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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Coelha Oprimida , miniconto publicado.

Coelha Oprimida.

O líder dos macacos, Macaquildo, irritado com o desprezo com o qual a bela dona Coelha o tratava, ordenou à macacada que organizasse e executasse um plano para dar uma lição na moça. Esse plano havia de valorizar a figura do macaco e nada sutilmente culminar com o casamento do líder com a Coelha.

Os Coelhudos, parentes da Coelha, de repente espalhavam boatos dizendo que ela era esquisita, que tinha complexo de borboleta (pensava que podia voar), que estava deprimida com o fim do relacionamento com o macaco. Para eles unir a força de um líder à esperteza de um coelho, era tudo para se desejar.

A dona Coelha não está deprimida. Ela está cansada com as pressões da vida, os estressados que a rodeiam.

Os pássaros, que do alto observam tudo o que acontece na floresta, ouvem as lágrimas que rolam nas faces da dona Coelha. Eles descobrem todo o sofrimento dela e fazem canções. É ofício, uma obrigação, é o preço do sucesso e da audiência dos seus chilros.

As cobras fumantes (algum tempo atrás havia cobras fumantes nesse país) e não fumantes ouvem a nova canção dos pássaros e ficam indignados. Fazem uma reunião no covil e decidem ajudar a dona Coelha. Convidam a moça Coelha para passar uma temporada no capão da floresta.

Os ratos a seguem, sob o comando dos macacos, mas não se aproximam, afinal, as cobras comem os ratos. Eles voltam para a floresta e contam ao Macaquildo.

Os patos selvagens são informados através dos pássaros, do drama da dona Coelha e deliberam sobre a questão:

_Não admitimos uma coelha protegida por cobras. Fica acordado que, nós, que não somos predadores de coelhos, tomaremos conta dela.

A dona Coelha aceita a ajuda dos patos selvagens. Na confusão em que a meteram, os patos são menos perigosos que as cobras. Nesse instante, em que a dona Coelha percebe-se cercada por macacos, ratos, cobras e patos, em que o abatimento se faz presente em sua vida, do meio da floresta surge um ninho de coelhos. Eles a convidam para brincar de roda no dia seguinte. Ela os abraça, agradecida.

À noite a coruja pia forte e sinaliza a morte de alguém. As cobras e os patos escutam o pio.

Dona Coelha acorda alegre e corre para a roda dos seus amigos coelhos. A roda se faz, todos se dão as mãos. A roda gira e aos poucos afasta a dona Coelha do capão. Ela não percebe.

Quando, em rodopios, estão saindo do capão, dona Coelha cai no buraco do tatu. Os coelhos seguem rodando com tanta rapidez, que não percebem a ausência da dona Coelha.

O tatu, que está dentro do buraco, guia a dona Coelha de volta ao capão. As cobras a advertem:

_São coelhos da mesma espécie dos Coelhudos. Macacos me mordam se, eles não forem seus algozes.

A dona Coelha disse que percebeu a tocaia, mas a velocidade do giro da roda a prendia com tanta força, que ela não conseguia fugir. O buraco do tatu foi a sua salvação.

Os patos piscam e sorriem para as cobras. As cobras pedem aos pássaros que procurem coelhos de outra espécie que seja compatível com a dona Coelha. As cobras dizem aos patos:

_Se não encontrarmos bons coelhos, os macacos literalmente comem a Coelha.

Os patos concordam com as cobras e ordenam que a dona Coelha passe o dia descansando e comendo cenouras até que se sinta melhor. Nenhum deles ali é coelho, mas todos respeitam a dona Coelha e a querem bem viva.

Os pássaros conversam e conversam, procuram e procuram, e nada encontram.

A árvore de cacau escuta e um dos seus ramos sugere:

_Pássaros, por que vocês não colocam a dona Coelha junto com a turma de coelhos que fazem dos meus frutos amargos, o mais doce e encantado elixir da vida?

Os pássaros mal ouvem o que é dito e correm para darem essa alternativa às cobras e aos patos.

_Contra Coelhudos, coelhos dos deuses, dizem os patos.

_De acordo com os humanos, não se paga o mal com um bem? Perguntam-se as cobras.

Dona Coelha, hoje é uma empreendedora, faz sucesso e pode ignorar o ambiente opressivo de onde viera. Os patos selvagens e as cobras cuidam daquele lugar. O problema não é mais seu. Ela ainda procura os coelhos certos. Ou melhor, os coelhos bons a admiram. Ela é amada pelas suas conquistas.

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