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domingo, 30 de outubro de 2011

Réquiem

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Todas as flores são poucas

Quando, das vozes finitas,

Se ouvem somente as roucas

Falas de bocas contidas.

 

Todas as bruxas são loucas,

Quando se dizem queridas

Pelos seus voos em vassouras

Rotas, assim distorcidas.

 

Todas as lamas têm touças,

Todas as terras, guaridas

Dessas sedentas minhocas;

Húmus da terra às vidas.

 

Todos os sensos são lousas

Nesse cantar despedidas;

Odes às noites barrocas,

Ainda que ensine partitas.

sábado, 29 de outubro de 2011

A Queda

A Quedaclip_image002

Nelson, naquele dia, ligou para os amigos dos tempos de solteiro. Atento aos colegas escondia o celular com as mãos. Mesmo sabendo que todos eram discretos, estava apreensivo que alguém desconfiasse da saída.

_Ah! quanto tempo não nos encontramos. Vamos sair e tomar alguma coisa, a vida de casado não me impede que eu saia com os amigos.

Os colegas não interferiram.

Para que a mulher não desconfiasse de nada, passou no supermercado e comprou bolo, iogurte e vinho para tomarem quando chegasse a sua casa. Na medida em que comprava o bolo, sentia-se culpado e a sua ansiedade aumentava. Lembrou do churrasco na casa da sogra no final de semana e comprou a cerveja preferida da sogra.

Chegou ao lar, serviu o vinho para a Soraia, tomou banho e deitou-se com a esposa.

No dia seguinte perdeu a hora. A esposa desligou os telefones, enquanto ele se banhava, para que nada interferisse na noite romântica.

Acordaram às dez da manhã ignorando o mundo, que mudo, não incomodava, por enquanto.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Contentamento Concreto

Contentamento Concretoclip_image002

          

                 A rede

Tem sede                             C

              De gente

 

        Contente

Você              Alegre               O

        Não sente

 

A--------len

L---En--t                              N

N-------te

 

Premente

     Ur

     Gen                              T  

     Te

 

Que sente

O

Ventre                               E

Na

Mente

 

L-a                 e

L      -t-e-n-                        N

L                  t-e

 

I-n-v-e-n-t-e

        e

        ten                           T

        te    

 

Não Mente                             

E                                        E

Se---veem

De

F-r-e-n-t-e

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Coincidência

Coincidência

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Coincidência é uma estrela cadente

Que te leva a um lugar encantado

Num sorriso surpreso e contente

Ao sentir-se nas nuvens do acaso.

 

Sem espera acontece o repente,

No improviso sequer planejado

Por nenhuma das partes, ausente,

Dedicado ao momento ensinado.

 

E permite um desejo envolvente

E invisível, que muda o dourado

Nesse instante fugaz e inocente;

Desatino do tempo esmerado.

 

Que aconteçam mais vezes, à lente

Ressequida e dorida do enfado

A trazer a esperança indolente

E dispersa a sentar-se, ao seu lado.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Para o diabo, o problema é Deus – o bem vence

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Quando vidro é pra cegar,

Vem polícia a castigar.

Quando vidro faz comer,

Vem médico a socorrer.

Quando come é pra matar,

Não escapa do invejar.

Vinte anos a arrepender,

Sem poder se socorrer.

Mal feito é para pagar

Dentro em grades pra penar.

Quem mandou se convencer

Que o mal é o que faz vencer.

 

Tanta gente vive a amar

Nessa vida a festejar.

Vem do bem o seu querer,

Vive sério do afazer;

Vale e diz o seu pensar,

Leva o dia a se preocupar

Com a gente e o seu sofrer,

Sem do que ter que temer.

Sofre e sonha no seu andar,

Ri qual bobo a se educar,

Cresce em muito conhecer;

Faz de a vida um aprender.

 

Poema baseado numa máxima policial: Vidro mata, mas o bandido sempre é descoberto e paga pelo crime cometido.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A Estrangeira

A Estrangeira clip_image002

Ninguém quis conhecer Maria. Ela apareceu feita e pronta aos olhos de todos. De quem gostava e da rua onde brincava, restaram fotos de um lugar distante em outro país onde as crianças não mais se viram. Tinha correio, mas adulto leva carta de criança aos correios? As crianças crescidas ficaram com vagas lembranças de uma amizade que não frutificou, a distância separa os pensamentos e os sentimentos em formação.

No outro lugar, Maria morou por pouco tempo, depois se mudaria novamente e acumularia distâncias desconhecidas ao espírito.

Maria estava adulta e ninguém sabia dela. Às vezes, ela se sentia num interrogatório: _A que horas você se levanta? A que horas você se deita? Que livros você lê? Que músicas você escuta? Qual é o seu prato preferido?

Todos conheciam a Maria pelo nome e tentavam decifrá-la, como se fosse um código secreto, pelos hábitos da sua rotina. Maria sabia disso.

Maria precisava mudar esta situação, alguma pessoa nesse mundo haveria de conhecê-la. No entanto, não seria no mundo de perguntas e respostas; nesse mundo a vida não passa de um questionário.

Ela saiu do mundo de perguntas e respostas e entrou para o mundo dos que sentem. No mundo dos que sentem, ela ria, chorava, discutia, e provava comidas novas. O espírito com sabor de sobremesa com açúcar e com adoçante.

Até ali, ela não tinha a consciência do que era ser humano, ser humano era saber de uma pessoa através de uma lista de gostos e desgostos.

