Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Modelo

Modelo

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Guarde segredo do medo,

Tédio e todo desamor,

Mágoa e sentimento feio;

Nada ajuda, e, cria o rancor.

 

Siga o caminho do zelo,

Queira a doutrina do amor,

Pensa que a vida é um apelo;

Tempo grato e abonador.

 

Nada se prende ao degelo,

Quando a geleira é calor,

Quando se tem um modelo,

Quando Deus faz-se em tutor.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Mídia de Supermercado / Crônica de Supermercado

Mídia de Supermercado / Crônica de Supermercado

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O jornal na televisão do mostruário do supermercado acabou e começaram os comentários.

Um garoto olha para o outro:

_A mídia sempre quer alguma coisa, influenciar alguma tendência, mas eu tenho sorte porque ando tão ocupado aqui dentro que mal tenho tempo para saber do jornal. Agora, também olha o trabalho que é assistir o jornal para depois ficar analisando o que foi que eles quiseram dizer com isso ou com aquilo. Trabalhar aqui dentro é muito melhor do que analisar essa tal de mídia.

Quando ele disse a opinião dele, eu me senti dentro do supermercado, a feliz cronista do supermercado.

Andei mais um pouco, comprei mais um pouco e, quando apareceu a chance perguntei qual era a notícia do jornal, pois fazendo compras eu não pude ver o jornal também.

A resposta veio direta, adoravelmente direta.

_Pois então a senhora não sabe do jogo entre o Atlético e o time do Santos no domingo?

Eu não sabia do jogo.

_Nós queremos ficar na torcida, mas ainda não escolhemos por quem torcer. Talvez o que tiver a torcida mais barulhenta, com apitos e tudo mais. Afinal, quem não pode jogar e nem ir ao estádio, pode torcer com a vantagem de ficar livre do comentarista dizendo quem é o melhor. A gente quer escolher por quem torcer.

Eu, rindo, perguntei se eles tinham time preferido.

_Torcer por um time, a gente torce, mas e quando o jogo é outro? A gente fica de fora porque o time da gente não joga?

Particularmente eu não assisto futebol a menos que seja para fazer companhia para a família.

_A gente assiste aos jogos para ter assunto no dia seguinte.

É uma boa ideia, mas, e a mídia, a mais mal falada do dia.

_Boa parte dos clientes fala mal da mídia, chamando-a de tendenciosa e dizendo que nós somos bobos o suficiente para fazer o que ela manda. Nós não somos bobos. A gente não fica atrás, a gente fala também. Dizem que a gente é sem cultura, o que é isso? A gente estuda!

O supermercado é um lugar adorável, vocês não acham?

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Luz do Tempo

Luz do Tempo
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Desvia o apequenamento
Do riso em desalinho
Tal fosse pergaminho
Vincado à chuva e vento,

E muda o pensamento,
Descansada ao caminho
De um livro tão sozinho
Que leva ao encantamento,

Ao criar na luz do tempo
A parte no cadinho
Que é sua, o seu café-ninho;
O seu bom passatempo.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Atenções

Atenções

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Os sabores diversos

São as flavorizações,

Corantes desses versos.

 

Tira-gostos dispersos

Em bandeja e porções

Partidas em corretos

 

Lugares que, de incertos,

 

Nada têm; atenções.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Política de Supermercado / Crônica de Supermercado

Política de Supermercado / Crônica de Supermercado

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Situação complicada, pelo menos na opinião desse povo que, como eu, frequenta o supermercado.

Numa pesquisa de opinião muito particular e sem valor de confiabilidade, prossigo a crônica com alguns pontos em comum dos frequentadores de supermercados.

As pessoas querem a situação pacificada.

A popularidade da presidente Dilma é baixa e os índices de rejeição são consideráveis.

A população do supermercado acredita em saída democrática para a crise, um arranjo parecido com a saída do ex-presidente Collor.

Muita gente acha que a saída para a crise de se proporem novas eleições, se confirmadas levam o país à bancarrota e terão um custo social e econômico elevadíssimo para a população.

