VideoBar

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

VideoBar

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

domingo, 15 de dezembro de 2013

A Descoberta de Odete

A Descoberta de Odete

clip_image002

Ana Augusta e Irineu George receberiam para o Ano Novo a visita da amiga, vinda de Matelandia, interior do Paraná.

As festas de Ano Novo, em Curitiba, são restritas e as comemorações são discretas e, embora contando com cardápios sofisticados, as festas mais atraentes ocorrem no litoral do estado, mais precisamente próximo à cidade litorânea de Caiobá.

Ana e Irineu estavam receosos que Odete, ao ir com eles para Caiobá, se excedesse. Moça desacostumada a festas, de rotinas comuns, de modos singelos.

Odete chegou da rodoviária, onde pegou o taxi e acertou a campainha na casa de classe média situada entre os bairros do Bacacheri e Jardim Social na Rua Fagundes Varela.

A hora do jantar foi de apreciações entre o casal e a amiga.

Ana observou que a amiga era falante, animada e estava ansiosa para ir ao litoral.

Embora não dissesse, estava com saudades da amiga e a queria bem. Resolveu aconselhar e prevenir para que Odete não se aborrecesse...

_Odete, a vida na cidade não é exatamente como a vida no interior. Nas festas de final de ano a cidade se esvazia, muita gente desce para as praias. Você está conosco e é um prazer recebê-la, mas tome cuidado.

Viajaram até Caiobá. Eles viram a queima de fogos depois da ceia composta por leitão à pururuca, arroz com castanhas e saladas.

Quando o carro de som do trio elétrico apareceu, Odete pediu licença e foi à rua. Fazia tempo que ela não se divertia. Ao vivo e em cores a realidade era melhor que aquela da sua imaginação.

Ana e Irineu ficaram aborrecidos, pois, a postura deles era outra e gostavam de ficar à janela vendo a festa.

Nenhum dos dois imaginou a amiga num trio elétrico.

Na rua da festa, alguns conhecidos do casal vieram conversar com Odete.

Contaram a ela que outro era o comportamento esperado. Uma moça do interior, tão desenvolta?

Odete disse que, no interior, as festas são boas e animadas. Sempre existem aqueles que se excedem.

No interior, a conversa vara a noite sem que as pessoas se embriaguem, a vontade de festejar é coletiva.

Esses conhecidos fizeram companhia para que ela não tivesse grandes aborrecimentos, porque aborrecimentos leves ela teria quando chegasse à residência de Ana Augusta e Irineu George.

De fato, no dia seguinte, eles levantaram cedo e foram caminhas na praia. Não a convidaram.

Quando ela acordou, eles haviam retornado do passeio.

A primeira expressão de conversa foi essa:

_Você está melhor, Odete?

Ela respondeu que melhor de como se sentia seria difícil e sorriu.

Ana disse que esperaria a ressaca passar e depois tornariam a conversar. Ainda se deu ao trabalho de justificar o comportamento da amiga, dizendo ao marido:

_A Odete é do interior e nunca tomou champagne. Eu não poderia deixar de oferecer uma taça para ela. Foi o champagne que fez mal.

Odete não se lembrava de ter tomado champagne. Por que é que ela tomaria uma bebida da qual não gostasse.

_Ana, pelo que eu me lembro, eu não tomei champagne.

Ana pediu para que Odete fizesse repouso e esperasse sentir-se melhor.

Pelo dito e pelo não dito, Odete voltou ao interior com o apelido de “Champanhete”.

Alguns anos depois, viajou novamente e era dia de Ano Novo.

À sua volta todos estranharam o comportamento dela.

O gaiato, sem timidez, ou, problemas de dicção, foi direto ao assunto e, perguntou para a moça:

_Odete, onde é que foi parar a ‘Champanhete”?

Odete, falante como de costume, contou a situação:

_A “Champanhete” ficou em Caiobá. Se o povo me colocou no papel de Champanhete, está colocado. Mas, o argumento vale para Caiobá, eles precisam da Champanhete. Eu, não. Eu estou muito bem sendo Odete.

Eles se sentiram enganados e nem precisaram do trio elétrico para se chatear.

Descobriram a legítima Odete, sem querer e, sem sonhar.

4 comentários:

Mª Carmen disse...

Hola amiga paso a desearte unas felices fiestas que las tengas llenas de amor y ternura. Besitosss.

Célia Rangel disse...

Julgamentos... tornam as pessoas presunçosas demais!
Abraço.

Luiz Cidreira disse...

Seus contos são sempre bem lidos, a suavidade das interlocuções são fáceis e dinâmicas para nós.
Ps. Esteramos de Férias a partir da próxima postagem, por isso a família Cidreira está desejando um Feliz Natal e Boas festas.
Abraço

Eloah disse...

Amiga,que o natal e o novo ano te presenteie com caminhos perfeitos, pedaços de céu, feixes de luz interior, traços de emoção e como prelúdio a magia da fé e da esperança para fazer morada na tua alma e trazer felicidade e eternas aspirações. Forte abraço Eloah