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domingo, 17 de julho de 2011

Aula de Literatura–Conto

Aula de Literatura

O Alienista-Machado de Assisclip_image002

Recebidos os resumos que comprovava a leitura do livro em conjunto com as respostas do questionário de interpretação de texto, o professor pergunta aos alunos se eles gostaram da história do livro O Alienista de Machado de Assis.

Os alunos disseram que sim com um leve sorriso no rosto.

O professor Cícero olha para a parede de cor gelo nos fundos da sala de aula e o seu olhar vibra. O silêncio se faz e os alunos acompanham o olhar do professor, o olhar que congelou os sorrisos. De súbito, o mestre enfrenta a classe:

“_Gostaram do livro? O Dr. Simão Bacamarte não concedeu sequer o exílio a nenhuma das suas vítimas. Ele os aprisionou dentro da cidade como doentes mentais na malfadada Casa Verde. E, assim procedendo, proclamou os seus opositores em incapazes para o resto das suas vidas. Mesmo depois, quando forem libertos dessa casa infame, o exílio de nada servirá se, como condição de adequamento, eles precisarem de um acompanhante eterno em suas vidas para provarem que são saudáveis e que tudo não passara de um equívoco.

Dessa maneira, a cidade se manterá com o mesmo grupo no poder durante a vida do Dr. Simão e ele fará o seu sucessor em quantas eleições quiser sem ao menos um questionamento. Eu falo de eleições livres, prestem atenção ao fato.

Diletos alunos, não se permitam alienar da realidade, não se percam em fantasias que os levarão a autodestruição. Deixem a sociedade existir.

Eis aqui uma confissão, todos gostam de confissões: Combato José de Alencar e o seu romantismo, embora compreenda os motivos íntimos que o levaram a ter como motivação o amor feliz e idealizado entre homem e mulher.

Eu saí do seminário e me casei. Não, não foi uma decisão fácil, disse em tom exasperado.

Voltemos ao livro: é preciso dizer que o ser humano tende a acomodação, a aceitar pequenas fraudes no dia a dia e a ausência de troco ou o troco em forma de mercadoria, que é ilegal, mas é aceito. Mas o que não nos pertence, devolvemos, somos cidadãos exemplares. Eu nem cito o advogado das causas perdidas porque este homem escolheu advogar as causas perdidas e, honradamente, aceitou as cláusulas contratuais com o ônus e o bônus da causa e assume o que faz.

Diletos, saibam que aos poucos, nos permitimos nos alienar e quando nos damos conta, estamos em nossas residências sem poder sair e assistiremos a vida pelos meios de comunicação. Estaremos na nossa própria casa verde. E, o pior, é que de tão cansados com esse estado de absurdos tidos como normais, a vida não passará de um jogo comercial e a sua essência, o motivos de existirmos estará nas mãos do Dr. Simão bacamarte. Sentiremos-nos culpados e a nossa culpa será a preguiça que nos move, temos aqui a premissa falsa que leva a resultados enganosos. E, se não nos culparmos, não faltará um cabo eleitoral para nos acusar de auto-isolamento, de depressão, de excentricidade ou exotismo.

Depois do exposto, reflito se, Machado de Assis não escreveu este livro no verbo presente para que fosse lido pelos leitores de todos os tempos. O personagem padre Lopes, que acha perigosa a atuação do Dr. Simão Bacamarte diz textualmente: ‘Com a definição atual, que à de todos os tempos’. Não será o livro atual e interessante? O padre Lopes questiona a transposição da cerca, os limites da sanidade transpostos. Creio de coração limpo, que a cidade de Itaguaí deseja e tem como norma transpor a cerca no caminho inverso à insanidade, a cidade deseja a razão e a lucidez como fonte de todo o poder.

No livro, a revolta do barbeiro Porfino é debelada pelo destacamento. NÃO poderia ser de outra maneira, a cidade que despreza a justiça como meio de garantir a equidade, sofre a injustiça que busca. Os mecanismos legais existem para a defesa dos cidadãos; e, me digam por que motivo o cidadão teme represálias quando busca a justiça? Os cidadãos preferem a calma e o sossego da Casa Verde, o medo da ilegítima causa?

Perdoem-me queridos alunos, a exposição é complexa. Sinto-me presente ao Largo de São Francisco ao discorrer sobre este livro.

Bate o sinal. Os alunos aplaudem em pé o mestre de português,

11 comentários:

tecas disse...

Excelente texto! Uma bela aula. Com aulas assim, nenhum aluno falha na disciplina. Uma vénia.
Bjito e uma flor.

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

Levam o velho Machado muito a sério nas elescolas, ele adoraria ser tratado com mais meninice

Zélia Gadelha disse...

Oi Yayá! Texto mais atual impossível... Bela escolha!
Bjusss

MARILENE disse...

Os nossos velhos mestres nunca perderão o seu lugar. E muito do que se disse no passado ainda está aqui, bem presente.
Bjs.

Aclim disse...

Então, eu seria internada por analogias? Ou seria eu o alienista?...rs

Ainda bem que o hospício fica no planalto central, onde todos os internos são escolhidos pela maioria.

Abraço

Severa Cabral(escritora) disse...

Bom dia querida!
Feliz quando passo pr aqui ...bebo dessa literatura que adoro,me deixa mais leve...
Bjssssssssssssssssss

Evanir disse...

Que Deus abençoe você
e a mim também.
Que a nossa amizade tão linda
nunca chegue ao Fim.
Que a paz que trago no
peito seja cada dia maior.
Que sinceridade seja
minha maior virtude
Que o amor que sinto no coração
seja tão grande
o maior que uma pessoa pode ter.
Que sua semana seja uma
benção Divina.
Com carinho beijos no coração,,Evanir..

Universo Paralelo disse...

É muito bom passar por aqui, desejo uma linda semana para ti! beijos

Jopz_B1B disse...

show!

mery disse...

Yayá, muito boa leitura, e que Mestre!
Sou uma professora e esse mundo da literatura me encanta sempre... como é bom ler!Um livro pode ser o amigo de alguns momentos, nos ensina tanto...
Os jovens de hoje não gostam muito de ler, por isso fazem péssimas redações, salvam-se alguns...
Beijos da amiga Mery

Um brasileiro disse...

oi. esdtgive aqui. mito legal. apareça por la. abraços.