Lugares Bonitos

Lugares Bonitos

http://frasesemcompromisso.blogs.sapo.pt/

O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

terça-feira, 31 de março de 2015

Oxidação

Oxidação

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Cada livro, uma solução,

Feita à mão e parece medida

Métrica única de artesão

À visão, proposição e vida.

 

Ouço à viva e estudo a ficção

E esse cristal se dilapida

Nessa página de abstração,

Tanto enquanto a leitura oxida.

 

Lentes de óculos e armação,

Nessa luz de lâmpada adida

Sobre esse livro no balcão,

É ao que o xis da expressão convida.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Etc. E Tal / Crônica do Cotidiano

Etc. E Tal / Crônica do Cotidiano

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Esse meu defeito de acrescentar, sempre acrescentar, acaba por se transformar em mar, em barcos de navegação, e não é de hoje que convivo com tal mania.

E, quando percebo, tenho músicas, livros e imagens, seja em fotos ou filmes. E o dia fica curto para tudo aquilo que tenho vontade de fazer sem me esquecer da rotina, há qual muito prezo.

Os meus relógios se dão no tanque e no ferro de passar roupas, ponteiros que indicam que está tudo bem.

Há uma sensação dizendo que há algo bom a ser feito e, essa sensação acaba por resumir, por exemplo, minha visita aos blogs, sem que resuma leituras.

E largo tudo para passar roupas, com ou sem o rádio ligado, com ou sem a televisão ligada. Eu me passo a limpo todas as semanas através das roupas que passo. O que eu poderia ter dito, feito, ou onde posso ir desse ou daquele jeito.

Não é média ou demagogia e estou numa busca do que pode ser bom. Bom para todos os demais que, por acaso, encontro.

Porque as histórias que me contam fazem sentido.

Outro dia, parei para ouvir o outro lado da história e, tão atenta, para ver o que poderia ser mudado, que eu me dei conta de que, nada pode ser mudado.

O outro lado da história é o chamado lado mau do ser humano.

Contaram-me de uma mulher, cuja vida até pouco tempo atrás era um rol de perfídias.

Bem sucedida em todos os seus objetivos humanos, o que poderia lhe faltar?

Contaram-me que essa mulher tem um único problema. Ao deitar-se, dorme, como qualquer pessoa boa. Pela madrugada, vêm os sonhos. Parece que ela mesma confidenciou a história num momento de perplexidade.

Ela sonha com essas perfídias feitas a outras pessoas, todas elas, uma a uma. Dizem que ela acorda e se pergunta o porquê de cada uma das suas más ações e não encontra respostas. Ela parece ter chegado à conclusão de que tudo o que fez foi perda de tempo, desnecessário para ela atingir os objetivos que almejava.

Ela parece se acostumar com a presença de todas aquelas pessoas nos seus sonhos. Acorda e se questiona, relembrando o passo a passo do que fez.

Não, ela não cometeu crime algum. É a história dela que é essa, pensar que o bem é tolice.

Eu ouvi a história até o final. Parece e muito com o conto de Dickens: O Avarento. Não o supunha possível na vida real, mas é.

Pensei comigo: desse mal eu não sofro.

Continuarei com os meus defeitos de fazer da vida um navegar, procurando buscar o lado bom, etc. e tal.

domingo, 29 de março de 2015

Ideário

Ideário

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Nessa imensidão de gente

Perde-se o contato diário,

Volta-se ao buscar latente,

Busca-se o pescar no aquário.

 

É a velocidade em mente,

É a necessidade ao vário

Da arte, que insistente, é agente,

Forma, cor e som; temário.

 

Nada a se chamar de urgente

Nessa recreação ao rimário,

Essa é a situação coerente

Diante de um sentir ideário.

sábado, 28 de março de 2015

Goma de Tapioca

Goma de Tapioca

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Quando o essencial é dito,

Sobra no ar um aroma,

Alma do que não é escrito,

Criança e bala de goma.

 

Faz-se o estéreo bendito

Nessa união, feito goma

D’uma tapioca; mito

Rústico desse idioma.

 

Nesse inefável rito

Sente o inútil do axioma;

Verso é o som sobrescrito

Nesse lápis que soma.