Quanto ao candidato derrotado nas eleições presidenciais do ano passado, Aécio Neves, a sugestão é que se candidate novamente nas próximas eleições e, que ganhe o pleito, se for o caso, em situação normalizada e sem crise política.

Boa parte da população toma cuidados com os oportunistas que costumam aparecer nas horas de crise. A expressão “se cuide” está sendo mais usada que a expressão “Fica com Deus”.

O assunto do momento é a crise política e todos aguardam domingo para saber qual a solução que será encontrada.

Não existe pesquisa confiável para saber com antecedência o número dos participantes nos protestos do dia dezesseis de agosto, tem aqueles que dizem que vão e os que assistirão pelos meios de comunicação.

Hoje é segunda-feira, dia dez de agosto de dois mil e quinze. O país funciona normalmente e, com um mínimo de boa vontade, pode ser feito um planejamento para as hipóteses possíveis.

Irresponsabilidade seria não estudar as hipóteses do que pode vir a ser e as suas possíveis soluções.

Até o dia dezesseis de agosto, todos podem pensar nas soluções possíveis.

Lembremos que as pessoas têm famílias e, quando protestam é porque as suas vidas começam a sofrer interferência da crise política direta ou indiretamente.

Esse é um esboço bastante simplório da situação, mas é melhor que nada. O caos não me interessa e nem às famílias que vão ao supermercado.

Hoje o blog fica por aqui, porque o assunto é sério e está em debate em todas as praças da cidade.

domingo, 9 de agosto de 2015

Distraidamente

Distraidamente

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Caminhar à poesia

Ao amanhecer do dia;

Bonita é a caminhada

Descobrindo-se ao nada,

 

Despertada à alegria

Que, passo a passo avia,

Meio despropositada

À calçada empoeirada.

 

Absorta e distraída,

Sem pressa ou correria,

Escuta-se a passada,

Sente-se a alma amornada.

sábado, 8 de agosto de 2015

Coisa de Bruxa

Coisa de Bruxa

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Era uma vez uma bruxa que resolveu emprestar a vassoura e o chapéu mágico para qualquer moça da cidade que se dispusesse a usá-los por dez dias. O motivo não o disse a ninguém.

Somente uma jovem da cidade achou-se suficientemente astuta para o feito, chamava-se Vânia.

As jovens do lugar disseram a ela que o feito poderia ser perigoso e até mesmo ir até a casa da bruxa, por si só, um fato temerário. Além do mais, ela não havia utilizado antes o chapéu e a vassoura e poderia se arrepender.

Vânia não tinha medo. Foi até o castelo onde a bruxa morava e perguntou o que precisaria fazer para pegar emprestadas essas utilidades de bruxa.

A bruxa sorriu e disse que ela emprestaria os objetos à moça que estivesse disposta a se caracterizar de bruxa por alguns dias, algo difícil de achar.

Vânia disse que estava disposta a ser bruxa, mas precisava saber se havia algum risco dela se enfeitiçar nesse período.

A bruxa disse que não:

_Não faço bruxarias em empréstimos e também não enfeitiço que pega emprestado os meus pertences nessas ocasiões. Ao contrário, concedo, por mera liberalidade, às jovens corajosas para andar de vassoura pela cidade, o poder de fazer feitiços durante esse tempo e não cobro nada por isso, deixando as bruxarias e feitiço sob os critérios de quem usa os meus chapéu e vassoura mágicos.

Vânia pensou que poderia lidar com a situação e que não faria grandes feitiços durante esse tempo.

Terminada a conversa com o empréstimo feito, Vânia voltou à cidade para rever as suas conhecidas com os aparatos de feiticeira.

Ana passeava com o cachorro e, quando a viu, disse que ela não estava com boa aparência com aqueles acessórios foras de moda.

Vânia transformou o cachorro da Ana em passarinho.

