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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Retratos Que Falam

Retratos Que Falam

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Silvana não queria viajar com os pais ao interior. A festa dos amigos seria na sexta-feira e ela não deixaria de ir. Comemorariam os vinte e um anos do Juliano.

O pai e a mãe negociaram com a filha e decidiram que viajariam no sábado e, como a moça não conduziria o veículo, poderia estar com eles e cochilar durante a viagem.

Silvana exultou ao ir à festa e viajar com a família em seguida, o final de semana seria festivo e feliz para todos. Comprou vestido e marcou cabeleireira. Gostou da festa.

No sábado foram todos para Jaguapitã, interior do Paraná.

Chegando à cidade, hospedaram-se no hotel da cidade e, depois de se arrumarem para tomar um lanche, a mãe da Silvana ligou para a tia Florinda, que tinha setenta e dois anos e não conhecia a moça. A família dirigiu-se para a casa da tia, que os esperava para conversarem e matarem as saudades.

Enquanto a mãe, o pai e a tia conversavam, Silvana viu o retrato na parede. A moça do retrato estava vestida com o mesmo traje com o qual ela havia ido à festa na noite anterior e o telefone celular continha a prova. O celular e o retrato continham o mesmo rosto e a mesma roupa.

Curiosa, Silvana perguntou de quem era o retrato e como ele havia ido parar na casa da tia.

A tia Florinda respondeu que aquela era a foto da sua bisavó e, por conseguinte, trisavó da Silvana. Havia vindo da Europa ao Brasil por volta de 1.850, mais precisamente da Itália e da cidade de Veneza. Era geniosa e tinha por gosto usar vestidos com estampas de flores.

Silvana, atenta, não mostra o vestido com miúdas flores cor-de-rosa, muito menos o penteado igual. Eram confidências do seu celular.

A mãe da moça sorriu e disse, que, de certa forma, a filha tinha algo da outra. A tia Florinda sorriu satisfeita.

Voltaram da viagem e a vida prosseguiu.

Passados alguns meses, o pai da Silvana disse que gostaria de viajar para o Rio de Janeiro. Ele tinha boa parte da família por lá. Passearia e aproveitaria as férias anuais com a mulher e a filha.

Desta vez a Silvana tinha prova na primeira quarta-feira do mês das férias do seu pai.

O pai não teve dúvidas:

_Espero a sua prova. Vamos juntos para o Rio.

Chegaram ao Rio de Janeiro e foram conhecer os locais turísticos. À noite, eles iriam até a casa do primo Joaquim Tibiriçá.

O Tibiriçá era culto e quis contar à Silvana a história da fundação da cidade e como foi que a família chegou lá.

_O seu trisavô se encantou com uma das francesas e a acompanhou até esta cidade. Ele não adivinharia que a sua trisavó havia descoberto que ele estava de safadeza e veio noutra embarcação com os filhos e filhas. Sem dinheiro para pagar as passagens, eles vieram para auxiliar a tripulação nas funções de camareira, garçom, limpeza e etc. Os filhos mais velhos ajudavam a cuidar dos pequenos, que não precisavam pagar passagens. Chegando aqui, eles foram atrás da moça francesa; alguns dias depois a encontraram e disseram a ela quem eles eram: a família do Tibiriçá. A moça devolveu o Tibiriçá para a família dizendo que viera para o Brasil a fim de fazer fortuna.

O Tibiriçá abriu uma padaria e vendeu os seus pães, mas dele pouco mais se sabe. Depois da esfrega que levara da mulher, comportou-se como convinha.

Silvana ficou com vontade de anotar a história curiosa, mas não tinha lápis e papel. Perguntou ao primo do seu pai se ele poderia enviar uma correspondência para ele contando a história, que para ela era engraçada.

_Para você é engraçada? Você não conheceu a turma.

No dia seguinte, pela manhã, Silvana pega uns trocados para comprar algumas bijuterias cariocas para guardar uma lembrança da viagem.

Saiu enquanto seu pai e sua mãe caminhavam na orla carioca.

Silvana olhou várias vitrines, mas demorou-se a decidir-se pela bijuteria adequada ao bolso que poderia comprar.

Quando encontrou a bijuteria na vitrine, entrou na loja e perguntou quanto custava.

_Vinte reais.

A moça disse que a levaria.

