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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Anjos Sem Asas

Anjos Sem Asasclip_image002

Madalena, a zeladora da escola, observava o comportamento da secretária Shirley. Chegava a hora do almoço e ela comentava com as colegas que mantinham o pátio da escola limpo:

_Estou preocupada, que fique entre nós, mas ela não para. Há meses está concentrada nos alunos, nos professores e naquilo que a direção pede. Eu, na opinião de vocês, deveria aqui elogiar a Madalena, mas ela está com a expressão congelada. Se é que vocês me entendem, ela não fica aborrecida, entediada, alegre ou satisfeita, ela tem um sorriso igual de olhos cansados do computador.

As colegas se adiantaram e perguntaram a Madalena porque ela não falava de outro assunto, comentários poderiam acabar em disse-me-disse e a prejudicada seria ela mesma.

Madalena não se deu por inconveniente.

_Deixem que eu resolva o problema da Shirley sem abrir mais essa boca.

As colegas mudaram de assunto.

Na hora da limpeza, Madalena tratava bem a secretária e ficava de olhos no sorriso da moça.

_A senhora está satisfeita com a limpeza?

_Estou, respondeu a secretária.

Assim ela se mantinha em contato e sabia a cada dia um pouco mais a respeito da secretária, coisas como a marca dos biscoitos que ela comia na hora do intervalo.

Um dia, enquanto fazia a limpeza da sala, ela pergunta:

_As suas coisas estão em ordem?

_Estão.

Agora, Shirley temia que a Madalena se tornasse inconveniente e ela tivesse que reclamar, a moça era boa funcionária e seria aborrecido ser obrigada a tomar alguma atitude contra a zeladora.

No dia seguinte, Madalena, cheia de autoconfiança, diz antes de sair da sala da secretária:

_Existem coisas que aparecem e outras que desaparecem, assim é a vida. Até logo e fique com Deus.

Shirley ficou intrigada, mas depois desconsiderou. Fazia parte da personalidade da moça essas perguntas e agora, frases. Esqueceu. Terminou o dia, foi para casa e abriu a bolsa para tirar o pacote de biscoitos com o biscoito que sobrou do intervalo, quando encontrou um pacote de balas lacrado. Não eram balas comuns, eram as balinhas de morango preferidas do seu ex-marido. Pensou em como é que a Madalena sabia da marca dos doces preferidos do ex-marido e não encontrou uma resposta. Modificou a fisionomia com tantas perguntas a fazer, mas não as faria para a zeladora. De todo o modo refletiu sobre a sua vida. Se pudesse daria asas de anjo à Madalena por fazê-la sorrir. Comeu uma bala, daquelas que jamais experimentou enquanto casada e eram realmente saborosas, até que ele tinha bom gosto. Quando mentalmente o elogiou, sentiu evaporarem todas as suas atitudes que baixavam a auto-estima. Se ele tinha bom gosto, ela tinha qualidades; que eles fossem felizes, cada um do seu jeito.

No dia seguinte, quando Madalena entrou para arrumar a sala:

_Madalena, o que você mais gosta de arrumar?

A expressão da Shirley estava diferente.

_Enxugo gelo com devoção.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Falta Uma Sílaba

Falta Uma Sílabaclip_image002

Aguardar o final de uma história

De cultura diversa, que fala

Do respeito à contrária memória,

Porque o mérito está na escalada

Da montanha, sem topo de glória,

No prazer de fazer; caminhada

De explorar o sentido da própria

Convicção, sem quedar contrariado.

Dos conceitos impostos se testa

O melhor do limite provado

Com razão na vontade que resta,

E comove o seu calo desfiado.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Flor da Pele

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Flor da Pele

A dureza do espírito

Não permite o descanso,

E retesa um sorriso

A chover no remanso.

 

Descansar nesse ritmo

D’uma lua ao malandro

Pôr-do-sol infinito,

Alegria traz ao seu anjo.

 

Se não pode do seu íntimo

Bem-estar, esse encanto

Retirar; faz do enguiço

Um motivo de canto.

 

Porque a festa é do sítio,

Da cidade e do santo,

Que melhora o feitio

De fadiga ao recanto.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Clio – Musa da História e da Criatividade

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Reflete essa flor

De livros, a musa

Da história, o valor

De causa e figura.

 

Sanou um torpor,

Volveu com ternura

O grato calor

Que envolve a cesura.

 

Respeito a se impor,

Com muita costura,

Que pede ao leitor

Gostar da leitura.

 

Não deixa o bolor

Marcar com gastura,

Não põe o indicador

Molhado à leitura.

 

Exemplo de amor

Que pari a cultura,

No sábio fervor,

Suave aventura...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Noitadas Clássicas

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Controlo o controle que assim me controla,

Que dorme em inertes mãos sós e cansadas

Dos olhos colados na touca que enrola,

Sofá muito gasto de penas magoadas.

 

Preguiça e razão das noitadas passadas

Na música alegre, o violino que sola

Uma ária, doce ópera; e o piano, sonatas;

Sopranos agudos cantando à farsola

 

Animam de braços abertos as fadas,

Assopram beleza de som em marola,

De vozes perfeitas nas cordas obradas;

 

Nas noites vocais de molhar a bicota...

