Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Pescando a Noiva

Pescando a Noiva

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Feliz daquele que cativa com algumas palavras, ou, peixes.

Era uma vez um homem sem atributos físicos, magro e com inteligência para se valer no mundo corporativo e competitivo.

Apaixonado por uma moça cujo pai e mãe eram bastante severos, ele teve que usar de um estratagema.

O seu caminho todos os dias era feito de modo que ele passasse em frente à casa da sua amada.

Às vezes ele se encontrava com ela acompanhada do pai, da mãe e das irmãs. Eram quatro irmãs. Cumprimentava os familiares e sorria para a moça.

Nesse caminho diário, do qual ele não desistia porque a moça retribuía os sorrisos, ele, aos poucos, descobriu que o pai dela gostava de pescar. Aos finais de semana ele via o seu José sair com as varas e a maleta com os apetrechos para a pescaria.

Joaquim pensou e pensou. Nas redondezas havia um riacho, mas naquele riacho não existiam peixes.

Economizou um mês inteiro e, ao final do mês, providenciou alguns cartuchos com carpas. Cuidava das carpas semanalmente. Verificava o desenvolvimento do cardume com carinho até o dia em que elas foram vistas pelos passantes.

Conhecido da família da sua amada encheu-se de coragem e convidou o seu José para pescar no riacho.

_Meu amigo, não há riachos com peixes nessa região. Se houvessem peixes por aqui, com prazer eu o acompanharia para pescar.

Era a deixa para contar a novidade.

_Seu José, eu passei esses dias pelo riacho e havia peixes. Não faltam carpas ali.

O seu José, desconfiado da intenção do moço, disse que iria com ele até o riacho naquele final de semana.

Chegando ao lugar, as carpas nadavam e eram tantas que se podia avistar o cardume inteiro.

Naquele tempo, palavra dita era feita. José e Joaquim foram pescar no riacho.

Pescaram uma cesta de carpas. José quis dividir os peixes com o Joaquim, mas Joaquim morava com o pai, viúvo e, uma carpa de tamanho grande alimentaria os dois.

Seu José, embora severo na educação das filhas, era generoso. Convidou Joaquim e o seu pai para almoçarem com a família dele no dia seguinte.

_Faremos uma reunião de confraternização, meu amigo.

Joaquim foi ao almoço e desculpou-se pelo pai que dizia estar indisposto naquele dia.

José e a família foram educados com ele. Pai severo que era, percebeu que uma das suas filhas sorria para o convidado. O convidado, entretanto, esperava o seu José se distrair para sorrir para a sua amada.

O resultado do almoço foi que todos da família perceberam a troca de olhares entre o Joaquim e a moça.

De pescaria a pescaria, genro e sogro ficaram amigos.

O final dessa história foi feliz, como é previsível.

É preciso contar essa história do jeito que ela existiu, ainda mais nos dias de hoje.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A Falta Que o Diálogo Faz / Crônica do Cotidiano

A Falta Que o Diálogo Faz / Crônica do Cotidiano

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Cumprindo obrigações entrei na fila. À minha frente estava um senhor aparentando quarenta anos.

Ele pedia para pagar com cheque e a norma da empresa era não aceitar cheques para a retirada imediata do produto.

A empresa não aceita cheques. Acontece que o senhor era advogado e pediu para falar com a gerente. Ela não estava. Ninguém aceitou o seu cheque.

Conversou com os demais da fila e, todos, nós, que não conhecemos os nossos direitos, não levamos cheques para efetuar o pagamento.

A cada olhar uma resposta eficiente e inadequada:

_Eu sabia que eles não aceitavam cheques.

_Eu telefonei antes de vir para me certificar sobre a forma de pagamento.

O advogado engoliu em seco. Estava profundamente irritado e com razão.

Nessa interação involuntária, nós, da fila, observamos o comportamento dele.

Ele estava olhando fixamente para a atendente com olhar severo, mas não disse uma palavra. Depois olhou para a fila com desprezo.

O senhor que estava à minha frente comentou que o sujeito era difícil de lidar.

Concordei, mas em termos. Ao advogado cabe a palavra e boa oratória. O fato de ele engolir em seco indicava a contrariedade dele.