A dona da loja, simpática, sugeriu que ela fizesse cadastro na loja para poder comprar quando quisesse através do telefone e do cartão de crédito.

Silvana gostou da ideia. Compraria lembranças para os aniversários das suas amigas. Custariam pouco e tinha algo diferente, o charme carioca.

Ao dizer o nome Silvana Tibiriçá, a dona da loja mostrou surpresa e disse:

_Você sabe que a minha trisavó, que era francesa, contava do breve romance que teve com alguém com este sobrenome?

A moça disse que não sabia e pediu à dona da loja que a contasse.

_Esta minha antepassada era uma mulher à frente do seu tempo e mantinha relacionamentos descompromissados com alguns senhores. Ela contava que esse Tibiriçá ficou apaixonado por ela ao ponto de embarcar com ela para o Brasil. Foi uma sorte o fato da mulher dele ter aparecido, posto que ele não a deixasse em paz; ela queria abrir um restaurante e ele uma padaria.

Silvana quis saber mais sobre o antepassado Tibiriçá.

_Ele era um homem sério, bastante sisudo e não falava de si mesmo. A minha trisavó não sabia que ele era casado, descobriu o fato durante a viagem.

Silvana voltou com a bijuteria e com cuidados especiais quanto ao primo Joaquim Tibiriçá. O pai e mãe viviam bem e não seria o primo a sugerir arrependimentos à família.

Dali em diante, a moça travou amizade com a guia do hotel que ofereceu pacotes com passeios à Parati, à ilha de Paquetá, à cidade de Petrópolis, etc.

O primo Joaquim Tibiriçá convidou o seu pai para darem umas voltas à noite, irem até o bar na orla e conversarem à vontade.

Silvana interveio dizendo que gostaria de ir junto com eles.

O pai sugeriu que fossem todos ao bar apreciar os saborosos petiscos.

A moça sabia que não seria ela a evitar algum caso amoroso na família, mas a cultura era bastante diferente da paranaense e, uma brincadeira a mais poderia ser demais. Perguntava a si mesma se estaria fadada às coincidências transformadoras de opinião. Ela rira da história do seu antepassado até conhecer a descendente da senhora com a qual o trisavô teve um caso amoroso.

Se ela não tivesse comprado a bijuteria, se não tivesse conversado com a dona da loja, estaria rindo do antepassado Tibiriçá até aquele momento. Desde que conheceu e confirmou os fatos, não conseguia ser a mesma, achava-se com o destino de cuidar daqueles dias de folga.

Voltaram para Curitiba e à rotina.

Veio o tempo da folga para Juliana. Ela pediu para viajar, era feriado e os pais viajaram também.

Silvana apresentava os amigos, quando a mãe disse que conheceu os antepassados dele.

Chegando à Curitiba, a filha perguntou à mãe como eram os antepassados daqueles seus amigos.

_Depende, minha filha. Eu conheci todos eles. Eu não sei com quem eles se identificam. O tempo dirá e eu te responderei.

Silvana não gostou da resposta. Nas outras coincidências, ela foi breve às decisões. A mãe dela era cautelosa quanto a responder definitivamente sobre alguém, obviamente tinha maior experiência de vida.

A moça queria respostas para o que não tinha resposta; parecia que a ela caberiam todas as coincidências existentes. Em todo o caso, agradeceu a resposta da mãe, que disse que também gostaria de saber a quem os seus amigos saíram.

Em todo o caso, a moça foi para o seu quarto pensando em retratos, histórias, conhecimentos anteriores, filosofava sobre o porquê das coincidências vividas e não encontrava explicações razoáveis.

2 comentários:

Antonio Pereira Apon disse...

Não existe hoje sem ontem e muitas vezes o passado "nos visita" trazendo grandes lições.

Muito bom.

Um grande abraço e bom fim de semana.

Zilani Célia disse...

OI YAYÁ!
GOSTO MUITO DE HISTÓRIAS COMO ESTA QUE EVOLVEM FAMÍLIAS SUAS HISTÓRIAS E ANTEPASSADOS.
ALÉM DO MAIS ESTÁ MUITO BEM ESCRITA, NOS PRENDENDO NA LEITURA E ISTO É MÉRITO DA ESCRITORA.
ABRÇS

http://zilanicelia.blogspot.com.br/