Ouvidos que embalam a insônia que assola;

Esquece o controle nas mãos enlaçadas.

A Querida Noris me enviou o seu poema, ei-lo:

Universal Ambassador of Peace


Os meus agradecimentos pelo envio de mais este vídeo, o qual abraço e publico, Yayá.

domingo, 25 de setembro de 2011

Belo Almoço de Domingo

Belo Almoço de Domingo.

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Sabrina nasceu e cresceu em Londrina, completou dezoito anos com o seu segundo grau completo e a não aprovação no vestibular após um ano dedicado aos estudos. Esqueceu-se dos sábados e domingos em estudos, mas não entrou na universidade.

Na sua festa de aniversário, em frente à família reunida, Paulo Freitas, o seu pai, entregou a chave do apartamento para ela e disse que esse presente representava a confiança alcançada por ela dentro da família, que ela era uma jovem dedicada e responsável e merecia um presente pela conclusão do segundo grau.

_Desejamos que você continue do jeito que é, esforçada e estudiosa. Todos fomos cúmplices nos seus estudos e presenciamos a sua dedicação. Sabemos que você entrará para uma faculdade e que precisará estudar mais seis meses ou mais um ano inteiro. Acreditamos em você.

Sabrina se emocionou com o presente e disse que iria estudar até entrar numa faculdade de odontologia. Dentro dela havia uma tristeza de não ter passado no vestibular, uma sensação de que nem sequer havia concluído o segundo grau, um sentimento de derrota.

Esse dia 15 de fevereiro de 2.001 era para não ser esquecido. Mostrava-se agradecida e humilde. A chave da porta de entrada do apartamento veio em um chaveiro de acrílico branco comprado pela mãe, Soraia, em concordância com o marido. As iniciais S. F. estavam gravadas em dourado e foram artesanalmente grafadas por um calígrafo da cidade. Veio em uma caixinha de música comprada ali mesmo, em Londrina. Era uma caixinha de metal em formato de coração, sem bailarinas ou enfeites caros. A caixinha fora comprada simbolicamente pelos seus dois irmãos mais novos, O Paulo Júnior, de 15 anos e o Célio, de treze anos.

A festa segue até os convidados, seus parentes, irem embora. Louça limpa, casa arrumada, todos vão se deitar.

Sabrina derrama lágrimas ao travesseiro. Foi para ela a festa mais significativa da sua vida.

A moça acorda às sete da manhã, mas não levanta. Pega a caixinha de música com a chave ao lado da cama e a coloca em suas mãos. Brinca de ser adulta na imaginação. Sair para as aulas do cursinho com as chaves da casa nas mãos é algo engraçado. Ela sorri.

Soraia bate à porta do seu quarto:

_Sabrina, levante-se. Já passam das nove horas da manhã.

_Estou levantando mãe.

Soraia está desempregada e faz um ano e meio que ela desempenha as funções de mãe e de dona de casa. Os filhos estão em férias escolares e as aulas começam em março.

Na hora do almoço, o pai sugere que Sabrina estréie a chave.

_Não tenho o que fazer. Estou em férias.

Os meninos, mais animados do que ela, querem ir ao cinema assistir um filme repleto de efeitos especiais.

_Os filmes que eles gostam são demais para mim. Fico em casa.

O pai olha para os meninos e pisca.

_Eles assistem o filme que quiserem e você assiste o filme que escolher.

_Sozinha, pai?

_Sozinha com a chave da casa te dando segurança. Se vocês forem ao shopping, eu os levo, vocês assistem os filmes e voltam para casa de ônibus. Você abre a casa para eles entrarem em casa.

A mãe, Soraia diz que vai sair e que conta com ela para ajudar em uma tarefa nada difícil.

Os dois garotos e a irmã vão ao cinema. Os meninos para uma sala de exibição, Sabrina vai para outra sala de exibição.

Sabrina entra devagar na sala, observa que tem outras pessoas desacompanhadas lá dentro. Essas pessoas parecem satisfeitas com os seus sacos de pipoca e refrigerantes. Celulares são desligados um a um. Ela também desliga. Acaba o filme. Ela sai para se encontrar com os irmãos. Eles a alertam para que sorria o melhor sorriso porque estão sendo filmados. Dirigem-se ao ponto de ônibus em pilhérias um com os outros.

_Sabrina, não demore tanto para achar a chave. O Célio precisa ir ao banheiro.

Assim passam esse fim de semana. Passeios com a chave de Sabrina.

Na segunda-feira a mãe pede para a filha ir ao banco descontar um cheque que o seu pai deixou para as compras no supermercado.

_Banco? Eu tenho medo de lidar com o dinheiro da família.

_Pois, hoje você perderá o medo. A vida não é fácil filha, não se pode ter medo de ser adulta.

No fim de semana seguinte, algumas amigas ligam e a convidam para uma festa.

_Sabrina, deixe a chave na caixinha de música. Eu te levo e te trago na hora que você quiser, é só chamar que o pai te pega.