sexta-feira, 27 de março de 2015

A Vampira / Conto de Horror

     Era uma vez um castelo sombrio no alto de um morro. Era conhecido pela população das redondezas como o mausoléu dos imaturos. Todos temiam passar por perto porque a sua entrada mais parecia um cemitério.
     De tantos avisos, mistérios e histórias sobre o lugar, certo dia, um pesquisador se interessou em desvendar o mistério que rondava o lugar.
     Para passar-se despercebido, João vestiu-se de mendigo em busca de um prato de comida.
     Pegando o caminho em direção ao castelo observou os corvos e os uivos dos lobos. A entrada do castelo era um caminho de cruzes simbolizando cada criança morta.
     Preparado para o que pudesse encontrar, João seguiu até a porta. Chegando lá, bateu à porta para pedir comida.
     Abriu a porta uma mulher de olhar estranho e penetrante, perguntando o que ele desejava.
     _Um prato de comida, senhora.
     Ela soltou uma gargalhada dizendo que ali ele não ganharia nada que não fosse trocado.
     O mendigo perguntou o que ele poderia fazer que pudesse ser trocado por um prato de comida, pois nada tinha de seu, nem mesmo habilidades para oferecer.
     A mulher, ao invés de responder a questão, perguntou se ele não tinha família ou amigos que o acolhessem.
     _Não, senhora. Deixei as minhas terras há muito tempo. Todos sabem daquele vendaval que destruiu boa parte do oeste, arruinando moradias e plantações, deixando apenas sobreviventes da calamidade. Assim como os outros infortunados eu saí em busca do que fazer e do que comer, mas não encontrei.
     A mulher sorriu, satisfeita. Contou que tinha uma criação de cabras num lugar próximo dali e que ele poderia comer cuidando das cabras.
     O mendigo aceitou. Disse que estava faminto e, comeria o que lhe viesse aos dentes.
     João foi conhecer o terreiro. Enquanto limpava o local, procurou uma árvore alta e troncuda para ali construir uma casa. Procurou madeira boa para fazer uma casa na árvore e começou a construí-la.
     A mulher, dona do castelo, ao perceber o movimento do João, foi conversar com ele.
     _O que é que o senhor está fazendo na árvore? Do terreiro à árvore o senhor foi muito rápido.
     João disse que essa era a maneira que ele encontrou para cuidar do terreiro à noite. Contou que ouviu os uivados dos lobos e tinha medo de ataques de lobos famintos. Se ele estivesse lá em cima, à noite, poderia defender as cabras e se proteger ao mesmo tempo, caso aparecesse alguma matilha.
     A mulher concordou com ele, mas disse a ele que não tornasse a agir sem antes falar com ela.
     João pediu desculpas e disse que nada mais faria sem a sua permissão.
     O pesquisador continuou, entretanto, com os propósitos que o levaram até ali: vigiava o castelo à noite e cuidava das cabras pela manhã, dormia durante as tardes sobre a relva próxima ao terreiro.
     Passados alguns dias, numa noite, João viu a porta do castelo se abrir. Desceu da árvore e, entre arbustos, seguiu a mulher.
     Ela passeava por entre as casas dos aldeões parecendo procurar por algo.
     De repente, ele percebeu que ela deteve os seus passos atenta ao burburinho de algumas crianças junto aos seus familiares. Aproximou-se daquela casa.
     De longe, João observou que a mulher entrou na casa, ficou lá pouco tempo e saiu em direção ao castelo.
     João pensou em segui-la no caminho de volta, mas o luar era alto e ele não quis ser visto; decidiu aguardar que ela seguisse o caminho.
     Enquanto ele observa os passos da mulher se distanciando dali, ele ouve as crianças discutirem e gritarem.
     Inquieto, ele vai até aquela casa e bate à porta.
     _Peço um prato de comida, há dias que não faço uma refeição. Há alguma sobra de alimentos que possa ser oferecida?
     O garoto abre a porta e é ríspido com o mendigo:
     _O senhor não será atendido, pois, neste exato momento, estamos com problemas. Aliás, problemas sérios.
     João pediu permissão ao garoto para aguardar até o amanhecer nas redondezas. Disse que não pretendia incomodar. Antes de partir, na manhã seguinte, ele pediria um prato de comida para os seus pais.
     O garoto disse que ele parecia não entender e, explicitou a situação:
     _O meu pai, agora, é meu irmão e, a minha mãe, foi transformada em minha tia.
     O mendigo disse que não entendeu nada do foi dito e que estava ali em busca de um prato de comida.
     O garoto, nervoso, apontou para a cabeceira da mesa mostrando um jovem de vinte e um anos. Depois, apontou para a mulher de trinta e poucos anos dizendo para a garota, sua irmã, que, se ela fosse sua filha a educaria de maneira diferente. A garota gritava que era mentira.
     João, fazendo-se de conformado, disse que no caminho até ali avistara uma mulher e, quem sabe ela poderia arranjar um prato de comida para ele. Perguntou ao garoto se ele sabia quem era ela e onde morava; quem sabe ela tivesse comida para dar.
     O garoto disse que ela era a dona do castelo e fora até ali oferecer o castelo para a família fazer um piquenique lá. Ela foi lá para dizer que eram bem vindos ao castelo.
     A garota, sua irmã, ouvindo a conversa, disse que era boa ideia procurar aquela mulher e pedir ajuda.
     João, incomodado com a sugestão dela, interveio, dizendo que seria muito perigoso deixar o pai, que agora era quase tão jovem quanto ele, em casa, a obedecer à mãe, que agora estava transformada em tia e queria modificar a educação deles.
     O garoto e a garota concordaram com o mendigo.
     João disse que iria até o castelo pedir comida e, depois, voltaria até a casa deles, talvez até com a ajuda daquela mulher.
     As crianças acreditaram nele. Era noite e o caminho estava escuro. Ele era um homem faminto e estava acostumado com trilhas; eles, não.
     O mendigo foi até a casa na árvore e observou que os candeeiros do castelo ainda ardiam. Esperou amanhecer e foi conversar com a mulher.
     _Bom dia, senhora. Passo por aqui para dizer que o terreiro está limpo e, as cabras, alimentados. Também estou com novas ideias para melhorar o local tais como uma cerca nova e algumas melhorias na casa da árvore.
     A mulher olhou para o João e disse:
     _Não me importune! Se você tiver alguma ideia sobre a casa da árvore, eu o coloco para fora daqui.
     O mendigo disse que tinha se ofendido e que, se assim fosse, ele é que iria embora do lugar.
     _Vá embora!
     Ele foi embora para a casa das crianças, que o aguardavam com a ajuda.
     O mendigo chegou lá e disse:
     _Se o pai de vocês agora é o irmão e, a mãe de vocês agora é tia, a solução é que eu seja o avô.
     As jovens crianças perguntaram se a dona do castelo tinha dito isso ou se era invenção dele.
     _Ela me deu até mesmo roupas de avô e disse que tudo será resolvido, mas ela pediu segredo porque, segundo ela, o segredo é a alma do negócio. Vocês não sabem, assim como eu não sabia, mas ela disse que eles sofreram um feitiço que pode ser desfeito. Nós não falamos mais nisso. Nem eu, nem você e nem ela; assim o feitiço será desfeito.
     Os dois concordaram com o João.
     À noite, a mulher, dona do castelo, bateu à porta novamente, dizendo que trazia flores para a mãe deles. Desta vez, quem atendeu a porta é João:
     _Eu sinto muito, senhora, a minha nora deitou-se cedo, mas pode deixar; eu entregarei as flores.
     A mulher, desconfiada, fingiu que foi embora, mas ficou nas imediações para ver se descobria onde tinha errado. Esperou pela discussão. Aguardou que uma das crianças se exaltasse e fosse até o quintal para que ela pudesse levá-la consigo.
     Ao invés da discussão envolver as crianças, ela se dá entre o pai e o homem que se passa por avô das crianças.
     _O senhor não é da família e eu não permiti a sua entrada em minha casa.
     À medida que João conta que é pesquisador e que procurava saber sobre o castelo sombrio da região, o pai das crianças volta a ter a sua idade normal e se coloca na posição de chefe da casa.
     A mulher, ao ver o marido discutir com o intruso, reage positivamente à situação, assumindo a condição de mãe:
     _O meu marido está certo, nossos filhos precisam de proteção e a mãe deles sou eu.
     João pede desculpas por sua intromissão na família e sai da casa deles, deixando as crianças felizes por verem o seu pai adulto e a sua mãe desenfeitiçada.
     A dona do castelo o aguarda a poucos metros dali.
     _Quem você pensa que é para se intrometer com os meus planos? Agora, você irá ao castelo comigo e saber quem sou.
     João vira-se para a mulher e diz que ele é o destino pelo qual a mulher procura. Estendeu os braços e seguiu com ela ao castelo.
     Chegando ao castelo sombrio, ela abre a porta e o convida para entrar.
     Tudo o que há lá dentro são catacumbas.
     A mulher abre uma delas e diz que é ali que ela dorme. Transforma-se a si própria numa linda borboleta negra e pousa dentro da catacumba fazendo um barulho terrível.
     João não perde tempo e fecha a catacumba, travando-o por todos os lados.
     Depois, pegou os apetrechos que utilizava para cuidar do terreiro e levou a catacumba de ferro para a porta do castelo, cimentando-o ali por debaixo da soleira, de tal modo que ninguém a conseguisse abrir. Ainda escreveu sobre o caixilho: Aqui jaz o ódio. Feito o desfeito, João seguiu o seu caminho.


