Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A Secretária Eficiente e o Executivo Nervoso

A Secretária Eficiente e o Executivo Nervoso

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Adélia chamou Norma para o lanche e disse que precisava muito conversar com ela.

Adélia era a secretária executiva da empresa e Norma era a secretária mais antiga do local. As duas se conheciam há doze anos. Ambas jamais fizeram um comentário sobre o executivo chefe do lugar.

Porém, neste dia Adélia estava a ponto de dizer ao chefe o que pensava dos últimos meses na empresa. Antes, porém, queria conversar com a Norma, que era experiente e pensar se valeria ou não essa conversa e se ela se prejudicaria com o que tinha a dizer.

Norma, avisada sobre o tema da conversa, foi prestativa e se apressou com as tarefas para não faltar ao encontro. Adélia era ótima secretária, estava há tempos na função e ela não queria que a Adélia fosse prejudicada de forma alguma.

Adélia estava tensa, precisava desabafar.

Encontram-se e Adélia começa a conversa:

_Norma, há doze anos que eu chego no horário, não falto, sei de trás para frente todos os detalhes da minha função, mas hoje ele extrapolou.

Norma perguntou o que ele havia feito.

_Ele disse que estava atrasado e não quis esperar pelo elevador. Assim também não! Eu fico sentada o dia inteiro e não estou acostumada a descer as escadas com o bloco de anotações e a caneta. O que é isso? Ele parece ansioso, mas eu sou a secretária e sei que está tudo bem com a empresa.

A Norma estranhou a novidade, mas disse que ele era um homem competitivo e mantinha a empresa no patamar devido, com planos de desenvolvimento e crescimento empresarial.

_Então é isso o que se passa. No entanto, de nada adiantará os quarenta segundos a mais na fila do elevador. Ele está com chilique e me chama sem parar até a sala dele. Eu estou acostumada a ficar sentada mantendo os contatos e as correspondências em dia. Você não imagina o ambiente nervoso nas salas dele e na minha antessala. Tenho medo de que qualquer dia desse ele passe mal. Não é possível trabalhar desse jeito.

Norma concordou, mas disse que se ele estava assim, de nada adiantaria conversar com ele. Sugeriu a ela para que o convencesse a contratar uma nova secretária para ajudá-la.

_Aí a angústia passa para mim.

Norma era quem poderia pedir uma auxiliar. Foi o que fez e, agora, ambas atendiam o executivo em respectivas funções, mas diferentes: Adélia cuidou daquilo com que estava acostumada a fazer e, Norma o auxiliou nos planos de desenvolvimento da empresa.

Ele mandava, mas as duas cuidavam para que os planos dessem certo.

Ele, o executivo, por sua vez, continuou o mesmo. Era um homem apaixonado pelo que fazia.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Negócios Bruxuleantes – Conto

Negócios Bruxuleantes

 

Amanda saiu da cidade por um período de tempo para cuidar do seu sítio, pois a cerca do galinheiro estava ruída, o pasto das ovelhas sem viço, o cavalo precisava de um domador e a vaca de ordenha.

Lidava na roça e tratava dos bichos de dia e lia à noite.

Terminado o trabalho no sítio, voltou à cidade, ciente que o sítio ficaria bem cuidado pelas pessoas que ela contratara.

Amanda nada soube da sua cidade enquanto esteve no sítio. Ao se aproximar da cidade, porém viu a névoa branca que a encobria e logo desconfiou que tivesse algo a ver com a Gisah, a bruxa da cidade.

Gisah tinha dito que iria parar o tempo na cidade.

Amanda recordava que o amigo Expedito dizia que ela era uma empresária perigosa. A bruxa fabricava e vendia tachos de cobre, mas os produtos eram tão bons que duravam muitos anos e o seu negócio ameaçava falir. Foi nesse tempo que ela começou a se interessar por feitiços e começou com as bruxarias que apavoravam os moradores da cidade.

Um dia, sem mais nem menos, disse aos moradores que iria parar o tempo da cidade até que os tachos ficassem inúteis e eles precisassem de novos tachos dentro de casa. Avisou que criaria a névoa para encobrir o lugar por tempo indeterminado, até quando ela pensasse e pudesse voltar a fabricar e vender os tachos em grandes quantidades.

