Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Solta ao Vento

Solta ao Vento


Uma lembrança
Porque não ter;
Poema de criança

Que não usou trança
E viu chover
À distância,

É uma lembrança

A compreender.

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Gratidão

Gratidão


Depois da gratitude,
Não há nada a se dizer,
Que boa é toda a quietude,
E esperar não sorver

Algum zunir que alude
Ao medo, sem saber
Prever nessa amplitude,
Do dia de estremecer.

Verso da explicitude
É o verbo agradecer
Em humilde atitude;
E não mais esquecer.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Dia de Hitchcock / Crônica do Cotidiano


Dia de Hitchcock / Crônica do Cotidiano

     Eu já tinha ouvido falar nas rádios sobre os ataques de abelhas que algumas pessoas sofreram em Curitiba. Sem motivo aparente, elas aparecem em bando e atacaram essas pessoas que acabaram em hospitais da região sul do Paraná.
     Hoje, embora não goste de escrever crônicas negativas, penso por bem contar o ocorrido.
     Pela hora do almoço apareceu uma abelha, foi ao lustre e queimou as asas, e quando veio ao chão, me senti obrigada a exterminar a abelha com uma chinelada. Abelha sem asas propicia o tempo para ir até outro cômodo, pegar uma chinela, voltar e matar uma abelha sem asas.
     Até aquele momento, pensei que ainda estamos no verão e que tem apicultores na região central da cidade. Tem apicultores na região da cidade há muitos anos, diga-se. Uma abelha deve ter fugido da colmeia.
     Depois do almoço, ao ajeitar a cozinha, entrou outra abelha. Dessa vez fui obrigada a pegar um pedaço de papelão e jogá-la para o chão. Estava sobre a pia caminhando, sem asas. Pisei com os sapatos, tendo em vista que ela caminhava para debaixo do fogão e não daria tempo de pegar o chinelo novamente.
     Joguei no lixo.
     Passaram uns dez minutos e o zumbido voltou. Fui até a cozinha e não vi abelhas. Resolvi olhar o lixo e vi duas abelhas nas janelas de serviço.
     Saí dali e fui observar a janela por outra janela, e vi que estavam e três ou quatro entrando e saindo pela janela de serviço.
     Tudo o que pude fazer foi recorrer ao anti-mofo spray e o repelente de insetos. Borrifei a área da janela com os dois produtos e saí em busca de ajuda.
     Quando eu costumeiramente, aqui nesse blog, digo que existem pessoas sensacionais, é porque existem mesmo.
     Ao saber da história o homem veio comigo até a cozinha do apartamento, matou as duas abelhas e fechou a janela.
     Ao final da contagem foram mortas seis abelhas. Pode ser que ainda apareça alguma caminhando por aqui.
     De fato, o repelente de insetos evitou que quatro ou cinco abelhas entrassem pela janela. O repelente evitou que, ao abrir a porta da cozinha encontrássemos uma dezena de abelhas.
     Elas vieram aparentemente sozinhas e foram entrando, ou quase entraram, não fosse o cheiro do repelente.
     Ouvi do senhor que, provavelmente elas estavam seguindo alguma abelha-rainha e se perderam. Ou talvez tenham sido atraídas pelo chão encerado ou algum produto alimentício.
     De qualquer modo, joguei fora o pão por onde uma delas passeou. Dizem que elas deixam uma espécie de cheiro por onde passam para indicar o caminhos às outras abelhas.
     A situação pareceu-me com um filme de Hitchcock, com muita tensão e terror.
     Ainda pensando no assunto, pareceu-me que foi acertado não me apavorar e gritar, mas procurar ajuda.
     Por outro lado, não consumirei nenhum produto que contenha mel e derivados por muito tempo.
     Embora muito humilde, esse texto pode ser de utilidade pública para os moradores da região, motivo pelo qual escrevo.
     Obrigada aos leitores. 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Indecifrável

