Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

domingo, 24 de junho de 2018

Ponto de Equilíbrio

Ponto de Equilíbrio


Se há algum melhor encontro
É com a sinceridade,
A palavra ponto a ponto
Busca a mais pura verdade,

E em si, é esse contexto pronto
De uma imutabilidade
Que não comporta pesponto.
Conta a singularidade


De não possuir contraponto
Na pausa d'uma humildade
A ressaltar esse ponto
De equilíbrio à causalidade. 

sábado, 23 de junho de 2018

Essa história... Miniconto


Essa história...

     Não é lenda do local e dos acontecimentos, são do jeito que são.
     _Que história é essa de não sair depois das cinco horas da tarde?
     São os bons conselhos daquele vilarejo. Ninguém sai depois das cinco horas da tarde sem que tenha automóvel e alguém da família fique olhando até que o familiar entre e feche o portão.
     É curioso, porque embora ninguém na região seja endinheirado, o perigo existe e assusta. Melhor é acordar às cinco horas da manhã e esperar o dia clarear para ir buscar o pão do café da manhã.
     _Não saia antes do dia clarear.
     O povo da localidade conta os casos de roubo de celulares e de limpa de objetos nas casas. Já houve até quem ficasse sob a mira de bandidos dentro de casa.
     Há anos que é assim. Olhando por este ponto de vista é impossível sentir saudades do lugar. O costume é tirar uma soneca durante o dia e cada um no seu horário para que todos os vizinhos acordem durante a noite e deem uma olhada na rua e na janela dos vizinhos para saberem que os outros estão bem.
     Não se sabe de onde aparecem os moleques que assustam a redondeza porque do bairro não são, mas existem.
     Parece que houve uma casa assaltada no início do ano e os ladrões fugiram em suas bicicletas, eram jovens. Conseguiram até mesmo filmar os bandidos, mas o boné tira a fotografia do rosto e eles são rápidos.
     O lugar era assim antes que os forasteiros chegassem.
     Causava medo quando os desavisados ignoravam os acontecimentos e saíam depois das cinco horas da tarde. Essa desobediência aos costumes do lugar, diziam alguns, trazia azar para a pessoa.
     Não era lenda, trazia mesmo. Todos os que não obedeciam essas regras conseguiam algum tipo de sofrimento.
     Os forasteiros estão surpresos com esses costumes, mas é assim já há algum tempo.
     Não se sabe quando foi que tudo mudou. O lugar era pacato e, nas noites quentes, costumava-se colocar as cadeiras no quintal ou na varanda, para quem as tivesse e levava-se também refrigerantes, rádios e livros, além de aproveitarem uma boa conversa com os vizinhos.
     Nas noites dos finais de semana, sexta-feira e sábado, era uma alegria no vilarejo, pois as crianças andavam em suas bicicletas, os jovens flertavam na praça e quem gostava de locais mais pesados, íam para a mesa de sinuca.
     Os forasteiros trouxeram com eles o silêncio e as poucas conversas e, pelo que contam, em nada mudou os costumes do lugar.
     Absurdo para eles, os forasteiros, mas para quem sabe dos costumes do lugar, sabe que tem que levantar à noite e dar uma espiada na rua.
     Até mesmo o horário de saída para trabalhar de cada um dos moradores é conhecido dos demais.
     Alguns levantam às três da manhã, ou alguém imagina que o pão fresquinho e crocante das sete da manhã amanhece feito?
     Outros chegam em casa por volta das onze horas da noite, são aqueles cujos familiares esperam até que o portão seja trancado.
     Todos têm os telefones de pelo menos quatro vizinhos, é para poder telefonar caso aconteça alguma coisa.
     Nos outros lugares a vida corre normalmente, mas ali parece que nunca mais será o mesmo lugar.
     Nunca se acusou ninguém da região porque uns conhecem os outros e os bandidos surgem do nada e somem do nada. Dizem que ficam rondando o lugar.
     Há mais de dez anos que é assim e as mães recolhem as crianças cedo e não deixam que brinquem no quintal à noite.
     Algumas famílias mudaram-se do lugar como foi o caso de uma mãe que viu a filha ser assaltada de dentro da janela da sua casa e ficou sem poder defender a moça que voltava do trabalho.
     Outras famílias pensaram em sair do local e desistiram, são idosos que não saem à noite, para os quais o período das sete da manhã até às cinco horas da tarde é suficiente para tratarem dos seus afazeres.
     Alguns filhos desses idosos ficam deveras preocupados com mães e pais, dirigindo-se até eles a qualquer hora do dia para atendê-los.
     Políca tem e câmeras de segurança também, mas a situação é difícil até mesmo para quem faz a segurança.
     A pergunta que se faz é onde é que esses bandidos se escondem porque ninguém consegue saber como é que desaparecem durante o dia e no final do dia retornam.
     Uma senhora foi aconselhada a não sair ao cair da tarde sozinha e nem chegar com parentes ao lugar de madrugada.
     Agora chegaram os forasteiros e perguntam que história é essa.
     Não é história, não tem nenhum bandido igual àqueles perigosos que aparecem na televisão.
     O mistério é esse. Não é ordem de ninguém e todo o lugarejo cumpre essas normas de segurança porque precisam morar naquele lugar.
     E tudo isso para que o lugar não pareça mal assombrado, se bem que agora podem colocar a culpa em algum bandido fantasma, pois a crendice e a lenda são conhecidas de longa data.
     Agora, se além desses misteriosos bandidos, aparecem assombrações, o lugarejo ficará inabitável.
     Cada lugar tem suas histórias e não se sabe quando é que um lugar começa a ser um mal lugar, mas todos desejam mesmo é permanecer em saúde e confiança em relação ao seu lugar.
     Absurda é essa história pela realidade com a qual se apresenta, mas não é para quem já se acostumou a ter que conviver com ela.
     Essa história não é história.          