Amanda entrou na cidade e foi à casa do Expedito. Ele ouviu bater à porta, mas não sabia quem era. Ela, igualmente, não o viu, mas sabia onde estava e disse quem era.

_Como vai você, Amanda? Quando é que você vai ao sítio para deixá-lo em ordem? Se o sítio depende de você, você tem que ir lá e deixar tudo certo. Anime-se e resolva o seu problema antes que ele não tenha solução.

A moça ficou surpresa e disse que acabara de regressar de lá e tudo estava no seu lugar e que tudo estava feito conforme pensou em fazer. Era difícil conversar naquela situação de desencontros temporais. Ela se despediu dele para ir à quitanda dizendo que voltariam a conversar noutro momento.

Na quitanda, fingiu não saber a data e perguntou a ele que dia era o dia de hoje. Ele respondeu que era o dia da bruxa fazer o feitiço para a cidade e que ele duvidava dos poderes dela.

Amanda, ao perceber que o feitiço fora feito e havia funcionado, decidiu voltar ao sítio para que o seu tempo não parasse também, mas, se houvesse alguma maneira de desfazer o feitiço, e o tempo voltasse a correr como as estações do ano mudam, ela voltaria para ali a fim de deixar o tempo do jeito que deveria ser.

Amanda saía da cidade, quando avistou um circo montando as suas instalações nos arredores do centro urbano. Preocupada com a possibilidade de haverem mais pessoas enfeitiçadas, foi até lá e avisou-os para não entrarem na cidade, dizendo que a mesma estava sob o domínio da bruxa.

Quem a recepcionou foi o palhaço, que ao ouvir a história dela, ficou sério e disse:

_Farei a bruxa rir a tal ponto que ela mesma desfará o feitiço.

Amanda disse ao palhaço que a situação não era para piadas e que ele tomasse o devido cuidado caso entrasse na cidade para conversar com a Gisah.

Ele pediu o endereço da Gisah e o obteve prontamente. Caso ele conseguisse desfazer a magia, Amanda pedia para que ele avisasse ao Expedito para ir buscá-la e, para tanto, deixou o endereço do moço com o palhaço.

Amanda seguiu rumo ao sítio enquanto o palhaço pedia à trupe que não adentrasse a cidade enquanto ele não desfizesse o feitiço. Ele sabia que um conselho, no circo, vale tanto quanto a ordem mais severa recebida de uma autoridade disciplinada; valia a vida.

O palhaço bate à porta da bruxa e ela o atende perguntando o que ele quer por aquelas bandas.

_Soube que aqui mora a mulher encantadora do tempo e quero convidá-la para encantar o tempo do circo, deixando a magia no ar e nos corações de todos aqueles que assistirem ao espetáculo.

A bruxa coçou a cabeça:

_Basta ao circo que se instale dentro da cidade. Para que sintam o efeito da magia serão necessários três dias consecutivos, pois ao quarto dia o feitiço estará completado.

O palhaço argumentou dizendo:

_Ocorre senhora encantada e encantadora, que eu não sou o dono do circo. Terei que ir até lá e demonstrar o efeito dessa neblina para que o proprietário acredite no que digo. Peço a gentileza de sua senhoria, senhora encantadora, que me ceda ao menos uma porção da sua neblina para que eu a leve até o circo e a teste.

Gisah disse que não adiantaria nenhuma névoa enfeitiçada a ele.

_Minha admirável senhora, quanto custa um tacho de neblina? Quem sabe eu até o compre.

Ela respondeu, diminuindo a zanga, que custava um rio a ferver e se evaporar, até subir as montanhas para se transformar em gelo, com mais uma noite para esperar, até que o dia o venha a derreter e criar a névoa.

_Este é um preço muito caro para um palhaço que vive de sorrisos e palhaçadas. Por acaso a senhora encantadora não conhece alguma neblina que caiba no bolso deste palhaço?

A bruxa esboçou um sorriso ao dizer a ele que poderia adquirir a máquina de fabricar gelo seco e deixá-lo ligado por setenta e duas horas seguidas em volta do circo.