Indecifrável


De repente,
Diferente
É o observar.
Explicar

É coerente,
Mas convence
Apreciar
E se doar

Nessa lente
Que é contente
Ao cantar
Por cantar.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Crônica do Século Passado

Crônica do Século Passado

     Essa história é bastante antiga e, talvez, nem existam mais os seus partícipes.
     Aconteceu uma separação de casal na roda de amigos da casa em 1.960.
     _Eu vou cuidar dos meus filhos e aprender a ser só.
     A menina que não perdia uma boa história, perguntou:
     _Aquela mulher não está sendo dramática demais?
     Pai e mãe se sentaram com todo o tempo do mundo para conversar.
     _Não, ela não está sendo dramática. Ela terá que aprender a ser só.
     A menina retrucou sobre a solteirice de outras mulheres e perguntou se elas não eram sós.
     _A diferença é cuidar de uma família sem o cônjuge.
     A menina não entendeu.
     _Agora ela pertence ao grupo social dos separados com família. A vida dela irá mudar. Ela contará com o apoio das separadas e, até mesmo poderá namorar, mas colocar outro cônjuge dentro de casa é tolice. Ela terminará por sofrer duas vezes.
     A menina perguntou o que significava isso exatamente, porque ela continuava a não entender.
     _Significa que se ela se aceitar separada, com filhos, responsável pelos filhos que têm e conquistar uma roda de amigos com os mesmos problemas, poderá até mesmo se considerar feliz.
     A menina gostaria de saber o que aconteceria se ela não fizesse isso.
     _Haverá muito constrangimento por parte dela e daqueles que são e continuarão casados, porque ela passará a ser vista como a metade fracassada, e isso a tornará amarga.
     A menina perguntou o que aconteceria se ela resolvesse refazer uma vida a dois.
     _Ela terá novos problemas e passará a viver em função dos novos problemas somados aos antigos problemas, o que é desaconselhável.
     A menina perguntou o que é que seria melhor para aquela senhora.
     _O melhor é que ela se equilibre sozinha, sinta-se livre para sair passear quando encontrar pessoas com afinidades familiares e pense cem vezes antes de se relacionar à sério com outra pessoa. A mulher corre mais riscos de sofrer porque ela já conquistou a família dela, mesmo que fragilizada por uma separação. A mulher separada e com filhos tem como obrigação saber que já constituiu uma família.
      E sobre a separação, por que existe, perguntou.
     _A separação existe por vários motivos, mas a pior é aquela em consequência da violência, onde a mulher é obrigada a se separar, caso esse em que todos são a favor dela. Mas ela continua tendo uma família constituída, com filhos para cuidar.
     Continuando:
     _Filhos não pedem para nascer, dependem de um homem e uma mulher. Precisam ser alimentados, educados e orientados para que tenham boa índole. A mulher é responsável, embora não sozinha, por grande parte dessa responsabilidade. Quando separada, ela é duplamente responsável pelos filhos, que moram com ela, algo que é determinado até mesmo pela lei.
     A menina disse então para terminar a conversa:
     _Então boa sorte para ela. E ponto. Não é nosso o assunto, isso é o que nos interessa.
     Boa leitura a quem tiver algum interesse sobre educação sentimental.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Estatísticas Subjetivas

Estatísticas Subjetivas


Correlatividade
Tem-se ao ar condicionado
De um tempo em variedade
Quando sincronizado.

A conectividade
De um repetido dado
Na intemporalidade,
É contabilizado

Com toda seriedade
Numa pesquisa ao lado,
Posto que um é a unidade
De um todo idealizado.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Os Corações São Diferentes

Os Corações São Diferentes


Desliga-se da mídia
Quem tem o coração
Longe de uma perfídia,
Questão de vocação.

Um fato como insídia
É a mistificação
Do que seria notícia;
Escolha uma tensão

Que lhe agrade a malícia,
Nem tudo é convenção,
 E o que lhe causa acídia,
É à pressão, disfunção.