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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Marido & Mulher

 

 

flores de casamento

Marido & Mulher

João e Maria, casados na igreja e no cartório, pais, padrinhos, bolo e valsa. Uma leve resistência do pai e da mãe de João ao casamento, mas João tinha vinte e cinco anos e queria se casar.

Tiveram dois filhos e João fez a vasectomia. Empregos bons, colégios bons, casa própria e férias uma vez por ano.

Vinte anos de casados. Maria passa mal e vai ao médico. Gravidez.

_Doutor, eu tenho quarenta anos e o meu marido fez vasectomia quando o Tarquínio nasceu. O senhor está enganado.

O médico pede exames. Diagnóstico confirmado.

Maria sente-se atordoada e ainda mais tonta do que estava antes. Custa a acreditar que gera um filho a esta altura da vida. Esconde os exames na gaveta do escritório onde trabalha. Recusa qualquer afago do marido. Ele insiste em saber o motivo. Ela tem medo da reação dele e o deseja com ardor. Sentindo-se pressionada, em conflito e absolutamente sensível ao cotidiano, ela não suporta mais omitir do marido a situação.

_Estou grávida.

_Como?

As lágrimas rolam em seu rosto, ela jura que o ama e é fiel a ele.

_Calma, Maria. Se você está grávida é preciso calma. Eu me lembro dos nossos dias em Campos do Jordão.

Ele a abraça e no dia seguinte corre para fazer uma consulta com o médico que o operou. O médico solicita um espermograma.

Gravidez não se esconde e logo, os parentes da Maria e os parentes do João, ficaram sabendo da novidade. As brincadeiras começaram. A palavra “Traição” aparecia nas entrelinhas. Os pais dele, incomodados com as pilhérias, chegaram a exigir que ele se separasse. Os filhos disseram que a mãe poderia ter chamado a cegonha antes e que ela se atrasou para trazer mais um bebê para dentro de casa. As roupas de bebê entravam todos os meses naquela casa.

_Mãe, nós somos homens. Você poderia colocar as fraldas no seu armário? As fraldas nos humilham.

João não permite mais brincadeiras ou reclamações com a Maria. Um homem sensato, um marido cúmplice do bebê. Gravidez de risco, todo o cuidado é necessário. Aos cinco meses da gestação de Maria, João chora. É menina que vem por aí.

Maria quer que a menina faça exame de DNA antes de sair do hospital. O exame será uma segunda certidão de nascimento para a Joaninha. Maria e João querem esfregar o exame nos olhos dos brincalhões.

Joaninha vem ao mundo. Um mundo construído por Joaninha antes mesmo de nascer. Enternece os irmãos mais velhos e casa novamente João e Maria.

2 comentários:

Miriam de Sales Oliveira disse...

Uma estória muito interessante e patética;porém,pertinente.Coisas assim acontecem e as mulheres são sempre as humilhadas.
Êta sociedade podre! bjs

Solange Gomes disse...

Solange Gomnes da Fonseca:

É triste realidade o que leio no seu texto, mas é assim que as mulheres sem personalidasde vão perdendo sua auto-estima.

Você é uma escritora nata e traz ao seus leitores o direito de repenar suas atitudes num relacionamento conjugal.

Bjns.

Solange.