    




quinta-feira, 26 de março de 2015

Canoa

Canoa

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O tempo fugidio

Não foge da razão,

É chuva num dia frio.

 

Quem faz do corredio

Lembrança e proteção,

Vê o rio, segue a vazão.

 

O mar também é rio;

 

Canoa, reflexão.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Conversa de Mãe

Conversa de Mãe

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As duas mulheres estavam no salão de beleza e, contavam uma à outra, sobre as respectivas filhas.

_Eu disse para a minha filha para esperar. Ela tem vinte e três anos, acabou de se fazer a especialização e não tem que pensar em casamento. Ela que aproveite o salário dela com ela mesma.

Noêmia ouviu e disse para a colega de secador de cabelos:

_Que coincidência, eu tive uma conversa semelhante com a minha filha. Eu disse para a minha filha que ela se resolvesse, que a vida era dela e que eu não tinha o direito de me intrometer numa situação que é dela e do namorado dela. Avisei que o casamento implica em não ganhar lanche da mamãe às dez horas da noite e sim em fazer o lanche das dez da noite. Ela é crescida e pode assumir as responsabilidades das escolhas dela.

Lurdes ficou indignada:

_Eu não vejo motivo para que a minha filha assuma um compromisso tão sério que implique em filhos antes de viajar, de saber como é que a vida é na realidade. Casamentos são para alguns anos e, quando ela perceber, estará numa idade na qual não lhe será permitido aproveitar a vida.

Foi nesse ponto que a conversa esquentou. Noêmia disse que idade para aproveitar a vida era uma espécie de preconceito e disse ainda:

_Pois eu acho que a gente aproveita a vida quando tem saúde, disponibilidade e vontade de aproveitar a vida. Quanta gente que tem tudo isso e é incapaz de ir a um piquenique. A minha filha é dona do nariz dela e se quer assumir um compromisso, o problema é dela. Eu exijo responsabilidade em todas as decisões que ela toma, mas quem toma as decisões dela é ela mesma.

Lurdes se sentiu ultrajada, ofendida e respondeu com altivez:

_Pois saiba que eu cuido da minha filha e eu não quero que ela volte para casa daqui a dois ou três anos com uma criança no colo e eu ainda tenha que ajudar a criar.