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Subjetividade

Subjetividade


Subjetiva é a poesia
Quando diz a esse dia
Que está ainda a acontecer
Igual a ontem, a ser

Melhor do que previa,
Mas não diz a que dia,
E quer permanecer
Como alegria de ser

Dentro a alma que arrepia
Por ser mais que aletria,
Refeição de se ter;
Está a amadurecer. 

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Tempo e Espaço


Tempo e Espaço


Buscar sem saber
Do exato encontrar
É tatear sem ver
O que se irá achar,

E tudo a fazer
Está em continuar
Porque há algo a dizer,
Sem palavras ao ar,

Ainda a se tecer,
A verbalizar
Sem nenhum querer;
Há algo a se pensar.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Sutil Friagem

Sutil Friagem


Curta é essa caminhada,
Suficiente é o arejar,
Porque o amanhã é a invernada
De literal folhear.

Em lareira dourada
Nada há a desperdiçar
Perto às meias tricotadas
Feitas a agasalhar.

Parece exagerada,
É a umidade pelo ar
Sutil friagem, lufada
De vento ao se secar.

terça-feira, 19 de junho de 2018

Repórter Edson Prado Entrevista Vamp sem Lâmpada

Repórter Edson Prado Entrevista Vamp sem Lâmpada

     O blog chamou o repórter Edson Prado, agora trabalhando como free-lancer devido à diminuição do mercado editorial.
     O blog propôs a ele uma matéria sobre vampiros, tendo em vista que alguns colegas blogueiros insistem e, têm público certo, para os contos de terror.
     Edson disse que, para chamar atenção, fazer alguma mídia particular em cima da entrevista, ele iria entrevistar um vampiro num local sem lâmpadas.
     O blog, em princípio não concordou, afinal chamou o repórter para fazer uma matéria, mas não tinha a menor intenção de expor ninguém a qualquer risco que seja.
     Ele disse que sabia lidar com o assunto e tinha dentes de alho, apetrechos de prata e alguma segura confiança para entrevistar Vamp sem lâmpada.
     Segundo ele, Vamp é um codinome de vampiro, o qual ele não especificaria mais nada, para que Vamp dissesse o que quisesse, livre, leve e solto com os dentes de alho à mão.
     O blog, no caso a dona dele, eu mesma, pensou e decidiu permitir a entrevista.
     Passadas algumas noites, Edson Prado volta ao blog com a matéria, os dentes de alho e os apetrechos de prata.
     A primeira pergunta do blog a ele, foi exatamente essa:
     _Conseguiu fazer a entrevista sem levar nenhuma, bom, desculpem o termo, mas a pergunta foi direta: chupada?
     Ele garantiu que não e ainda mostrou o pescoço íntegro e sem marca nenhuma.
     _Como foi a entrevista?
     Ele disse que a entrevista foi ótima porque Vamp era o tipo de vampiro que deixa o sangue para o final. Ele primeiro tempera a alma antes de consumir, acha mais saboroso. Disse também que era sincero nas arguições porque singelezas não funcionam com vampiros, afinal eles são vampiros e não gente.
     _Que negócio é esse de temperar a alma?
     Ele conta que Vamp gosta de deixar a pessoa sem graça. Olha com olhar de contrariedade a qualquer objeto ou vestimenta, seja qual for.
     _Edson, por favor, exemplifique.
     Edson concordou e disse que se você usar roupa vermelha, ou é comunista ou partidária das coisas do demônio, se você usar amarelo e não for copa do mundo, resolveu ajudar a sinalização do trânsito, está com hepatite, ou fazendo campanha contra a febre amarela. Se você usar cor-de-rosa ou é infantil no sentido de deficiente ou se acha bonitinho ou bonitinha, enfim, de qualque maneira ele faz qualquer um se sentir ridículo.