O palhaço respondeu:

_Fico muito feliz em contar com o seu feitiço genérico, mas como saberei que ele está causando o efeito desejado?

Gisah contou que, sem poder enxergar algo pouco adiante de si mesmo, os integrantes da trupe se ocupariam daquilo que estivesse próximo a eles, das suas coisas e, enquanto isso o tempo passaria sem ser visto ou sentido.

_Minha gentil senhora encantadora, sabedor que sei agora de como o feitiço acontece, logo trarei o circo inteiro para dentro da cidade.

A bruxa desatou a rir, pois acabara de enganar o palhaço. Nenhuma máquina de gelo seco conseguiria o efeito desejado; seria necessário ferver o córrego que passava ao lado do lugar, isso caso o palhaço tivesse dito o lugar correto de onde o circo se instalara.

O palhaço voltou ao circo e pediu permissão para montar uma sorveteria junto ao circo, assim o circo se sustentaria nos dias de poucos frequentadores. Os trapezistas, os malabaristas e as domadoras gostaram da ideia e, o dono do circo, concordou com eles. Perguntaram de onde viria o gelo para manter os sorvetes na temperatura adequada ao consumo, não havia gelo no circo.

_Pegaremos o gelo da montanha! Toda a noite a montanha fica coberta de neve e iremos até lá apanhar o gelo.

O negócio foi feito e a madrugada era de gelo para a trupe, mas não havia sessões matutinas e eles poderiam dormir até mais tarde, porém antes dos ensaios para a sessão vespertina.

A cada dia o palhaço solicitava mais gelo, a cada dia ele ia com os amigos até a montanha para encherem os baldes. O gelo que sobrava, transformava-se em água e corria ao córrego em direção ao rio da cidade.

Gisah não conseguia vencer o rio cada dia mais líquido e a montanha a cada dia mais verde. A névoa se desfazia devagar e constante, fazendo com que a paisagem mudasse até o dia em que os habitantes conseguissem de novo ver as suas próprias casas, a sua vizinhança, as suas ruas e voltariam a viver como antes. O dia chegou e todos olharam os seus relógios, os calendários e perceberam todo o tempo que passou.

O palhaço foi ao encontro do Expedito e contou sobre a conversa que tivera com Amanda antes dela partir. O moço foi buscá-la, conforme a mensagem recebida. Embora o palhaço pudesse mentir, ele gostaria de rever Amanda e o endereço do sítio ele sabia e conferia com o fornecido pelo palhaço. Restou ao Expedito a esperança que o palhaço trouxe.

A fábrica de gelos ia de bem a melhor quando a montanha parou de produzir gelo.

O palhaço disse à trupe que resolveria a questão do gelo e bateu à porta de Gisah novamente. Desta vez ela estava muito mais zangada do que antes e, ao vê-lo, disse que iria pessoalmente até ao circo para enfeitiçar a todos.

_Caríssima senhora encantadora: parar com os feitiços pode se transformar na sua fortuna.

A bruxa recolheu-se e se arrumou. Ordenou ao palhaço que a levasse ao circo.

_Brava senhora encantadora, poderei levá-la assim que a senhora me ouvir, quem sabe, com carinho.

Gisah disse para que ele dissesse o que queria dizer, mas bem depressa antes que ela o transformasse em ingrediente de gelo.

_Vim até a sua casa para lhe oferecer a oportunidade de um grande negócio.

Ao ouvir a expressão grande negócio, ela se interessou.

_Precisamos comprar tachos para fabricar sorvete, precisamos de alguém para fornecer o gelo. Proponho que a senhora expanda os seus negócios e seja a fornecedora de tachos e gelos para a nossa sorveteria.

A bruxa quis saber o quanto ela levaria de lucro nessa proposta.

_A senhora será a nossa fornecedora e lucrará o preço de mil tachos por mês, mas será impedida de fazer magias e terá que voltar a ser humana. Fora desses mil tachos por mês estão descontados os valores necessários para a recuperação da cidade, que a senhora mesma deixou envolta em névoa. A pessoa indicada para a necessária atualização da cidade esteve fora dela nesse período, foi a única que viu o tempo passar com todas as suas transformações e, a senhora não negociará com ela. O circo dará as diretrizes, mas o seu lucro é garantido. Igualmente, a senhora terá que viajar conosco, ou seja, com a trupe, para onde o circo for. São negócios e viagens pagas pelo circo, vantajosos para a senhora.

