Lugares Bonitos

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Bolo de Fubá / Crônica do Cotidiano

Bolo de Fubá / Crônica do Cotidiano



     Estamos quase em junho e começam a aparecer os quitutes típicos e, modéstia à parte, eu conheço a padaria onde se vende o melhor bolo de fubá da cidade. Exagero? Depende do paladar de cada um e, para o meu paladar, é o melhor bolo de fubá da cidade.
     Fui até a padaria e pedi um café com bolo de fubá (milho).
     Logo em seguida chega uma moça e olha para mim. Estou mostrando o meu contentamento com o bolo de fubá com café.
     A moça olha para a balconista e pergunta se o bolo é tão bom como parece ser a me ver comer com satisfação.
     Chamou? Chamando ou não chamando eu disse a minha opinião sobre a qualidade do bolo: _É o melhor bolo de fubá da cidade.
     A moça sorriu para mim, mas perguntou à balconista se o bolo não engordava e a balconista respondeu:
     _O bolo não engorda. Quem engorda é quem come o bolo.
     A balconista disse a frase e riu-se por não se lembrar de onde foi que aprendeu algo tão inteligente.
     A moça olhou para mim e perguntou se era muito bom mesmo.
     Eu disse que era e que cada vez que eu vou àquele bairro, eu passo lá e peço café com bolo de fubá.
     A moça pediu um pedaço de bolo para levar e a balconista disse a ela que ela voltaria lá, porque realmente o bolo é bom.
     Por acaso, na padaria havia jovens de uma cidade das redondezas.  Um deles, imponente, disse que foi à praia durante o feriado passado e ficou indignado com o pessoal do hotel que havia reservado para ele e a sua esposa um quarto com vistas para os fundos do hotel.
     _Eu exigi um quarto melhor. Sou do interior, mas sei o que é bom. Disse a eles para que não pensassem que eu era matuto. Pedi um quarto de vista para o mar e disse que vista para a piscina não me interessava. Eu tenho piscina em casa. Aí eu mostrei quem eu era. O dono do hotel conseguiu um quarto com vista para o mar e eu passei o feriado com vista para o mar.
     Mas os outros jovens adultos também eram da cidade pequena de onde vinha o jovem. Eles não viajaram durante o feriado e se reuniram e fizeram uma festa.
     O jovem perguntou se a festa estava boa e eles disseram que estava e, concluiu que o feriado, por certo, tinha sido bom para todos eles.
     Um deles virou-se para o jovem e disse:
     _Para nós foi. Agora, você querer se arriscar a ser apanhado por um tsunami, não foi muito bom. De frente para o mar, o que é isso? E, se, por acaso o mar resolve se encrespar você é o primeiro a ir com o mar?
     Ele engoliu em seco. Depois de tanto esforço por conseguir um quarto com vista para o mar. Mas não respondeu, murmurou a palavra tsunami várias vezes e não encontrou resposta.
     Nisso acabou o café e o bolo. A moça pegou o pacote dela com café e bolo de fubá e foi ao caixa.
     Entrei na fila.
     Todos os presentes conseguiram essas alegrias que só existem nas cidades pequenas.
     A gente precisa disso também.
       
    


Um comentário:

Maria Rodrigues disse...

Nunca comi bolo de Fubá, nem sei se existe aqui em Lisboa, mas pelo que conta deve ser muito gostoso.
Engraçada a conversa dos jovens do interior, o que lhes veio à mente não foi o amigo ter o prazer de poder observar o mar da janela , mas o risco de estar junto ao mar...
Adorei ler.
Beijinhos
Maria