Maria não tem como contar o que sentia lavando os lençóis no tanque, mas conhece alguém que lava roupas no tanque. Maria não tem como dizer do dia em que comeu cebolas fritas e gostou de comê-las pela primeira vez na vida, mas tem um amigo que experimentou quiabo a semana passada e aprovou. Maria conta dos momentos que vivencia, sem se importar se foram bons ou entediantes; os maus momentos são iguais, então ela não conta deles. Sofrer sozinho é coisa que todo o mundo faz, difícil mesmo é compartilhar os outros momentos com o coração limpo que nem pano de prato branco.

Maria encontrou o seu jeito de se mostrar longe do mundo de perguntas e respostas, o mundo de compartilhar experiências, aprendizados nos gestos e gostos modificados ao longo da existência. Nesse mundo apareciam os afetos sumidos nos questionários de compatibilidades e aptidões personalizadas. Cabia a ela escolher o mundo no qual queria viver.

domingo, 23 de outubro de 2011

Cinzas do Vulcão Chileno Puyehue

     Começo o texto pela localização: image

     O Chile e o Equador são os dois países da América do Sul que não fazem fronteira com o Brasil. Estou em Curitiba, estado do Paraná, Brasil. A distância entre eu e o vulcão é de aproximadamente dois mil quilômetros.

     O vulcão entrou em erupção no dia 04/06/2011. Estamos no dia 23/10/2011.

     No começo da semana algumas cidades receberam cinzas do vulcão, Curitiba está entre essas cidades. Janelas, automóveis e roupas muito sujas de poeira.

     Penso: ainda bem que são cinzas! No tempo dos dinossauros e dos vulcões em plena atividade, as condições eram inóspitas. Penso em quantos desses animais tenham sido engolidos pelas cinzas de um vulcão, quando percebo que os ventos ainda trazem as cinzas para a cidade, mesmo depois de meses após a sua erupção.

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     As cinzas vieram pelos dias 18 e 19/10/2011. Às vezes a modernidade traz um certo conforto ao espírito.

sábado, 22 de outubro de 2011

Inverno

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As pantufas aquecem os pés num abraço

De tapete macio, que desfia num divã;

Nesse andar devagar e sem pressa, ao descaso

Descalço nesse amor à lareira pagã.

A nudez aquecida ao calor do embaraço,

Quando brilha à lareira, no sol da manhã,

Ilumina, mas gela e trepida no acaso

Do agasalho de braços cruzados na lã.

Um retiro composto à vontade dos tempos,

Prevenindo a nevasca ao distante rumar

Dos alísios, sedentos de impróprios assentos.

O calor que convença, ao correr nos cimentos,

Que o cercado de terra protege o luar

Da neblina, que a cobre de vestes e intentos.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Crônica Matemática

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Hoje me dei conta de quem ganhou com a greve dos Correios. Peguei a correspondência e verifiquei algumas faturas.

Quem muito ganhou financeiramente com a greve que se prolongou por quase um mês foram todas as companhias telefônicas e as de energia elétrica.

Imaginei quantas pessoas nesse país não têm computador com impressora e internet somando-se a todas as outras que não puderam ir até uma agência das casas lotéricas para retirarem as contas de telefone, somando-se àqueles boletos que não chegaram dentro do prazo e o consumidor terá que guardar o comprovante das prestações pagas por outros meios tais como o caixa da loja onde comprou a mercadoria no crediário.

Para fazer o cálculo, eu precisaria saber o montante das contas pagas com atraso e o valor dos juros que virão somente na próxima fatura.

E o Máximo Multiplicador Comum? Estou escrevendo e pensando no cálculo que eu não posso fazer por absoluta falta de dados concretos.

Os matemáticos que calculam as possibilidades entre o que as empresas deixaram de receber e o que receberão com juros acumulados a posterior poderão responder a estas indagações de quem chega ao fim de semana com uma chuva fina e mansa e se põe a pensar por pensar e deixa-se perdido aos números para descansar ao travesseiro...

Um bom final de semana a todos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Rola a Bola

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Se um foi e outro volta,

Ninguém está,

Ficando agora

Um só; o que dá

Força ao que joga.

 

Quem sai co’a bola,

Não sabe a má

Jogada que rola;

Ou corre cá,

Ou chuta a bola.

 

Quem volta cobra,

O passe que embola

Por três na sobra

De fora da área,

E empata o jogo.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Cavalo à Contragosto

Cavalo à Contragostoimage

Arlindo se considerava o tal, milionário desde criança, teve tudo o que queria. E, tendo tudo, tudo era pouco, faltava algo que o incomodava.

Para preencher essa necessidade, pois para ele o espírito não tinha necessidades, sempre tivera saúde, então se transformou num gozador. Do gozador ao debochado, não demorou muito, ele podia. Tinha muita gente aborrecida com ele, mas não queriam problemas e se calavam diante do poderio econômico do jovem.

Certa vez, o Manoel, da mercearia lhe disse:

_Meu rapaz, você teve tanta sorte na vida. Agradeça a vida que tem, pare com estas zombarias que machucam, magoam e criam problemas para você. Já vivi muito, enfrentei o frio, o infortúnio das perdas, até mesmo comer o pão que dá para comprar. Até hoje, e digo isso com certa amizade e boa vontade pela sua juventude, não vi estas brincadeiras de mau gosto, acabarem bem. Eu vi muito e peço que me ouça, não insista nestas tolices.

