Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Entoação

Entoação

 

Dentro do armário

Viola e violão,

Surge a ilusão

De eco abafado.

 

Voz ao contrário,

Mito e refrão

Dizem que não.

Não, é solidário.

 

Soa o solitário

Lá em diapasão;

Não à toa, não;

Vibra o violão.

 

Cena e cenário

Dizem paixão,

Provam do pão;

Som relicário.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Empresário de Chalana

Empresário de Chalana

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A empresária estranhou a ausência do seu concorrente na reunião anual dos vendedores pisos e laminados.

Preocupada com a concorrência, saiu da reunião e procurou informações sobre ele.

As respostas que obtinha eram as dos contos de fadas. Ninguém sabia e ninguém o tinha visto.

Procurou então um amigo comum, igualmente concorrente, mas de uma concorrência que não atemorizava aos dois.

Descobriu que o concorrente almoçava num restaurante internacional às quartas-feiras.

Convidou a secretária para almoçar com ela para se encontrar com ele.

Chegando ao restaurante e vendo o concorrente, foi ao encontro dele.

Sem nenhuma sutileza, foi direto ao assunto:

_Você tem sabido do Amir? Vocês continuam amigos, pois não?

O concorrente sorriu e respondeu:

_Sim, eu continuo amigo do Amir.

Ela o crivou de perguntas querendo saber onde ele estava e quais eram os projetos de vida dele. Negócios são importantes e a concorrência merece respeito, pensava ela, ansiosa pelas respostas.

O concorrente sentou-se com ela para almoçar.

Ela sentiu um frio na espinha com medo das respostas, mas aquele homem não costumava enganar a concorrência.

Ele, calmamente, respondeu a ela, como se tivesse todo o orgulho dela nas mãos naquele momento.

_O Amir comprou um bus home e foi para Bonito, cidade que se localiza no Mato Grosso do Sul.

Ela disse num tom cortante:

_Que horror! O que é que ele tem? Está doente?

O primeiro sorriu com o espanto da resposta e continuou contando sobre o Amir dizendo:

_O Amir se aposentou. Antes de se aposentar, ele comprou um terreno no Mato Grosso do Sul e o cercou. Agora ele se mudou para lá.

A empresária não conseguia acreditar naquilo que ele dizia e fez mais perguntas.

_O Amir arranjou uma amante e largou da esposa dele? Como é que ela está?

O concorrente desatou a rir, mas continuou a dizer do amigo:

_A esposa dele vendeu a loja para ajudar a pagar a casa que eles estão construindo na localidade de Bonito. Ele não está com nenhuma amante. Aliás, o Amir sempre foi um homem sério, assim como a esposa dele e toda a família.

Ela, indignada, exclamou:

_Ele deve estar com alguma doença. Ninguém faz isso.

O concorrente afirmou que ele e a esposa dele fizeram isso e que passaram na casa dele para se despedirem e deixarem a forma de se contatarem depois da mudança.

Ela se sentiu triste:

_Que tragédia. Agora estou sem ter com quem concorrer.

O concorrente discordou, ele estava ali. Além do mais, os jovens adultos entravam no mercado com toda a vontade de vencer.

Algumas lágrimas cobriram-lhe o rosto. Sentiu-se mais velha, pensou no dia em que largaria os negócios.

O concorrente a acalmou dizendo para que ela esperasse pelos novos desafios. Ela continuava apta para lidar com os negócios e a competir. A empresa dela era a segunda maior daquele ramo de negócios. Não existiam motivos para tanta tristeza.

Para ela, no entanto, era como se tivesse sido obrigada a começar de novo, conhecer os novos competidores e vencer. Sentiu saudades.

Ainda inconformada disse ao concorrente:

_Se, algum dia, eu fizer algo semelhante, mande-me ao médico.

O concorrente concordou. Ambos almoçaram. Ele, feliz. Ela, indignada, comeu pouco.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Causo Contado/ Crônica do Cotidiano

Causo Contado/ Crônica do Cotidiano

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Essa história que me foi contada por uma amiga, vale a pena ser escrito e recontado.

Todo o cuidado é pouco quando se quer ajudar, mas ajudar é importante e não devemos nos recusar a fazê-lo, afinal, podemos proporcionar qualidade de vida a quem precisa.

Em um passeio turístico, o senhor deficiente visual foi convidado a participar e contar com a ajuda dos responsáveis pela condução.

Para subir para o ônibus, o senhor contou com a ajuda do motorista e sentou-se no lugar correto, colocando o cinto de segurança.

Ao chegarem a Morretes, cidade pitoresca do estado do Paraná, o motorista se viu obrigado a descer para verificar os bilhetes que davam direito ao passeio de trem até Paranaguá (passeio turístico obrigatório e imperdível para quem vem ao estado) e encaminhar os passageiros que tomariam o trem para a condução correta.