Noêmia disse que a filha dela era responsável e que ela não podia prever o futuro da filha tão drasticamente. O namorado era bom moço e responsável também.

Lurdes disse que ela faria todo o possível para atrasar o casamento da filha e disse que era porque queria o melhor para a filha.

Noêmia disse que o melhor para a filha dela era que ela, a filha, fosse responsável por si mesma e contasse com o apoio da mãe.

Cabelos prontos, cabeleireiros e manicures olhando para a televisão.

Pagaram os serviços e se foram.

terça-feira, 24 de março de 2015

Boquiaberta

Boquiaberta

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A rotina descansa

O passeio e vice-versa;

É um navio na bonança.

 

Necessária é essa aliança

Da rotina e o que a cerca

Com o olhar na esperança.

 

Essa roupa que dança

 

No varal, luz desperta.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Conversa de Jovem?

Conversa de Jovem?

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Os dois aparentam por volta de vinte anos. Um deles aborrecido.

_Que cara é essa? O que é que você tem?

O rapaz baixou a cabeça e depois olhou nos olhos do amigo e perguntou se ele realmente queria saber o que é que ele tinha.

O outro disse que sim.

_Eu levei a Simone para casa, ela me beijou e agradeceu pela companhia e pela noite de festa.

O outro olhou com jeito de espanto e perguntou, nessa maneira jovem de dizer as coisas: E daí? A noite terminou bem, não terminou?

_A noite terminou bem, mas eu penso se é isso o que eu quero. Eu saio, eu namoro, mas volto pra casa. Eu queria ter uma vida igual a do meu avô, mas é difícil.

O amigo pediu para que ele explicasse porque ele não entendeu a questão.

_Como é que o meu avô conseguiu uma mulher para a vida inteira? Estou falando à sério. O meu avô conseguiu isso. Eu não sei o que é isso. O meu pai e a minha mãe se separaram quando eu era pequeno e eu não tenho lembranças do que seja esse tipo de família. Talvez seja uma antiguidade.

Ele parou de falar, pensativo.

O amigo disse que ele deveria considerar uma sorte ter um avô e uma avó que mostrassem para ele como funcionava essa antiguidade.

_Eu estou indo à casa do meu avô toda semana. Pergunto sobre eles e parece que ele gosta de contar. Ele pergunta da minha vida e se eu estou namorando sério. Eu digo que não, mas peço para ele me contar mais sobre a vida dele com a minha avó.

O outro, assustado, perguntou se o avô dele contava sobre as intimidades entre ele e a avó.

_Não, ele não conta. Você sabe o que é que o meu avô tem? Ele tem café na mesa com toalha, pão, geleia e queijo todos os dias. Aos domingos tem o bolo que a minha avó faz. Eu nunca terei isso. Eu acho que me acostumo porque eu nunca tive.

O outro ironizou perguntando se na casa dele não tinha geleia e queijo.

_Na minha casa tem até pasta de avelã para comer com pão, mas mesa arrumada para o lanche, não. A gente come na cozinha para não aumentar a louça a ser lavada.

O amigo desistiu do assunto dizendo que o jeito era se acostumar. A época do avô dele foi outra e ele tem que se virar conforme a atualidade.

_Desistir? Não penso nisso. Ele tem que me ensinar. Você acha que se, eu for duas vezes por semana na casa dele, eu consigo aprender como é que se arranja uma mulher para a vida inteira?

O amigo disse que não custava nada tentar. Olhou no relógio e disse que sentia muito, mas estava com pressa.

_Eu vou lá hoje à noite de novo. Não é justa essa história de me beijar e desejar boa noite.

O amigo ficou com remorso de ter cortado a conversa olhando no relógio e o convidou para caminharem juntos até a faculdade.

Ambos pegaram o caminho até a faculdade, juntos, silenciosamente juntos.

domingo, 22 de março de 2015

Interessante / Reflexão

Interessante / Reflexão

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Uma preleção muito interessante, voltada a todas as idades. Os conhecidos de sempre. As orações.

Leituras bíblicas. De todo texto uma frase do texto sagrado resumiu todo o serviço do dia.

Para mim. Hoje eu tive a impressão que a função de um serviço religioso atende as necessidades de cada um em particular.

Somos particularidades de Deus. A cada um dos fieis a palavra chega de um jeito diferente e, atende a todos.

Penso que é uma demonstração do respeito máximo ao outro, àqueles e aquelas que se sentam na mesma sala de oração aquela oração silenciosa e individual que comunga com o Altíssimo.

Numa semana em que orei duas vezes, porque cantar é uma forma de orar.

Ontem próxima a uma Igreja Católica Romana, acabei por cantar junta a canção Porque Ele Vive. Cantei do meu jeito e foi um momento bonito e familiar.

Deus é unidade, não separação.

Hoje me levantei cedo para ir à igreja e cantamos Em Deus Sozinho. Porque Ele é a unidade.

Mas a preleção de hoje, na Igreja Batista, para mim, foi à continuação das canções de ontem, das quais uma delas eu gosto muito e a cantei.

Certamente que a oração chegou a mim de forma diferente.

Ontem ainda, os missionários da Igreja Assembleia de Deus tentaram entrar em contato, mas eu realmente não tinha tempo, estava cheia de compromissos, até mesmo algumas contas para pagar e estava procurando a casa lotérica.

