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sábado, 25 de outubro de 2014

Quebre a Corrente do Mal / Crônica do Cotidiano

Quebre a Corrente do Mal / Crônica do Cotidiano

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Esse foi um fato verídico e triste, mas vale ser contado.

A senhora “X”, em tratamento de câncer de mama para futura cirurgia recebeu a indicação médica para um exame.

Foi ao hospital e entregou a guia com o código do exame. A enfermeira encaminhou a paciente para a mamografia, fez e entregou o resultado.

A senhora “X” levou o resultado ao médico oncologista, que ficou surpreso com a mamografia e imediatamente conferiu o código do exame pedido. Ele havia pedido o exame correto e não era mamografia.

A paciente contou que teve febre e sentiu-se muito indisposta com o exame feito sobre a mama que contém o tumor.

O médico comunicou-se com o hospital e solicitou o exame correto graciosamente, posto que houvesse erro na interpretação do código do exame.

A enfermeira ligou e pediu desculpas à paciente, muito constrangida com o equívoco.

A senhora “X” disse que a perdoava e que voltaria ao hospital para realizar o exame pedido pelo médico.

Resolvidos o equívoco, a febre e o inchaço da mama doente, ela saiu.

A senhora “X” tinha uma auxiliar para os dias nos quais a quimioterapia causava efeitos colaterais.

Chegou a sua casa e a auxiliar estava sentada numa cadeira e aborrecida.

Perguntou à moça por que ela estava parada ao invés de preparar a refeição.

_A senhora me desculpe, estou com cólica menstrual.

A senhora “X” conta que desabafou da pior maneira possível. Disse o que pensava o que queria e o que não queria para a moça. A auxiliar foi embora e ela ficou sozinha.

Ela conta que ficou com medo de pedir ao hospital que colocasse outra enfermeira para atendê-la, pois ela deve continuar a quimioterapia para que a cirurgia possa ser realizada.

A senhora “X”, sem querer, colaborou para uma corrente do mal com os seguintes sentimentos: medo, raiva e vingança.

Eu não estudo sobre a paz para ficar calada.

Quando acontece algo assim, de acordo com os estudos, é necessário dizer com calma, mas dizer.

Nada melhor do que o hospital indique outra enfermeira para atendê-la. A atitude com a moça com cólica menstrual não foi correta, pois em nada ajuda a paciente. O sentimento de raiva, compreensível, deveria ser trabalhado e não passado adiante.

Todos cometem erros, enfermeiras também. A enfermeira, ao verificar o erro, pediu desculpas, mas deveria transferir a paciente pata outra atendente, contribuir para o sentimento de conforto e bem estar da paciente. Eu não sei se o outro exame causa ou não efeitos colaterais e não posso dizer mal da enfermeira. Todo profissional dá o melhor de si e acredito que a enfermeira se equivocou com o código do exame por algum motivo. O sentimento de culpa e o pedido de desculpa não resolvem a situação da insegurança causada à paciente. O que deixou a paciente transtornada foi ela dizer que da próxima vez ela acertaria e que ela não se preocupasse.

Todos os sentimentos acima descritos são normais ao ser humano. A dificuldade está em não saber solucionar de maneira a pacificar as partes envolvidas. Existem maneiras próprias de declarar sentimentos desagradáveis e exigem algum treino e conhecimento.

As correntes de sentimentos ruins podem ser evitadas. Esse é o sentido da crônica.

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