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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Helênico Filosofar ao Café

Helênico Filosofar ao Café

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Grécia antiga, filosofias, Epicuro.

Não foi à toa que li sobre o filósofo e a sua filosofia. Indicação de amiga.

Para preservar a sua identidade a chamarei nesse texto de Helena. Depois de uma grave enfermidade na juventude, a moça procurou apoios nos filósofos, alguém que dissesse a ela como pensar depois do sofrer com a natureza que é a humana, passível de dores, vírus e bactérias, sem culpas ou culpados. A doença existe e aos vivos pertence. Existir é um fato em si que dá voltas e passeia entre as suas consequências inatas.

Depois de ler Sócrates, a quem chamou de tedioso, e Platão, a quem chamou de “a mosca de Sócrates”, finalmente se deu bem ao ler Epicuro.

Epicuro aproveitava o momento com o cuidado de que esse aproveitar não fosse uma fonte de males futuros. Para ela a filosofia foi o sorvete da esquina, os sapatos dourados da moda, um perfume e uma maquiagem; pensando no que cabia no bolso.

Não deixou de abraçar um amigo quando teve vontade, não controlou o choro, sentava na praça e chorava de mansinho. Os seus sentimentos foram livres.

No entanto, ao seu futuro, preservou o amor ao próximo, como fonte inesgotável de riquezas. Amar ao outro fazia sentir-se bem.

Foi quando se encontrou comigo e me levou à livraria, comprou o livro e me deu de presente. Assim, sem anunciar que iria me dar um presente.

_Amiga, em primeiro lugar, leia este livro. Depois fale comigo.

Abraçou-me e saiu porque estava com hora para entrar no seu emprego:

_Depois conversamos, estou com pressa.

Curiosamente li o livro. Depois, passados dois meses encontrei-me novamente com ela e a convidei para um café.

Perguntei a ela qual o sentido apreciado. Epicuro sofreu muitas críticas a despeito da sua obra.

_Epicuro sofreu críticas porque não fui eu quem o criticou. O momento é o que temos. Problemas todos os têm. Viver a vida com doçura é arte difícil de ser vivida. Vejo gente amarga, cujo sorriso não passa de esboço de um texto não escrito. Para eles, os outros filósofos talvez sejam guias; para mim, não.

Nesse ponto interferi:

_É fato. O que temos é o que fazemos dos nossos momentos, ou, o que sofremos dos nossos momentos sem que o desejemos. São circunstâncias diversas a que somos submetidas e que nos causam dor.

E ela continuou:

_Por isso não vamos ao cinema em dias de chuva e frio, quando deveríamos ir quando a neve não tranca a porta da rua. No Brasil é preciso viajar para se ver neve no sul. Não saímos por preguiça de nos proporcionar um bom momento.

Continuando ela discursou:

_Sinceramente, penso que não exista nada mais ridículo que a vergonha de chorar. Chorar é bom, alivia. Todo o mundo devia chorar à vontade de vez em quando. Não é necessário que seja em público, que chore em casa. Essa gente que chora no banheiro me dá nojo. Eles têm que dizer que choram na sala de visitas e que a casa pertence a eles enquanto lar e que eles choram onde sentem vontade. Lágrima é algo nojento? Talvez a da hiena seja.

Gosto da franqueza da Helena e peço mais um café para ouvi-la.

_Falam tanto em estresse hoje em dia, mas o mundo camufla a emoção. Está certo que poucas pessoas são como eu, mas se reprimir de toda e qualquer emoção é um exagero. Pense: se naquele dia eu não tivesse te dado o livro, estaríamos hoje aqui? Nesse lugar e conversando sobre bons momentos.

Ela tinha falado em choro e eu perguntei sobre o choro.

_Chorar é, para mim, uma qualidade supranatural, é a qualidade do ser que une o lado físico e o espiritual. Não falo daquelas pessoas que choram por tudo, digo, porém daquelas que valorizam o choro como o sentir expresso fisicamente, com o alívio de ambos os espaços presentes na vida, nesse existir no qual muito se procura a razão enquanto outros vivem das certezas do pensamento e da fé; esse é o corpo inteiro e uno os lados físico e emocional desse existir.

Eu tomando café e ela discursando, quando ela virou a conversa e me perguntou sobre o que eu havia pensado do livro.

Disse que concordava em grande parte com o que nele estava escrito. Mas disse também que havia outras correntes de pensamento, algumas antagônicas ao pensamento descrito no livro. Disse também que com ela a conversa era prazerosa, mas que se fosse com outra pessoa que não fosse ela, talvez esse bom momento não existisse.

Ela me disse, então, que é através do momento que existimos.

Sugeri bolo, ela concordou. Aproveitamos a tarde juntas depois do lanche.

2 comentários:

XicoAlmeida disse...

A justiça é a vingança do homem em sociedade, como a vingança é a justiça do homem em estado selvagem.

Epicuro

Adorei a vossa conversa.

Abraço

XicoAlmeida disse...

Tu, que não és senhor do teu amanhã, não adies o momento de gozar o prazer possível! Consumimos nossa vida a esperar e morremos empenhados nessa espera do prazer.

Epícuro

Mas que bela conversa ao café...

Um abraço