Gisah coçou a cabeça mais uma vez. A proposta era tão interessante ao ponto de deixar a magia de bruxa para viver a magia do circo, eterna lembrança das famílias felizes.

A bruxa foi-se com o circo.

Viva o palhaço!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O Conto que Precisa de Ajuda!

Este conto eu enviei a um concurso literário. Estava com problemas pessoais e o meu computador pifou e eu fiquei sem ter como escrever aos autores do Concurso.

O conto pode ser publicado sem direitos autorais, mas eu não tenho meios de escrever à Vossas Senhorias que promoveram o concurso solicitando os originais, que podem até mesmo ficar com os senhores promotores do concurso.

Transcrevo o Conto, que foi escrito em 2011 e não foi publicado no blogue até agora. O Concurso era cultural e sem fins lucrativos. Restou-me o recibo do envio pelos correios, mas não tenho o endereço e nem sei a quem me dirigir, pois o conto era dos amigos lusófonos.

Se alguém puder me ajudar nessa questão, ficarei bastante agradecida, Yayá.

O Jardineiro

Havia dois meses que o jardineiro não aparecia para cuidar do jardim. A mãe, dona Antônia pediu à filha, Maria, que à saída da escola na volta para casa, passasse na casa do senhor João de Meira, o jardineiro, e pedisse a ele que viesse até a sua casa para cuidar do jardim.

João era um homem de sessenta e três anos, que morava com a mulher e as netas em uma casa próxima a casa de Maria. Conhecido pela sabedoria peculiar que a jardinagem o ensinara, era bem quisto por toda a vizinhança.

Nesse dia a menina viu João sentado à soleira da porta, como se esperasse visitas.

_Bom dia, senhor João. O senhor tem passado bem?

João assentiu com um meneio de cabeça.

_Mamãe pediu-me que eu viesse até a sua casa para lembrá-lo do nosso jardim. Quando o senhor pode ir até a nossa casa? Pergunta a menina.

João responde:

_Passarei lá no sábado. Estará bem assim, para vocês?

A menina sorri:

_Estará sim.

Chegou o sábado e, bem cedo, sete horas da manhã, o senhor João chega à casa de Maria. Dona Antônia, mãe de Maria, o atende, conversa sobre o jardim, e deixa-o à vontade para arrumar o jardim enquanto trata dos seus afazeres de casa.

Maria o acompanha a cada passo e ele começa a tirar os gravetos secos das folhagens. Distrai a menina para pode lidar com o ancinho e a tesoura:

_Maria, tu queres pegar gravetos secos comigo? Eu retiro um e, depois, você retira outro.

Maria estava ansiosa para ajudá-lo na jardinagem.

João tirou um graveto seco.

Maria tirou um graveto que ainda estava preso à folhagem. O graveto estava seco em quase a sua totalidade, mas no local da junção com o tronco, estava verde e soltava umidade ao ser desprendido.

João tirou o segundo graveto seco.

Maria olhou pela folhagem e decidiu qual graveto pegaria. De novo mais um graveto quase seco.

João tirou o terceiro graveto seco.

Maria, que não estava gostando nada da história, revistou com o olhar toda a folhagem antes de retirar o próximo graveto, que estava igualmente aos outros, quase totalmente seco.

Inconformada, perguntou ao senhor João como é que ele conseguia e ela não conseguia retirar gravetos secos.

João respondeu:

_A experiência me ensinou e um dia também te ensinará a não ferir desnecessariamente.

Maria viu-se despreparada para recolher gravetos secos e correu pelo jardim. Reparou que o formigueiro junto à cerca havia desaparecido e disse:

_As formigas foram embora!

