Lugares Bonitos

Lugares Bonitos

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Laranja-limão

Laranja-limão

Muda a perspectiva
Conforme a estação,
E a alma sensitiva,

Significativa
Simplificação,
Tem cor inventiva;

Inventa um verão
Laranja-limão.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Sociologia de Supermercado / Crônica de Supermercado


Sociologia de Supermercado / Crônica de Supermercado

     Há uma leve alteração de comportamento entre as camadas sociais chamadas de baixa renda.
     Algumas observações pessoais minhas foram observações pessoais de outras senhoras e senhores.
     Descrevo a situação:
     O marido perguntou à mulher se ela não iria levar a caixa de leite com doze litros e ela disse que essa semana ao invés de comprar a caixa de leite ela iria comprar uma lata de leite em pó.
     Ele perguntou à ela:
     _Espere um pouco. E as crianças vão ficar sem leite essa semana?
     Ela respondeu que as crianças, essa semana vão ficar sem leite de caixa e sem achocolatado.
     Ele olhou assustado para ela.
     _O que é que está acontecendo? Se você quiser, eu pago a caixa de leite e o achocolatado.
     Ela disse que não. Para não zangar o marido, com muita educação, disse que não sabe por qual motivo a auxiliar deles, durante a semana, tomou a cada dia dois litros de leite e secou a lata de achocolatado. Como ela não sabe o que está acontecendo e, mesmo porque não tem queixas da moça, achou melhor que as crianças ficassem sem o costumeiro café da manhã, uma vez que ela substituiria o leite e o achocolatado  por leite em pó e cacau em pó para observar o que é que está acontecendo. Ela não quer reclamar da alimentação dela, mas algo está errado e ela precisa saber.
     Modéstia à parte, eu já consegui uma boa explicação.
     _Eu preciso saber como é que a senhora corrige os meus erros. Se eu achar algo errado com o jeito que a senhora cuida da casa, eu também falo.
     Isso tem origem provável nos novos líderes que chegam às camadas mais necessitadas com uma mensagem rápida. Elas estão aprendendo um novo comportamento e querem que as pessoas que disponibilizam serviços a elas saibam ficar atentas até mesmo para poder valorizá-las como funcionárias.
     Gostei de presenciar a constatar essa nova atitude que mostra uma tendência nova de comportamento.
     Dirigi-me ao caixa e, novamente, o comportamento diferenciado foi observado.
     Eram oito moças humildes e um jovem caixa.
     _Nós vamos fazer um "Luau". Vamos preparar bebidas, muitas bebidas, danças e você está convidado.
     O jovem, segundo ele mesmo, com dezessete anos de idade disse que ainda não tinha idade para beber e perguntou se teria churrasco.
     A resposta das meninas foi chocante:
     _Churrasco de homem. Deixaremos os homens em brasa.
     Eu estava no caixa e virei as costas para ela e disse:
     _Você ainda tem fígado, você tem muito para viver, pensa bem.
     Garotos bons são ingênuos.
     Ele olhou para elas de lado e disse:
     _Vocês vão fazer a festa num lugar onde o filho pede ajuda da mãe e ela não vai.
     As moças retrucaram:
     _Ah, vai muita gente. Na saída da chácara um faz companhia para o outro até o ponto de ônibus.
     Eu fiquei aborrecida ao presencia o tal de bullying para tentar o jovem a tudo que é mal para ele.
     Um senhor também começou a prestar atenção à conversa. Era funcionário do mercado e certamente comentará a situação ocorrida com o garoto.
     Eram oito moças, as quais considero de má conduta. Jovens imitando o lado errado de outras jovens, talvez bem nascidas, que colocam em risco os jovens de boa índole.
     Se imitam um mau comportamento porque desejam uma vida boa, estão se conduzindo a uma seleção natural, onde o mais forte sobrevive.
     Enquanto isso, no mundo há guerras, mesmo que surdas; há miséria; há a tristeza da falta de tudo pela qual os refugiados e os afligidos pelos desastres naturais atravessam.
     Cuidado com isso.    
     

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Absolutamente Diferente / Crônica do Cotidiano

