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quarta-feira, 26 de abril de 2017

O Jogo do Copo / Conto de Horror

O Jogo do Copo

     Um grupo de senhoras idosas se reuniu e, como parte da tarde festiva, organizava-se brincadeiras diversas para que, além dos doces e salgados, as senhoras dessem boas risadas.
     Filomena, uma das senhoras, disse que ela gostaria de fazer a brincadeira do copo, aquela brincadeira em que todos os presentes seguram o copo para ver se acontece algo fantástico, ou seja, uma frase, alguém que receba espíritos e possa assustar os presentes. Filomena gostava de brincar de susto e naquela roda de amigas, gostava-se de um farto lanche, versos, canções e contar das suas próprias vidas.
     Dora, outra das senhoras presentes, disse que não gostava da brincadeira do copo, mas que as outras, se quisessem, que participassem do jogo.
     Filomena perguntou o que Dora iria fazer enquanto as outras jogassem e Dora disse que ficaria exatamente ali, ao lado de um prato de salgadinhos e doces, tomando conta deles para que não sumissem todos.
     Numa mesa redonda o copo foi colocado e todas as mulheres fecharam os olhos e seguraram o copo com as mãos sobrepostas.
     Filomena entrou em transe e as perguntas ao suposto espírito começaram.
     Filomena, em transe,com a voz afetada, disse:
     _Eu preciso que contem a minha história.
     As mulheres perguntaram qual era o nome pelo que o espírito se chamava quando estava vivo.
     _Elizabeth Junqueira.
     Dora, que observava do sofá, com um salgadinho nas mãos disse que aquele jogo era uma estupidez e sempre acabava mal.
     As senhoras olhavam assustadas umas às outras e concordavam com Dora.
     Dora continuou a reclamar:
     _Essa tarde que era para ser agradável, agora será para lembrarmos da moça que morreu aos vinte e dois anos, em um ano, com uma gripe que virou pneumonia.
     A partir do comentário as outras senhoras se manifestaram e começaram a dizer o que sabiam de Elizabeth Junqueira.
     _Jovem e séria, teve um único namorado e com ele se casou.
     A roda começou e vieram outros assuntos sobre a moça, com breves relatos sobre ela.
     _As moças do colégio onde ela estudou, sabendo que ela não gostava de visitas, mandaram uma pessoa na casa dela para visitá-la com as perguntas encomendadas no colégio e esquadrinharam a residência e souberam que ela estava feliz.
     _Por isso mesmo esperavam os dias de cansaço e a apanhavam de surpresa. Eram moças que levavam convites de aniversário e tinham muita pressa e a visitavam fora do horário de visitas.
     _Parece que as moças viram a cama por fazer e a louça do jantar ainda na pia.
     _A cidade inteira começou a chamar a Elizabeth de "porca".
     _Ela não está sendo mal educada. A grosseria contra a moça corria na cidade inteira. A Amelinha, na escola, ouviu um grupo de pessoas dizendo que ela era relaxada. Foi perguntada se a conhecia e ela disse que sim, mas que era moça mais velha e que não era amiga de visitar.
     _Dizem que ela ficou anoréxica. Parece que o marido gostava de sentir os ossos do ilíaco quando a abraçava, e para satisfazer o marido, ela ficou sem barriga.
     _Era professora, mas com esses comentários nenhuma escola a queria.
     _Eu bem que quis visitá-la quando ela ficou doente, mas disseram que tudo que eu iria presenciar era vômito. No mais disseram que ela estava pálida e cansada. Obedeci porque não quis incomodar a moça.
     _Essa história é esquisita porque ela não contrariava os interesses de ninguém, nem a favor nem contra.
     _Ela não era o que chamam de pessoa articulada, politizada ou engajada. Ela era uma moça comum, bem criada e educada.
     _O que terá sido aquilo de toda a cidade falar mal da moça?
     _Um dia eu fiquei zangada com o falatório e mandei que cada um tomasse conta da própria vida. Não adiantou nada, mas que eu falei, falei.
     _Será que ela soube o que diziam dela?
     _Isso é coisa que não se sabe.
     _Barbaridade: porca, relaxada e preguiçosa com apenas vinte e dois anos de idade.
     _Quase ninguém foi ao enterro dela, eu também não fui avisada.
     _Disseram que era morte esperada e que, embora triste, ninguém ficou surpreso.
     _Vinte e dois anos de idade e a cidade dava como certo o fim dela, mas com pneumonia?
     Dora concluiu:
     _Acho que foi disso que ela morreu.
     Filomena sentiu-se aborrecida por ter estragado a tarde com as amigas e disse:
     _Eu também acho que foi disso que a Elizabeth morreu.
     Dora olhou para a Filomena e pediu que entrassem em orações e pedissem desculpas pelo jogo do copo.
     Todas as senhoras começaram a orar.
      

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