriam menos e eu os ajudaria. Assim me comportei.

Eles perderam toda a família deles, os pertences e quase se entregaram a desesperança.

Sem ter como brincar, as sombras produzidas na parede e as suas diversas formas eram diversão. O céu foi e ainda é uma fonte inesgotável de esperança. Quantos planetas e estrelas ainda não são conhecidos? O mundo é grande e há de existir um lugar para você e para todas as suas lembranças das perdas que não desaparecerão em um mês e, talvez, nem em um ano. Mas daqui a um ano você conviverá melhor com os fatos.

Naquele momento em que tudo foi perdido, eu ganhei um novo mundo para desbravar. O velho mundo não servia para mais nada. As crianças têm coragem para construir um novo mundo. Às vezes, mais coragem e mais vontade que os adultos. Os adultos são práticos e se esquecem que os sonhos ainda podem se realizar.

Sei que eles contavam com os meus sonhos para seguirem em frente. Os sonhos dos filhos empurram os pais ao enfrentamento das maiores adversidades. Amigo, creia nisso.

Com o meu sofrimento, aprendi a amar quem estivesse do meu lado. Deixe-me dizer melhor, abrace quem estiver ao seu lado nesse momento de dor. É um gesto simples, mas que dá forças e aumenta a solidariedade. Quando a gente sofre junto, a gente sofre do mesmo jeito, mas tem-se a impressão de que se vencem as dificuldades mais facilmente. E, por favor, pense que pelo sobrevivente você pode fazer algo, nem que seja apertar as mãos dele e dizer “sinto muito”. Mesmo que você também seja uma vítima.

Amigo, quando aconteceu comigo, lá em casa não procuramos culpados, embora não faltem culpados nessas horas. Tentar seguir em frente é muito melhor do que se queixar, por mais que doa e por mais que se tenha vontade de discutir a situação. O que importa é comer, beber água e sonhar que um dia essa dor será uma lembrança e não uma realidade, um fato acontecendo no dia de hoje.

Amigo, peço-te humildemente que aceite estas palavras que não servem e nem querem te consolar, mas te dar forças para prosseguir e construir tudo de novo.

Um abraço amigo, Carolina.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A Tragédia - Rio de Janeiro

Tragédia      stormy-water

Tanta desgraça,

Chuva, tristeza,

Morte na praça,

Pura incerteza;

Água que traça

Vida e vileza.

Dor que grassa

Indefesa,

Quase trapaça;

Sem sutileza

Voga a carcaça

Nessa rudeza.

Lama e graxa

Testam a raça

Forte em destreza.

Rol que se arrasta

Nessa rareza,

Malha insensata.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Jasão e a Sua Riqueza

 

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A riqueza do velocino de ouro

Ficará com os argonautas. Coro

De Netuno: o navegador Nestor,

Na beleza, desse tão hercúleo encargo;

À coragem dá-se um Teseu, calouro;

E ao lirismo, os dedos de Orfeu, um tesouro.

A viagem, a embarcação, de novo

Encoberta por um dragão nesse antro...

Vãos temores; adormecido o touro.

Semideuses a proteger um argo

Sustentando com mãos de ancoradouro

A fortuna de navegar seguro.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Fuga

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Fuga

Fuga é contraponto;

Doce contra-senso,

Plano em desencontro

Contra um sofrimento.

Vozes no seu ponto

Cantam seu distenso

Longe de um impromptu

Para um sentimento.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Pensamentos Soltos 2

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Pensamentos Soltos 2

Você não seguirá com a maioria. Quem tem um pensamento sofisticado não vai com a turba. Escolhe cuidadosamente o que quer, faz opções diferentes e não aceita ser massa de manobra. Pensar ou criar é um processo a que poucas pessoas se dão a vontade. O caminho mais fácil é, antes de tudo, óbvio.

Como é que alguém que leu a Bíblia, Marx e Stuart Mill e tirou as suas conclusões pode ser igual? O melhor a fazer e aceitar-se. Os seus padrões se afastaram de Roma, do sexo de Marx (a quantidade é melhor que a qualidade) e a selvageria capitalista dos conservadores. O humanismo briga com a ecologia porque o bicho homem pensa e o bicho é instinto e se, o homem seguir o seu instinto, ele deixa de ser homem. E, se a mulher abdicar do amor, ela deixa de ser mãe.

É difícil aceitar-se como quem pensa mais que age. Pelo caminho encontrará algumas pessoas afins, mas também encontrará uma maioria crítica que irá te perguntar e te questionar. É bom ser amiga dos seus amigos, seja de confiança e permita-se ser amada pelos seus defeitos e não pelos seus pensamentos. O pensar não vem do amor, da emoção, ele é solitário em todas as suas medidas. O amor vem da possibilidade de errar, de chorar à toa, do sentir. Amor não é instinto. Esse último é sobrevivência, é matar um bicho solto na rua e comê-lo para não morrer de fome não importando o sabor. Dizem que a cabeça está acima do coração para comandá-lo, mas as emoções são inteligentes e subvertem a ordem. É melhor que haja um equilíbrio entre os dois para que exista a vida.

Ame, mas ame qualquer pessoa de forma religiosa, como se fosse uma profissão de fé. Quem ama é salva vidas. Quem pensa, discute a vida. É diferente. Chorar é bom, sorrir é bom, a emoção é uma boa sensação, é a sensação que existe algo mais dentro da gente que merece respeito. Sem perder a razão e sem virar bicho instinto que é o seu animal, a sua natureza.