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segunda-feira, 6 de março de 2017

Liberdade / Crônica do Cotidiano


Liberdade / Crônica do Cotidiano

     Estava assistindo televisão e vi uma campanha bonita sobre liberdade, posto que é em prol das futuras gerações. Essa campanha previne o escravagismo e educa através das falas dos próprios jovens.
     Essa tal liberdade é difícil de ser exercida.Ela é boa, se acompanhada da responsabilidade.
     Eu tenho uma história que me ensinou o que é a liberdade.
     Eu completei dezoito anos e não quis aprender a dirigir  o veículo.
     Talvez essa história seja repetida, mas contém um aspecto diferente, o aspecto da liberdade.
     Não me obrigaram a tirar a carteira de motorista, mas o automóvel ficaria à minha espera, muito embora a permissão para entrar como passageira fosse óbvia.
     Cheguei aos vinte e um anos de idade e ainda não queria dirigir.
     Ah! Vinte e um anos e não queria dirigir.
     _Muito bem. Não quer dirigir, não dirija, mas assuma.
     Eu não entendi muito bem a palavra "assumir".
     Não eram psicólogos, mas foram geniais.
     _Assuma que você não quer dirigir perante quem te perguntar.Responda sinceramente sobre essa questão para conhecidos, amigos e adversários, se os tiver e se vierem te perguntar.
     Que tarefa difícil foi essa de responder uma a uma das pessoas que eu não queria dirigir.
     Eram a liberdade e a responsabilidade caminhando juntas.
     Aos vinte e seis anos, um dia, após ter ido ao centro da cidade e passado em frente a uma auto-escola, voltei para casa e disse.
     _Eu não sei o que aconteceu comigo, mas ao passar pela auto-escola senti uma vontade imensa de dirigir.
     Era quase hora de almoço e me perguntaram a que horas a auto-escola fechava.
     Era sábado e a auto-escola fechava à uma hora da tarde.
     _Volte para o centro da cidade e se matricule. Se você sentiu vontade é porque está na hora de aprender a dirigir.
     Com passos lentos e firmes adentrei a auto-escola e perguntei sobre as condições que não estavam escritas no cartaz de propaganda no lado de fora.
     Naquele tempo eram aulas teóricas e o simulador de volante antes de sair para as aulas práticas.
     Passaram-se três meses e a carteira de motorista estava nas mãos.
     Eles aprontaram de novo.
     _Levando-se em consideração de que ela foi carona nossa durante esses anos em que podia dirigir e não quis, pensamos que podemos obter alguma carona com ela.
     _Bem que ela podia sair sozinha de vez em quando.
     Enfim, a liberdade exige.
     Exige que se diga não. Exige que se diga que não é isso. Exige horário adequado. Exige que se assumam fraquezas. O preço da liberdade é a responsabilidade de se assumir, de ter por adversária você mesma.
     Essa história eu conto e, a partir dela, algumas conhecidas foram para a auto-escola. Elas me fizeram felizes, me fazem felizes quando as vejo passeando de automóvel por aí.
     A juventude já vai longe, mas o meu "Freedom Day" para os não tão jovens está aqui.


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