Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

domingo, 24 de novembro de 2013

Predestinação

Predestinação

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Dois negociantes se encontram na cafeteria Café de Casa e a conversa fica muito agradável. Conversa vem, conversa vem eles trocam números de telefones e continuam a conversar por muito tempo.

Otaviano e Ronildo marcam encontros e apresentam as respectivas famílias, sentem como se ambos se conhecessem há muito tempo.

Um dia, enquanto conversa, Otaviano se lembra do comércio que não deu certo.

Orlandim fica atento à história, pois, coincidentemente com ele aconteceu algo muito semelhante há alguns anos atrás.

Otaviano conta que alugou uma loja sob um edifício. O preço do aluguel era razoável e o ponto promissor.

O dono do ponto comercial, ao alugar a loja, propôs o contrato por dois anos, convencendo Otaviano que a proposta era boa, pois, se o negócio não desse lucro, a multa contratual seria mínima.

Passaram-se os dois anos e o comércio caminhava bem.

Chegou a hora de renovar o contrato e o proprietário pediu o ponto, dizendo que iria vender a loja. Como praxe, ofereceu ao inquilino a compra do imóvel, mas Otaviano não tinha recursos para comprar a loja e fazer os investimentos necessários ao seu negócio.

Foram seis meses gastos na procura de outro ponto comercial, reforma das instalações e mudança de endereço, com perda de clientes, prejuízos cobertos com parte do capital que seria de investimento no incremento dos seus negócios.

Orlandim, ao ouvir a história, ficou impressionado, porque com ele se dera tudo exatamente igual como ocorrera com o amigo.

Otaviano, para desfazer as coincidências, contou o endereço onde o seu negócio estava instalado naquela época.

Orlandim ficou em pé, como que assombrado. Havia sido ele o inquilino posterior, onde o caso se sucedeu.

_Saiba amigo, que quando eu aluguei o espaço, eu ouvi falar de você, mas sem que me contassem o seu nome e o nome da sua loja de comércio. Agora percebo que foi para que eu não conversasse com você antes de alugar o ponto comercial. A minha situação não foi melhor que a sua.

Otaviano e Orlandim se ofereceram um ao outro para ajudarem-se mutuamente, no futuro, caso precisassem mudar o endereço dos seus comércios.

Otaviano, por curiosidade, quis saber se ele frequentava ainda o Café de Casa e o amigo respondeu que quando, por acaso, passava por ali, parava para tomar um café.

Orlandim lembrou-se da chuva e da rua, onde deixara o seu veículo, estar alagada em frente ao estacionamento em consequência de um reparo da energia elétrica; um pedaço de poste entupia o bueiro. Entrou no café porque consertavam o poste, cujo fio estava caído em frente ao estacionamento.

Otaviano lembrou-se então que, naquele dia, chovia. Não que ele acreditasse, mas parecia predestinação aquele encontro.

sábado, 23 de novembro de 2013

Dia de Agradecer

Dia de Agradecer

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Há quem acolha sem julgar

O seu sofrer; por bem querer,

E vem e beija a perguntar

O que se pode a ti fazer.

 

Há quem te ame sem questionar,

Graça que faz acontecer

Toda essa paz sobre o seu lar

E regenera esse seu ser.

 

Deixa a ferida e põe o curar,

Meses à fio ao seu enternecer

Um coração de Gibraltar,

Apedrejado nesse doer.

 

Faz desse seu hoje o transformar,

É a unha sangrada a refazer,

Rosto molhado a se secar,

Muito a se crer ao agradecer.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Sucesso e Autorrealização / Reflexão

Sucesso e Autorrealização / Reflexão

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Embora o sucesso pareça estar ligado à autorrealização, os efeitos produzidos no dia seguinte ao feito ligado a um e outro são completamente diferentes.

Os processos envolvidos são semelhantes, tais como o estudo e a dedicação ao que se pretende fazer aliados à disciplina, etc.

Quantos shows musicais não terminaram com a guitarra sendo quebrada no palco? O sucesso foi atingido, mas é efêmero. Ao dia seguinte serão necessárias horas de estudo para o próximo show, mesmo com a ressaca do dia anterior ribombando como um sino dentro da cabeça. O artista nunca é o que costumamos chamar de homem realizado, a autorrealização dele se dá por momentos e horas, para dali a pouco voltar ao zero com a necessidade da criação latente. Todo artista vive a vida numa obra inacabada, sem questionar esse sentimento, absolutamente necessário ao seu modus vivendi.

A autorrealização tem o seu ponto forte ao ver o prato feito, numa linguagem bem coloquial. É concreta essa realização, como um prato de louça, que, quando bem cuidado, se tem para a vida inteira. Depois de servida a refeição, lava-se a louça e se pode tirar uma sesta porque o prato está lá para quando se precisar dele.

São sensações diferentes, porque a consequência do sucesso é a tristeza de se ter que dedicar a ele por quantas vezes forem necessárias e a autorrealização está na criação da obra de arte.

