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quinta-feira, 2 de março de 2017

Sentido Inverso / Crônica do Cotidiano

Sentido Inverso / Crônica do Cotidiano

     Num só dia, o de hoje, ouvi duas pessoas em lugares diferentes e, provavelmente desconhecidas entre si, com a mesma conversa.
     Uma senhora comprou uma casa no interior do Paraná, Campo Mourão, cidade distante quatrocentos e cinquenta quilômetros da capital do estado, Curitiba.
     Ela estava feliz. Com o dinheiro que conseguiu juntar até agora ela poderia dar a entrada num apartamento na capital do estado, mas viu um classificado de jornal onde o preço de uma casa quitada cabia no bolso dela. Não pensou duas vezes, comprou a casa e está de mudança da capital paranaense.
     A amiga dela questionava sobre a distância da metrópole, mas ela dizia que Campo Mourão é uma cidade de médio porte e que ela teria como viver lá. Não respondeu ao questionamento da amiga objetivamente. Comprou a casa e fim de papo.
     A outra história eu ouvi de passagem. Ao homem ofereceram casa para morar em lugar retirado, emprego garantido, mas ele teria que levar a mobília.
     Esse homem,  de aparência sincera e humilde, contava ao amigo da decisão:
     _Tenho cama, armário, fogão e geladeira.
     O amigo disse uma frase que eu não entendi muito bem:
     _Se você tem cama e armário, fogão e geladeira, você não precisa de mais nada. Você tem tudo o que precisa, mas como é que você vai levar as suas coisas para lá?
     _O Zé ofereceu o carreto (transporte). Ele quer verificar se eu vou ficar bem instalado. Se esse não for o caso, volto para Curitiba, mas eu quero muito uma vida mais sossegada que a da capital. Aqui a gente mora em lugares que nem é bom comentar. Eu sou sozinho e posso arriscar a levar uma vida melhor.
     Esse homem está deixando o emprego para arriscar a sorte no interior. O estilo de vida dele o sobrecarrega de preocupações.
     Enquanto eu caminhava o que ouvi foi isso, tudo bastante rápido, nas paradas para esperar o semáforo abrir.
     Eu não sei como é que anda o estilo de vida no interior, mas é certo que esses dois querem se livrar da vida agitada.
     Alguns anos atrás, o sonho de quem morava no interior era morar na capital.
     Hoje, porém, o que ouvi foi muito diferente. Agora, que se saiba, não há nenhuma corrida do ouro pelos lugares do interior.
     Fiquei imaginando qual o tipo de sossego era esse do qual ambos falavam.
     Conseguir comprar uma casa é um bom motivo para se mudar.
     O homem no entanto, possui o que disse possuir e quer trabalhar sossegado.
     Provavelmente, no interior, serão conhecidos pelos seus nomes e não serão anônimos em meio aos transeuntes.
     De comum entre os dois é que ambos se sentem como que saindo de uma panela de pressão. Mas, se não fosse o semáforo e a caminhada, acredito que não os teria notado.
     Esses dois anônimos me deixaram intrigada. São pessoas com aparências comuns, mas com decisões cheias de subjetividade.
     Por outro lado, também pode ser um movimento inverso àquele que trouxe pessoas do interior até a capital em busca de alguma oportunidade.
     De qualquer forma, são pessoas honradas e querem melhorar a qualidade de vida.
     Não posso analisar conversas em semáforos, mas mesmo que fosse uma conversa de café, não seria fácil saber o que se passa com eles.
     Tomara que consigam essa vida melhor que tanto esperam, tomara.  

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