Arlindo respondeu ao Manoel:

_Ô homem, vê-se que é tolo e não sabe que ganha o mundo quem é arrojado, articulado e bem posto na vida como eu. Você tem muito que pastar para aprender a não ser quadrúpede e gostar da boa vida antes de segui-la.

Passam-se os anos. Arlindo se mostrando da maneira que queria e, sempre que encontrava o seu Manoel, homem feito de meia-idade, dizia:

_Olá, Manoel. Levando a vida medíocre de sempre? Se você gosta, é um prato cheio!

Ele ria às gargalhadas, achando-se muito engraçado.

Passa um tempo mais e o seu Manoel adoentou-se e faleceu.

Arlindo, sabendo da morte do seu Manoel, apronta uma piada com o homem. Usando de artifícios diversos, consegue se candidatar a prefeito usando o nome do seu Manoel.

Os conhecidos advertiram:

_O que é que você está fazendo? O seu Manoel está morto, o respeite.

Arlindo parecia rasgar nada ao que lhe diziam como se fossem cartas de baralhos velhos e marcados.

Quando os dados do candidato chegam para serem homologados, verifica-se que o seu Manoel não vota mais e que o concorrente é o Arlindo.

Arlindo não se dá por achado e diz que tudo não passou de um engano ocorrido na pequena cidade onde havia cadastrado o seu título de eleitor.

No entanto todos sabiam o que o Arlindo fazia e a candidatura não seria aceita sem as devidas restaurações. Arlindo começou a compreender o que Manoel dizia. Não bastava pedir desculpas, ele tinha que provar que não fez por mal.

A partir deste dia, Arlindo teria que conviver com Manoel até desfazer o engano. Naquele momento Arlindo se transformou no cavalo no qual o seu Manoel teria que cavalgar de onde estivesse, e a partir de então, reconhecer que a vida é mais do que se espera.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Horário de Verão

Horário de Verão

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Horário de verão,

Devolva-me à rotina

Dos versos, cerração

Dos olhos de menina.

 

E, nessa adaptação,

Que eu durma tranqüila

Num sono de canção,

E sonhe na cantiga


À noite, imensidão

Que adianta e descortina

A lua e o sol, junção

Dos astros nessa esquina.


Bocejo a vocação

Que o tempo determina,

Relógio da intenção

Do gasto de energia.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Leitura, Oração e Agradecimento

2º Mandamento: Honrar pai e mãe

Salmo 91 -1 “AQUELE que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará”

2 Reis 5. 9 – 11

Veio, pois, Naamã com os seus cavalos, e com o seu carro, e parou à porta da casa de Eliseu. Então Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vai, e lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será curada e ficarás purificado. Porém, Naamã muito se indignou, e se foi, dizendo: Eis que eu dizia comigo:Certamente ele sairá, por-se-á em pé, invocará o nome do SENHOR seu Deus, e passará a sua mão sobre o lugar, e restaurará o leproso.

João 14 2 Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar.

Jer. 17,7-8 Feliz de quem confia no Senhor e põe no Senhor a sua esperança...Em ano de estiagem não se inquieta, nem deixa de produzir sempre os seus frutos.

Mateus6: 19-21 “ Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu...Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.”

Graça Maravilhosa

domingo, 16 de outubro de 2011

Matéria Publicitária

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Dois homens negros, de corpo atlético adentram a linha turismo do litoral catarinense. O primeiro, com o cabelo rastafári em lidas tranças mínimas de dois centímetros cada uma, distantes uma da outra de maneira perfeita. O segundo, com o cabelo bem aparado, um ar de conquistador, mas bem mais sério que o primeiro.

Ambos trajavam roupas típicas da Oktoberfest de Blumenau, sapatos pretos, meias ¾ brancas, calças pretas de cetim e camisas brancas com mangas bufantes que realçavam o suspensório bordado. Cada um portava a sua caneca de chopp pendurada em um cordão prateado.

O de cabelo rastafári olhou para a moça no banco ao lado e piscou. O segundo cumprimentou a moça com um gesto de cabeça.

A moça não conhecia nenhum dos belos homens, mas sorriu e os cumprimentou.

O homem de cabelo rastafári e pulseira do Senhor do Bonfim, que estava sentado à janela, fechou a cortina. O que estava ao lado reclamou.

_Não quero que ninguém nos identifique, estamos à paisana.

O segundo homem concordou, colocando a caneca de chopp caído entre as pernas levemente abertas, como se dissesse ao amigo:

_Enquanto os outros tomam uma cerveja gelada, nós levamos uma mijada.

A moça observou os agentes, que dentro do ônibus, não escondiam a identidade e a missão secreta, estavam disfarçados nos trajes típicos para se misturarem à festa sem que fossem percebidos.

A moça, disfarçadamente, colocou a mão dentro da bolsa para pegar o celular e os fotografar na posição em que estavam.

O homem de cabelo rente olhou para as pernas da moça, lembrando que ela não estava lá como agente secreto e que a fotografia poderia complicar a vida dos três.

_Ninguém pode nos reconhecer. Sorriu para ela e piscou.

Chegou o ponto onde a moça deveria descer. Os dois homens sorriram para ela como quem diz:

_ Conte no Orkut esta história, mas sem fotos e sem diálogos. O segredo da nossa profissão é o nosso tormento.

Um belo sorriso marcou a despedida entre eles e ela.

Os. Essa é uma matéria publicitária que jamais pagará a diversão desses três.

