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domingo, 3 de junho de 2012

Emissora de Rádio / A Conselheira

Emissora de Rádio

A Conselheira

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Antigamente não existia toda essa parafernália psicanalítica, as moças escreviam para a emissora de rádio onde as cartas eram sorteadas e o problema da moça era solucionado por uma conselheira ou pela opinião dos ouvintes. A opinião dos ouvintes instituiu nesse país a filosofia da “achologia”. Achologia é a instituição do: ”Eu acho que...”.

Entremos na era do rádio por alguns minutos. A conselheira sentimental chama-se Karina Silvana. Estamos no dia 14 de junho de 1.959 e o programa entra no ar:

_Bom dia queridas ouvintes. A carta sorteada de hoje é da Maria Georgina, de acordo com o pseudônimo enviado pela ouvinte. Atenção você que se chama Maria Georgina que trataremos do seu caso após os intervalos comerciais.

Sublinhamos os principais pontos da carta e cortamos os elogios, as críticas depois de anotarmos as sugestões sempre elegantes das nossas ouvintes. Vamos à leitura:

“Querida Karina: minha mãe casou-se novamente e vive bem com o meu padrasto. Eu tenho dezenove anos e saio para passar os finais de semana com as minhas amigas. A minha mãe implicou com essas saídas aos finais de semana, mas eu tive juízo e saí para acampar, meditar e deixar que ela e o meu padrasto pudessem namorar em casa. As brigas se tornaram insuportáveis e eu saí de casa porque ela brigava comigo na frente dele, eu me sentia humilhada e sem pai para reclamar dos exageros dela. Pago aluguel, economizo o salário de vendedora para daqui a dois anos dar um entrada num imóvel meu. Vivo com modéstia e pelo menos, a comida não falta. A minha irmã, que também é casada deseja que eu vá morar com ela, mas acho que não dará certo. Elas estão tristes comigo e estou com pena da minha irmã, mas não quero deixar o apartamento que eu aluguei por pena. Elas estão bem e eu estou me resolvendo. Gostaria da sua opinião sobre as atitudes que tomei.”

Querida ouvinte Maria Georgina, diante do que li, tenho que te dar os meus parabéns. Você é maior de idade, se sustenta e pelo que me conta não tem hábitos perniciosos. Padrasto não tem obrigação de ser pai e aguentar certos desentendimentos. Acredito que para ele a situação também seja constrangedora. A sua irmã tem boa vontade e quer conciliar a situação, mas ela não está pensando no marido e nos filhos; ela tem a vida dela organizada e seria um absurdo ela trazer para a casa dela o problema que é seu e da sua mão. Na carta, embora não tenha sido lido o trecho em que você conta que visita a sua mão semanalmente, mostra que você é madura e não saiu de casa por nada.

O resumo e a análise estão prontos. Agora vamos ao meu conselho: Continue enfrentando as suas dificuldades com coragem. Para tirar qualquer dúvida que você possa ter pense comigo num motivo para que você tenha que ser apêndice de outra família, levando em consideração que você já mantém um bom relacionamento com a sua mãe e a sua irmã. Elas estão preocupadas e é natural que estejam preocupadas, mas com carinho e educação você explicará que este é o melhor caminho para você. Não se esqueça de dizer para que elas te visitem e não reparem nos móveis porque começo de vida nova é difícil para todos. Lembre a elas que certamente passaram por dificuldades que transpuseram com determinação e confiança. Desejo felicidades nessa sua escolha e peço que escreva novamente quando conseguir montar o seu canto do jeito que você deseja.

Agora vamos ao intervalo comercial para que os nossos patrocinadores deem o recado deles e voltaremos em seguida para as despedidas do dia de hoje. Este programa mostra a vida real, mas com otimismo. Por gentileza coloquem pseudônimos para que possamos ficar à vontade e nos certificarmos de que a vida particular dos nossos ouvintes não esteja exposta às pessoas de má fé.

Terminamos agora mais um Programa Sinta-se Bem. Bom apetite que o cheirinho do almoço já chegou aos nossos estúdios. Uma boa tarde a todos que tiveram a gentileza de estar conosco durante a manhã do dia de hoje.

13 comentários:

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Era assim mesmo. Em 59, do século passado, eu era adolescente. Nunca escrevi cartas à conselheiras de programa de rádio, mas ouvia muito esses programas.
Muito bom, recordar aqui, Yayá,
onde você descobriu esse baú?

Um abraço,
da Lúcia

Artes e escritas disse...

Eu lembrei mexendo nos meus esmaltes. Preciso comprar uns mais modernos:))) Um abraço, Yayá.

Ingrid disse...

pois é..
o tempo..
beijo e boa semana..

Imaginário disse...

Yayá, muito bom ler você. Seu texto é ótimo, mas olha, as rádios AM do Brasil estão lotadas desses programas ainda hoje. Agora mesmo deve ter muitos no ar. Que esmalte, menina?! A filosofia do achismo fez foi ampliar-se, eu acho (!).
Receba um grande abraço.
Desejo uma ótima semana.
Gilson.

Marly Bastos disse...

Muito bom Yayá, ainda hoje há umas rádios que ainda dão conselhos e cortam os elogios e críticas. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Diante disso tudo, e olha que eram até louváveis os conselhos, sinto que o meu mestrado em psicanálise não está com nada, melhor mesmo é a achalogia e ponto.
Muito legal o texto, eu gostei da forma que traduziu um fato.
Beijokas doces e uma boa semana.

mfc disse...

Apanhaste completamente o estilo e a o "modo de fazer" um programa daqueles!
Parabéns.

✿ chica disse...

Que legal e acredito que em algumas rádios do interior talvez exista. Adorei ler! beijos,ótima semana,chica

MARILENE disse...

Você abordou fatos dos quais já me havia esquecido (rss). Ainda existem esses programas e as respostas não sofrem apreciação por profissionais, sendo manifestadas por entendimento pessoal. Muito bom!!!
Bjs.

Evanir disse...

Uma amiga muito especial
hoje marca a postagem do meu blog.
Um ser divino que em pouco tempo conquistou corações nesse mundo virtual.
O meu foi quase um dos primeiros a ficar apaixonado pelo carisma ,
e grandeza de seu coração.
Convido você a deixar seu carinho e fazer parte dessa preciosa amizade.
Espero em Deus ter saúde o suficiente para conhece-la pessoalmete
em 2012.
Vou ficar agradecida com sua doce presença.
Uma linda e abençoada semana.
Beijos ternos e carinhosos.
Evanir.

aluap disse...

O seu texto lembra as coisas simples da vida. Imagino os homens e mulheres da época a ouvir estes conselhos .

Obrigada pelo programa ;)

jaime aus giruá disse...

Yayá, minha primeira visita e com motivos de sobra para deixar um recado. Gostei do teu estilo narrativo, fluente e direto. Na simulação de um programa radiofônico então, foi excelente.
O assunto abordado, é atual, pois todos precisamos às vezes de alguma orientação. E o rádio sempre foi o canal (e consultório) preferido de muita gente para sanar suas angústias.
Abrçs

Sonhadora disse...

Minha querida

Voltei atrás no tempo, era mesmo assim esses programas que para alguns era o único contacto para o exterior.


Deixo um beijinho com carinho
Sonhadora

Vera Lúcia disse...

Olá Yayá,

Ainda há programas assim. Considero interessante a maneira como os conselhos são dados, de acordo com
a opinião pessoal dos conselheiros,
na base mesmo do "achismo", mas que costuma funcionar. Se a coisa fluísse, o que seria dos profissionais da área?

Muito bom!

Beijo.