Poderíamos até apoiá-lo na sua argumentação, porque ele saberia dizer o que precisava ser dito. Nós não sabíamos o que dizer e, numa atitude sofrível, tínhamos perguntado sobre as formas de pagamento.

Aprender a argumentar e contra-argumentar é tarefa para todos nós que estávamos presentes à fila.

Precisamos aprender a conversar. Quem foi que inventou a máxima de que as reclamações cabem aos inconvenientes?

Onde se viu tal coisa: um advogado com medo de ser considerado mal educado perante uma fila.

Nessas horas é que se percebe que com esse comportamento acabamos por concordar com algumas práticas comerciais descabidas. Desculpem, não sei o termo correto para a situação.

Também não colocarei toda a responsabilidade sobre o senhor que se calou, quando deveria ter dito algo. Essa é a nossa cultura e os tempos não são amáveis para os questionadores.

Resumo do acontecido, precisamos todos aprender a dialogar, sem nos deixarmos levar pelas emoções ou pressões e comentários. Precisamos aprender a autenticidade.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Passeador

Passeador

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Pássaro de olhar circunspecto,

Sobre o emaranhado da cerca,

Diga-me o valor desse afeto;

Diga-me, mas antes que se perca.

 

Canta esse sonhar, indiscreto;

Sente esse querer nessa nesga

Vaga de um jardim cibernético,

Onde se calar é estranheza.

 

Pássaro calado é incompleto,

Faltam chilreios à beleza

Cálida da tarde e ao desperto

Parque na alegria que chega.

domingo, 18 de agosto de 2013

Dias de Bússolas / Reflexão

Dias de Bússolas / Reflexão

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Há dias em que tudo o que vemos são brumas e, não temos bússolas.

Bússolas no centro da cidade nos tornam exóticos, mas o fato é que precisamos de alguém que saiba mais que a gente. Nesses dias, o melhor é perguntar para alguma pessoa o endereço do local aonde vamos e, como chegar ao lugar. Nesses casos vale chegar à panificadora ou posto de gasolina mais próximo e se informar sobre a situação do caminho antes de prosseguir.

Saí sem ter conhecimento da falta de luz há duas quadras de onde estava. Não precisei de ajuda, mas atravessar as ruas com automóveis vindos de todos os lados não foi tarefa fácil.

Parei durante a caminhada para tomar café e prosseguir nesse lindo dia de reflexões.

As brumas anunciam o sol e a temperatura ascendente. Lembrei-me do dia em que as brumas cobriam o litoral e não se sabiam os limites entre areia e mar, muito menos a distância entre nós e os outros. Cheguei ao quiosque de refrigerantes, sentei-me numa das cadeiras em volta e esperei a névoa evanescer. Posso garantir que é uma sensação estranha caminhar observando a neblina entre os braços.

Ambas as situações exigem a capacidade de perceber a necessidade de se agrupar com outras pessoas e aguardar que o sol desfaça a névoa. Essa percepção varia de pessoa para pessoa. As pessoas mais arrojadas até se divertem na bruma, mas sendo espertas, se divertem em grupo de pessoas próximas a elas.

Não existe sossego de espírito ao se tomar cuidados. Digo também, que a neblina cobrindo a cidade de Curitiba, pela manhã, é linda de se ver, mas exige cuidados.

Suponhamos agora, que as brumas venham da alma. Cabe a cada um de nós procurarmos o sol para que a desfaça.

O meu Sol, nesse caso, vem da Bíblia, mas esta é a minha maneira para transcender as dificuldades.

Importa é não deixar que as névoas fiquem, porque elas são para serem transpostas pela luz. Quem busca a luz é o ser humano, muito embora, as névoas estejam aqui ou lá, para o deixarem de ser, sendo anunciadoras do sol.

Essencial é a parada para tomar um café!

sábado, 17 de agosto de 2013

Pintura Ingênua

Pintura Ingênua
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Quem não conhece o pastel
Da Maricota da feira,
Muito perdeu de uva e céu;
Não saberá da goiabeira.

Feira e calor, povaréu,
Que essa travessa festeira
Ao barulhento escarcéu
Vende a gostar, brasileira.

