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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Solidão...uma poesia de preparação.

Solidão. Solidão, condição única, essencial do viver. Necessária e não elaborado por ninguém. Desejada e tão especial para alguns. Significa a dor do desterrado. Ocasião obrigatória, comum e usual no hospital. Ao escritor, um tempo esperado de prazer. Revisão do texto pontual, correção original do texto digitado. Sensação e reflexão do incondicional ao viajar, apreensão do tudo inesperado encontrar, esperança, plano intencional do viajante, opção de vida por um lado. Perdição no acaso do ser. Na vontade se desfaz, decisão de cada um. Decisão pessoal, a função do ser felicidade.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Moça Bonita. Tome cuidado.

Moça Bonita. Rosana era uma moça bonita, uma das poucas moças bonitas da cidade chamada Danação. Aos dezoito anos, após concluir o segundo grau, conseguiu o seu primeiro emprego como recepcionista de uma churrascaria rodízio. Atendia o telefone, encaminhava os fregueses da fila aos sábados e domingos para as mesas vagas, lavava pratos nos dias de semana para ganhar um troco a mais no final do mês e levava as roupas dos funcionários para lavar em casa totalizando uma quantia suficiente para passar o mês sem passar necessidade ou ter que pedir dinheiro à mãe, que era empregada doméstica, ou para o pai, que era pedreiro. Morava com eles, ajudava a pagar as contas e, com o dinheiro que sobrava para ela, se vestia e comprava algumas bijuterias e alguns cosméticos. Conseguia ainda guardar o troco na caderneta de poupança. Era tanto trabalho que ela não tinha tempo para fazer amigos, mas queria começar um futuro sem as privações que o seu pai e a sua mãe passavam de tempos em tempos quando não existiam serviços a serem feitos. Após cinco anos de esforço, ela parou de lavar as roupas dos funcionários em casa. Foi apelidada de mal-agradecida pelos colegas que disseram que eles deixavam que ela levasse as roupas para lavar em casa para ajudá-la, disseram também que ela era nova e precisava de um incentivo para apreciar o trabalho e não a vida fácil que as moças bonitas costumam levar. Ela relevou os comentários e se matriculou em um curso profissionalizante de secretariado. Um dos professores pensou que se a pressionasse, ela cederia aos seus encantos e, depois, ao encanto de outros homens, assim ela obteria prazer e dinheiro em pouco tempo. Ele era casado e enquanto a mulher trabalhava e os filhos estudavam, ele ensinava em aulas particulares a arte do prazer. Ela discordou, se zangou e não permitiu que ele tocasse no assunto novamente com ela. O professor revoltado fez piadas obscenas sobre a moça, que dizia ele, não tinha ambições na vida e iria acabar em algum convento depois do primeiro desencanto amoroso que tivesse. Ela ficou revoltada com a proposta e chorou de raiva, se queixou à mãe, mas estudou e conseguiu o certificado do curso de secretariado na mesma escola, sem se deixar levar pelas risadas diárias dos colegas que contavam as piadas que o pseudo mestre fazia sobre ela nas outras turmas de alunos, piadas que causaram a demissão do professor. Enfim conseguiu o emprego de secretária que tanto quis numa loja de roupas. A vida nova durou pouco, uma freguesa amiga dos donos da loja cismou que Rosana seria a mulher ideal para o seu filho homossexual rejeitado pelo marido. Pensava a freguesa que se casasse o filho, a vida dela estaria arrumada, sem problemas dentro da família. Fez a proposta para a moça, que se recusou a assumir tal papel. A freguesa acusou a moça de dizer grosserias quando não simpatizava com os fregueses. Os donos da loja pediram ao gerente que ficasse de olho na moça. O gerente, Geraldo começou a observar Rosana e comentava muito com a esposa, em casa, que era estranho o pedido dos donos da loja porque a moça se comportava conforme os padrões profissionais. A mulher do gerente, a dona Francisca, começou a ficar desconfiada de tantos comentários e elogios a respeito da funcionária e foi à loja, como quem não quer nada, comprar um sapato para dar ao marido no dia dos pais. Depois, disfarçando um interesse por outros produtos na loja, viu algumas roupas e conseguiu conhecer a moça. Rosana era alta, tinha uma pele aveludada e sem imperfeições, um rosto delicado e um corpo bem torneado, um sorriso bonito e gestos atenciosos ao se dirigir aos fregueses. Reparou também nas mãos ásperas e ressecadas que destoavam do conjunto, mas as unhas estavam bem cuidadas e pintadas. Diante de tantos