_Pai, eu já sou adulta!

Paulo Freitas queria saber mais sobre a festa e verificar o ambiente antes de deixar a filha.

_Sabrina: quanto mais nós somos filmados e sorrimos, maior a insegurança em que vivemos. Sua mãe e eu voltávamos a pé das festas, olhávamos o céu enluarado, ríamos, conversávamos e o pai dela sabia que chegaríamos bem em casa. Ele esperava a gente na frente da casa para que não namorássemos no portão. Não éramos filmados e tínhamos confiança nas autoridades. Londrina hoje é bem diferente daquela na qual eu e a sua mãe vivemos. Eu te levo e eu te trago.

Começam as aulas e Sabrina recebe algumas recomendações especiais.

_Filha, tome cuidado com a chave. Não deixe a chave solta dentro da pasta nem para ir ao banheiro. Leve a chave, a carteira de identidade e o celular com você, mesmo para ir ao banheiro. Tem malandro que tira a cópia e depois apronta. É perigoso.

Sabrina voltou às aulas descobrindo que ser filmada não era a melhor coisa do mundo e, que o mundo precisava ser filmado porque nem todo o mundo era bom.

O Paulo Júnior observava atentamente às instruções dadas a irmã mais velha. Um dia, em no começo de abril, durante o lanche da noite, ele pergunta ao pai:

_Pai, quando eu fizer dezoito anos eu ganho a chave da casa?

_Ganha sim, filho. Hoje, no entanto, você vai preencher a declaração do meu imposto de renda.

_O quê? Eu não sei fazer isso!

_E eu não sei jogar no computador. Tenho que fazer a minha declaração e quero que você a preencha para mim. Eu te ajudo. Depois, você me ensina um jogo que seja fácil de jogar e nós jogamos juntos.

_Não sei se eu faço tanta questão assim de ter comigo a chave da casa. Responde Paulo Júnior.

_Um dia você vai precisar dela filho. Um dia você será, talvez, o dono dela.

O ano corre e algumas poucas tarefas de adulto são cuidadosamente planejadas para o Paulo Júnior. Essas tarefas não prejudicam a vida de adolescente, fase que ele também precisa viver.

Em agosto, Soraia consegue um emprego na secretaria de uma escola. São sei horas por dia, começando ao meio-dia e terminando às seis da tarde. Ela contrata uma empregada para auxiliar nas tarefas do lar.

_Filha, a mãe vai trabalhar. Essa moça é uma estranha para nós e nós somos estranhos para ela. O relacionamento é de trabalho, coisa que você não sabe o que é. Cuidado com a tua chave. Ouvi umas coisas ruins lá no salão de beleza, disseram que algumas delas tiram cópias das chaves para depois assaltarem os patrões. Às vezes me dá raiva da atualidade! Dizer essas coisas para você me revolta, mas eu tenho que dizer. Se você notar alguma coisa estranha nela, me avise, mesmo que seja implicância da sua parte, eu tenho que verificar. Haja paciência com isso!

O ano corre, a empregada se adapta à família e vice-versa.

Chega o fim do ano. A tensão pré-vestibular recomeça, mas a família finge estar bem. O fingimento é tanto que eles riem ao evitar a palavra V E S T I B U L A R.

Sabrina faz as provas e confere o gabarito com as respostas certas. Ela se sente bem, verifica que acertou mais do que errou.

Paulo Júnior continua observando a irmã. Ele se sente responsável, capaz e confiante. Pensa em não ficar nervoso quando chegar a sua vez. Pensa que os homens são mais calmos na hora da prova.

Para o Célio, o ano foi normal, escola com direito a atividades extras dentro do colégio tais como esportes e curso de espanhol para ingressar em relações internacionais quando crescer.

Dezembro chega com a força de um final de ano bem trabalhado e bem produtivo. Agora é festa. Sabrina e Paulo, agora juntos observam a vida de Célio. É domingo. Os irmãos se olham, olham para os pais e perguntam:

_O Célio ficará sem obrigações de adulto? O Célio ficará sem os milhares de conselhos e cuidados que recebemos durante o ano? Por quê? Podemos saber?

A mãe, com ar maroto, pisca para o marido e responde:

_Vocês não sabiam que caçula mama mais? O mais novo da família aprende com os pais, com os irmãos mais velhos, recebe mais cuidados. Vocês o mimam perguntando o que ele quer e de que jeito ele vai fazer ou se precisa de algo mais. Ele recebe mais e não é culpa dele. Não é culpa nossa tampouco. É assim mesmo.

Célio, vendo que a mãe, o pai , a irmã e o irmão olhavam para ele com carinho naquele momento, achou que era o momento de participar da reunião familiar.

_Percebo que todos estão finalmente preocupados comigo, que milagre, é o espírito de natal. Época em que lembram dos que são os mais comportados durante o ano. É o momento de dizer que quero uma bicicleta nova de presente de natal. Perdôo a todos pela falta de atenção que dispensaram a minha presença nesta casa no ano que está para terminar.

_Você merece uma bicicleta nova, filho. Disse Paulo Freitas.

Todos concordaram que ele foi um amor o ano inteiro e merecia uma nova bicicleta.

