Lugares Bonitos

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Crise da Meia-Idade / Filosofando

Crise da Meia-Idade

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Amigos, acredito que a gente sabe quando está na meia idade quando a gente se sente uma galinha em muda das penas.

Ainda não se sabe se será divertida essa fase, mas se adivinha que os sofrimentos serão todos novos e a vontade que se tem é a de jogar todo o conhecimento e a experiência que se tem na lata do lixo.

Os novos problemas passam a ser relativos e, justo para alguém que não estudou Einstein o suficiente. Literalmente você demora a se decidir e, mesmo indo numa determinada direção, não sabe se é a melhor.

Agora, se você conseguiu chegar até a meia idade e não desejar o seu pior sofrimento para os seus adversários, certamente você tem mais chances de ter uma velhice tranquila. Para que se meter em confusão justo nessa idade?

No entanto é bom poder ensinar algo para o seu amigo. Algo como um xarope para a tosse de um resfriado passageiro, talvez mesmo servir uma gemada com leite quente e canela para fortificar. Estou citando como exemplo galinhas e das que dão bons ovos, então um pouco de propaganda até as ajuda.

Outro lado bom dessa fase é descobrir a sua área cega. Você se livra de um carro velho e compra um usado, assim, apenas por comprar um novo problema para se ocupar. E, pronto: você descobriu essa área cega de você mesmo. Algumas pessoas têm cachorros e gatos de estimação, você tem um carro velho para cuidar. São fatos que não se supõe, simplesmente acontecem.

Todas as oscilações de humor da adolescência reaparecem. Você se olha no espelho e não acha uma espinha, você acha rugas que nem sempre te dão orgulho ao serem compartilhadas com os amigos. Ao contrário, se você for mulher, você compra um corretivo para preenchê-las e dá uma disfarçada com a maquiagem. Mas, se você for homem, corre ao banheiro para fazer a barba porque barba feita não tem cor grisalha.

E nem é por vaidade, é a autoestima quem brinca com você no espelho. Depois é sorrir, sair e, ser feliz com toda essa turma que preserva a autoestima e são os seus amigos.

Aí, de repente, aquele estilo de blusa que você amava vestir quando era mais jovem, volta à moda. Nesse caso, acontece de vir alguém ligeiramente reacionário para dizer que você perdeu a noção do ridículo. A resposta que fique na ponta da língua: “Eu nunca tive a noção do ridículo, não seria a idade que me traria.” A resposta não é exata, pois, pode ser que a idade traga a noção do ridículo, mas que aguarde mais alguns anos.

Compre a blusa!

No entanto, os barulhos de porta rangendo feitos pelos seus braços e pernas ao amanhecer merecem um alongamento matinal e uma espreguiçada gostosa. Nesse crec-crec( eu não sei o barulho dos seus ossos e só posso dizer dos meus) você se anima para o resto do dia.

O que vem pela frente na sua vida é uma surpresa que você não sabe se será aprazível ou não, então é melhor aproveitar essa crise de meia-idade.

Alguns novos hábitos certamente serão impostos, outros, empréstimos porque algum dia você precisará dos favores dos amigos, talvez um copo de água gelada porque está calor e você chega suada a casa deles depois da caminhada de meia hora da nova rotina.

Mas é melhor não se preocupar, logo chega à velhice.

Um comentário:

Célia Rangel disse...

Não há como fugir de tais sintomas e crises, se quisermos sorver as delícias da vida até o último gole!
Abraço.