atributos, ela não se conteve e perguntou à moça: _A fila tem andado muito? Rosana disse que se dependesse dela, não haveria fila dentro da loja. _E em casa, como é a fila na porta da sua casa? A moça ficou sem saber o que dizer, então disse que na sua casa não se vendia nada e não havia motivo para filas. A esposa do gerente, tomada pelo espírito do ciúme, saiu pensando que ali estava uma farsante e que, provavelmente com toda aquela beleza a lógica seria que ela tivesse muitos homens atrás de si para namorar. Rosana trabalhou tanto antes de ser secretária que não teve tempo para namorar. Agora saía um pouco para se distrair, ia até a confeitaria central aos sábados à tarde, conversava com outros fãs do pão de queijo com café, mas não tinha namorado, tinha apenas conhecidos. Passados seis meses no emprego, chegou um senhor muito elegante e perguntou a ela onde poderia fazer um lanche. Ela foi até a frente da loja para indicar o local e ele a puxou para perto de si encostando o seu corpo no dela convidando-a para algo mais à noite. Ela se odiou por ter acreditado naquele homem, mas adivinhou que na experiência de trabalho com o público isso poderia acontecer, cada um é diferente do outro e ela precisava se cuidar mais. No momento em que acontecia aquele fato desagradável, estava perto da loja o Ricardo, um conhecido, quase amigo, que ela esperava que um dia virasse namorado. Ricardo, inseguro com as mulheres e conhecedor do que se passava nos bares, na mesma hora a julgou e pensou que a Rosana era mais uma moça igual a tantas outras que não queriam nada de compromisso, só queriam se divertir. Rosana não o encontrou mais. Pressentiu que ele a evitava. Nesse ínterim, uma colega, a Silvana, convidou a Rosana para ser voluntária numa instituição de caridade no dia da folga semanal e ela aceitou, queria ser útil para os necessitados graciosamente, apenas por vontade. O que desejava mesmo era se distrair e esquecer daquele dia e não pensar mais no Ricardo. Ao visitar a instituição verificou que as voluntárias pareciam muito austeras e sérias, quase não sorriam e quem sabe o que se passava com a Silvana, que era afilhada de uma daquelas senhoras, quando a convidou para o voluntariado. Percebeu o quanto era bem-vinda no dia em que aquela senhora, a Ribalda, insinuou, com os olhos dela fixos nos seus, que o seu rosário de prata havia sido furtado por alguém. Ela nunca colocou a mão em nada que não fosse seu, mas era nova no lugar e as outras senhoras, em atitude solidária, começaram a esconder a bolsa em todas as situações que ela se aproximava delas. No momento em que percebeu o comentário e as atitudes descabidas, se desvinculou do voluntariado. A boa vontade durou exatamente um mês e quinze dias. Quando foi trabalhar, no dia seguinte da saída do trabalho de voluntária, a Silvana disse que estava muito magoada com ela. Se não quisesse que não aceitasse, mas aceitar e abandonar a causa da mesma maneira que entrou, a deixava em maus lençóis e tão cedo não poderia indicar ninguém porque tinha certeza, as senhoras não aceitariam. Ela mesma gostaria de ter abandonado aquele lugar e tinha pensado em deixar a amiga no seu lugar. Uma outra colega, a Fernanda, disse que ela não ligasse que o mal-estar por si só desapareceria. A Fernanda fez companhia durante um mês inteiro na hora do almoço. Chegou setembro de 2.005, um ano empregada na mesma loja, apesar dos pesares. Fernanda, agora sua amiga, a convida para sair no sábado, uma festa de amigos e ela aceita. Na festa, quando o relógio marca uma hora da madrugada, todos gritam que está na hora do pijama. Os convidados ficam nus e a orgia começa. Não que Rosana seja puritana, mas ficar vestida só com a bolsa pochete na frente de todo o mundo que está ali, ela não fica. Sai e corre antes de reparar na ausência das roupas nos convidados. Pega o ônibus direto para casa. Arrasada, não sai de casa até segunda-feira quando volta ao trabalho. Uma semana depois, no fim de semana, quando almoça com a mãe, esta lhe confidencia que uma amiga havia telefonado para dizer que viu Rosana entrar na festa e lhe perguntou se a moça estava bem. Rosana, frustrada com o ambiente de trabalho, ainda tenta desenvolver um bom relacionamento com as colegas casadas, mas elas tem tantas tarefas com fregueses, filhos, marido, mãe, sogra, cachorro e a casa para cuidar que não cabe mais gente nas suas vidas. Algumas comentam sobre o perigo que é levar gente estranha para casa e nisso até que Rosana concorda. As colegas casadas cortam o diálogo, afinal, ela já conta com vinte e sete anos e que procure