Belo almoço de domingo!

sábado, 24 de setembro de 2011

Cartão de Visita

Cartão de VisitaMini-jardim

 

Com o que sonha todo o paisagista,

Que representa a sede de um jardim

Ao imaginar o belo e o surrealista

Em tantas pedras postas ao sem fim?

 

Um horizonte pétreo nessa vista

D’uma parede seca, um botequim

Com os seus cactos vindos da estilística

Encouraçada ao espinho de um motim.

 

Numa instigante peça da imprevista,

Mas calculada calma de um rubim,

Com a cautela acesa a quem se dista,

 

A inspiração da própria luz conquista

Os elementos; pontos de estopim

Das emoções que cada ser alista.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Lima

Li malima-da-Pérsia

A sapiência da emoção

Se supera e repercute

Em todo o eco da canção-

Primavera no andaluz

Pirilampo da estação.

 

Se das flores, o botão

Desabrocha no perfume

E na leve persuasão

Dos sentidos da ave implume,

Dança no ar a inspiração.

 

Vem e avisa da razão

Não perdida de um queixume

E da dura encenação

Que findou num pesadume;

Não se empenha um coração.

 

Nem se perde num senão

Da questão que se presume

Por rumor ou vocação,

Pois conturba todo o nume

Quando afasta-se da união.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Autocrítica Feminina

Autocrítica Femininaclip_image002

Hoje, a mulher conquistou o seu espaço, pelo menos no mundo ocidental.

Pergunto se ela, a mulher, está se dessensibilizando?

Se um homem, tenha a idade que tiver, exemplificando no modo mais simples possível, extrair um dente do siso, ele pega o atestado do dentista e leva ao seu chefe, também homem e esse chefe libera e pede a ele que descanse sem se preocupar porque depois ele recupera o trabalho atrasado, ou, troca a folga de outro funcionário e repõe em data a ser marcada.

Agora, dentro do mesmo exemplo, entre duas mulheres a resposta muda. Tenho ouvido casos e mais casos em que a chefe, mulher, diz à funcionária:_Você que sabe se fica em casa, o problema é seu se depois não recuperar o que tinha para fazer hoje. Por mim, você está dispensada, mas pense em você e se compensa tirar essa folga apenas por uma extração de dente. Todas nós temos dentes e quase nenhuma falta. Temos funcionárias que trazem o lanche frio e trabalham. Sim senhora! Mas são exemplos de pessoas e não quero comparar ninguém com ninguém, a minha função é gerenciar, não é julgar. Depois dessa resposta, a funcionária mata o dia no emprego e não falta, mesmo precisando de repouso. Quando o fato se dá com outra funcionária, então o fato se torna uma questão de brio e a funcionária que não conseguiu a dispensa devida vira-se para a colega e diz:_Eu vim, eu não sou fraca e nem invento uma dor a mais para faltar.

A mulher criando o caldeirão, para os que não conhecem, são panelas maiores e mais quentes. A mulher impingindo o sofrimento para a outra como se o sofrimento da outra justificasse o seu próprio e como uma forma de vingança.

Tem-se a impressão que a frase ”Prefiro chefe homem, homem é mais humano”, vem da falta de profissionalismo da mulher. O que a mulher precisa entender é que ela é responsável pela humanidade, pela educação cordial entre os seres.

Tem-se igualmente a impressão que a competição está transformando a mulher, e ao invés de compartilhar as tarefas biologicamente dada a elas, transferem as suas responsabilidades e as suas dores para o próximo ou a próxima. Assim, a professora que eduque e os religiosos que passem valores de família. Os homens estão se transformando em objeto de consumo, pois muitas delas acreditam que homem não sente, homem se presta a sexo sem amor e reproduz com eficiência; abelhas rainhas não fazem nada, além disso, e a cada dia, as abelhas desaparecem e morrem sem explicação.

E os jovens homens? O que se pode esperar de jovens homens espoliados das emoções no momento em que despertam para a vida. Essa não será uma das causas dos jovens procurarem uma fuga no álcool, para não dizer pior?!

Um fato é sofrer e muitas mulheres sofrem com a violência, ninguém nega e até existem diversos meios de defesa para a vítima nesses casos. Outro fato é a vingança em outras mulheres da violência sofrida, “uma laranja que pensa que a vida pode ser melhor.” Existem ainda as chantagistas, aquelas que colhem da vida da outra uma possível vantagem para si mesma, são aquelas que atendem o seu telefone sem que você peça, examinam a sua lista de contatos em busca de segredos e, quando não encontram, te chamam de “sonsa”.

Fatos que se mostram incoerentes com a natureza feminina, fatos que enfraquecem a mulher enquanto gênero humano. Os valores humanitários não são feitos por homens para homens, mas para todos e a perda da humanidade com o que se presencia é de valor inestimável e, quem sabe, irrecuperável em curto prazo.

O homem, enquanto gênero, precisa se preservar e preservar a espécie. O homem que não se iguale a mulher nos seus defeitos, assim como a mulher não se iguale ao homem em seus defeitos.

