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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

terça-feira, 17 de março de 2026

Impactante / Crônica de Supermercado

 Impactante / Crônica de Supermercado


     Sinceramente, dei um tempo antes de almoçar, porque tinha uma senhora no caixa ao lado que impactou a todos a sua volta.

     De onde aparece essa gente é que não se sabe, mas nem parece que é gente.

     Com o intuito de ensinar o caixa a ter dinheiro e ficar bem de vida, ela ensinava sobre a sua capacidade estomacal, e diria que não sei se acredito, ou se foi somente para apavorar, mas uma coisa ela conseguiu, impressionar e calar a todos.

     Preparem o estômago para ler a pretensa humilhação sobre o atendente do caixa do supermercado:

     _Vocês são pobres porque não sabem lidar com a alimentação. Eu faço churrasco de preás do campo, rim de boi frito e cabeça de porco dividida ao meio assada e como os miolos.

     O silêncio foi geral, mas estávamos em quatro ou cinco pessoas na fila.

     Ela começou a detalhar o preparo das proteínas com as verduras e legumes que tinha no quintal. Ela não gastava em comida, e dizia que se alguém quisesse comer dos seus pratos, ela faria um almoço de degustação, mas avisava minuciosamente sobre os odores do almoço.

     Segundo ela, tinha aprendido a preparar os pratos em casa, numa cidade do interior.

     Contava que enquanto os demais comiam ovos fritos, cozidos, ou com legumes para acompanhar o arroz e o feijão, ela comia carne, e todos os dias.

     Foi assim, segundo ela, que ficou endinheirada e hoje compra o que quiser. 

     Contou mais, que não consegue ficar sem o sabor daquilo que a fez endinheirada, mas que hoje compra no açougue o rim, que ao fritar, tem "odor de peixe velho" (complemento meu, ela falou a palavra urina).

     Cheguei em casa e somente após uma hora depois de passada a conversa é que consegui pensar em refeição.

     Riu-se do rapaz e saiu dizendo: É assim que se faz dinheiro.

     Raciocinei, depois de algum tempo, que as bruxas realmente existem, exatamente como aquelas dos contos da carochinha.

     Depois pensei em fábulas e histórias melhores, as de Esopo.

     Consegui sair ilesa dessa conversa que não era comigo, mas que por motivos alheios, ou seja a fila, ouvi.

     Por quê ela fez isso com o rapazote, não sei, mas sei que todos ficamos embaraçados.

     Não sei se o contado era verdade e não me interessa saber, mas é bom saber que o supermercado sabe, e que os funcionários conversam entre eles.

     Ir ao supermercado é uma arte que faz parte do cotidiano.

     Grata pela leitura. 

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