Crônicas de Rezar
1- Não é que conheci um idólatra...

Estava eu no caixa eletrônico quando alguém, que esperava a vez, na fila ao lado, comentou:
_Amigo, o seu dinheiro é sagrado? O meu é sagrado. Eu me ajoelho diante desta máquina para agradecer.
Ao ouvir esta frase me aproximei da máquina onde eu estava para tentar esconder a tela e aquilo que eu digitava. Mas o homem continuava:
_Quem criou o dinheiro? Se Deus criou o homem e ele inventou o dinheiro, o dinheiro é sagrado porque foi inventado por uma criatura criada por Deus.
O homem ao lado passou a não responder, emitindo sons como “hã e hum”. Eu estava desconfiada e nem olhei para os dois, embora achasse que o idólatra queria o dinheiro de quem estava fazendo o saque no caixa ao lado.
Não tirei um centavo para mim e fui tratando de parar com as operações. Sei que o homem entrou no caixa eletrônico e pediu ao outro que o esperasse.
_Deixe-me fazer a minha prece e vamos juntos.
O outro homem disse que estava com pressa, pediu desculpas quase entre dentes e saiu rapidamente do local.
Não sei se agi certo, mas baixei a cabeça e me retirei também tão rápido o quanto pude. Não queria conversa com nenhum estranho naquele lugar. Mas ouvi o monólogo entre o homem e a máquina:
_Você é tudo de sagrado que eu conheço...
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2 – Enquanto isto, a Boa Vontade

Irmãos, todos oramos e vigiamos porque o inimigo não descansa. Essa é uma história do Deus interior de cada um de nós. A mãe ora todos os dias para que os seus filhos sejam amigos entre eles, mas um dos seis irmãos, o menos culto, é alvo fácil de críticas porque não as consegue rebater com elegância e palavras sutis. Este filho, o Norberto, responde às críticas com expressões como:
“_Dane-se, não como na casa de ninguém, é gente que não tem o que fazer e tem o rei na barriga. Se cada um cuidasse da sua vida e não infernizasse a vida do outro o mundo seria melhor. O povo gosta é de fofoca, mesquinharia e se realiza mais vendo o outro aborrecido do que fazendo algo bom para ele. Se estas pessoas construíssem um brinquedo de papel e o dessem a uma criança que não conhece brinquedo, seria bom. Mas não, querem aporrinhar aquele que ao menos tenta fazer tudo certo.”
A mãe do Norberto sofre com estas críticas e cai em tristeza. Ela não tem condições de mudar toda a educação que deu ao filho, a mesma educação que fez do filho um homem de bem, que não passa necessidades, embora criticado pelo jeito tosco de ser. Esse é o jeito dele, aceito no ambiente dos caminhoneiros, cuja preocupação maior está na maneira de fazer o frete e ajudarem-se mutuamente durante as viagens.
Peço agora que prestem atenção na pergunta que vou lhes fazer: a quem o inimigo (os cristãos sabem o significado desta palavra) quer atingir? Norberto não para em casa, a atingida é a mãe dele. Essa é uma história de uma das nossas irmãs de igreja, que recebeu apoio das outras irmãs e que agora enfrenta os comentários dizendo aos críticos que eles não fizeram por merecer um filho como o Norberto. Ela o educou e ele é bom naquilo que faz e que ela tem orgulho do filho que tem, sem vícios e cumpridor dos seus deveres.
O inimigo é perigoso, ele fala de um, mas atinge o outro, a sua língua é de serpente. Contei essa história para que nós, cristãos, não sejamos ingênuos a ponto de dar ouvidos a tais histórias porque é a chance que o mal tem para entrar em nossas vidas. Amem irmãos.