Mas à hora da crítica é esta, a mulher precisa desse momento e, seria covardia que um homem fizesse uma autocrítica sobre um gênero que ele não sabe como é. Conheço mulheres maravilhosas, mas está se generalizando o conceito de que “as vencedoras” agem de maneira menos elegante, o que é um erro grave que leva a uma distorção nos conceitos de sociedade.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sabores

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De amargo, quero o chocolate

Saudável, gula permitida

Nos dias de inverno. Sem alarde

Segredo ao fogo, convencida.

 

De azedo, quero alho e vinagre,

Tempero a alface recolhida

Ao verde encanto que me cabe

Com sal e azeite na medida.

 

De doce, quero a minha parte

Com gosto na arte pretendida;

Respiro do ar nessa cidade

imensa, ao gelo colorida.

 

Salgado, quero moderar

Ao modo mínimo na vida.

Quem sabe e aprende a bem usar,

Tempera um mar sem despedida.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O Problema Era Outro

O Problema Era Outro

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A moça acompanha a mãe na panificadora para a compra dos pães diários.

_Mãe, a encomenda do xampu não veio, a Neusa não comprou durante a viagem. Ela disse que não comprou porque custava 90 dólares. O cabelo dela é maltratado, eu cuido do meu.

A mãe ficou sem jeito de discordar da moça de dezoito anos naquele local.

_Mãe, será que ela não sabe que aqui o xampu custa 150 dólares e eu economizaria? Ela é pobre de espírito, eu pagaria o xampu. Se eu pago aqui, convertido em real, eu pagaria a ela... Ela disse que era caro. Eu senti uma vontade de dizer que ela era horrorosa, mas me contive. Ela não se conteve e quando questionada, me chamou de mimada.

A mãe estava sem graça e olhou para a moça com ar sério para ver se a filha ficava quieta.

_Mãe eu fico quieta, mas eu pago o xampu com o dinheiro do meu estágio.

A mãe ficou a ponto de se comover com pena da filha, mas percebeu que o problema era outro e merecia a sua atenção. A filha saiu visivelmente magoada com a falta de compreensão e a mãe apreensiva quanto aos desejos da filha. Todo o dinheiro do mundo não compraria o que a moça desejava e toda a economia do mundo não resolveria a dificuldade da mãe em dialogar com a filha.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Às Mulheres que Amam Demais

Poema Às Mulheres que Amam Demais

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Pobre mulher que não sabe o que chora,

Sofre a tristeza do engano a si mesma

Ré de um amor indulgente que implora;

Mágoa que aflora chovendo na teima.

 

Triste senhora que em chamas devora

Seu ego submisso na frágil e intensa

Palha que a seca paixão não consola;

Dor sem sentido no sol de aura isenta.

 

Tarde se faz o remédio de agora

Nesse terrível sofrer que demora,

Antes não amasse a desdenha que inventa.

 

Colhe do amor a partilha e compensa

Esse sofrer sem querer numa imensa

Ânsia chamada viver, sem demora.

domingo, 18 de setembro de 2011

Ausência

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O carinho se foi

Sem deixar um alento

Ao que ficou na dor.

 

Não sentiu dessa flor

O perfume do unguento

Que acabou sem olor.

 

Não restou desamor,

Não sobrou sofrimento;

Acabou sem torpor.

 

A um vazio de calor,

Sem soluço ou lamento,

Não se agrega valor.

sábado, 17 de setembro de 2011

A Pergunta…

A Pergunta:

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Se você recebesse um talento na meia-idade, o que faria? Receber um talento quando se é jovem, é tarefa relativamente tranqüila, mas na meia-idade, quando tudo está encaminhado para a velhice, que pode ser boa ou não. A sua disposição não é a mesma, a sua vontade não é a mesma e a rotina parece tudo o que você possa desejar e, aparece um dom diferente, que se existiu na mocidade você não soube?!

Essa é mais do que uma reflexão, é uma indagação. Seria motivo para esconder o talento? Tentar, ao menos tentar desenvolver esse talento? Guardar talento para que outra pessoa o descubra e o desenvolva?

A resposta é de cada um, mas pense nisso. Qualquer um de nós pode receber um dom, seja ele cultivar um jardim ou uma criação de ovelhas de presente, sem esperar.

Um bom domingo a todos!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Cuidado com que pedes … Que os anjos te escutam

Cuidado com o que pedes... Que os anjos te escutamclip_image002

O sonho de Ivana era passar uma semana inteira comendo fora e em restaurantes diversos, e para realizar o sonho, economizou o ano inteiro e esperou a feira de gastronomia em Curitiba.

Na sexta-feira que antecedia a data, foi o dia da apresentação da pesquisa sobre o solo da cidade, sua composição, origem e história da geologia. Uma pesquisa fácil para ela. Ivana conhecia um dos geólogos da cidade e tudo que precisou fazer foi visitá-lo e anotar.

A pesquisa universitária foi considerada a segunda melhor pesquisa da escola. O prêmio, um diploma de honra ao mérito seria entregue no domingo durante um almoço aos alunos e aos pais e mestres.