Moral da História: Matéria publicitária paga não tem moral.

sábado, 15 de outubro de 2011

Mestre

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Ao mestre que passa conhecimento,

Ser grato por tudo o que determina

E avista no altar o merecimento;

Respeito de aluno ao estudo que anima

A escola, na lente que ama, é alimento.

 

Ao mestre que sofre num sofrimento

Normal desse estudo à disciplina,

Inúmeras vezes, no cumprimento

De plano das aulas, nessa rotina

Sem fim, um contento é o seu crescimento.

 

Ao fazer um breve agradecimento,

Intenta mostrar o quanto a doutrina

Compensa o saber no aprimoramento

Diário, que entende o ser que fascina

À luz ocultada ao comportamento.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Não

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Quem sabe dizer não, faz seu caminho

Conforme precisa, sofre e decide

A pauta completa, e sente o domínio.

 

Talvez, ao dizer, se faça um amigo

Das horas difíceis, tinta que imprime

O tato ao negar sem dor ou martírio.

 

Poder não querer a dor do desígnio

Com sorte e vontade, acalma. Persiste

Acesa a prudência, dona do ritmo.

 

O não necessário, dito sem limo,

Mas sério em respeito ao ouvinte, permite

Tomar posição e tirar um espinho.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Vestibular–Ficção Científica

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Joana lembra a história da bisavó, Teresa Piedosa, que veio para o Brasil depois da construção da imigração italiana ao Brasil. Famílias inteiras foram separadas em nome da fome. Na sua família haviam apenas mulheres e crianças quando tomou a decisão. Os homens tinham morrido em um acidente nas minas de carvão. Teresa era costureira e tinha um filho de dois anos chamado Tiago. Deixou a sua mãe, Alzira com 65 anos, e a sua irmã Luzia, de 35 anos, também costureira, na cidade de Torino. Largou o emprego na alfaiataria Belos. Pegou um navio sem se importar consigo mesma, se importava apenas com o filho Tiago.

Desembarcou no Rio de Janeiro em fevereiro de 1.895.

Um carregador de navios ajeitou a vida da moça de 27 anos e ela se empregou como lavadeira de um hotel, depois foi parar nas fazendas de café, em São Paulo. Carlo, um imigrante de Gênova, que a tratou com respeito durante a viagem, trabalhava na fazenda Girassol. Ele como lavrador, ela foi trabalhar como cozinheira da casa grande.

Enquanto Joana lembrava, os Cinzas, extraterrestres humanóides da cor cinza, em seu disco voador, assistiam tudo na tela de projeção de leitura de pensamentos, observava-se a expressão fisionômica de Joana, uma jovem de dezoito anos em fase pré-vestibular.

Amci2, o mais cinza e mais baixinho contava com 0,90 centímetros de altura, e que não sabia o que eram aquelas imagens, anotava todas as características desconhecidas sobre estes seres diferentes do que conhecia no planeta Ágape25. Chama Pzeg522:

_Observe, Pzeg522. Eles usam os olhos para se comunicarem qualquer espécie de emoção.

_O que são olhos?

_São essas formas ovaladas que parecem uma micro galáxia que ficam abaixo do occipital e acima dos orifícios aeróbicos.

Pzeg522, impressionado, colocou estes dados no seu PC para pesquisar mais tarde.

Neste estado que a abdução extraterrestre produz em humanos terráqueos, os pensamentos mudam como um devaneio; Joana começa a pensar nas baladas do fim de semana.

_Senhor Amci2, a tela mudou. O que é que vemos agora?

_Oras, Pzeg522, isto é uma simples sessão de barulho e reaperto. Eles chacoalham para verificar quais peças do organismo estão soltas e depois uns ajudam os outros a se reapertarem sob a luz pulsante. Para não ouvirem o barulho dos ossos se agrupando, eles colocam aquele som surdo e ritmado. Deve ser um anestésico.

Pzeg522 correu ao computador e digitou tudo o que havia ouvido, e pergunta:

_ Quando a devolveremos ao seu habitat?

_ É só esta noite Pzeg522, Amanhã ela acordará normalmente no seu ambiente natural, de onde a trouxemos.

Pzeg522 pensou, pensou e bolou um plano: ele colocou um teletransmissor no dente canino da moça e continuaria estudando a espécie humana.

No dia seguinte, Joana acordou bem, foi às aulas, tudo igual ao que sempre fazia nos seus dias. Porém, quando voltava para casa, no começo da noite, algo aconteceu. As luzes vermelhas dos semáforos a incomodavam. Tinha a estranha sensação, somente quando via o semáforo com o sinal vermelho, que um destes era animal e iria devorá-la. Chegou à sua casa e percebeu que as luzes amarelas das lâmpadas deixavam-na melhor.

Após alguns dias com esse mal estar, ela achou que estudava demais e saiu com os amigos para se distrair.

Enquanto isso, na nave dos cinzas, que por motivo de manutenção ainda estava na órbita terrestre, Pzeg 522 andava muito agitado, coisa que não era o seu costume. Preocupado com o tele- transmissor na criatura, ele não se concentrava em suas atividades.

Amci2 desconfiou do comportamento de colega. Os cinzas tem uma particularidade, eles não mentem. Se mentirem, a verdade aparece numa barra rolante na testa, não mentem porque não podem. Ele, então perguntou:

_ O que há de errado Pzeg522?

_ Você é doido, Pzeg522. Com aquele teletransmissor a criatura entrará em contato conosco cada vez que vir uma luz vermelha. A luz vermelha significa telefone, lembra?

_ Esqueci, vamos abduzi-la para a nave? Respondeu muito aborrecido e triste.