O senhor João, riu-se da inocência e respondeu:

_Não percebestes que eu podei o formigueiro? Quando eu aqui estive, no mês passado, eu o desmanchei. Hoje elas estão junto ao portão de entrada. Podemos controlar os formigueiros, mas ninguém se livra das formigas e as suas mordidas por todo o tempo. Elas se reorganizam e não se cansam de refazer o seu ofício. As formigas não conhecem o descanso e o lazer. Elas se mudaram e estão de casa nova. Mantemo-las afastadas da casa e essa é a minha obrigação; bons jardineiros controlam os formigueiros.

O jardim parecia enorme e repleto de aventuras para a exploradora de jardins chamada Maria.

O senhor João enfeitava o jardim se inspirando na alegria doce e terna de Maria. Os dois se divertiam: o primeiro porque sabia demais e era bondoso e, a segunda, porque nada adivinhava nesse jardim tão seu pertencente à sua casa e, tão estranho agora que o jardineiro cuidava dele.

De repente, o senhor João fica sério, um ar grave de quem avista uma tragédia.

Maria vê essa fisionomia que é igual a da sua mãe quando se zanga e resolve se calar. Na certa, ele dirá aquilo que o incomoda.

O senhor João diz com energia:

_Maria, veja isto!

A menina vê uma árvore nova próxima da casa e diz que é uma árvore bonita.

João protesta veemente:

_Maria, entenda a situação: esta árvore nasceu por entre as palmas que eu plantei para que nenhuma outra planta nascesse junto à casa de vocês. É uma árvore má, de índole péssima. Tu conhecias plantas más? Sabes tu o que ela, a árvore, pretende? Pois eu te digo! Ela pretende matar todas as palmas que eu plantei com a raiz e com a sombra que evitará que elas tomem a luz do dia. Depois de mortas as palmas, ela entrará na tua casa sem que ninguém o perceba, infiltrando-se na fundação e a encharcando. Ela apodrecerá a sua casa e a derrubará. Essa árvore é muito má. Embora prometa bondades, ela destrói. Ela faz maldades para o ser humano. As palmas são plantas protetoras das casas. Aprenda que plantas más não se apresentam como ervas daninhas, às vezes se apresentam como árvores belas e limpas. Eu não gosto de dar-te ordens, mas me vejo obrigado a fazê-lo. Esta árvore não presta. Fiques longe. Eu cuido do jardim e não sei que animal, ou planta, ou vento a trouxe até aqui. Árvores não nascem espontaneamente no meio das palmas e este é o perigo.

Maria pensou sobre o senhor João. Ele era um homem da inteira confiança da sua mãe e entrava na sua casa há anos a fim de cuidar do jardim. Era melhor obedecer e não se aproximar, nem mesmo com o jardineiro por perto.

João chama a mãe da Maria e pede para que ela saia com a criança. Ele precisava tirar aquela árvore dali e não colocaria a segurança da menina em risco. Depois, era triste para ele verificar a peçonha existente na natureza das coisas. Nem as plantas escapavam do mal, do vil, do que é tirano.

Assim foi feito. O jardim e o senhor João ficaram a sós. Quando elas voltaram, não tinha árvore nenhuma junto a casa. Assim o jardim foi limpo.

domingo, 15 de setembro de 2013

O Candidato/ Crônica de Supermercado

O Candidato / Crônica de Supermercado

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O eleitor não era eleitor e tinha cinco anos de idade. No entanto exclamou:

_Viva o Cacareco!

O pai mandou o menino ficar quieto.

_O Cacareco ou Qualquer Um!

O pai e o garoto sumiram corredor adentro. O pai distraiu o garoto, mas não brigou.

Para quem conhece a história Cacareco foi um rinoceronte do zoológico da cidade de São Paulo e ganhou cem mil votos na eleição para a Câmara de Vereadores daquela cidade. Foi a maior demonstração de voto de protesto vista no país.

Eu estava com pressa e não houve fila, mas a política deve ser motivo de conversa nas famílias. Com cinco anos, o menino não sabe exatamente o que disse. O pai saiu e entrou em outro corredor, provavelmente vazio.

De certa forma, foi bom ver o pai proteger o filho. Certamente, o arteiro era ele e o avô do garoto.

Eu, pessoalmente, esperarei a campanha e tentarei votar de acordo com aquilo que penso.

Foi um gesto mínimo, mas indicou que a campanha virá e que algumas pessoas escolherão “Qualquer Um”.

