Matematicamente
Vontade de ficar
Ao dia, por estudar,
E essa concentração
Precisa da ideação.
Como se a anestesiar
O som da nota no ar
Que diz digitação;
Nessa interpretação
Se cessa todo o idear
E parece tocar
Por mecanização,
Estuda por razão.
É um blog com artes e contos, crônicas, comentários, imagens e, arteiros em geral
Matematicamente
Vontade de ficar
Ao dia, por estudar,
E essa concentração
Precisa da ideação.
Como se a anestesiar
O som da nota no ar
Que diz digitação;
Nessa interpretação
Se cessa todo o idear
E parece tocar
Por mecanização,
Estuda por razão.
Se Depender da Emoção / Crônica
Por todos os lugares que vamos, conversamos.
Eu, num desses lugares viajantes, disse que sentia falta de estar em casa.
Agora, pela internet, assisto o vídeo, e ouço a única frase que disse antes de voltar para casa:
"Eu quero voltar para casa".
Bateu saudade, lembrei do cumprimento, e não sei de qual origem étnica, mas o moço ficou inesquecível ao me chamar de vovó, e pasmem, cheirar o meu rosto.
Eu, naquele momento, tinha cheiro de vó. Seria o filtro solar?
Sei que conversei com muita gente, e agora vejo a avenida deserta, sem ninguém.
Ele e a família vendem sanduíches e queijo frito, do qual comi seis unidades junto ao guaraná, e muito feliz por encontrar guaraná.
Se eu pudesse dizer algo, mas o que posso fazer além de sentir saudade de vocês, sem exagero de marshmallow, pela doce vó, conforme fui tratada.
O título da postagem é:
"O Melhor Segredo Revelado"
É bom estar em casa, concordo, mas passear é uma oportunidade de fazer amigos.
Se vocês soubessem o quanto gosto da organização daquela bagunça, e que hoje não existe mais.
Comentei aqui em casa que parece que existe algo contra o bem estar com uma pitada de felicidade, e esse tipo de comportamento eu já observei por aqui também, onde aprendemos a sorrir sem sorrir para que ninguém observe quando estamos com esse estado de espírito.
Esse não sorrir aprendi com um maestro numa escola de música.
Ele disse com todas as letras que era burrice mostrar a felicidade porque muita gente gostava dos grandes dramas e tinham ciúmes de quem não via o mundo como uma máquina que desconhecia a sutileza das emoções bem vividas, e tinha outros propósitos de vida.
Quanto a tristeza, o mesmo maestro dizia que mostrar a tristeza era como colocar um pedido para continuar nela.
A teologia diz que ninguém precisa dizer o que Deus sabe, pois é normal para Deus o saber.
Às vezes é praticamente impossível esconder as emoções, tendo como exemplo uma pesquisa da medicina bem sucedida, porque tal pesquisa beneficiará milhares de pessoas com um custo que tende a baixar na medida em que ficar disponível para muitas pessoas.
Para algumas pessoas chorar de felicidade é fraqueza de espírito, mas enquanto humanos, é o valor de uma conquista evolutiva na saúde.
O que dizer dessas ruas vazias e o ódio ao turismo?
Eu diria para que as pessoas usufruam os seus minutos de folga ou repouso depois de um tratamento de saúde.
Pessoalmente assisti dez filmes num sábado e num domingo em que tive que ficar em casa, mas quando pude sair, não resisti a um pacote de biscoito com dois biscoitos que custava um único real, e que compensou uma caminhada um pouco longa.
De onde vem esse sentimento contra a alegria de estar bem, eu não sei, embora não concorde com ele.
De qualquer modo, peço que continuem postando vídeos com uma ou duas frases essenciais, pois conscientiza a população turística da realidade, e através da realidade, a possibilidade de persuadir essas pessoas que não se satisfazem enquanto não transformam tudo em um sistema maquinalmente desumano.
Um abraço da vó para vocês.
Grata pela leitura.
Tempo Quieto
Poucos carros na rua
E a cabeça na lua,
Pensamento a vagar;
O inverno até se amua,
E o seu tempo pontua
Pronto a se amenizar
Nessa esfriada tão sua,
Um silêncio a escutar.