Dentro do ônibus estavam esta amiga e outro passageiro, que estavam sem pressa porque iriam almoçar o barreado (comida típica de carne cozida em panela de barro) no restaurante local. Eles não passeariam de trem naquele dia.

O senhor, deficiente visual, soltou o cinto de segurança e se levantou.

Os passageiros “sem pressa” viram e perguntaram se ele não preferia esperar pela ajuda do motorista.

Ele disse:

_Não se preocupem. Sou cego, mas me viro muito bem com a minha bengala.

Os passageiros se entreolharam e apontaram para a rampa que dava acesso aos degraus da saída em curva.

A senhora disse ao outro passageiro:

_Ele não conseguirá fazer isso sem ajuda.

O deficiente visual disse que faria e que ele tinha aprendido a se virar sozinho.

O passageiro homem, vendo que as palavras da senhora não surtiram efeito, ficou para ajudá-lo.

_Somente se eu precisar, disse o deficiente visual.

Enquanto isso, o motorista era rodeado pelos passageiros que precisavam de mais informações para pegar o trem.

O passageiro salvou o final feliz da viagem para todos os demais, para o deficiente visual, para a senhora e para o motorista, que ingenuamente pensou que o deficiente fosse esperar por ele para sair do ônibus.

Ela me disse que tudo é bom quando termina bem.

Não custa nada contar para vocês.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Sotaque

Sotaque

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Este sotaque vem de dentro

D’alma, dizendo ao pensamento,

Lúdico, e próprio da cidade,

Célere ao centro da saudade.

 

Ônibus, táxis, chuva e vento;

Fugindo o inverno, diga o tempo...

Diga à sombrinha da vontade

Ao ócio, cigano em sociedade.

 

Feita a tarefa, cresce o alento,

Cônscio; valeu o conhecimento,

Prático. Dito à intimidade,

Basta vir à sinceridade.

domingo, 1 de setembro de 2013

Avis Rara

Avis Rara
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Sonhos que se repetem
Frente e verso em problemas,
Surgem e se refletem;
Velas são dos dilemas.

Cenas que se repetem
São signos de teoremas,
Dísticos dos sistemas;
Luzes que não anoitecem.

Ilhas de sóis que investem
Nessas lentes e temas,
Versam e se divertem;
Avis rara e cinemas.

sábado, 31 de agosto de 2013

História de Chácara / Crônica do Cotidiano

História de Chácara / Crônica do Cotidiano

 

É de admirar quem sabe contar a simplicidade da vida no campo com ar de boa vizinhança e, ao mesmo tempo, achando graça do meu notebook ser tão devagar. Ele não é devagar, mas o antivírus estava desatualizado e deixei para depois o “causo”.

A minha amiga se ria, mas ela mesma não gosta de passar as noites em chácaras.

Ela disse que a ideia que nós, da cidade, temos uma visão errônea, vemos chácaras com computadores, luz elétrica, e, no máximo imaginamos a água de poço artesiano. Se fosse assim, ela teria comprado uma e se mudado da cidade para o campo.

Contou-me, que no interior, a estrada é de chão batido e saibro é luxo. As casas não ficam à beira da cerca, ficam afastadas e perto das comodidades indispensáveis tais como o galinheiro, o chiqueiro e o poço com água.

Água quente é feita a partir do fogão de lenha com serpentinas na parte interna das paredes. Não me perguntem como a engenhoca funciona, eu não saberia repetir a explicação detalhada. O que para ela era fotografia, não passou de lenda fantasiada para a minha realidade urbana.

Aprendi que em lugares assim retirados, não se deixa faltar sal e sabão em pedra. A vinda até a cidade mais próxima é semanal, quando não quinzenal e em dia de sol. Entrega em domicílio não existe para esses lugares.

Conforto, sim, existe. Dentro de uma residência razoável têm sofás e televisores, telas nas janelas para os dias quentes, mas são fechadas antes de escurecer. Mesmo com luz elétrica não é raro um bicho entrar em casa, a luz atrai insetos e outros animais.

O pão é feito em casa e a comida saborosa. A conversa por telefone é difícil, todos na região deitam-se cedo para levantar de madrugada. O telefone celular não pega e, dependendo da região, com poucos habitantes, não há torres para essa telefonia.

Os donos desses lugares são generosos, mas cuidam das visitas porque elas não conhecem os problemas de se viver no meio do mato. Assim, ninguém deixa a chácara depois que escurece ou, se a chuva estiver forte, mesmo que esteja de automóvel.

Por outro lado, as camas de hóspedes estão sempre preparadas para as visitas. Por incrível que pareça, o som da noite do campo não deixa os visitantes dormirem. São as corujas que fazem o canto mais simpático do lugar. Ouvindo o fato até eu fiquei com medo de ir a um lugar assim.