_ Se fizermos isso, ela ficará da cor cinza e quebraremos o regulamento das expedições. Não existe criatura humana da cor cinza e nós não modificamos a natureza de nenhum ser.

_ Mas, e se descermos a Terra?

_ Viramos Objeto de Experimento Cirúrgico.

Pzeg522 teve outra idéia. Enviaria a energia atrativa invertida com um pedaço de folha coletora de teletransmissores até o local que ela estivesse. O pedaço da folha chegaria até o dente canino esquerdo e traria de volta o objeto lá deixado.

_ Vamos tentar isto agora, respondeu Amci2.

Ligaram a tela do projetor. Aguardavam a hora em que a criatura estivesse parcialmente desativada, ou seja, dormindo.

Joana mostrava inconsciente a intensa atividade cerebral: português, Ronaldo, matemática, Ronaldo, história, Ronaldo, química, Ronaldo.

Para os cinzas, Joana estava com dificuldades no item Ronaldo. Enviaram a energia ovalada de cor prata brilhante. Com muito cuidado guiaram a forma energética até próximo a boca da criatura. Quando Joana, bocejou, sonhando, a forma aproximou o papel atrativo do seu canino e retirou o tele- transmissor.

_Sucesso, festejavam os cinzas.

Amci2, censurou Pzeg522:

_ Não faça mais isso, é perigoso. Ainda não se sabe que efeitos produzirão o contato dos nosso objetos com a atmosfera terrestre. Consulte o regulamento antes de qualquer procedimento.

Pzeg522 aceitou feliz a repreensão.

Joana acordou aliviada, se sentindo bem. Decidiu tirar um final de Sábado todas as semanas para passear e não surtar com tanto estudo.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A Grande Paixão - um texto reflexivo sobre a espiritualidade no contexto religioso de todas as crenças.

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A grande paixão não se escolhe, ela acontece. Você nasce com ela, é a única predestinação na qual aceito a espiritualidade com o seu conformismo, uma doutrina que eu critico bastante, embora acredite que outras pessoas vivenciaram de uma forma diferente da minha.

A minha espiritualidade está ligada a música, mesmo desconsiderando o fato de ter musicistas entre os antepassados.

Sempre que me convidaram para assistir músicos, eu aceitei o convite sem questionar. Assim assisti Lúcio Alves, Tito Madi e Adoniram Barbosa tocando com os Demônios da Garoa.

Espera um pouco: jovem precisa de música jovem! Então assisti Benito di Paula, Eliana Pittman, Gal Gosta, Rita Lee, Clara Nunes, Belchior, Clementina de Jesus, Cartola, Wanderléia, Roberto Carlos, João Bosco, Jorge Bem (depois ele mudou o nome) e, para não ser injusta paro por aqui.

Cresci e veio Legião Urbana, Exalta Samba, Só Para Contrariar, José Carreras, trio elétrico de Dodô e Osmar, Maestro Júlio Medaglia, maestro Georges Henry, Maestro Nicolau de Figueiredo e a Camerata Antíqua de Curitiba. E Freddy Cole cantava...

Criei vergonha e fui estudar música, música não tem idade. E, se não tem idade, coloquei Francisco Petrônio no meu rol de shows.

Fiquei elitista e assisti Caetano Veloso e Gilberto Gil, Elba Ramalho e Ivete Sangalo. Júlio Iglesias veio com o MERCOSUL, gostei.

O bom é que não conhecerei toda a música, mas conheci Armandinho, Pearl Jam e Evanescence (Amy Lee fez um solo ao piano de arrepiar).

Mesmo quando a poesia veio ao meu encontro, não veio sem música; veio com Arnaldo Antunes.

Esses encontros todos não foram planejados, foram predestinados, alguns eu nem imaginava que algum dia veria. Jimmy Cullum foi uma grata surpresa. Não cabem todos os shows nessa postagem, foram muitos e estão na minha biblioteca espiritual.

O mais interessante dessa vida musical foi o custo: a maioria dos espetáculos não custou mais do que R$10,00, um custo menor do que uma sessão de cinema. Alguns custaram R$25,00 com jantar incluído, foram de graça. Não houve um custo financeiro na apresentação de Carreras, um show comemorativo do aniversário da cidade de Curitiba e o ingresso foi um quilo de alimento não perecível.

Zé Rodrix e Francis Hime incluídos na edição, porque são inesquecíveis.

A literatura não exerce a mesma influência, é diferente, dificilmente falarei de amor. Porque amor e crença são naturais, estão dentro do ser. A música professa a fé que não se explica. Ou os leitores acreditam no que eu disse, ou, não acreditam. Isso é a fé, assim eu creio na Paixão e na libertação da maldade humana aqui nessa terra. O fenômeno é real, vivo e traz esperança aos homens de que a justiça prevalece, embora ainda vivamos com tantos sofrimentos.

Há coisas que não têm fundamento, a não ser pela fé. Acredito que cada ser seja uma partícula divina esperando para mostrar o seu melhor em vida, mas a crença é minha e respeito os amigos ateus e os tenho como amigos. Certa vez ouvi de um religioso, que há ateus que são homens santos porque procuram ser bons sem a dependência de Deus, nasceram com essa vocação e a vocação é divina. Segundo o raciocínio dele, Deus olha pelo bom ateu, e mais importante é que Ele goste de nós; portanto não nos preocupemos com os outros e sim em agradar ao Mestre com os nossos pensamentos, palavras e ações.

