Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

sábado, 31 de outubro de 2015

Intermediação

Intermediação

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Murmurada a canção

Que ressoa relaxante,

Um sussurro distante

É um convite à oração.

 

Muito além da audição,

Circunstância do instante,

Evanesce o sonante

Muito além da entoação.

 

A canção é a comunhão

De presente constante

A quem ora, consoante;

Meio de intermediação.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Experiência do Outro / Reflexão

Experiência do Outro / Reflexão

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Quando outra pessoa conta uma história pessoal, uma experiência ou uma ideia, pensa que é fundamental que lhe deem atenção.

Ao contrário da bisbilhotice que é a curiosidade sobre a vida do outro, existe uma interação muito positivo nessa troca de experiências vividas, não importa a idade.

Pensei em escrever esse texto enquanto saí da sala para não ouvir uma conversa telefônica. Eu não sou infalível, assim como ninguém é e ouvir uma conversa telefônica em viva voz sobre planejamento de futuro é complicado para quem escuta.

Agora, se alguém compartilha uma experiência por vontade ou para exemplificar uma dificuldade vivida, a história é outra. Como a própria frase diz, existe vontade e a permissão implícita para que se passe essa história adiante, pois geralmente é edificante para quem ouve.

A sabedoria popular nasce dessas histórias. Fascinante também é saber de outras culturas e dos pontos comuns entre as culturas relacionadas à cronologia dos fatos.

Certamente ficaremos sabendo de experiências que, por certo, jamais viveremos, pois cada experiência é única e individual. Por outro lado, podemos evitar aborrecimentos se soubermos de algumas experiências através das outras pessoas.

Enquanto os livros nos informam a nosso respeito, a conversas nos informam em reflexo e reflexão.

Num grupo é admirável observar e ser observado pelas pessoas a nossa volta. Principalmente porque, em determinado momento há alguém que sai da sala, conforme fiz porque não suporto a bisbilhotice.

Outro dia levantou-se um tema na conversa e outra pessoa saiu da sala, a pessoa não suporta conversar sobre aquele tema.

Esses limites que não nos são impostos a não ser por nós mesmos são especiais quando respeitados pelos demais. Ninguém é obrigado a discutir durante uma conversa informal algo que lhe desagrade a tal ponto a ponto de sair da sala.

É uma atitude interessante porque nos mostramos na nossa intolerância pessoal, aquela que nos agride e não somos absolutamente agressivos com os demais.

Respeitamos uns aos outros e respeitamos a nós mesmos, pois, afinal, podemos procurar o melhor para nós.

Com esse respeito, é curioso observar que todos os que se retiram da sala retornam sem serem questionados.

Somos todos adultos e as conversas são informais. O ambiente melhora e, quando o grupo se desfaz, a gente sente saudades dessa troca de experiências, troca de histórias que podem ser crônica e melhorar a vida de muita gente.

Quando essa experiência é contada por diversas pessoas em lugares diferentes e outra ambientação, guarda-se como lição de vida e, como é bom ter uma resposta pronta para determinada situação.

Um detalhe importante é que essas histórias em geral não são coincidentes com a vida do ouvinte, pois todos podem ouvir uma história vinda de uma realidade diferente e aprender com essa história.

E como faz bem contar uma história ou compartilhar um pensamento como é o que eu faço agora.

Bom feriado.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Eu Não Tinha Pensado / Crônica do Cotidiano

Eu Não Tinha Pensado / Crônica do Cotidiano

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Avisaram na previsão do tempo do jornal que o tempo esfriará durante o feriado que se aproxima. O vento, pela manhã estava levemente frio, uma blusa de mangas compridas e, o assunto tempo, estava resolvido.

Saí e o sol apareceu. Com o calor do dia de hoje senti vontade de parar e tomar água e me distrair visitando uma loja que eu ainda não conhecia.

Entrei na loja, encontrei uma vendedora e disse que estava conhecendo a loja, mas estava com sede e perguntei onde havia um quiosque para tomar água.

_Há uma panificadora daqui a duas quadras.

Eu olhei para ela meio desanimada.

Ela, surpreendentemente, disse que eu era mais uma que iria até a panificadora, tomaria água e não voltaria ali hoje para fazer compras.

Eu perguntei o motivo pelo qual eu faria isso.

Ela, numa atitude positiva, respondeu que na loja já havia sido feita uma reunião com a gerência e que a gerência havia levado o problema até a diretoria. Falta na loja um quiosque com amenidades como café, salgados e doces, água e refrigerantes.

Explanou-me que, quando entra um cliente na loja à tarde, se ele toma um café e come um pão de queijo, ele compra alguma coisa.

_A senhora pense: estamos no meio da tarde e a senhora já cumpriu alguns compromissos e gostaria de fazer uma parada para se reanimar. Quando a senhora entra num lugar onde está disponível esse ponto de descanso, coisa que não demora mais do que cinco a dez minutos, a senhora começa a pensar em levar uma lembrança para uma amiga aniversariante, uma tigela nova para fazer bolo, uma compra necessária que a senhora se lembrou de enquanto tomava o seu café.

Pensei e senti que ela tinha lá a sua razão.

_Bem pensado, respondi.