Estava próxima a uma praça e, alguém sentado nela olhou e disse: “Deus te abençoe”.

_Amém.

Terminei as orações do final de semana hoje.

Percebam as coincidências, foram três denominações diferentes dizendo de um único Deus-Espírito-Homem: Jesus Cristo.

A cada um que ler, que a reflexão, particular e minha, possa fazer refletir.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Bom Senso

Bom Senso

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Se chegar pra falar bem,

Certamente que convém;

Se chegar pra falar mal

Que procure esse seu igual.

 

As ideias podem também

Contribuir nesse vai e vem;

Não se põe uma pá de cal

Sobre um balde de água e sal.

 

Quando boas, guarda e as mantém,

Não farão dano a ninguém;

É castelo feito ao areal,

Construção de algum ideal.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Luz de Vagalume

Luz de Vagalume

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A última gota de perfume

Deixa no frasco o seu passado,

Gota de luz e vagalume,

Sonho espontâneo evaporado.

 

Vidro é magia que se resume,

Volta a si mesmo abrilhantado,

Livra o seu aroma sem queixume

Quando ao calor é remoldado.

 

Essa é a missão de todo lume:

Ser ao mister desapegado,

Ser mais bonito do que assume

Quando ao recriar é renovado.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Caminhante

Caminhante

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Quando esfria, a rua se encolhe,

E o casaco é doce encontro

Abraçado ao não se molhe.

A sombrinha é desassombro,

 

Caminhante é flor que colhe

Gota d’água num pesponto;

Solidão não se recolhe,

É manjar de redesconto.

 

Numa chuva não se escolhe

O que o frio trouxe de pronto;

Nessa luz que a chuva acolhe

Brilha o sol além do ensombro.

terça-feira, 17 de março de 2015

Poema Assustado

Poema Assustado

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Gaguejo com medo

De tudo o que é absurdo.

Não se causa medo

Nem susto nem turvo.

 

Linguagem que arredo,

Evito e me furto;

Renega o meu credo,

Palavra que encurto.

 

Muvuca de enredo

Não se entra nem surdo.

Nem raiva ou folguedo

Compensa algum surto.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Maré Mansa

Maré Mansa

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Volto a falar de amor,

Mesmo porque não cansa,

É água fresca ao calor;

 

Mesmo porque é valor,

Praia de maré que é mansa.

Livre é o navegador,

 

Barco de um pescador

 

Onde à maré sou criança.

domingo, 15 de março de 2015

Comentário sobre os Protestos

Comentário sobre os Protestos

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O dia não permite poema, crônica ou, reflexão.

Desde cedo o assunto é o mesmo: protesto.

Dizem que os protestos de 2013 foram organizados pela esquerda e os de hoje, 15 de março de 2015, pela direita.

Esse conceito de direita e esquerda, para mim, é ultrapassado. Mas, pelas entrevistas, percebe-se uma enorme quantidade de profissionais liberais insatisfeitos.

Nesse meu simples conceito que é o conceito de dona de casa, está claro o motivo dos protestos. De alguma maneira falta liberdade de ação ao segmento. Talvez estejam como que sendo boicotados pelos impostos e excessivos encargos trabalhistas. Sou franca, falta-lhes liberdade de movimentação nos negócios.

Observo que o governo tem combatido a corrupção e os órgãos competentes se empenham para a boa condução da coisa pública. O povo exigiu e exige a transparência e, há o esforço do governo e dos demais poderes legislativo e judiciário numa atuação conjunta.

Por incrível que pareça, os profissionais liberais realmente precisam algo bom para os negócios. Eles compõem a máquina que coloca a economia em desenvolvimento. Talvez os senhores deputados de centro-direita possam ouvi-los e elaborarem projetos de lei que, na prática, surjam efeitos.

Os protestos são válidos para mostrar a insatisfação de um segmento da sociedade e não se precisam adivinhar quais sejam as dificuldades pelas quais o empresariado passa.

Igualmente, penso que cada argumento governamental seja pensado e elaborado antes de ser proposto à sociedade. E, sendo simplória, como é simplória a constatação de que todo restaurante tem o seu cardápio.

Enfim, o governo não pode improvisar. O protesto é realizado por pessoas com algum nível cultural e consciente de todas as dificuldades pelas quais o país atravessa.

Por outro lado, o governo não tem desculpas para improvisações porque é composto por pessoas com nível de estudo satisfatório.

O empresariado está, à sua maneira, reivindicando leis que possibilitem o progresso da economia com a consequente geração de empregos. A livre iniciativa é a especialidade deles e é preconceito não ouvi-los, não atendê-los em algumas questões.

O Brasil é um país pluralista e teve avanços sociais nos últimos anos.

Nesse momento o país precisa de uma atualização nas legislações comercial e empresarial, obviamente passando pela redução dos impostos e na facilitação para o treinamento e contratação de pessoal. Já ouvi dizer que empregos não faltam, faltam qualificações específicas. Um desconto nos tributos para treinamento de pessoal pode ser uma ideia.

Há realmente um problema de comunicação por parte do governo, uma linguagem culta e simples pode ser mais eficaz do que uma linguagem estereotipada com a finalidade de que a camada mais humilde da população entenda.

Esse meu blog, ah! Como eu gosto desse meu blog.

