A Não Literalidade
Bom é ler à vontade, sem se preocupar a quem o texto se refere, a menos que exista uma homenagem ou citação.
Os contos, os poemas e as crônicas nem sempre são baseadas em fatos reais. É preciso entender que quem escreve, ou seja, o autor metaforiza os fatos, o cotidiano ou se inspira em revistas, até mesmo naquelas que foram extintas, como a Grande Hotel e as suas fotonovelas bastante lidas.
O leitor procura a biografia do autor, e às vezes descobre uma ínfima parte de uma revista lida às pressas no salão de cabeleireira, antes de lavar a cabeça para depois pentear com o esmero da profissional.
Aprender a ler, a se instruir sem querer, pode se tornar um compromisso do leitor a se deparar com um texto ou um poema. No entanto, deve exigir que, se por ventura, fatos históricos sejam citados, mantenham um comprometimento com a realidade incluindo-se as datas, locais, frases e atitudes, sem intervenções do autor.
Exemplo:
Aviso

A Polis avisou da malandragem
À jovem empresária descuidada,
A moça preferiu contar co’a imagem
E joga com a malha na empreitada.
A Polis se preocupa, e uma mensagem
Envia, diz e reclama em disparada,
Mas ela diz que sabem o que fazem;
Investem numa venda conjugada.
A Polis não deseja essa roupagem
Moderna, porque já a possui na taxa
Perfeita que vai à esteira de rolagem
Em rodas, devagar abalizada.
O sócio é conhecido, sem bagagem
Moral, o investimento para nada
Será. Essa decepção vem da miragem
Que agora ele te inventa, ilusão exata.
Um poema que me ocorreu do nada. Deixá-lo-ia de escrever, por ser uma invenção repleta de metáforas? Não! A imaginação (inspiração a quem preferir), quando pede passagem na escrita, deixa-se solta e, enquanto se escreve, aguarda-se o momento de revisar a fim de que convença o leitor da sua possibilidade real.
Quando um ator, atriz, convence o expectador, ele tem talento. O escritor quando emociona o leitor, conseguiu ganhar o seu intento.
Quantas histórias foram contadas em versos através dos tempos. Hoje, em desuso, mas a inspiração é latente e quem sabe, voltemos há apreciar algum dia.