Ela explicou a minha aparência e situação naquele momento:

_A senhora está com algum cansaço do seu dia, por exemplo. Entrou aqui para conhecer a loja e é uma cliente em potencial, mas também está com sede e eu indiquei a panificadora que fica a duas quadras daqui. Se a senhora for até a panificadora, pelo cheiro bom dos pães e a companhia dos fregueses da panificadora, a senhora se lembrará de que é preciso providenciar o lanche da tarde. Comprará alguns pães e mais algum leite e irá para a sua casa. Não sei nem se a senhora tomará água na panificadora ou se deixará para tomar água em casa, pois nesse momento, a senhora ficará com fome.

_Bem pensado, respondi.

Ela contou dos planos que ela tem para que a loja venda mais.

_Nós fizemos uma reunião e pedimos para que, ao menos comprem uma máquina de refrigerantes e disponibilizem água e cafezinho aos clientes. As amenidades ajudam nas vendas na medida em que fazem com que os clientes sintam-se mais confortáveis. Nós temos uma loja grande, uma imensa variedade de produtos, mas não temos lanchonetes na mesma quadra da loja, o que nos obriga a pensar a oferecer algumas amenidades aqui dentro da loja. Essas amenidades podem ser cobradas e não precisam ser embutidas nos preços dos produtos.

Terminou dizendo que na próxima reunião com a gerência o assunto entrará em discussão novamente, pois quando o cliente se sente desconfortável, com sede e sem lugar para parar e pensar, ele vai embora. Pediu-me que voltasse a visitar a loja noutra oportunidade.

_Hoje, aproveite e dê uma olhada nos nossos produtos, mas, se estiver com sede e for até a panificadora, volte outro dia e será um prazer atendê-la.

Eu amei a conversa, olhei os produtos, não comprei nada e fui buscar as amenidades, a blusa leve de lã estava me incomodando pelo calor que causava.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Semelhantes / Reflexão

Semelhantes / Reflexão

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Tirei o dia para conversar com os meus semelhantes. Semelhantes estão em situações diferentes das nossas, mas em comum têm pontos convergentes de aceitação e diálogo.

Em comum temos algumas verificações interessantes, problemas semelhantes.

Outro ponto comum é que não temos condições sequer de contestar o que observamos e os afazeres não nos deixam tempo para tal dedicação.

Também em comum temos alguns pensamentos filosóficos sobre o que acontece de um modo geral, sobre os costumes brasileiros e o que acontece no mundo inteiro.

Observa-se e, não somente, no Brasil, uma forte tendência à radicalização dos costumes sociais. A sociabilidade passa por transformações que não são do nosso agrado.

A impressão causada é que existe um mundo subterrâneo e nesse caso específico não é o submundo do crime, é algo que deteriora a esperança de que as coisas vão ter êxito e que vale o esforço para melhorar a qualidade de vida.

Há uma cultura, que não se sabe de onde parte, que ensina muito mais sobre as formas de ódio do que sobre o amor ao semelhante.

Extrapolam-se os conceitos de liberdade como se fossem decadentes e ensinam formas de contenção dessa decadência, tais como a repressão dos conceitos de respeito às escolhas individuais como se as escolhas individuais fossem a própria decadência.

As escolhas individuais, quando em conformidade com a lei dos países e dentro da consciência individual religiosa, são aceitáveis e devem ser respeitadas.

Nem eu nem esses semelhantes somos adolescentes para se sentirem revoltados, mas presenciamos situações inaceitáveis sob o ponto de vista ético de formação cultural.

É uma contracultura que pune quem sorri por cordialidade, quem conversa sobre os costumes e hábitos comuns à nossa geração e cria a desconfiança de uns para com os outros.

Os lugares foram diferentes, mas a conclusão foi a mesma.

Procuraremos não nos tolher nos pensamentos por medo de uma possível punição.

O pior é que não são pensamentos ideológicos, são pensamentos sobre os costumes normais, pelo menos normais até agora. Temos alguma experiência de vida e sabemos que a radicalização dos costumes não nos trarão benefícios.

Outra ideia que surge, e também é rejeitada, é o pensamento em bloco e o costume em bloco e, nesse caso, os membros desse bloco tem que agir da mesma maneira. Mostrando um exemplo chulo: alguém só pode vestir uma blusa amarela se todo o bloco pensante concordar. Percebem a situação? Quando eu, em particular era adolescente, para ser parte aceita de algum grupo social, usavam-se calças jeans. Hoje, quando visto a minha blusa amarela ninguém dá palpite e não dará.

São dificuldades que atingem a mim e aos meus semelhantes. Esse é o perigo que nos ronda.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Estações

Estações

 

Enquanto o vento passa

E seca essa calçada,

Observa-a descansada

 

E, a vista, não se embaça,

Quando a chuva é amainada

E a terra é refrescada.

 

O tempo é o que te enlaça

 

À nova caminhada.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Fisionomia

Fisionomia

 

A satisfação d’alma

Busca alguma canção

Que espelhe essa emoção,

 

Plenitude da calma

Buscando a perfeição,

Ser em realização;

 

É a fisionomia da alma

 

Em sua mansidão.

domingo, 25 de outubro de 2015

Feito ao Sonho



Caneta e papel,

Borracha e pincel,

E sonha-te artista,


Sem que haja corcel,

Nenhum carrossel

A girar se avista.


Pra ser escarcéu,


Ao acordar, exista.