Já, a autorrealização, pode anteceder ao sucesso inesperado, que é o que acontece quando vemos leilões de louças pintadas à mão compradas por fortunas. O sucesso não se deu na autorrealização, foi uma coincidência e outro prato de louça virá a substituir o anterior, sem tristezas para o seu proprietário.

Portanto, a busca da autorrealização concreta através do sucesso é a busca perdida da autorrealização concreta e a busca do sucesso através da autorrealização concreta é uma coincidência.

Para concluir, deixo o ditado popular: Quem criou o domingo, enquanto um dia de descanso, foi Deus; porque o diabo não dá folga.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sem Conversa Fiada / Crônica do Cotidiano

Sem Conversa Fiada / Crônica do Cotidiano

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Parei no Shopping para fazer lanche. Muita gente frequenta os Shoppings Centers nessa época.

Na mesa ao lado, dois vendedores, também consumidores. Eles conversavam sobre estratégia de vendas.

A vida deles é diferente de tudo aquilo que estamos acostumados a ouvir quando o assunto é emprego.

Compartilho as curiosidades sobre o modo de vida deles.

Vendedores ganham o salário fixo mais uma porcentagem sobre a comissão nas vendas. Os meses de janeiro e fevereiro são os mais difíceis porque os compradores são escassos nas cidades. Eles têm novembro e dezembro para fazerem a comissão de janeiro e fevereiro.

Eles conversavam sobre não oferecer aos clientes os produtos mais caros, mas os produtos de médio preço para sentirem o quanto o consumidor está disposto a pagar pelas compras. A partir da reação do consumidor, eles ofereceriam produtos mais sofisticados ou mais baratos, contando que todo consumidor quer o melhor produto pelo menor preço, eles querem o maior número de consumidores possível no espaço físico nas lojas.

O que observei de interessante é que eles fariam comentários dentro da loja para impedir que nos anúncios estivessem os produtos mais caros. Eles chamaram de anúncios “espanta freguês”. Aos vendedores do mercado voltado para a chamada classe média não interessa vender poucos produtos sofisticados.

Clientes especiais se dirigem às lojas especiais e diferenciadas voluntariamente, não precisam de anúncios com ofertas. As indicações de amigos frequentadores do mesmo ambiente é a melhor propaganda para esse público.

Jamais pensei que os vendedores são os melhores amigos dos consumidores, levando o preço para baixo e deixando as parcelas acessíveis para os consumidores.

O comerciante tem que ser bom negociador, ele ouve as sugestões e os comentários dos subordinados ávidos pelas comissões.

Os comerciários sabem que o cliente gosta do desconto no final da compra, quando possível. Eles ficam atentos aos preços e aos descontos oferecidos pela gerência.

A conversa não os cansa, eles possuem desenvoltura no diálogo com o seu cliente. O cliente é que tem que saber a hora de sair da loja e a quantidade de produtos que deseja comprar.

No caso específico da conversa, aprendi muito.

O dono da loja colocou um produto no anúncio com a prestação de R$900,00. Os amigos combinaram boicotar esse produto. Segundo eles, quando o freguês compra algo que cabe no orçamento, ele volta; mas, quando ele sente dificuldades no pagamento das parcelas, ele não volta à loja.

Os vendedores podem fazer com que o cliente se deixe levar pela emoção, mas esses que eu tive o prazer de ouvir eram absolutamente contra essa opção. Querem ter preço, qualidade e um consumidor que possa confiar nas suas indicações.

Eles conseguiram em poucos minutos de conversa substituir um professor de vendas. Eles eram a prática bem sucedida.

Eles terminaram o lanche antes de mim. Saíram às pressas e dali em diante seria o bom tempo da oferta, da procura, da competição leal e das pressões sobre o dono da loja.

Sorte do consumidor que os encontrar.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Presépio / Indriso

Presépio

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Não se faz definições,

Desse mundo racional

E obsoleto, sem canções.

 

Nem se apega às conclusões

Da vontade natural;

Carrossel das ilusões.

 

Sutileza de emoções,

 

Ao presépio de Natal.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Era Para Você

Era Para Você / Conto

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Dominique todos os dias desenhava alguma figura. Todos sabiam em sua casa que ela desenhava, mas ninguém perguntava o que era porque adivinhavam que, no final, quando o quadro ficasse pronto, como era dos seus hábitos, ela mostraria a todos da família.

Dentro de casa, a moça era considerada como a artista da casa. Uma pitada de orgulho de tê-la do jeito que ela era, uma pitada de amor salpicada de curiosidade eram os sentimentos nutridos e, assim revelados.

Quando Dominique desenhava assim, aos poucos, eles sabiam que o quadro seria agradável. Se for desenhado com capricho para depois aparecer pintado, é tarefa difícil, cochichavam entre si, ao carinho, sobre as surpresas de Dominique.

Eis que, alguém de fora da casa quis saber antes o motivo do desenho.

O curioso Sálvio pediu que cada um dos seus conhecidos descobrisse o que havia naqueles desenhos.

Os conhecidos do curioso, não tiveram dificuldades em descobrir. Dominique não escondia o que fazia a ninguém, o desenho e a pintura faziam parte das suas habilidades manuais. Os desenhos ficavam sobre o cavalete da varanda do seu quarto.