Música é religiosidade sob o meu ponto de vista e de acordo com a minha experiência. Cada um de nós tem a sua experiência religiosa, provavelmente diferente da minha, para que a Sua existência se mantenha pura nos corações dos homens.

Presente do Luks Vieira

Leituras Sem Compromisso

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1º Jesus Cristo e a família

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2º Copo de Leite

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3º INTERNET

4º Música

5º  Livros

6º Flores

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7º Amigos

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8º Pizza

9º Blogar

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10º Diversificar a temática dos temas postados (uma tremenda mão-de-obra)

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- Colocar o link de quem te enviou
- Postar 10 fotos das coisas que mais ama
- E passar para 10 blogs amigos.

O link do Luks Vieira: http://www.leiturassemcompromisso.com/

Os 10 blogs:

André: http://mesdre.blogspot.com/

Amapola: http://mariamapola.blogspot.com/

Ana: http://odeclinardosonhos.blogspot.com/

Ivone: http://henristo.blogspot.com/

Célia: http://celiarangel.blogspot.com/

Patrícia: http://seiquedeusexiste.blogspot.com/

Lourdes: http://oacor.blogspot.com/

Sol: http: http://siropedemaria.blogspot.com/

Marisa: http://marysdiaries.blogspot.com/

Monja da Clausura: http://estoyatuladosorcecilia.blogspot.com/

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Partam-se os Raios–Sobre a chuva de ontem

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Triste chuva que alaga

Ruas, casas e bairros.

Quando a seca é ressaca

De ano inteiro em soslaios.

 

Chuva d’água que amarga

Essa espera dos bravos

Homens de bem, e agrava

Esse lodo de charcos.

 

Chuva assim não tem graça,

Molha o sonho nos passos

Dúbios. Partam-se os raios

Nessa esquina sem calços.

 

Dobra o sonho à vidraça,

Anda e cobra a sua Argos;

Clama à cena que passa,

Diga a voz sem ensaios.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Varredura de Camila

Varredura de Camila

As famosas mesas do vale Monument, Utah.Camila levanta cedo e vai trabalhar. O trabalho é de varredora de rua, com o salário ela se vira e paga as despesas do mês. Era recepcionista, mas perdeu o emprego. Quando ela concluiu o curso técnico de secretariado, não tinha a idéia de que os varredores de rua ganhavam um salário maior.

No começo ela cansava muito, mas com as conversas da colega Aurora, o tempo trazia a prática e o condicionamento físico ideais.

Aurora, embora menos instruída, recebeu a nova colega com ares de proteção, com disposição de ajudar a colega.

_Camila, quantos anos você tem?

_Vinte e cinco anos.

_Você tem filhos?

_Não, quero estudar mais antes de ter filhos.

Essa foi a resposta exata para que Aurora falasse de si, como se aconselhasse a outra.

_Camila, eu não estudei, eu vim da roça. Quando eu comecei, não precisei do estudo e do teste para entrar na limpeza. Eu trouxe alguns costumes que me foram retirados. Eu usava vestido por cima das calças e lenço na cabeça para proteger-me do sol. Hoje usamos este uniforme ajeitado, cabelos presos e boné; temos até capa de chuva. Se você ficar aqui por algum tempo, eles mudam você também. Mas mudam por fora, por dentro não muda.

Camila sugeriu que ela contasse da família, perguntando se tinha filhos e Aurora continuou:

_Tenho. Moramos em uma casa de quarto, sala e cozinha. Dividi o quarto em dois com uma cortina. Eu durmo com a minha filha e os meninos dormem do outro lado.

Camila, ouvinte atenta, pensou em amenizar a conversa e disse um chiste, desses que só se permitem entre iguais:

_ E quando as crianças brigam, como é que você faz para acalmar?

_Eles sabem que se brigarem, irão se aborrecer muito mais do que se conversarem. Quem leva a comida para a casa sou eu e eles terão que almoçar juntos e viver sob o mesmo teto. Eles têm que saber que têm mãe e que a mãe deles ficará muito triste se algum deles sair de casa; é muito fácil a criança se perder e arranjar má companhia quando abandona a mãe, mesmo que essa mãe seja como eu, pobre. Comigo eles podem ter futuro e sem mim, o futuro deles sequer existiria.

Assim varriam as ruas, Camila e Aurora conversando.

Aurora tinha quarenta e sete anos e alguma experiência de vida. Informava-se sobre vagas de recepcionista, salário e aguardava o momento propício de dizer o que causava todo esse dó de Camila.

Um dia, um morador jogou fora o jornal do dia anterior na cesta, cansado de notícia ruim. Aurora pegou o jornal. Chegou o dia esperado:

_Camila, hoje eu quero conversar com você. Pegue o jornal e corra para arrumar uma vaga de recepcionista. Eu não sei das suas decepções, mas você consegue mais do que eu. Eu não posso arriscar colocando em risco a comida da mesa, eu não tenho estudo. Você pode. A juventude passa e a disposição também. Você me daria essa alegria?

A moça perguntou se ela tinha feito algo errado e Aurora disse que não havia nada mais triste que jovem sem esperança, sem vontade de crescer, pensando que a vida era do jeito que era. Ela tinha vindo da roça porque havia casado e o marido veio para a cidade, na cidade andou em más companhias e a deixou por outra mulher. Ela tinha vivido da melhor maneira que pode, mas via em Camila uma acomodação, uma vontade não feita, um peso desnecessário carregado por vontade.