E quem tiver a paciência de ler um comentário, o meu agradecimento.

sábado, 14 de março de 2015

Racional

Racional

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A primeira palavra

É a que quebra o silêncio,

A segunda desbrava.

 

E a terceira é a que crava

Novo conhecimento

Onde era essa a palavra;

 

Busca do que apalavra

 

A mitologia helênica.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Marajoara

Marajoara

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Ao que divaga cedo,

A tarde se faz clara,

E, à noite, sem segredo.

 

Pela manhã o brinquedo,

Que à tarde, pois, declara,

Que a noite, em seu sossego,

 

É som de desapego,

 

É arte de marajoara.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Inteiração

Inteiração

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Ah! Se não fosse essa arte

Que se imagina pronta,

Desfaçatez, em parte,

Que da ilusão desponta,

 

E vê beleza em Sartre,

E, num devir, desconta;

Faz da tristeza o aparte

Num rodapé de conta.

 

Ah! Se não fosse essa arte,

Não haveria o que encontra,

Quando ao buscar, é parte,

E, sendo parte, a apronta.

quarta-feira, 11 de março de 2015

A Citação Musical / Reflexão

A Citação Musical / Reflexão

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É comum utilizarmos citações, frases de efeito, em textos. São úteis para que nos lembremos dos pensadores, dos filósofos, saibamos do pensamento humano.

Outros de nós, em conversas informais usamos slogans, os quais são úteis para o entendimento daquilo que conversamos.

Esse é o caso da minha reflexão: a palestra de um mestre muito culto.

Ele se utiliza de um refrão, por sinal, impactante e que não vem à história porque não é motivo do texto.

É óbvio que os seus discípulos, por admiração, usam o mesmo refrão.

A admiração não é vulgar.

Agora, quando o refrão,ou, a citação de um pensamento, é utilizada como desdém do que foi explicitada, a frase se afasta de quem a profere e volta-se ao pensador que a compôs.

Não se trata de imitação, a imitação é a ingênua vontade de aprender mais.

Outro dia uma frase aconteceu de ouvir uma frase nesse sentido inverso que é o sentido do desdém.

Bendito ouvido musical que a transformou em algo dissonante e a transformou num acorde sem nexo dentro de um fraseado melódico.

Ocorre que essa frase ainda ribomba nos meus ouvidos como se eu tivesse que procurar um lugar para colocar um acorde que não cabe numa melodia.

É como se eu conhecesse o filósofo e soubesse da sua intenção nessa inserção frasal dentro do texto.

São os meus ouvidos musicais que pedem esse texto como se houvesse um caminho, um sentido entre a frase e o pensador e o motivo de quem a proferiu. Eu desconheço esse caminho musical.

No entanto, sei que é importante essa colocação. A música nada mais é do que um numeral adequado e lógico. Acalmo a mim mesma com esse texto.

Não é um texto fácil, mas precisava ser escrito.

Existem regras em música, uma das quais é conhecida de todos: não adianta insistir em bater na mesma tecla (errada). Quando acontece, a música é deixada para o dia seguinte.

É o que farei com esse texto. Compartilharei com vocês, mas eu mesma o lerei em outro dia com vagar.

terça-feira, 10 de março de 2015

Fantasia

Fantasia

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Não basta a melodia

De alguma nostalgia

Do que não volta mais...

 

E nessa fantasia,

Que será, pois, do dia,

Dos nossos castiçais,

 

Que o pandemônio unia?

 

Bonitos madrigais...

segunda-feira, 9 de março de 2015

Irrequieto

Irrequieto

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A realidade não se nega,

De parafuso ao vil inseto

Que, ousado, pousa numa tela,

Programação de excerto abjeto.

 

Nem vitrinista na janela

Põe-se a enfeitar o mesmo teto,

Quando é outra a tolda que modela

Toda a aparência de um afeto.

 

Tal como um quadro, se revela;

Toda pintura tem objeto,

Mesmo invisível, que engambela;

Quando à parede, é algo irrequieto.

domingo, 8 de março de 2015

Conversa Frutífera / Crônica do Cotidiano

Conversa Frutífera / Crônica do Cotidiano

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Veio uma amiga conversar.

_Diante de todas as variáveis que observamos: o que você acha?

Acho que foi uma conversa sincera e com disposição para futuros planos.

Não adianta conversarmos sobre suposições. Tudo o que temos são ideias pré-concebidas e fatos constatados, ou, em constatação.

Não há nada a ser pensado ou dito quando não somos as pessoas que constatam ou as donas dessas ideias pré-concebidas.

Situação bizarra como essa, não vivi.

Teremos que conversar novamente. Os nossos parâmetros estavam suficientemente confusos que não nos propiciou nenhuma conclusão.

As ideias existem e são tanto minhas, quanto dela.

Mas, e daí que existam ideias, quando nos encontramos num meio desencaixado, como versos sem rimas que não estão livres da métrica?

Mas, enfim, um rascunho para a nossa questão foi delineado.

Concordamos com a falta de parâmetros reais, concordamos com ideias de soluções, concordamos em pensar sobre os paradigmas e concordamos em não tentar resolver nada por enquanto.

E foi uma conversa frutífera porque concordamos em muitos pontos de vista, inclusive a de pensar.

