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segunda-feira, 12 de março de 2012

Pão Doce

Pão Doce
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Dona Mariana sofria com as aventuras amorosas do filho. Ele havia se casado várias vezes, tinha cinco filhos de três mulheres diferentes e, mesmo divorciado, viva rodeado de casamenteiras.
Dona Mariana contava que nenhuma delas se importava com o currículo amoroso do filho e ela recebia todas as moças com respeito porque poderia vir a ser a sua futura nora, palavra sem valor algum no dicionário dela.
_Eu tenho uma agenda para não me perder na hora de dizer o nome das noras. Colei uma foto com o nome e sobrenome das minhas noras juntamente com as fotos dos netos que cada uma delas teve.
Ela respondia com gracejos quando os conhecidos perguntavam pela namorada ou se o filho havia criado juízo:
_A Dora desistiu dele, queria ser artista e era incompatível o ambiente repleto de mulheres bonitas e o relacionamento. Não sei, mas acho que era muita areia para o caminhãozinho dela (gíria que tem o mesmo significado do ditado popular que diz que o olho é maior que o estômago).
A casa dela aos finais de semana era reservada para as namoradas do filho:
_Eu tenho netos! Não deixarei que eles sigam o caminho do pai!
O tempo passava e a rotina também e alguns dos netos caminhando pela estrada que o pai abriu para a tristeza da avó, Mariana.
Chega de novo o dia da recepção. Ela abre a porta para receber o filho e conhecer a namorada que é sargento.
Com essa, ele casa. Juju, como é apelidada carinhosamente pelos colegas, entende a situação dos filhos, que são irmão de casas diferentes, e os chama para passarem as férias com eles, na tentativa de estruturar o seu relacionamento com as outras esposas e os respectivos filhos através do bom relacionamento. Começaria a amizade com as mães através das impressões que as crianças tivessem dela.
Com o marido e os cinco filhos em casa ela reorganiza a família: Às seis da manhã apita e acorda os adolescentes, organiza a fila do banheiro e estabelece dez minutos para cada um deles se arrumar e comparecer ao café da manhã. Às sete e meia os convida para dar uma volta no quarteirão e aumentou em quatro quadras a caminhada durante o passeio entre conversas e risos, reclamações também; afinal não estava no programa o aumento do número de quadras nessa caminhada.
Voltaram para a casa e pediram doces e refrigerantes.
_Doces e refrigerantes após o almoço, comam as bananas e as laranjas que temos na cozinha.
Uma das crianças foi até o armário e verificou que estava trancado. Voltou à cozinha e viu as chaves dependuradas no cinto da saia da madrasta.
Eles, os filhos, perguntaram se estas regras valiam para o pai deles.
_Meus amores, estas regras estabeleceram a condição de apoio ao nosso casamento por parte da sua avó, que me admira pela capacidade de disciplina na ocasião exata. A impressão que eu tenho é que ela iria extrapolar se eu não tivesse aparecido na vida dele.
O marido, para provocar, pediu um pedaço de pão doce que havia sobrado do café da manhã.
Ela cede e pergunta se algum deles deseja ganhar de presente uma barriga igual a do papai, uma barriga de tamanho médio, criada a pão doce. Se alguém desejasse, o pão doce estaria liberado.
As crianças protestaram. Depois de tantas negações a eles, ela permite que o pai deles, marido dela, comesse pão enquanto eles ganharam frutas, um absurdo.
_Meus queridos, aprendam: Quem ama não vê barriga. Este homem eu quero do meu lado com qualquer corpo, torço para que ele tenha saúde, que se saia bem no emprego, que seja livre dentro de casa. Ele é que precisa se disciplinar e eu não vou educá-lo, não é a minha intenção modificar quem eu escolhi para estar junto. Os homens e as crianças são parecidos, mas é muito diferente.
As férias acabaram e as crianças voltaram para casa com novas experiências, com novas vontades; elas viram o pai com qualidades e defeitos, o homem que se mostrava humano, recém-saído dos filmes de aventura para que as novas emoções pudessem ser vividas em família. Sobre a madrasta, calaram. Era cedo para terem uma opinião sobre ela e nisso, eles tinham motivos de sobra.