A cada pergunta, o desenho era mostrado, ali da varanda, aos passantes da rua, de acordo com as etapas do desenvolvimento da pintura.

Dominique não adivinhava que os seus quadros eram motivo de curiosidade. Não ao ponto de serem vistos passo a passo para serem sabidos por Sálvio.

Nesse percurso de compras na loja de telas e tintas, ela encontrou-se com Sálvio.

Conversam amenidades, quando, de repente, Sálvio dirige-se a ela num tom diferente e diz:

_Eu sei que você está pintando um quadro novo. Mostre aos seus amigos quando ele ficar pronto. Eu quero ver esse quadro!

Dominique diz que o mostrará como era do seu costume fazer.

Sálvio sorri como que estivesse contando que sabia do quadro e segue o seu caminho.

Dominique foi para casa, pegou o quadro, que estava ainda por terminar e o mostrou para a família.

A família ficou surpresa com a sua atitude e perguntou por que, dessa vez, ela mostrava o quadro antes da sua finalização.

_Era o presente do aniversário dele. Era a minha surpresa para ele. Todos nós desejamos felicidades para ele, mas agora o presente perdeu a graça.

A mãe de Dominique foi rápida na resposta:

_Compraremos outro presente para ele. O quadro, agora, é seu. Termine o quadro para pendurarmos na sala de estar, junto ao sofá.

O quadro se compunha de uma bela paisagem com bosque, adultos e crianças ao lazer. Combinou com a sala.

domingo, 17 de novembro de 2013

Quando o Elogio Cai Bem

Quando o Elogio Cai Bem

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Os elogios não são bem recebidos pela grande maioria das pessoas. Elas ficam desconfiadas e já presenciei gente perguntando o porquê da boa vontade.

Não é natural que esperemos dos nossos semelhantes às reclamações e as críticas, mas o comportamento sincero não exige tanto de nenhum de nós. Afinal, aborrecer aos outros não traz bem estar a ninguém e evitando comportamentos desnecessários, a convivência se torna melhor. Às vezes é absolutamente necessário que as reclamações sejam feitas, mas esse não é o ponto da reflexão.

Elogios são recebidos como eufemismos e ironias quando nem sempre o são.

Estamos na época adequada para reflexões, pois a época do final de ano se aproxima, aproximando todas as pessoas; são aglomerações em todos os locais.

Hoje, entrei numa loja e, a vendedora, gentilmente cedeu cadeiras para que aguardássemos os atendimentos sentados.

Nós nos organizamos e sentamos nas cadeiras e, naturalmente nos dividimos por idade e sexo, ficando a fila composta de uma senhora nos seus setenta e poucos anos, eu, na idade madura, a jovem e o cavalheiro, também maduro.

Descreverei um pouco mais: a senhora mais velha estava com o cabelo no tom louro acinzentado, quase branco; eu, bem, a foto do blog diz tudo; a moça de tez ligeiramente morena e o senhor maduro; louro de olhos azuis.

As vendedoras suavam para atender todo o público e nós conversávamos amenidades.

De repente, uma delas ficou aflita com as cadeiras ocupadas na sala de espera, sabendo ela que demoraria uma hora para chegar a nossa vez.

Nervosa com a fila, a vendedora chegou até nós, para nos convencer a ficarmos na fila. Sem saber como se explicar pela demora, me olhou e disse de boa vontade:

_Vocês formam uma linda família. A senhora está de parabéns pela educação e gentileza com que mantém a família unida.

Todos nós rimos.

A senhora de idade logo disse que não formávamos uma família, embora a conversa estivesse agradável e as companhias excelentes.

A moça despediu-se da avó e disse que tinha um compromisso urgente e inadiável.

O homem maduro olhou para mim e disse que não seria uma má ideia.

Eu disse com um sorriso envergonhado que não era essa a ideia ao entrar na loja.

Moral da história: passei a minha vez para a senhora, uma obrigação minha para com ela. Ela foi terna e disse que eu era muito querida, agradecendo o gesto.

A moça me chamou, mas o produto estava no estoque e eu teria que esperar até que o encarregado fosse pegar o produto.

Passei a vez para o homem maduro.

Ele foi ao atendimento sorrindo com aquele ar maroto.

Eu até sorriria, não fosse adentrar no recinto um casal francês com dificuldades para se expressar.

O marido talvez desejasse perguntar se eu estava na vez porque ele, mui gentilmente, não gostaria de ser atendido antes de uma senhora que estivesse na fila.

A vendedora, ao ver a situação correu para atendê-lo, mas ele não quis o atendimento sem a minha resposta.

Eu fiquei desesperada, não sei nada sobre o idioma dele.

Fiz a única coisa que poderia fazer:

Olhei para o casal igualmente e disse em inglês:

_Sorry, I don’t speak French. Please, take your chance.

Ainda bem que ele entendeu. Ficaríamos mais uma hora na fila se ele esperasse pela minha resposta em francês.

Que sufoco! Que delícia.