Eu nem sei se deveria escrever algo assim, eu não penso assim.

Mas não custa nada compartilhar e demonstrar que todos os candidatos deverão ter prática e habilidade com a política, ou, pelo menos, ter vontade de fazer algo pelo bem comum.

Sinal de que o povo pensa nas próximas eleições.

A vontade de votar foi demonstrada, mesmo que com a voz de avô, os braços para o alto e o pai segurando as mãos.

Conscientemente, compartilho.

sábado, 14 de setembro de 2013

Espremido Entre Esposa e Mãe

Espremido Entre Esposa e Mãe

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Gina comprou um vestido preto com rendas nos ombros, cujo comprimento era curto na frente num recorte oval fazendo com que o vestido tivesse o comprimento quase longo na parte de trás. O vestido era para as saídas com o seu marido, homem que gostava de sair para dançar e esticar a noite com a sua esposa. De tez morena clara, o vestido preto lhe caía bem, não ficava pálida e nem precisava exagerar na maquiagem, fato que acontece com mulheres muito claras quando usam o vestido na cor preta.

Waldir sentia-se feliz ao ver a mulher produzida para sair com ele. Casados há dois anos, o calor do namoro não desaparecera até então.

A mãe do Waldir oferecia o jantar para o casal todas as semanas.

Parece que filho e mãe gostavam dos mesmos dias para as saídas. Por mais que os dias dos jantares fossem alterados, era o dia de ele sair com a Gina para esticar a noite.

Passou um mês e a Gina não mudou o vestido para jantar na casa da sogra. Gina era econômica e o vestido era novo e conservado para as saídas com o marido.

Na quinta semana coincidente, na hora da louça, onde Gina lavava enquanto conversava com a sogra na cozinha, a sogra disse:

_Gina, eu estou contente que você e o Waldir se deem bem. Eu preciso te dizer que, no meu tempo, mulher que vestisse minissaia preta não prestava. Você sabe o que eu quero dizer e digo para o seu bem.

Gina ficou séria e a noite foi esticada em conversas sobre a mãe do Waldir.

A mãe dele, sem o saber, estragou o passeio. Ele sabia da mulher com quem tinha casado e sabia que era uma mulher de respeito.

Era uma situação que exigia a conversa entre mãe e filho, antes que a Gina se pronunciasse e dissesse que a sogra implicava com ela durante o jantar. Se ela, a esposa, fizesse isso, o pai dele iria tomar as dores da mãe e a situação seria bastante desagradável.

Antes da próxima semana e do próximo jantar ele precisaria se encontrar com a mãe, a sós, e pedir a ela para deixar que ele oferecesse o jantar na próxima semana.

O jantar da semana seguinte foi na casa dele e Gina estava com a roupa com a qual tinha ido ao trabalho.

Ainda assim, foi uma solução momentânea que não iria resolver a questão, mas ele descobriu em qual oportunidade ele poderia estar a sós com ela.

Na semana seguinte levou-a até a loja de armarinhos para comprarem alguns fios de bordado.

Quando a mãe entrou no seu carro, ele disse que precisava conversar com ela.

_Mãe, eu preciso te contar. A Gina ficou magoada com a observação que você fez a ela sobre a maneira dela se vestir. Você tem algo contra ela?

A mãe disse que nãotinha, até aquele mês no qual ela usou aquela roupa para ir jantar com ela.

_Meu filho, a sua mulher pediu aquela observação. Desde quando a gente usa vestido de renda para ir à casa da sogra. Ela usou aquela roupa o mês inteiro! Foi um comportamento estranho e você há de concordar comigo.

O filho disse que não foi um comportamento estranho, foi ele quem pediu a ela para colocar aquela roupa.

_Meu filho, você está se responsabilizando pela atitude da sua mulher. Você está certo do que você faz?

Ele disse que estava certo do que dizia e perguntou à mãe se ela estava contrariada com o casamento ou com alguma outra atitude dele ou da Gina para com ela.

_Não estou contrariada com nenhuma atitude de vocês. Ela é boa esposa e mantém você como deve ser mantido: feliz. O vestido pareceu-me uma provocação.