Para ela, a honraria era tanta que dispensaria com prazer o almoço de domingo em um restaurante.

Durante a confraternização, o professor de geografia, Olavo, pediu a ela que apresentasse o geólogo. Ele fazia doutorado em geografia e certamente o Dr. Gilberto, o geólogo, seria uma referência e uma fonte preciosa de pesquisa.

O Dr. Gilberto era amigo de toda a sua família e, ao telefonar para ele no domingo à noite contando da premiação e do pedido do professor, foi convidada juntamente com o seu professor para almoçarem com ele na segunda-feira em sua residência.

Durante a manhã de segunda-feira, os colegas souberam do almoço aonde iriam Ivana, seu pai e o professor.

_Amanhã ela almoça com a gente! Amanhã vamos a uma churrascaria rodízio e a levaremos.

Quando chegou a sua casa, a sua mãe disse que queria almoçar com ela na quarta-feira para saber das novidades pelas quais a filha se encontrava. E quarta-feira as duas almoçaram em um restaurante próximo ao local do emprego da mãe, prato feito com capricho e uma conversa agradável entre mãe e filha.

Na quinta-feira Ivana almoçou em casa. Estava com saudade do frango ensopado com legumes feito pela sua mãe na noite anterior. Comida amanhecida é uma delícia de vez em quando, desde que bem conservada no refrigerador.

Chega sexta-feira e a turma de amigas vai a uma pizzaria. Dia de almoçar pouco e comer muita pizza e conversar sobre nada, uma delícia.

No sábado um sanduíche natural mata a fome. Nem tem fome...

Chega domingo, o último dia da feira gastronômica, tinha um aniversário para ir. A semana da moça não teve um único almoço dos restaurantes programados.

É fim de noite. Ao deitar-se para dormir ela se dá conta que viveu uma das melhores semanas do ano. Viveu uma feira gastronômica, não gastou um centavo do que tinha guardado para a semana, e ainda por cima, tinha ganhado uma premiação.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A Paga

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O ser triste não faz bom reino.

A tristeza não dá conselho,

Não resolve e nem sabe o treino

Necessário a soltar o senso.

 

O fervor não tem data e freio

E extravasa a cantar roufenho;

Sobriedade é dever do meio

Que entristece a molhar o lenço.

 

Nesse caso, se vai ao recreio

Programado, distrai o seu senho.

Sem sorriso inexiste um reino;

Vê que o amargo não vale o empenho.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Primavera

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Beija-flor de algodoal

Não te fujas dessa serra,

Solta o canto ao seu modal

Feito lírico à janela.

 

De asas leves num voal

Sonha a flor que não te espera,

Nessa dança sem vogal,

Primavera ainda se espera.

 

Vento leve e casual

Ganha a flor ao pé da terra,

Sopra o canto do luau

Leva o pólen que te zela.

 

Beija-flor seja formal

Nesse encontro à luz de vela,

Cuide dela como igual;

Seja o bem que se conserva.

domingo, 11 de setembro de 2011

Maria Alice Cerqueira:300 seguidores. Parabéns!

Recreio de Cassis

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Visitar outros belos jardins

De certezas perdidas, pardais

Que chilreiam pelas flores, confins

Da existência dos sonhos iguais...

 

D’uma cor flamejante, os carmins

Se destacam, são fontes a mais

Que separam do ser os zumbis,

Que vagueiam pelos bosques sem paz.

 

Quem procura sentir dos jasmins,

A emoção, desencontra os seus ais;

Não se fere em espinhos febris,

Não tem queixas de dores frugais.

 

Nos locais dos jardins desiguais

Os ingênuos adquirem rubis

Encantados, pois sonham demais;

E quem vive na lua é cassis.

sábado, 10 de setembro de 2011

Feriadão

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Não sei se vocês sabem, mas Curitiba emenda o feriado de sete de setembro com o dia oito de setembro, dia da padroeira da cidade, dia de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais.

Cidade grande não tem muito que fazer para quem gosta de shopping e fui ao shopping.

Ocorreu que, na minha frente na fila da escada rolante tinha um casal com um carrinho de bebê, uma criança de seis meses. O marido vira-se para a esposa e diz:

_O bebê está cheirando.

Com aquela música ambiente e conversas paralelas, a mulher não entendeu e respondeu:

_Ele não está chorando, está calmo. Acho que está gostando do passeio.

O marido respondeu em um tom de voz um pouco mais alta:

_Amor, eu não disse chorando, eu disse cheirando.

A mulher dele olhou espantada:

_Você disse que o nosso filho está cheirando? Não mesmo! O meu filho não cheira a nada! O cheiro é de algum outro lugar.

A essa altura, eu dei uns passos para trás, porque eu uso água de colônia e o problema não era meu.

O marido paciencioso, respondeu:

_Acho melhor irmos para casa. Ele vai chorar daqui a pouco se você não o trocar.

Pai e mãe olhavam para o carrinho e o bebê percorria os olhos do pai para a mãe e vice-versa.

Ela concluiu:

_Está bem, vamos para casa. Mas não coloque a culpa em cima dele, é você quem quer ir.