Soube que quando o galo canta, os visitantes ouvem os passos da dona da casa indo para a cozinha para arrumar a mesa, geralmente farta, com bolos e pães caseiros, geleias, queijo fresco e toucinho.

Quem me contou está adaptada ao mundo moderno e pão da panificadora. No entanto, quem se criou nessa vida livre, não deseja outra. São pessoas que fazem tudo para manter esse padrão e realizam melhorias para facilitar o acesso dos seus parentes e amigos até a casa deles.

Esse é um tipo de vida bastante comum no interior. Eu tive uma amiga cuja casa da família, no interior do estado de Minas Gerais, ainda é alimentada por lampiões e luz de querosene. Não a vi mais, sinal de que ela deve estar por lá. No meu estado, o Paraná, as histórias são semelhantes. De outros estados brasileiros vêm histórias semelhantes, diferindo no comportamento dos habitantes de cada região e, também da personalidade de cada um.

Eu sei é que a lentidão do meu notebook me fez parar para ouvir história. Gostei muito do que eu ouvi. Entendi que sou da cidade. Também entendi o quanto é gostoso ouvir contar história por outra pessoa, que viveu e que sabe do que fala.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Obstáculo Transposto / Crônica do Cotidiano

Obstáculo Transposto/ Crônica do Cotidiano

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Andava na rua e teve que desviar a construção.

Encontrou-se ao lado do engenheiro e do funcionário que davam a volta para entrar no local obra.

O engenheiro aconselhava o homem de uniforme e capacete de pedreiro.

_João, eu vi o que aconteceu. Não foi a primeira vez que eles passaram por aqui. Essas pessoas vêm até aqui e convidam você para trabalhar com eles. Você, no entanto, está contente com o emprego. Cuidamos do nosso pessoal e garantimos alguns benefícios às famílias de vocês. Ocorre que eles não param de te incomodar e, por fim, incomodam a mim também. Não é fácil ser engenheiro responsável de uma obra desse porte.

O pedreiro cabisbaixo, numa reverência aos conselhos do engenheiro. A quem visse a cena, diria que ele estava com medo de ser demitido.

Ele até ensaiou abrir a boca para perguntar se o engenheiro queria que ele continuasse a trabalhar na construtora, mas o técnico que vestia terno e gravata e sapatos apropriados para o acompanhamento da construção não o deixou falar.

_Interrompeu a frase antes de ser dita:

_João, vamos abrir os nossos horizontes e expectativas. Nenhuma outra construtora pode vir aqui para contratar aqueles que trabalham para mim. Eles vêm até aqui numa atitude de afrontamento e eu não sei o que eles querem. No entanto, preciso saber. Não sou um empresário da construção civil, sou um dos maiores empresários da construção civil desse estado. Eles querem você ao lado deles, pois bem, eu permito e não te demito. Você nunca pensou em ter dois empregos?

João respondeu que não pensou porque o horário era incompatível e ele estava bem onde estava e do jeito que estava.

_Não, João, você não está bem. Você está trabalhando sob pressão e essa tensão logo chegará a mim e, possivelmente, à nossa empresa. Se você quiser, faremos um acordo no qual você trabalhará meio período aqui e meio período na outra empresa. Não terá prejuízo nenhum aqui, mas se cuide ao trabalhar com eles. Não me responda agora, pense antes.

João agradeceu e disse que iria pensar.

O engenheiro, observando que o pedreiro ainda confuso com a conversa e com a situação, contou um fato que havia presenciado ao se dirigir até ao local.

_Essa conversa foi necessária a mim, talvez pelo que vi agora a pouco. Havia uma árvore na entrada de um estacionamento. O pássaro cantou e cantou e eu procurei ver onde o pássaro estava pousado entre os galhos e as folhas. Achei o pássaro e o vi cantar. Ao ver o pássaro, avistei um enrodilhado de fios elétricos em formato de forca dando para a rua e para os pedestres. Se ninguém tomar providências, acontecerá algum acidente envolvendo pedestres, automóveis e os funcionários do estacionamento serão responsabilizados. Ninguém sabe quem foi e nem de onde apareceram aqueles fios elétricos enrodilhados na árvore. Bendigo o amor aos passarinhos que trago comigo desde a infância. Sou empresário e sou responsável por todos aqueles que trabalham comigo, enquanto em serviço. Não posso presenciar os fatos que põe em perigo todos vocês e deixar passar como se não tivesse visto. Não importa qual o passarinho que me avisa, importa o que eu sei.

João estava surpreso com a sabedoria do engenheiro.

Ambos foram aos tijolos e à argamassa.

E a vida continua não igual, mais bonita de se prever.