     _E o que você disse?
     Ele comeu um dente de alho e não disse nada.
     Mas ele continuou o detalhamento da entrevista e perguntou o que Vamp fazia depois que conseguia deixar a pessoa sem graça.
     Vamp contou que, quando alguém se sente sem graça, ela procura melhorar e a ajuda.
     Interrompi e disse que era um absurdo, desde quando vampiro ajuda.
     Ele disse que Vamp ajuda a piorar a situação.
     _Como assim, perguntei.
     Ele disse que Vamp contou um caso em que a pessoa, no caso a vítima, se sentiu tão mal, que pensou em passar uns dias num local que desse posição social ao hóspede. Vamp arrumou um local de hospedagem num bairro nobre de uma grande cidade e a vítima, de tão aborrecida que estava consigo mesma, aceitou.
     _Vamp fez isso?
     Ele disse que Vampa ria soturna. Nesse lugar havia morcegos, mas era muito chique e elegante o local. Bastava que se cuidasse com os morcegos ao cair da tarde e aproveitar a temporada.
     A pessoa voltava pior do que estava antes de ir, se antes se sentia mal com o seu jeito de se comportar, agora tinha acrescentado alguma ansiedade e nervosismo com hora marcada.
     Eu sabia que a entrevista não era um bom assunto, mas apesar de estar aborrecida, pedi para que desse continuação.
     Ele perguntou à Vamp se havia mais algum tempero E o vampiro disse que agora era o momento de providenciar os elementos de bom gosto. Providenciava alguns telefonemas de boutiques que vendiam roupas discretas e consolava o mal estar dizendo que não havia nada que algo preto, bege e cinza não resolvessem. Se a vítima fosse mulher ele ainda aconselhava a fazer uma maquiagem supernatural preferindo a boca no tom bege-base.
     A essa altura, eu exclamei:Que horror!
     Edson disse que a ideia básica de Vamp era essa, um horror com final sangrento-chupado.
     _Ah, está bem, mas como é que o vampiro consegue isso.
     Edson disse que, aos poucos, a vítima fazia a vontade do vampiro, e mudava isso e aquilo para parecer melhor, mas o que acontecia era o inverso, a cada dia ela parecia mais abatida e fraca aos olhos de todos e criava em torno dela um ambiente triste.
     _Espera um pouco, disse eu. A vítima não percebe que está caindo nas mãos de Vamp.
     Ele disse que não percebia e se recusava a comer alho para se defender e era necessário que comesse alho, porque é o tempero que impede o vampiro de sugá-la até o final. Explicou que em determinados ambientes o alho é mal visto porque causa halitose e a vítima era inserida especialmente nesses ambientes.
     _Resuma, por favor, que eu não aguento mais essa história.
     Ele resumiu, dizendo que abatida pelo ânimo que adquirira, facilmente se deixava levar por pessoas sem escrúpulos e Vamp a dominava por completa, ou seja, unhas, cabelos, roupas, maquiagem até que por algum motivo, a pessoa desmaiasse. Vamp providenciaria o funeral.
     Perguntei se todas morriam:
     _Algumas se tornam vampiras.
     Agtadeci ao Edson e nunca mais quero saber desse assunto e até esqueci desses meus óculos chamados de "Elton John".
     Ele me deu um dente de alho e comi às pressas.     

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Serenidade

Serenidade


Serenidade, 
A saciedade
Que é definida
E acontecida

Como entidade
D'alma em verdade,
Quando expansiva
E subjetiva

De infinidade
E suavidade
Correlativa
Que se elucida.