Ela varria na Lapa, subúrbio boêmio do Rio de Janeiro. Via todo o público que freqüentava as suas ruas. Gente ruidosa aquela: as moças da noite, de manhã estavam um retrato de ressaca com a maquiagem borrada. Chorou de rir ao ver aquela dama de casaco de peles entreaberto com um botão aberto que mostrava parte da roupa de baixo de renda lilás. Percebia que os boêmios, apesar daquela cor branca amarelada da noite estavam em dia e com o sapato branco, zombeteiros e contando as vantagens que os homens contam em suas rodas de conversas. Muita gente que trabalha passa por lá cedinho, Mães levando crianças para a escola e estudantes adolescentes e estudiosos. Chegava até a fazer anotações comportamentais e analisar o porquê dessas figuras humanas estereotipadas. A Lapa é um clichê, pensava ela dentro do seu macacão de uniforme da empresa.

Ela não acreditou, achou que fosse mais uma piada de carioca, mas à tardinha ela foi comunicada sobre o novo número de caminhão de limpeza no qual embarcaria na semana seguinte para trabalhar.

Passaram-se quinze dias e de repente, como um vento de inverno, ela se sentiu uma excluída da sorte. Aquela gente limpa e elegante agia como se ela não existisse. Quando precisavam de algum favor, dirigiam-lhe a palavra, do contrário a olhavam com hierarquia e outras vezes com pena. A mudança de ambiente era deprimente. Nunca imaginou que houvesse gente com esse comportamento no Rio de Janeiro.

Camila não precisava da pena de ninguém, ganhava o seu dinheiro honestamente e um dia, dependendo da sorte, quem sabe ainda exerceria outras funções. Quatro meses na Barra e sentia o peso do mundo sobre as suas costas.

Precisava de algo para superar as dificuldades emocionais que enfrentava naquele momento.

Há algum tempo pensava em virar tudo e começar tudo de novo, mas se sentia bem e ficou com preguiça.

Era o momento de virar o jogo e permitir-se ouvir a voz da Aurora.

domingo, 9 de outubro de 2011

Perseverança

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Persevera no intento à novidade,

Com a força que acalma e constrói

E o mantém na bendita liberdade.

 

Um ser livre que serve é majestade,

De querer e mandar; e não faz molde,

Ou, parece um fantoche da ansiedade.

 

Quem deseja alcançar o fim da tarde,

Disciplina o mormaço a que recorre,

Sabedor de buscar felicidade.

sábado, 8 de outubro de 2011

Trovas de Primavera

Trovas de Primavera

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Margarida, minha vida,

Que alegria te ver florir;

Primavera colorida,

Que de flores faz sorrir.

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Nesse bem e mal-me-quer

Gasta a moça a desfolhar;

Sorte tem nesse querer,

Dona rosa a se engomar.

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O jardim está florido,

Bem tratado com carinho;

Quem se cuida do dorido

Vê sorrisos no caminho.

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Chuva cai nessa vidraça,

Mas é chuva de verão;

Pois na vida encontra a graça

Quem amar seu coração.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sincronizando textos: A Não Literalidade

A Não Literalidade

Bom é ler à vontade, sem se preocupar a quem o texto se refere, a menos que exista uma homenagem ou citação.

Os contos, os poemas e as crônicas nem sempre são baseadas em fatos reais. É preciso entender que quem escreve, ou seja, o autor metaforiza os fatos, o cotidiano ou se inspira em revistas, até mesmo naquelas que foram extintas, como a Grande Hotel e as suas fotonovelas bastante lidas.

O leitor procura a biografia do autor, e às vezes descobre uma ínfima parte de uma revista lida às pressas no salão de cabeleireira, antes de lavar a cabeça para depois pentear com o esmero da profissional.

Aprender a ler, a se instruir sem querer, pode se tornar um compromisso do leitor a se deparar com um texto ou um poema. No entanto, deve exigir que, se por ventura, fatos históricos sejam citados, mantenham um comprometimento com a realidade incluindo-se as datas, locais, frases e atitudes, sem intervenções do autor.

Exemplo:

Aviso

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A Polis avisou da malandragem

À jovem empresária descuidada,

A moça preferiu contar co’a imagem

E joga com a malha na empreitada.

A Polis se preocupa, e uma mensagem

Envia, diz e reclama em disparada,

Mas ela diz que sabem o que fazem;

Investem numa venda conjugada.

A Polis não deseja essa roupagem

Moderna, porque já a possui na taxa

Perfeita que vai à esteira de rolagem

Em rodas, devagar abalizada.

O sócio é conhecido, sem bagagem

Moral, o investimento para nada

Será. Essa decepção vem da miragem

Que agora ele te inventa, ilusão exata.

Um poema que me ocorreu do nada. Deixá-lo-ia de escrever, por ser uma invenção repleta de metáforas? Não! A imaginação (inspiração a quem preferir), quando pede passagem na escrita, deixa-se solta e, enquanto se escreve, aguarda-se o momento de revisar a fim de que convença o leitor da sua possibilidade real.

Quando um ator, atriz, convence o expectador, ele tem talento. O escritor quando emociona o leitor, conseguiu ganhar o seu intento.

Quantas histórias foram contadas em versos através dos tempos. Hoje, em desuso, mas a inspiração é latente e quem sabe, voltemos há apreciar algum dia.

Aviso

Aviso

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A Polis avisou da malandragem

À jovem empresária descuidada,

A moça preferiu contar co’a imagem

E joga com a malha na empreitada.