12 comentários:

mfc disse...

Há um núcleo duro que é intocável...
O demais vai-se tratando ao sabor das marés!!
Beijinhos.

Marly Bastos disse...

Com o arranjo casadoiro do pai, eles puderam ter experiências diferentes, novas maneiras de enxergar um fato e isso valeu à pena.E estavam já calejadinhos para opinar muito rapidamente... Isso é uma forma de sabedoria.
Beijokas doces.

Marly Bastos disse...

kkkkkkkkkkkkkkk Eu é que estou precisando pegar uma bicicleta e subir a ladeira.
Mas eu sempre digo que depois que a gente passa pelo provador da "Riachuelo" vem uma tristeeeeeeeeza, pois nunca vi um espelho tão realista! Ele parece que tem grau, o meu é mais bondoso (será que acostumou comigo?. Pois é, saindo da Riachuelo, tem que se procurar urgente uma construção civil pra ouvir o bendito "Ai se eu pudesse e meu dinheiro desse!"
Eu caçoo desse culto ao corpo exagerado, da neurose com os quilos, a briga com as celulites, isso tudo faz parte da vida. Um dia se ganha e no outro, ganha mais ainda.
Não sou neurótica, e até que estou em boa forma para minha idade, pois tenho a consciência que os hormônios vão modificando e a gente com eles.
Gostei da ideia da bicicleta, vou lembrar dela na próxima ida à Riachuelo.

Luís Coelho disse...

As vítimas serão sempre as crianças. Os pais viajam com quem lhes agrada no momento.
O tipo de família tradicional está a findar e a desaparecer. Hoje o casamento nem é para sempre mas apenas e enquanto for conveniente...
A nossa sociedade vai-se auto destruindo e mutilando...

Ivone Poemas disse...

Muito bom conto, educativo até, pois foi bem elaborado.
Crianças precisam de disciplinas, elas precisam que digamos a elas o que fazer enquanto não tenham por si sós experiencias de vida, educar é mesmo difícil!
Gostei muito!
Abraços
Ivone

Bergilde disse...

Yayá,
Meu abraço!
Sempre é tempo para aprender e na sua história se vê bem isso,mas não se pode a quem tenta ensinar seja pai,mãe ou mesmo um professor esperar muito,criar grandes expectativas porque corre o risco de obter uma grande desilusão.
Gostei da mensagem implícita aí!

edumanes disse...

Dona Mariana sofria
Com as aventuras do filho
Mas também fazer bolo doce sabia
Preciso viver feliz e esquecer o martírio.

Desejo um bom dia para você, sempre sem martírios.
Um abraço.

Marcos Souza disse...

Olá minha amiga. Adora ler seus contos, mas ando sem muito tempo. Sempre quando puder estarei aqui para aprender um pouco mais com eles. Beijos

Marina-Emer disse...

hola amiga gracias por tu presencia en mi blog y tus palabras en el comentario
feliz martes
besossssssssssss
Marina

Elisa T. Campos disse...

Querida Yaya

Um núcleo familiar um pouco diferente
do normal adaptando-se às diferenças de cada um.
Um texto de sabedoria.

Bjs

Graça Pereira disse...

A família virou quartel pela mão do sargento, não? Mas também com tanta mistura, havia que ter uma certa disciplina... A família tradicional está desaparecendo aos poucos e também por aqui, a moda está a pegar.
Gostei da história, bem actual!
Beijo e resto de boa semana.
Graça

Artes e escritas disse...

Agradeço a todos. Preciso deixar um recado para a Elisa: o meu computador está dificultando o acesso ao seu blog. Este problema persiste a algum tempo, no entanto consigo ler. Na hora de comentar aparece: página indisponível. Um abraço a todos vocês, Yayá.