Ele tampou o nariz com os dedos e disse:

_Em casa verificamos qual dos dois está certo.

A esposa fez uma fisionomia como se pensasse? _Será?! Justo no shopping e no feriado.

Saíram os três. Ele abraçando a esposa com uma das mãos, ela com jeito de perplexa e o bebê com aquela expressão:_Será que falam de mim?

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Ágape–Um Livro Bom

Ágape – Um Livro Bom

Escrevo este artigo como um testemunho sobre o livro do padre Marcelo Rossi, Ágape. É um livro de amor, o amor de Deus com uma leitura acessível ao leigo e ao homem culto, cuja profundidade de sabedoria divina se aproxima do ser humano em acordo com a cultura que ele possui.

Enquanto para Freud a religiosidade nasce da necessidade que o ser humano tem no eterno, Ágape atesta que eterno é o amor.

Quando não resta nem mesmo a esperança, embora cultivada ou desejada, o ser humano não perde a capacidade de amar, um amor devotado aos animais de estimação, um amor dedicado às suas plantas, um amor dedicado a um desconhecido, etc.

Jesus Cristo amou de corpo e alma todos os seres.

Voltando a Freud e a religiosidade vista como uma necessidade de proteção, uma projeção das emoções infantis na vida adulta.

De acordo com a leitura do livro Ágape, Jesus nasceu para servir ao próximo, como fonte de amor inesgotável, água viva de fonte que não seca. Ao invés de procurar a paz interior dentro de si através de orações, Ele a encontra no convívio amoroso de utilidade ao próximo e, mais encontra a Si mesmo. Jesus viveu assim, mas quanto a nós, Ele não nos pede que abandonemos o nosso “eu”; pede que nos encontremos no amor ao próximo.

Ágape, contudo, não menospreza outras religiões, antes se faz irmão pela palavra de Deus. Também se utiliza de histórias populares e de outros povos como se fossem parábolas de sabedoria.

Orações e Bíblia, caminhos de ligação do ser humano com o Deus Vivo, porque Ele se fez verbo e a palavra (divina) é viva por todos os séculos do tempo do homem.

Para encerrar, transcrevo versos de Goethe, encontrados no livro O Mal Estar da Cultura, de Freud, que trata da relação da religião com a arte e a ciência:

“Quem tem arte e ciência tem também religião;

Quem não tem nenhuma das duas,

Que tenha religião.” Xênias Mansas IX

Em nenhum momento o padre Marcelo questiona a função da vida, antes aceita-a, mas não por comodismo e sim pelo amor que nos foi ofertado enquanto uma possibilidade de sentir, uma possibilidade de entendimento.

Por que ágape e por que Freud? Adquiri o livro Ágape para conhecer o pensamento e a oração do padre Marcelo Rossi, o padre que é benquisto por uma multidão de fiéis católicos. Adquiri o livro O Mal Estar da Cultura de Freud para conhecer a psicologia das artes.

O fato do livro de Freud discutir a religiosidade e a sua influência nas artes, unido ao fato de que o livro Ágape discute o amor como fator primeiro da religião, o feriado e as leituras fizeram com que este artigo que ora digito não contenham alguma interferência consciente no texto que apresento em síntese.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Aurora Boreal

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Pertence ao sol que te aquece,

Enquanto a chuva persiste

Em cair miúda na prece

Da noite fria que inexiste.

 

O sol de dentro não esquece

E brilha a fonte do arco-íris

Mostrando a cor que enternece,

E o dia de sombra desiste.

 

Aurora boreal que tece

A noite clara e feliz

Na lua nova que desce

Oculta sobre a planície.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sete de Setembro

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É a memória que lembra

Nesse tempo presente

Que amanhã vem à cena

Uma festa contente.

 

Nessa terra a presença

D’um galope, convence

Em um grito que acena,

A esperança regente.

 

Do riacho, a nascença

Da nação vivente,

Nesta data vincenda

Na avenida da gente.

 

Todo o povo deseja

Nesse amor convincente

E viril que festeja,

Um Brasil florescente.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Engano

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Na completa acepção

Da palavra que sente,

E pressente na ação

Do carbono premente

Que derrete esse chão,

Num descaso indecente

À desdita poção

Que transmuta a atração

Do elemento consciente

Na alquimia em fundição

De dourada cocção

Sem defesa latente,

O repúdio presente

De nublada feição

A um tesouro que mente.

sábado, 3 de setembro de 2011

Ninguém é Obrigado a Saber-Eu Conto

Ninguém é obrigado a saber

Eu conto

É de manhã, algum vizinho distante ouve Tonico e Tinoco enquanto eu dormia.

Nesse sono leve da manhã, vem o som, abro os olhos, embora precise dos meus ouvidos e tento identificar a canção. Com uma nitidez impressionante ouço palavra por palavra e sílaba por sílaba da música clássica do cancioneiro nacional Luar do Sertão.

Acordo e fico em silêncio. Quando um vizinho distante ouve outro gênero musical, repito distante porque o som chegava baixinho acariciando os meus sentidos musicais, ouve-se um som distorcido, a música não está acompanhada da letra e os acordes da canção se misturam trazendo um som que não acorda, esse outro som te derruba da cama.

