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quarta-feira, 6 de julho de 2016

Atônitos / Crônica do Cotidiano

Atônitos / Crônica do Cotidiano



     Estou atônita, a rua está atônita, os pensamentos estão procurando uma razão para o que presenciamos.
     Um homem, de mais ou menos quarenta anos, conforme os comentários chegaram até mim.
     Ele caminhava pela calçada em frente a uma loja de som, quando, segundo comentam – o verbo está no presente, porque naquela rua o dia hoje será esquisito, colocou uma das mãos em uma das orelhas e tombou.
     Chamaram o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Emergência) e o pessoal do SAMU chamou o IML (Instituto médico legal).
     “Coração parado.” Mal súbito ou um enfarto ou qualquer coisa assim.
     Uma moça me convidou para ir ver a cena. Não! Vamos deixar o pessoal trabalhar sossegado.
     O trabalho por ali foi prejudicado, não havia condições para mais ninguém manter o foco.
     Deus mandou um telegrama urgente para aquele cidadão, morreu.
     Sentei numa panificadora por ali, tomei café sem querer tomar café, para deixar o tempo de o susto passar.
     Alguns estavam parados com o olhar longe, pensando na morte.
     Dois idosos conversavam muito nervosos, dizendo da necessidade de se cuidar da saúde para que essas coisas não aconteçam a eles.
     Caminhei mais um pouco. Era hora de voltar para casa.
     Olhei para um conhecido, que estava disposto a repetir a história e disse que sabia, já haviam me contado.
     _Usaram desfribilador (acho que é assim que se escreve) e de nada adiantou. O coração estava parado. Chamaram o IML para fazer o reconhecimento do homem e os exames necessários para descobrirem a causa da morte.
     Ele me contava enquanto ambos olhávamos para os policiais que colhiam depoimentos sobre o acontecimento em frente à loja de som.
     Interessante é que estávamos entre estranhos, mas o comportamento era igual.
     A rua estava de luto por aquele desconhecido que morreu de maneira extremamente natural.
     Quem era e o que fazia por ali, não se sabe. Provavelmente a família sabe por que as horas já se passaram entre o que soubemos e o texto.
     Termino o texto pedindo a Deus que conforte os familiares daquele homem que passava em frente à loja de som.



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