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sábado, 2 de janeiro de 2016

A Notícia Gerando Causo / Crônica do Cotidiano



A Notícia Gerando Causo / Crônica do Cotidiano



     A notícia é um desacato ao cidadão: um homem teve infarto e, quando a esposa foi reconhecer o corpo, observou que o dente de ouro do cidadão havia sido roubado. Uma notícia de envergonhar o país.
     Um assunto leva a outra conversa, conforme aconteceu.
     A moça em questão, originadora do causo, é modelo e sabe muito sobre as exigências do mercado, ninguém a obriga, mas silicone e botox, segundo ela, é uma questão imprescindível à profissão depois da maternidade. Muito simpática, contou sobre o que aconteceu com a barriga dela depois do segundo filho, a plástica, o silicone e, o botox que ela planeja colocar assim que achar necessário.
     Eu estava começando a observar onde e o que estava errado e mim, inevitável porque há algum tempo não me exercito.
     Ela observou a minha expressão e não me deixou pensar no assunto. Começou a contar de um caso na família dela:
     _Nem pense! Você conhece o Rio de Janeiro e se poupou de muito sofrimento. Eu tenho uma parenta que está pagando em parcelas, mas está arrumando o sorriso e isso custa a ela trinta e cinco mil reais. Ela não conhece o Rio de Janeiro e nem pensa em comprar nada enquanto não terminar de colocar as lâminas de porcelana e ficar com o sorriso impecável. As lâminas de porcelana exigem manutenção e ela contratou um plano mensal para o custeio dessa manutenção.
     Eu tentei dizer ao menos: Ah! Ela não deixou.
     _Você não sabe o que é isso! Ela é capa até de revista de igreja. A idade dela, por volta de quarenta anos, com aquele sorriso e com uma família sorridente, faz dela a modelo ideal. Eu sou modelo e posso ajudá-la a arranjar bons contratos, com gente séria. A vida de modelo é desgastante, a gente vive em função da imagem, essa é a apresentação do produto.
     Foi aí que eu desisti de pensar e a ouvi, conforme costumo fazer, com atenção e cuidado.
     Ela olhava para ela e olhava para mim. Foi impossível não rir quando ela explicitou a pior situação pela qual ela passou num desses tratamentos de beleza.
     _Coloquei o silicone e, passados alguns dias, a dor desapareceu. Cheguei a minha casa cansada e sentei-me na cadeira da sala rapidamente. A dor que eu senti foi menor que o medo de ter esparramado o silicone pelos glúteos. Eu levantei às pressas e pedi à minha irmã que me olhasse para saber se estava tudo inflado como tinha que estar. Esse foi o pior dia depois do tratamento. À noite tive pesadelos e pensei em tudo de ruim que poderia acontecer com a minha carreira. Se eu perdesse o meu emprego de modelo fotográfico, os meus filhos não teriam mais os notebooks e mp3 importados. Eu não teria mais o conforto que eu tenho, pois eu ajudo e muito dentro de casa com o que eu ganho.
     Eu disse: Hum.
     _A gente gasta muito em investimento, mas o retorno compensa. Eu só lido com gente séria, mas o mercado é cheio de perigos.
     Por último ela disse algo que cai bem aos ouvidos de qualquer pessoa e ei porque digo que ela é muito simpática:
     _A gente gosta de você do jeito que você é. Muda não.
     Eu retribuí a gentileza a ela.
     Ela concluiu:
     _Não fosse igreja e, a boa educação que recebi, sabe lá o que teria acontecido. Conta aí, quando é que você vai para a praia? Muita gente conhecida nossa está lá fazendo muvuca (tradução: bagunça).
     Eu não sei ainda, respondi. Estou fazendo janta para as festas de final de ano e, depois, quero descansar um pouco antes de pensar em sair.
     E mudamos de assunto.




     

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