O Problema do Bumerangue / Reflexão
Era uma aula de Física, a mais fascinante, a de que a velocidade no espaço pode modificar a realidade.
A questão era jogar um bumerangue no Polo Norte, e até hoje não entendi porquê no Polo Norte, no círculo ártico.
Criava-se uma velocidade maior do que a da rotação da Terra e calculava-se aonde o bumerangue iria cair.
Por mim, o bumerangue podia cair aonde quisesse, porque tal cálculo dependia de outros fatores como da velocidade do vento, da distância, do cálculo exato da curva que o bumerangue faria durante o percurso.
Enfim, seria mais fácil criar uma nave espacial que fosse até a Lua do que prever o local exato da parada do bumerangue.
Se a velocidade fosse maior que a rotação da Terra, o bumerangue seria encontrado alguns passos à frente de quem o atirou, mas o bumerangue volta e assim cairia alguns passos atrás de quem o jogou, mas a pior coincidência seria atirar o bumerangue e ele cair aonde o jogador estava.
O bumerangue era considerado um dos brinquedos ou jogos mais perigosos que existia para as famílias.
Hoje em dia existem locais próprios para a prática desse esporte. Naquele tempo, não.
Quando os jovens saíam aos parques jogar bumerangue, era recomendado se retirar do ambiente.
Houve uma época em que o bumerangue se transformou numa moda, e era comum haver acidentes de toda a espécie com bumerangues, ao ponto de haver recomendações por parte das autoridades.
Tivemos um, de material leve, que prometia uma volta com baixo risco. No entanto, os bumerangues profissionais dos atletas eram de alto risco.
Os problemas da física matemática com bumerangues eram comuns nas escolas, ou na minha.
O fato é que a volta do bumerangue era relativo à força com que era jogado ao vento, cuja velocidade era imaginária, mas cuja curva de elipse era plausível.
Com aquela ideia de Ártico, velocidade de rotação, força de partida, vento e tempo de volta relativo, pois dependendo da velocidade, ele já poderia ter retornado, criava tantos pensamentos falsamente matemáticos, pois nenhum jovem tem esse conhecimento, que era melhor deixar o bumerangue guardado junto aos brinquedos velhos.
Aquele quadro-negro cheio de giz, era convincente, e a possível prova com o fator bumerangue apavorava aqueles jovens.
Guardados os bumerangues, aprendemos que estamos sujeitos a inúmeros fatores aleatórios, dos quais não sabemos, ou não conseguimos lidar satisfatoriamente.
Ou seja, mesmo os físicos experientes não podem calcular todas as variáveis aleatórias existentes, como no caso de um parque com um número entre cinquenta a cem pessoas jogando bumerangues ao mesmo tempo e em vários sentidos de direção, por diversão.
O que se podia fazer à época era imaginar essas possibilidades dentro de um cálculo relativo.
Agora, imaginar que cada pensamento é um bumerangue que volta, pode ser para que se calcule o bem, porque é o que todos querem para si mesmos.
Boa semana para todos.
Grata pela leitura.

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