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terça-feira, 6 de novembro de 2012

Superpoderes

Superpoderes

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Junia é avistada saindo do caminho da floresta por Elidia e Vanessa. Faltavam alguns passos quando a primeira a encontra e pergunta como ela está.

_Estou bem, mas a caminhada é feita de imprevistos.

Elidia pede que ela a escute antes de chegar ao lugar do pódio.

Junia concorda e para a fim de ouvir o que a antiga trilheira tinha a lhe dizer.

_Você percorreu toda a trilha com distinção, certamente seguirá com a sensação de paz dentro de você, mas não voltará a ser como era antes de percorrer este caminho. Este é um caminho com muitas dificuldades, cheio de arranhões de galhos e cipós, animais selvagens, lama, banhado e insetos. Ao chegar aqui, antes de terminar a caminhada, você está machucada. Eu sei por que também passei por este caminho. Logo, pois, você sentirá a sensação de paz, de conforto das feridas cicatrizadas, disso eu também sei. Sei também que pouco do que você era antes restará tendo em vista que a onça quase te devorou e alguma cobra você teve que vencer. Não sabemos no que você se transformou trilando este caminho. Poucos o trilham. A maioria das pessoas segue por desvios mais sossegados, não sei se elas estão melhores do que eu, mas eu quero que você fique bem, que você fique em paz porque a decisão de conhecer os caminhos do poder foi sua. Siga com calma até chegar ao lugar dos superpoderes, todos adquirem algum superpoder ao terminar esta trilha.

Ainda em caminhada, Junia agradece, mas quer continuar o caminho até o pódio que garante mais sabedoria de vida.

A outra deseja boa caminhada e se vai como se não estivesse estado ali.

No caminho se encontra com Vanessa, que, diferente da Elidia, ela a encontra com ar sociável e bem disposto.

_Junia, quem é você agora? Consegui o meu superpoder também, percorri a mesma trilha, veja que poucas pessoas percorrem esta trilha.

Junia percebeu que neste ponto as duas falavam a mesma linguagem: “poucas pessoas percorrem esta trilha”. Sorriu para a Vanessa e esperou para ouvir o que ela tinha a lhe dizer.

_Eu sei das unhas toscas quebradas ao meio para conseguir uma fruta, dos enxames das vespas e da fuga ao riacho para sobreviver. Neste caminho não há viva alma para ajudar. Se alguma de nós tivesse ajuda, não obteria superpoderes. Tenho medo desses superpoderes. Houve uma jovem que trilhou este caminho e conseguiu o superpoder da intriga; não preciso dizer que foi como vencer e jogar fora o prêmio. O dom da intriga foi retirado dela quando ela a usava para persuadir as suas conhecidas a trilharem este caminho. Sem dom ou vocação, as conhecidas dela foram retiradas e colocadas em lugares diferentes; elas não haviam escolhido este caminho dos superpoderes. Eu tenho uma ferida que não cicatrizou, e, quando te vejo, agora, terminando a trilha, a ferida abre, a dor chega a ser insuportável, a ponto mesmo de me obrigar a vir te ver para ver se me alivio do meu superpoder, que eu não te posso dizer assim como você não poderá dizer o seu a ninguém. Não existe poder sem solidão, eis a minha dor. Eu espero que te fira menos. Saiba que estará conosco, comigo e com a Elidia. Embora sendo mais nova que nós, nos conhecemos a alma.

Junia percebe que dentro em si será diferente; talvez essa tenha sido a mensagem das duas. Agora se prepara para aquilo no que se transformará, além de caminhar rumo ao pódio. Ao começar a trilha ela não sabia dos superpoderes, ou da transformação que a faria diferente, agora estava avisada e teria tempo de se preparar para a Junia superpoderosa e desconhecida de si mesma que nasceria dentro em breve.

5 comentários:

Filha do Rei disse...

As descobertas são preciosas. Parabéns pelo lindo conto. Bjs

Mona Lisa disse...

No percurso da vida sempre haverá lutas, tropeços, quedas e vitórias.

Belíssimo conto. Uma lição de vida!

Beijos.

Carlos Rímolo disse...


Querida amiga!!!

Passando aqui para deixar meu carinho e lhe
Presentear com o selinho “Este Blog. É Ouro”,
- Selo para os amigos- a ser retirado do meu Blog.
(Cortesia de: “Poesias do Poeta Cigano”.)
Beijos de luz !!!

POETA CIGANO – 08/11/2012

http://carlosrimolo.blogspot.com

aluap disse...

Yayá:
Adorei o conto. Gravei em especial aquela parte que fala que a maioria das pessoas segue por desvios mais sossegados e a dúvida se elas estão melhores de quem trilha outros caminhos e encontra imprevistos e muitas dificuldades.

Abraço.aluaP

La Gata Coqueta disse...



La armonía tiene música,
Que respira en cada flor,
Que vuela en cada amanecer,
Y que suspira en cada atardecer.

Gracias amig@ por volar a mi lado
Prestándome las alas del silencio…

Vivamos el fin de semana
Repleto de buenas intenciones…

Atte.
María Del Carmen