A Crença
O que não tem sentido,
Não tem, ou assim se pensa,
Porque parece ouvido
O som do desmedido,
E dessa forma adensa
A nuvem, não o chovido
Visível nesse vidro
De Deus, e tudo é crença.
Comentário sobre o Livro de Cícero : Saber Envelhecer
Cícero, no seu livro Saber Envelhecer, traz bons conselhos sobre a velhice.
A velhice deve vir acompanhada da cordialidade, do cultivo dos bons relacionamentos, dos ambientes propícios para uma boa convivência consigo mesmo na velhice.
O livro foi indicado por um livreiro, porque a tacanheza com a qual via a velhice chamou a atenção dele.
Falava eu do fundador da Rede Globo e dizia que seria alguma dádiva ou sorte fundar uma emissora de televisão aos sessenta anos. Dizia também que a velhice deveria ser uma fila de acompanhamentos médicos, doenças e num entremeio alguns programas de televisão, caminhadas suaves enquanto fosse permitido, e uma falsa bondade para que fôssemos bem tratados, mas também dizia isso porque ouvi muitas e muitas vezes que lugar de idoso é num museu, como se a visita a um museu fosse enfadonho e não acréscimo de cultura.
Comprei o livro e li e faz algum tempo.
Ocorre que, de fato, a velhice mudou, e até mesmo a recente médica que elaborou as perguntas da pesquisa, mostrou como eu e tantas outras pessoas idosas estávamos fora do parâmetro da velhice, hoje considerados como atividades de antigamente.
A médica está fazendo uma pesquisa sobre a terceira idade e fez várias perguntas, tais como se eu cozinhava, se tinha computador, se tricotava ou fazia crochê, se tinha lanches com amigas, se praticava algum passatempo, se estudava alguma língua estrangeira, se gostava de passear no shopping, etc.
Foram inúmeras perguntas pessoais respondidas por todos os pacientes que estavam no consultório.
Contei para a médica que tinha um blog e que gostava, e me fazia bem ter um blog.
A médica disse que esse era um problema para os médicos em geral, conhecer a terceira idade e saber o que fazem, do que gostam e como essa chamada terceira idade lida com as dificuldades que surgem com a idade, algo que é natural e que se tem que conviver.
A chamada "senhorinha" de antigamente é outra mulher e o "senhorzinho" é outro homem.
As atividades da terceira idade são outras, eles aderiram a internet, eles vão ao shopping, eles praticam algum tipo de atividade física.
No entanto, a terceira idade precisa ir mais vezes ao médico e não pode exacerbar os seus limites, pois pode prejudicar a saúde.
Concordei porque existem fases em que sequer procuramos um médico porque nos sentimos bem, o que é errado e para todas as idades.
Ela comentou que sim, as consultas eram necessárias, mas que evitar excessos de cuidados, ou hipocondria, é uma medida saudável, pois a hipocondria é um medo obsessivo de ficar doente, e tal medo precisa de auxílio médico.
Os conselhos de Cícero são úteis, e foi bom ler o livro mesmo sem a pretensão de criar uma rede de televisão, mas a fase-velhice é outra e gostei de conversar com a médica sobre o que faço do tempo.
Provavelmente a pesquisa será discutida em algum simpósio de geriatria, e depois de publicada nas revistas especializadas, virá ao público leigo.
Para concluir, a velhice é outra e a minha geração é quem está vivendo essa nova velhice, e assim sendo que mantenhamos a disposição nessa fase ainda a ser decifrada pelas estatísticas.
Os meus conceitos sobre velhice, com museu ou sem museu, ficaram a desejar, e todos teremos que experimentar a velhice do jeito que a tecnologia e a ciência permitir, o que, até pode ser bom, espero.
Grata pela leitura.
Desconhecido
Esse "eu" que escreve,
Que estranho é esse "eu"
Desconhecido
Da forma breve
E que pensa o "eu"
Sem tempo, adido
De mim, mas leve,
Que escrito é meu,
Mas não é meu, lido.