 

A Polis se preocupa, e uma mensagem

Envia, diz e reclama em disparada,

Mas ela diz que sabem o que fazem;

Investem numa venda conjugada.

 

A Polis não deseja essa roupagem

Moderna, porque já a possui na taxa

Perfeita que vai à esteira de rolagem

Em rodas, devagar abalizada.

 

O sócio é conhecido, sem bagagem

Moral, o investimento para nada

Será. Essa decepção vem da miragem

Que agora ele te inventa, ilusão exata.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A Mulher de César

A Mulher de César

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A mulher de César, quando se veste

Na impecável forma da discrição,

Enternece um povo que ao céu se aquece,

E demonstra em cores a submissão.

 

D’um augusto fardo que não se despe,

Indivíduo e fato na procissão

Contundente aos olhos, como uma prece

À cobiça breve dessa missão.

 

Soberano que ama, vê e se envaidece

Da mulher amiga, da devoção

Delicada desse amor alicerce,

Cultivado ao céu e a terra, em oração.

 

A nobreza casta retém e tece

Toda a gente, e segue alegre a nação

Que confia na esposa que se parece

Com o rei, e o conduz pela retidão.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Cirandas de Poesia

Ciranda da blogueira Simone Prado

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Se o amor eu pudesse encontrar...

O que é esse frescor na minha alma?

Mormaço e calor ao acordar,

Que aguarda um chilreio, que traz calma,

Que ri sem motivo, um vogar

Tranquilo, um sussurro da palma

De brisas gentis a enroscar

No encontro perfeito do lar.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Azulejos

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Um azulejo decorado

Que condiciona em um olhar

De procurar nesse quadrado

O sortilégio de sonhar

Todo o sentido ensimesmado

Nesse ladrilho, irá podar

Sua visão ao sentido dado

À somatória de provar.

 

Nesse sentir azulejado,

Das sensações de se açodar,

Na permanente busca ao lado

De alguns desenhos a jogar

Com a amplitude, o desejado

Desaparece sem dobrar,

E permanece em separado;

Eis a beleza a se formar.

sábado, 1 de outubro de 2011

Os Tempos Eram Assim

Os Tempos Eram Assimclip_image002

Estes dias de páginas em branco pensei em fazer um abaixo-assinado em homenagem ao estimado Stanislaw Ponte Preta e o FEBEAPA (Festival de Besteira que Assola o País) para que os que concordarem que o direito de dizer bobagens em rede nacional é nosso, dos escritores sem formação; ninguém melhor do que nós, que pouco ou quase nada sabemos, para dar opiniões sobre os fatos, somos opiniões pitorescas.

Não consigo sequer ligar a televisão na hora do almoço. Existe horário pior do que este para se falar em dieta? Eu com o meu prato de alface, arroz e frango e a nutricionista pensando no que eu deveria comer. Não ligo e pronto, o arroz é meu e a banana de sobremesa também. Como desabafo eu digo que não ligo para a turma que pergunta por que eu compro dois quilos de banana por semana. Ninguém tem nada a ver com isso!

Eu, criticar? Pensam que sou o quê? A minha opinião sumiu; aliás, não sumiu, está tomando chope com o amado Alzheimer, esqueci que não bebo.

Faço a crônica com pressa, tenho um milhão de coisas para fazer, entre elas, dormir oito horas, coisa que não fiz. Estava preocupada com esta página em branco.

Ah, lembrei que quero fazer uma crítica, mas sobre o quê? Ninguém presta a devida atenção em nada. São ouvidos moucos, óculos coloridos, meditações silenciosas, etc.

Um conhecido meu me chamou atenção e disse para que eu lesse os jornais e eu respondi para que, se engatamos em repetições. Ele me disse para ler qualquer coisa. Bom, isso eu já faço, embora os artigos de auto ajuda estejam cada vez melhores, menos para as mulheres de pouca fé e os seus percalços. Aí cabe um parêntesis, não sou eu quem diz, é Nostradamus. Dizem que é mensagem cifrada, mas eu não tenho vocação para decifrar códigos secretos, eu já me perco com códigos abertos como o Linux, imagine o secreto?!

Nesse período de páginas em branco não engordei e não emagreci, também não vi o que a nutricionista falou e a lingüiça calabresa não passou perto do meu prato, e eu gosto.

Falando em FEBEAPA, sirvo a primavera em uma deliciosa sobremesa leve para crianças e idosos, adultos também, por que não? Pena que não lembre do outro nome do Ponte Preta, é a memória e os seus problemas crônicos.

Torta levíssima de bananas (pode-se substituir por maçãs e damasco, foram as frutas que eu testei).

2 caixas de pó para pudim dietéticas, no sabor baunilha.

1 xícara de leite em pó desnatado

5 bananas

3 colheres de sopa de frutose (adoçante natural à venda no supermercado na seção diet).

½ xícara de água

Modo de Preparo

Prepara-se em uma panela a frutose com meia xícara de água até começar a dourar, colocam-se as bananas em rodelas até que elas dourem em caramelo.

Em uma leiteira coloca-se o pó para pudim e o leite conforme o indicado na embalagem e acrescenta-se uma xícara de leite em pó desnatado. Quando borbulhar, desligar e continuar mexendo por cinco minutos.

Montagem

Forra-se uma forma refratária média com metade do creme, adicionam-se as bananas carameladas e cobre-se com o creme. Se desejar, polvilhe canela em pó, não é obrigatório.

Coloque na geladeira e espere esfriar.

Os. Ninguém diz que é dietético e come-se sem culpa de estar de bem com a vida.