Ninguém mais estava com vontade de falar no assunto, que é bom, que é harmônico e implica em amor ao próximo.

sábado, 7 de março de 2015

Coisa de Mulher / Crônica do Cotidiano

Coisa de Mulher / Crônica do Cotidiano

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Este ano, pelo menos nos lugares aonde vou, o Dia Internacional da Mulher está atípico.

Resolvi arrumar o cabelo, cortar e deixa um pouco diferente. O que aconteceu? Fila. Entrei na fila e, para um dos melhores anos do Dia Internacional da Mulher para a cabeleireira, seis cortes de cabelo no período. Durante o dia inteiro, provavelmente, a quota de cortes de cabelo seria maior.

Rimos e alguém perguntou, com gaiatice, se o Dia da Mulher era o dia da mulher cortar o cabelo?

Estávamos rindo quando o cabeleireiro disse que ele, apesar de lidar com a estética feminina, pensava em assuntos mais sérios naquele momento. Nenhuma mulher continuou a conversa e continuamos a festejar o Dia da Mulher em meio aos xampus e cremes condicionadores.

Parecendo um movimento representativo da antítese dos direitos da mulher, conversamos sobre cozinha e alimentos, a marca de arroz preferida e o jeito de cozer, seja no fogão convencional ou no forno de micro-ondas.

Outras histórias:

Estava olhando vitrine quando entraram mãe e filha desesperadas para trocar o vestido por um número menor. O detalhe divertido eram as horas: três horas da tarde. O casamento seria às cinco horas da tarde. Houve um corre-corre na loja e, trocaram o vestido na hora. De cabelos e unhas feitas, faltava um vestido e as maquiagens. Se bem que elas chegaram à loja com a base, o pó e o blush faltavam sombras, rímel, lápis e o batom. Não era desculpa para não irem ao casamento, ao contrário, tinham muita pressa.

Eu, que não queria comprar nada, me divertia com a pressa das duas.

Ainda observando as duas, a vendedora pergunta se eu quero algo. Fui objetiva, estava olhando os preços da liquidação e vendo se, realmente, algum produto poderia vir a me interessar.

_Olhe com carinho, alguma boa oferta, por certo, a senhora encontrará. Eu já volto aqui para mostrar as melhores peças em oferta. Estou atendendo àquelas senhoras.

Aquelas senhoras eram uma brasileira e outra europeia.

A senhora estrangeira disse que não sabia que no Brasil havia produtos de qualidade. Estava admirada com a qualidade do produto e iria levar algumas peças de vestuário e calçado para mostrar que, afinal, não somos tão subdesenvolvidos quanto ela esperava. Tenho que admitir que ela não errou uma palavra em português.

Subdesenvolvidos? A vendedora teve um chilique educado. Contou dos nossos produtos e disse que o único produto que ela considera inferior é o café industrializado e embalado. Nascida, segundo ela, na terra do café, disse que subdesenvolvido é o café de pacote embalado à vácuo. Na terra dela o café é moído e torrado na hora e tem um sabor inigualável ao café industrializado.

Enquanto as senhoras brasileira e europeia finalizavam as compras delas, eu desisti das minhas compras.

Preparei-me para sair e ela perguntou se eu não aguardaria mais um pouco.

Não era hora para compras. Somos todas especiais. Volto outro dia.

sexta-feira, 6 de março de 2015

A Toda Mulher

A Toda Mulher

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Eu vejo as tramas da renda fina

E os arremates da costureira,

Nessas madeixas de Carolina

Que se renova, em uva e parreira.

 

E, nessa prenda, o que determina,

É o seu cacheado de tanta e inteira

Dedicação, num amor que ensina.

Vê-se menina a amiga faceira.

 

Toda mulher sente a luz divina,

Pois, nasceu mãe, quisesse ou ainda queira,

Em delicada manta de sina,

Nesse bordado de cristaleira.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Olhar à Frente

Olhar à Frente
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O segredo d’uma pedra de sal
É não olhar aquilo que te faz mal,
Ao contrário, não saiba o que corrói.

Que ninguém queira a dor de ser igual,
Qual perfídia ao pesadelo surreal;
Sofrimento inútil não se constrói.

Ao capricho de um olhar desigual,

O perder-se o ser em sal que se mói.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Canção ao Mar

Canção ao Mar

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Toda vida, toda vida arrumo,

A medida, a janela e a saída,

Sei do mar, da vela e, então, me aprumo;

Na fadiga de um remo, a guarida.

 

E se canso, mas não me acostumo,

É porque esse remar marca a lida.

Nesse ritmo do íntimo, o resumo,

D’uma lira; a toada atrevida.

 

Encoraja como suprassumo,

Quando o seu ânimo ao senso convida,

Que o sentido escute todo o rumo

Da rotina à canção enaltecida.

terça-feira, 3 de março de 2015

Estandartes

Estandartes

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Tantos cordéis,

Distintas artes,

São carrosséis;

Destarte, em partes.

 

São menestréis

Em contrapartes

Tantos pincéis

Que leem Descartes,

 

Mas são os farnéis

De som e apartes

Que entoam corcéis,

Meus estandartes.

segunda-feira, 2 de março de 2015

“Financês” de Supermercado / Crônica de Supermercado

“Financês” de Supermercado / Crônica de Supermercado

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Vamos às filas. Estava no supermercado, noutro supermercado, mas na fila.

Três jovens em início de carreira comentavam as suas vidas.