amigas solteiras, para ela será mais divertido. Na terça-feira seguinte, Rosana se decide e marca uma hora na gerência da loja e pede para conversar com o dono da loja. O gerente ficou sem graça, meio que adivinhando o assunto, ela não se sentia bem trabalhando na loja. Conversou usando o tato que lhe era peculiar e convenceu o dono da loja a receber a moça. O dono da loja ouviu sobre o que se passou e propôs à funcionária: _Dona Rosana mude de área. Procure uma área onde a beleza ajude e não seja objeto de cobiça. Use a beleza a seu favor, escolha outro ambiente que seja tão sério como o nosso, mas que valorize a boa aparência e a faça progredir. Com todo o respeito que a senhora merece, diga-se de passagem, aqui a senhora está adquirindo estigmas e preconceitos que vão, com o passar do anos, bloquear a sua vida pessoal e profissional, o que não é justo. Eu não posso mudar todo um quadro de funcionários em função dos problemas de uma funcionária. A loja é o meu emprego, mas faço o seguinte: dou-lhe três meses de bonificação com um horário noturno de trabalho e a senhora se demite após esse período. Enquanto isso, procura uma nova colocação no mercado e por favor, não se prejudique para agradar os outros, isso baixa a sua auto-estima e a faz perder as boas oportunidades no mercado de trabalho. Rosana aceita a oferta. Se sente bem ao sair desempregada da loja. Respira o ar como se fosse um aroma de flores. Somente no final do terceiro mês após a saída definitiva da loja é que consegue uma vaga de secretária numa empresa de publicidade. Ao contrário do que acontecia antes, o novo gerente elogia a sua eficácia, a educação, e fornece não só para a Rosana, mas para todas as secretárias da empresa a maquiagem, os sapatos novos e as roupas da moda enviadas pelos clientes à empresa para mostrar a qualidade dos seus produtos que, após o teste, serão anunciados e colocados nas lojas. É uma maneira da empresa mostrar a cartela de clientes para os futuros novos clientes interessados em anúncios entenderem a dinâmica da empresa. O salário era um pouco menor que o anterior, mas era compensado com os outros benefícios. Trabalhava numa equipe de três mulheres, todas elas de boa aparência e com a idade entre vinte e cinco e vinte e oito anos. As três vão juntas para os eventos no automóvel da empresa e depois, se divertem juntas após os eventos. Rosana, pensa em fazer faculdade aos trinta anos, agora não quer. Precisa, antes de todas as outras coisas, aprender a gostar de trabalhar e a se divertir. Ela até aqui teve uma vida em prol da subsistência, do trabalho, da economia e dos estudos. Ela pensou muito e chegou à conclusão que a vida pessoal foi deixada de lado. Quantas mulheres com a sua idade já tinham filhos e ela nem tinha saído para um bom passeio. Refletia, e mesmo com medo de perder o juízo e esquecer o que já passou para chegar até aqui, ficou convencida de que precisava mudar algumas atitudes na vida. Não te intimide e vá à luta na busca do teu espaço e do teu querer, gritou o subconsciente de Rosana. Foi à luta com tanta vontade que, num descuido, não olhou para o pequeno degrau que estava na saída do local de eventos. Foi quando viu o Ricardo, que estava em companhia de um amigo, olhou para o lugar onde ele estava e caiu. Ela se traiu e caiu aos pés dele de joelhos. _Como vai? Faz tempo que eu não te vejo, disse ela ao rapaz, ainda de joelhos na frente dele. Ele a olha com curiosidade e diz que está bem. Oferece as mãos para ajudá-la a se levantar. Ela aceita. Conversam. O amigo Reinaldo, curioso, quer ouvir toda a conversa. Os dois observam e pensam que o problema é dele. As outras secretárias se aproximam para evitar constrangimentos para a empresa. Elas param e ficam prestando atenção na conversa. Os cinco esticam a noite e vão para um restaurante. Conversam muito, o tempo passa e eles continuam conversando. Passado e presente se confundem em tanta conversa. Uma das secretárias, a Renata, troca o seu número de telefone com o número de telefone do Reinaldo. A outra, a Ruth, começa a brincar com as pessoas sentadas em outra mesa, que são conhecidas suas. Rosana tem todo o tempo de mundo em suas mãos. Pelo menos até os trinta. Aos trinta dá para conciliar a faculdade, o trabalho e o Ricardo. Haja dedicação... Aos quarenta dá para comprar um imóvel financiado, viver com o dinheiro contado e ainda conversar com o Ricardo. Vale à pena. Aos cinqüenta ainda há tempo para o Ricardo lhe fazer uma surpresa. Que bom! Pelo resto da vida, seja o que Deus quiser, contanto que a conversa entre eles continue boa.