Ele argumentou e garantiu que não era provocação. Depois, disse:

_Mãe, vamos combinar antes sobre os dias da semana em que faremos os jantares? Eu e a Gina amamos aquelas comidas com tempero de mãe. A Gina também se esmera, mas nós compramos através do telefone, prático e gostoso, mas nada se compara com o sabor da sua comida.

A mãe concordou, ressabiada.

Chegou a sua casa e disse para a Gina que as saídas não mais seriam nos dias dos jantares com a mãe e o pai dele.

_Gina, estamos casados. Acho que está na hora de sabermos não compartilhar a nossa intimidade com os nossos pais. Peço que não se magoe com a minha mãe. Se, precisarmos de auxílio, conversaremos com eles, mas, a nossa intimidade, de agora em diante, é nossa. Acho que é assim que se constrói uma família.

Gina teve que aceitar a solução, mas perguntou a ele se ele queria que ela mudasse o comportamento em relação à mãe dela.

_Gosto da sua família tanto quanto da minha. Não posso pedir a você para mudar o seu comportamento com os seus, embora ache melhor que seja assim. A conversa que eu tive não foi agradável, foi necessária.

Gina ficou constrangida e na saída seguinte não colocou o vestido com rendas.

Foi mais uma noite de conversas. Waldir disse a ela para vestir-se do jeito que quisesse, ela ficava bonita naquele vestido, mas ela não se sentia bem dentro dele.

Voltaram para casa, cansados de tantas conversas.

Ao amanhecer o sol bateu na janela do quarto e a vida recomeçou em plenitude.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A Plástica / Crônica do Cotidiano

A Plástica / Crônica do Cotidiano

Uma amiga fez plástica. Está com quarenta e seis anos e, antes de adquirir novas rugas, alterou alguns detalhes seus. O nariz foi diminuído para corrigir um desvio do septo; a boca ganhou os lábios iguais ao de uma artista; os olhos sem marcas de expressão.

Em resumo: ela aparenta dez anos a menos e ficou mais bonita do que quando tinha os trinta e seis anos.

Encontrei-a e conversamos amenidades. Sem querer, contei do quanto gosto de certas atividades caseiras que me ocupam o tempo, mas disse também que preciso conversar com as amigas de vez em quando e que foi bom encontrá-la.

_Quando tiver vontade de conversar, ligue para mim. Estou me adaptando ao meu rosto jovem. Outro dia me disseram que pareço ser a irmã da minha filha e me senti esquisita.

Eu ouvi falar que algumas pessoas tinham problemas psicológicos depois da cirurgia plástica e, agora, surgiu-me a dúvida:

Eu não sei o que dizer para alguém que está com a aparência boa, muito além de elogiar a aparência e o médico que fez a cirurgia.

Eu não sou contra a cirurgia plástica. Ela precisava corrigir o problema do septo nasal e fez algumas modificações além do que seria preciso.

Os seguidores, que estão lendo o texto, por certo pressentem o meu estilo. Nem sempre estou engomada para realizar as minhas tarefas.

Sinceramente, eu não posso ajudá-la a se sentir melhor. Posso até, fazer uma oração para que ela se aceite nessa aparência mais jovem. Nada, além disso. Em todo o caso, disse a ela para me telefonar e anotei o número do telefone dela.

A dúvida é a seguinte: o que poderia eu fazer para que ela se sinta bem?

Nessas horas, eu fico com medo de dizer qualquer coisa. Eu não sei o que ela pensa e, mesmo que soubesse, não saberia a resposta correta.

Se fosse música, eu pesquisaria e responderia. Mas, ela precisa de auxílio especializado. Uma senhora belíssima, com dificuldades de auto-aceitação?

O melhor, para mim, é ficar nas atividades corriqueiras e ficar por aqui.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Décor

Décor

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Dia vivido décor

Sabe o dia, sabe-o inteiro,

Nasce surgido ao ror;

Lista o dia do sujeito.

 

Justo é o sonho de amor,

Lizt, Beethoven, Brejeiro;

Elo de abraço ao humor

Óbvio e assim satisfeito.

 

Seja lá como for,

Fronha no travesseiro,

Dorme de cobertor;

Dorme assim, desse jeito.