Absolutamente Diferente / Crônica do Cotidiano

     Quando eu entrei na fila do caixa, a moça concluiu:
     _Aí eu fiquei com o gato.
     A caixa a olhava estupefata e eu olhei para as duas.
     _Posso lhe contar a história do gato?
     Imaginem a resposta, o sorriso e a expectativa para ouvir a história.
     Vamos a história à qual procuro ser fiel à narração:
     "Eu tenho duas gatas. Uma delas fica nervosa quando eu recebo visitas, é ciumenta. Essa gata praticamente não me deixa em paz enquanto eu recebo as visitas. A outra gata é muito braba. Por qualquer motivo ela arranha o sofá, briga com as cortinas, derruba os objetos de cima da mesa e, tudo isso porque é o jeito dela ser.
     Eu não queria mais nenhum animal de estimação em casa porque as duas gatas ocupam a casa inteira.
     Hoje, quando eu fui fazer algumas compras para deixar o jantar encaminhado, aconteceu algo diferente. Um bando de passarinhos atacava um gato e o bicavam impiedosamente. Eu espantei os passarinhos, peguei o gato no colo e andei algumas quadras pensando nas minhas gatas e procurei um bom lugar para deixar o gato.
     Numa praça , dessas praças pequenas, que existem nos bairros distantes, eu vi algumas crianças. Pensei que alguma delas possivelmente iria pegar o gato assim que eu o soltasse.
     O gato, no entanto correu para uma loja que fica no outro lado da praça. A dona da loja empurrou o gato pra fora da loja com os pés. Não pegou no colo e nem nada.
     Eu peguei o gato no colo novamente e saí dali.
     Andei mais algumas quadras para observar um lugar onde eu pudesse deixar o gato.
     Nesse meio tempo o celular tocou e eu coloquei o gato no chão para atender o telefone.
     O gato não saiu do meu lado e eu me sensibilizei.
     A lembrança das gatas me fez voltar à razão e eu andei mais um pouco.
     Vi que, numa rua, de todas as casas ouviam-se latidos e miados. Aí eu pensei que eu poderia deixar o gato ali e que logo ele arranjaria onde ficar.
     Soltei o gato no chão e ele, ao ouvir outros miados, miou também querendo se enturmar.
     Por um momento eu fiquei feliz.
     Ao ouvir o miado, apareceu um cachorro na rua e ele veio latindo e me pareceu que ele iria atacar o gato.
     Naquele instante tomei uma decisão. Olhei para o gato e disse:
     _Vamos para casa que agora você tem dona.
     É uma história difícil de acreditar, não é? Foi o que aconteceu. Ele já recebeu cuidados e ração.
     Eu estou surpresa por passar por tudo isso e por isso conto essa minha história."
     Eu não disse nada, fiquei boquiaberta com a narração.
     Em todo caso foi uma história interessante.

       

domingo, 19 de novembro de 2017

Luxo

Luxo

Para essas tardes quentes
Quero os cabelos soltos,
Dourados e revoltos,
Sem escovas presentes.

Pensamentos e pentes
Que modelem os outros
Semblantes nascedouros,
Sem enfeites pingentes

Que sejam consistentes.
São esses momentos, poucos,
Verdadeiros tesouros
Das almas transparentes.

sábado, 18 de novembro de 2017

Alento


Alento

Para entender,
Leva algum tempo;
Entendimento

De se mover
Um pensamento
De acendimento

Ao agradecer

À Deus, o alento.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Fluir

Fluir


A seguir
É a manhã
A luzir,

Que há de vir,
Sempre irmã
Ao existir.

Ao amanhã,

Deixe fluir.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

É Feio Morrer de Amor

É Feio Morrer de Amor

     Era moça solteira já passada da idade de namorar. Trabalhava, cozinhava e cuidava das ordens da casa. Também tinha como defeito um certo perfeccionismo que a tornava aborrecida à convivência social.
     Alguns parentes e amigas de trabalho a visitavam de quando em quando.
     Vivia sozinha e de certa forma, a impertinência dela a segurava de qualquer queixa.
     Um dia, durante uma visita, ela comentou que um parente estava a visitando e que ele era muito solícito e gentil.
     _O que é que ele quer aqui? Perguntou o seu irmão.
     Ele riu-se e desdenhou da pergunta, Disse que era uma boa conversa para alguém que passara a vida em trabalhos, pesquisas e cozinha.
     Passados dois meses, a visita familiar se repetiu.
     A conversa se repetiu.
     _O que é que ele quer aqui? É homem que conhece muito e vive em luxo.
     O desdém se repetiu.
     A família disse ao homem:
     _Deixa de se aborrecido, homem de Deus. Deixa que ela se distraia. Afinal, enquanto ela conversa com outras pessoas ela para de ser tão exigente com os outros.
     O assunto morreu por ali. Ninguém perguntou nada e ela não comentou nada mais.
     Passado um ano e meio, o homem recebe um telefonema:
     _Vocês precisam dar uma ajuda. Era uma amiga dela. Ela chora dia e noite de tristeza de nunca ter se casado.
     O homem, desconfiado, foi fazer-lhe uma visita.
     _Não, não tenho mais recebido visitas de ninguém. Ultimamente tenho me sentido sozinha. Mas estou bem, apenas preciso me distrair.
     A choradeira continuava. Ela se recusava a dizer que chorava.
     _Eu tenho um mal estar, isso passa. Eu te aconselho a cuidar de si e da sua família e dos vestidos que se usam na sua casa. Eu não gosto deles.
     _Não pergunte mais nada.
     A choradeira não passava. Dessa vez parecia saudosa. O pseudo-apaixonado a visitava quando ela melhorava de disposição e a mantinha apaixonada.
     _Não adianta dizer nada, disseram ao homem.
    Mas ele disse.
     Até que chegou o dia em que eles disseram coisas que não se devem dizer. Depois pediram desculpas.
     A moça estava desgostosa e doente; além de doente dizia que era melhor morrer, pois nunca havia se casado.
     O médico da família acabou por constatar que era o remédio que causava essa choradeira.
     Ela morreu. Chorava dia e noite no hospital.
     _Desculpem. Eu tenho essas coisas devido à doença.
     Morreu. Sem nunca ter viajado. Sem saber o que seria um banho de mar. Com vergonha de ser solteira.
     No velório riam-se entre si o visitante e mais alguns.
     O homem chegou ao velório e quis fazer uma oração.
     _Amado, que saudades! Se a sua irmã não tivesse morrido, não nos encontraríamos.
     É feio morrer de amor.