Voou mais um pouco e encontrou-se com Amália, uma jovem vaidosa que gostava de estar elegante em todos os momentos do seu dia. Ela disse à Vânia que não entendia o gosto de andar com uma vassoura velha e um chapéu desbeiçado sem necessidade que os tornassem necessários.

Vânia jogou um feitiço e Amália sentiu uma vontade irresistível de ajudar a sua mãe a arrumar a casa e ela nem tinha necessidade, pois a mãe tinha uma auxiliar para ajudá-la.

Dali a pouco se encontrou com a Emília, a jovem que gostava de ler. Atenta, disse à Vânia que fadas eram boas e bruxas eram más e que ela não gostava de gente ruim, pedindo à conhecida que se desfizesse da vassoura e do chapéu o quanto antes.

Vânia achou que a Emília andava lendo demais e pensando bobagem. Enfeitiçou os livros de tal modo que o tempo de leitura aumentasse tanto que, se a Emília lesse, não teria tempo para mais nada.

Com as bruxarias feitas não demorou muito para que Débora, conhecida de todas as outras a procurasse para dizer a ela que não fizesse mais feitiços.

_Paro com os feitiços quando devolver a vassoura e o chapéu para a bruxa. Por enquanto sou eu quem decide se faço e a quem faço o mal.

Vânia terminou a frase e fez com que Débora somente conseguisse dizer elogios sobre tudo e todos.

Ela divertia-se tanto e eram tantos os atingidos pelos feitiços, que houve quem fosse até o castelo da bruxa para reclamar da situação; aquele empréstimo estava causando muitos danos na cidade.

A bruxa disse que nada poderia fazer, afinal, ela mesma tinha emprestado a vassoura e o chapéu encantado.

Passados os dez dias, chegou o dia da devolução dos apetrechos.

A bruxa riu muito, verificou que a vassoura e o chapéu estavam conforme foram entregues e aceitou-os de volta sem delongas.

Despediram-se as duas satisfeitas, Vânia e a bruxa.

A moça foi para a cidade rever as suas conhecidas.

Ana espalhava alpiste no quintal para ter certeza que o passarinho, que outrora era o seu cachorro, viesse até ali.

Amália limpava a casa para a mãe.

Emília, que antes ficava à sombra do pomar para ler, agora colhia as frutas com o livro largado no chão.

Débora se transformou numa carismática benfeitora da cidade.

Nada estava como antes. Todas as conhecidas de Vânia estavam mudadas.

Vânia esperou algum tempo para verificar se os feitiços perderiam o efeito espontaneamente. Passaram-se dois meses e tudo continuou na mesma situação.

Decidiu-se ir até o castelo da bruxa para saber quando é que o efeito dos feitiços passaria e as suas conhecidas voltariam a ser como eram antes.

A bruxa a atendeu espantada com a questão:

_Eu disse para você que eu emprestaria os meus apetrechos e que os poderes mágicos deles seriam seus e eu não posso desfazer feitiço algum que você tenha feito. Agora você terá que se acostumar com aquilo que você modificou.

Vânia perguntou à bruxa por que é que ela tinha emprestado os poderes dos feitiços para ela. Ela mesma, a bruxa, ficara sem os seus poderes durante o empréstimo e poderia ser alvo dos feitiços dela.

_Engano seu, Vânia. A minha vassoura e o meu chapéu não se voltam contra mim, pois, se assim for, eles não serão mais encantados.

Meio sem jeito, Vânia perguntou se aquele empréstimo seria algum tipo de ensinamento e a bruxa disse que não, o empréstimo fora por e para a diversão de ambas.

Vânia ainda quis saber se ela se transformaria numa bruxa dali em diante e a bruxa disse que sabia do futuro da Vânia, ela também se divertira com as situações e disse que estava na hora de ir embora.

Vânia achou que a bruxa havia mandado embora e já estava saindo quando o castelo desapareceu e a bruxa pegou a vassoura e o chapéu e partiu.

O passatempo de Vânia, agora, é tentar desmanchar os feitiços.