Quando alguém faz algo diferente, é difícil não prestar atenção.

Uma das moças contou dos seus estudos de pós-graduação no exterior, elogiou a confiança que a família teve nela, pois quando viajou tinha vinte e um anos. Arrumou emprego lá fora, estudou. Comportou-se como pessoa mais madura e enfim, a história estava boa até quando ela disse que amou voltar ao Brasil e reencontrar as amigas, sair aos finais de semana e, admirem-se: ler.

As outras moças ouviam atentas todas as experiências de morar sozinha no exterior.

Exaltando o Brasil, ela disse que agora consegui ler três livros por mês.

Eu ouvindo e pensando na boa ideia da moça quando ela contou que leu o livro Os Miseráveis, de Victor Hugo numa noite só. Começou a ler às oito horas da noite e terminou a leitura às três horas da manhã.

Uma das moças mudou de assunto. Perguntou à outra moça se ela tinha algum dia morado fora.

_Morei na praia com alguns parentes.

Quando ela mencionou o nome da praia, eu não me contive. Pedindo desculpas antecipadas, porque conheço o lugar, perguntei:

_O que é que tem de bom por lá?

Ela respondeu com olhar direto dizendo que era a qualidade de vida.

Perguntei novamente. Eu sabia as respostas, mas perguntei.

_O que é que tem de bom por aqui?

_Negócios!

Ela me entendeu. Não precisei dizer mais nada.

As moças que estavam com ela olharam, quase que com vontade de me chamar de intrometida. Elas tinham razão, a conversa era entre elas. Fingi não perceber.

Na saída, distraída, esqueci o pão pensando na conversa e, tive que voltar ao caixa.

Peguei-as conversando a meu respeito.

A moça que morou na praia disse que gostou do que ouviu de mim. As outras ficaram aborrecidas.

Olhei para ela e disse que tínhamos, tanto ela quanto eu que conciliar e saber diferenciar a vida na cidade e a vida na praia. Desejei um bom dia a todas elas e saí.

Saí pensando comigo mesma: intrometida? Alguém que leu Os Miseráveis, de Victor Hugo, em sete horas, não merece confiança! Foi uma boa ação.

domingo, 1 de março de 2015

De Fácil Entendimento / Reflexão

De Fácil Entendimento / Reflexão

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Os pastores pregam o temor a Deus e os padres dizem que Deus castiga quem age mal.

Com tanto sofrimento na terra, alguém busca um Deus que existe para castigar? O sofrimento deste mundo pode ser visível como àquele que passa fome, mas também pode ser invisível como é o caso do rapaz que acompanhou a namorada que dizia estar gravemente doente e, ao final de nove meses, ela deu à luz ao filho dele (não me pediram discrição quanto a essa história).

A pregação de temor é de fácil entendimento aos simples: “Não faça mal para ninguém”.

Esse temor a Deus não é ameaçador, ele é a previsão de que o mal que se faz termina mal para quem o faz, provando que Deus é amor e dirige esse amor a todos.

O conceito de temor, em muitos casos, é conduzido como superstição e amuleto porque existem pessoas que gostam de superstições e amuletos. Nem por estarem sujeitas a tais condições estariam afastadas de Dele, o Todo Poderoso.

O temor é menos eficiente que o amor. Restritivo e impositivo conduz ao bem por outro caminho, o caminho do medo daquilo que a prática do mal pode causar.

O amor exige outra condição que é a de ter boa vontade para com todos, não se esquecendo, porém, do afastamento de tudo o que é mal.

Esse afastamento do mal, aquele mal claro e óbvio que todos conhecem e está presente nos dez mandamentos, é obrigatório a quem quer amar.

Enquanto que fazer o bem por temor implica em não querer amar, o amor implica em não precisar do medo, porque é bom de origem.

Existe uma teoria de que existem pessoas que sofrem menos que as outras. Não conhecemos, porém, o sofrimento invisível, aquele que não é palpável, tais como a fome e a doença. Nenhum de nós pode afirmar que o outro não sofre apenas pelo aspecto exterior da sua condição de existência.

Com toda a certeza, porém, podemos afirmar que o amor te livra de muitos males, sejam visíveis ou invisíveis.

Outra história, também sem pedido de discrição, conta da história de um atraso, também contada sem pedido de discrição. Por causa de uma discussão familiar, o homem se atrasou para o trabalho. Ouviram-se sirenes e as ignoraram, pois o homem não sairia para trabalhar antes que a família estivesse em paz e harmonizada. A situação foi harmonizada e o homem saiu para o trabalho depois que as sirenes tinham parado de soar. Quando saiu de casa constatou que na rua onde morava havia mortos e feridos, numa perseguição policial os bandidos perderam o controle do veículo em que estavam, bateram, atiraram contra os policiais e no revide, a polícia matou os assaltantes. No final do dia, ao voltar para casa, o homem agradeceu pela discussão familiar e a família agradeceu a Deus por estarem todos vivos. Entenda-se discussão familiar por diálogos fortes, nunca violência doméstica. Ajustes familiares entre aqueles que se amam são necessários, com respeito e à vontade.

São duas maneiras de bem conviver com Deus: o temor e o amor. As duas maneiras de se ver as coisas do espírito produzem o bem.

O temor evita que se faça o mal.

O amor promove o bem e evita algum sofrimento.

A opção é de cada um.