Ao resguardado papel
Fica a merenda e a meadeira;
Ingenuidade é pincel,
Requeijão e brincadeira.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Quando a Esperança Passa ao Lado / Crônica de Supermercado

Quando a Esperança Passa ao Lado / Crônica de Supermercado

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Esfriou, mas o pão do lanche foi comprado e, no supermercado. Fui ao supermercado de casaco, aliás, dois casacos não bastariam para a queda brusca de temperatura.

Entrava no lugar quando dois jovens passaram por mim. Andavam devagar. Um garoto e uma garota.

Eu diria que conversavam na linguagem deles, a linguagem das gírias.

Ele compenetrado no que dizia e ela pensativa.

Pausadamente ele dizia a ela:

_Não sei o que você acha de mim. Talvez, você me ache um nerd ou, talvez, um cabeção. Mas eu sou, ou, estou ligado em você.

Ela respondeu triste e pensativa:

_Ligado em mim?

O casal saía do supermercado eu estava com pressa para entrar porque o vento estava frio.

Percebi que ele pedia desculpas a ela e que ela estava pensando se o perdoaria ou não. Os gestos deles indicava que tudo acabaria bem, pois andavam com os ombros encostados sem se darem as mãos.

Quanto às gírias, é difícil traduzir. A palavra nerd pode significar um jovem que gosta de atividades intelectuais. Agora a palavra cabeção eu não sei exatamente o que significa. Ligado eu sei, eu tenho aparelhos eletrodomésticos.

Eram jovens falando de afeição, conversando sobre sentimentos e resolvendo as suas dificuldades emocionais.

O casal transpirava esperança, não apenas de serem adultos resolvidos afetivamente, mas capazes de exteriorizarem emoções para se sentirem bem.

Na fila do pão, o frio diminuiu, não era o calor do forno, era uma alegria para o amanhã.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Crônica Superinteressante / Memórias Infantis

Crônica Superinteressante / Memórias Infantis

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Estamos em 2.013. Não consigo mais ler os jornais sem me lembrar dessa história.

Toda criança pergunta ao pai e mãe como era ser criança no tempo deles. Eu também perguntei.

A infância deles foi relativamente boa. Não fosse a Guerra Mundial e o pau comendo solto pelo mundo, o racionamento nas compras e uma montanha de dinheiro para comprar no armazém. Literalmente, era preciso muitas notas de papel moeda para as compras porque o dinheiro perdera o valor no tempo da guerra.

Lembravam-se da guerra com olhares assustados e infantis, foi um pesadelo mundial.

Depois o meu pai olhou para a minha mãe e disse que aquele não foi o fim do mundo porque o segundo fim do mundo seria pelo fogo. O primeiro fim do mundo a Arca de Noé foi a salvação.

Minha mãe concordou com ele.

Diante das lembranças deles e do público infantil presente, eles contavam um ao outro sobre o que os seus pais e mães diziam.

A essa altura eram quatro pessoas falando pelos seus interlocutores, chamados papai e mamãe.

Eles não eram da mesma corrente filosófica, embora fossem influenciados pelos filósofos franceses.

Direcionados a mim, pediam para que cuidasse da água. Eu tinha patos de borracha que amava. Meu irmão gostava de outros brinquedos e não os preocupava.

Minha mãe contava que uma senhora havia dito à minha avó que ela morreria queimada. Intervenho: Graças a Deus nem queimada e nem afogada! Deus abençoe o médico que a atendeu. Deus também abençoe o médico que atendeu o papai.

Ao ler os jornais e ver tantos incêndios, seja em matas, seja em construções, lembro-me deles contando do futuro:

_Filha, eles, os mais velhos, dizem que vem gente muito ruim ao mundo e que Deus vai intervir com fogo para que essa gente não tome conta do mundo. Dizem ainda que é gente que gosta de sacrifícios e sofrimento.

Os olhares eram ainda assustados. Eles realmente desejavam que esse fim de mundo não fosse aos nossos dias.

E a cada dia leio os jornais e penso nisso. Os tempos são difíceis. Não para mim, para o ser humano e a sua crueldade que precisa diminuir.

E precisa diminuir para que a vida seja possível. Não queremos crianças com ódio, adultos com inveja daqueles que não sofreram maus tratos na infância, contação de história de sangue. Esse é o pesadelo que cabe a cada um de nós evitarmos.