Procuro nos meus arquivos pessoais um significado. A explicação é que o gênero sertanejo, também chamado caipira, tem a afinação vocal em terças, a primeira e a segunda voz se completam e o som é nítido. É preciso conhecer música para se ouvir a música sertaneja e entender a sua afinação. Existem pessoas que cantam em terça, é uma voz única na sua afinação, é belíssima e apenas os músicos percebem que não é desafinação, é canto para acompanhar a viola caipira.

A desafinação é fora do tom, o canto em terça é cantado no intervalo da terça musical. A função desse texto é pedir aos leitores que não desfaçam dessa música tão brasileira e tão ouvida pelo país adentro. Existem músicas boas nesse gênero musical e se equivalem com o clássico da MPB (música popular brasileira).

A letra é um poema e escolhi a versão cantada por Vicente Celestino:

Ah que saudade
Do luar da minha terra
Lá na serra branquejando
Folhas secas pelo chão

Este luar cá da cidade tão escuro
Não tem aquela saudade
Do luar lá do sertão

Não há oh gente oh não
Luar como este do sertão
Não há oh gente oh não
Luar como este do sertão

A gente fria
Desta terra sem poesia
Não se importa com esta lua
Nem faz caso do luar

Enquanto a onça
Lá na verde da capoeira
Leva uma hora inteira
Vendo a lua derivar
Não há oh gente oh não
Luar como este do sertão

Ai quem me dera
Que eu morresse lá na serra
Abraçado à minha terra
E dormindo de uma vez

Ser enterrado numa grota pequenina
Onde à tarde a surubina
Chora a sua viuvez

Não há oh gente oh não
Luar como este do sertão
Não há oh gente oh não
Luar como este do sertão


Reparem como a letra é da primeira versão da música e, depois de muita confusão, ouçam como ficou na gravação. São diferentes, vale conferir a segunda edição.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Em Solidariedade às famílias de São Paulo publico novamente essa homenagem póstuma, fato que se repete agora em São Paulo. “Há algo de podre no Reino da Dinamarca.”Hamlet. Texto de 01/2011

Amigo,

Quero pegar no seu pé, ainda assimilando o que aconteceu. Três pontos na testa do lado esquerdo, esfoladuras nos braços e pernas, lucidez, médico plantonista dizendo que a tremedeira que você teve era do sistema nervoso (que você não tinha nada além das escoriações), companheiros de quarto dizendo que você estava estressado e falava muito durante a noite atrapalhando o sono dos demais pacientes.

Enfermeiras atenciosas e, somente a enfermeira que ficava permanentemente no quarto atendendo os pacientes me ouviu. As senhoras acompanhantes dos outros pacientes pedindo às outras enfermeiras que me ouvissem. As assistentes sociais me telefonando e eu dizendo que não era da família. Excluindo agora : “Aliás, eles foram ao hospital depois de muitas pessoas procurarem por eles (que família, a sua!).” Ressalva do texto anterior, o seu irmão não recebeu o recado, ninguém o procurou. Excluo a frase dita: “Visita, só depois de morto?”, havia vampiros aqui e parece que mudaram de cidade. 

Depois de morto você desceu e subiu pelos elevadores, te carregaram. Do seu corpo morto, só vi os pés, a cabeça era escondida por lençóis, mas também fui chamada para ver o corpo. Pés amarelos hepatite comprovaram a sua morte. Pedi a uma assistente social que fizesse uma investigação e ela, para o bem do hospital, disse que entraria em contato com o posto de saúde para saber como você tinha dado entrada no hospital. Infelizmente, isso aconteceu depois que você morreu. Liguei para o hospital diversas vezes até me certificar de que você não seria enterrado como indigente em vala comum.

Fui ao cemitério para o seu velório, o seu nome estava lá, mas você, ou, o seu corpo simplesmente não apareceu. Você fugiu. A funcionária do cemitério ligou para a funerária e disseram que iriam te mumificar. O velório não é obrigatório pela legislação? Eu fui duas vezes, mas parece que você foi enterrado de noite sem amigos e testemunhas.

Minha família está estarrecida com a maneira de como os fatos se deram. Solto um palavrão: PORRA! Editando: De novo e de novo, quantas vezes me der vontade!

Um abraço da sua amiga, pelo visto a única amiga sincera que você teve na vida. Preciso dizer quem sou? Ah, você sabe que não.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Impressionista

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O vento soprou a favor da vela

Na noite longínqua do oeste seco,

Por onde dormia e brilhava a estrela

Cadente, na luz do céu em segredo.

 

Pingente da sorte que hoje leva

Desejos secretos, prato feito

De preço singelo, nessa esfera

Sutil, sem chover no lácteo leito.

 

Cingindo no absurdo que é a quimera

Que assoma o sonhar, distúrbio vesgo

Que enxerga a presença dessa tela

No alvar de amanhã num dia em festejo.

 

Sentido que vem sem senso e espera

Da calma sem fim, sem sombra ou medo

De dúvida algoz, que agora enselva

Dragões estrelados no infindo etéreo.