A Dívida
Toca o telefone:
_Eu preciso falar com a dona Cristina Borges. Aqui é da loja de departamentos.
Giovane responde que ali não existe nenhuma Cristina Borges. Repete o número do telefone e diz que esse número jamais fora trocado.
Na semana seguinte toca o telefone:
_Eu preciso falar com a dona Cristina Borges. Aqui é da loja de departamentos.
Giovane repete a resposta. Hoje tinha compromissos.
Quando volta ao apartamento, na portaria do edifício, recebe o recado do porteiro:
_A loja de departamentos ligou e pediu para a dona Cristina Borges, moradora do apartamento 710 pagar a dívida até o dia doze, senão o título será protestado.
Giovane fica aborrecida com a situação. Liga para a loja de departamentos e pede para falar com o setor de cobrança. Explica que quem mora naquele endereço é ela e não houve outra moradora até então. Pede ao serviço de cobranças que procure pela lista telefônica o número de telefone e endereço corretos da dona Cristina Borges.
Passam-se mais alguns dias e a vizinha vem conversar com ela. Pergunta se, por acaso, ela conhece alguém com o nome de Cristina Borges. Ela diz que não.
Passam-se dois meses e, depois de muitos telefonemas à vizinhança, os boatos começam. Giovane protege uma cliente que não paga as suas dívidas.
Giovane, constrangida com a situação, pede ao porteiro para contar a situação a quem mais vier pedir informações. Ela não sabe quem é Cristina Borges.
Passam-se dois meses e os boatos não param e, com nome de Giovane envolvido nos boatos, começam a dizer que Cristina Borges não existe e que a devedora é mesmo Cristina Borges.
Certo dia, já com os nervos à flor da pele, Giovane se queixa para a sua prima, contando o mal estar.
_Aguente a fama, querida. Você poderia ter evitado a situação cortando o assunto logo no primeiro telefonema.
Além de ganhar a fama de não pagar as suas contas, conseguiu a fama de não ter iniciativa, de não saber se defender, de não possuir autoestima.
Diante de tamanho esforço empreendido pela comunidade à sua volta, Giovane chegou á conclusão de alguém devia alguma coisa e a dívida era com ela. Precisava descobrir algo sobre Cristina Borges.
Foi até a loja de departamentos, fez compra e cartão da loja com o intuito de descobrir algo sobre Cristina Borges.
_Tempos atrás, o setor de cobrança da loja ligou para o meu número atrás de tal de Cristina Borges, o senhor pode verificar no computador se há outra pessoa que tenha fornecido o meu endereço e telefone.
O atendente verificou e conferiu que ninguém além dela estava localizado no mesmo endereço e telefone.
_O senhor pode verificar se essa tal de Cristina Borges existe. Eu tive muitos aborrecimentos em consequência de alguém que eu não sei se existe.
O atendente verificou:
_Sim, aqui está. Cristina Borges compareceu à loja na semana passada, pagou a dívida e atualizou o endereço.
Virou a tela do computador para que Giovane pudesse constatar que as informações sobre Cristina Borges estavam ali conforme ele disse.
A gerente, sentada numa mesa ao fundo, pergunta ao funcionário:
_Cristina Borges, de novo?
Giovane, ao ouvir a pergunta da gerente, pede um favor.
_A senhora conhece Cristina Borges? Conte-me sobre ela, mas, se a vir, peça, por favor, que tome cuidado na hora em que fornecer endereço e telefone. Eu ainda me incomodo com o engano dela.
A gerente se levanta e vem até o balcão para conversar com Giovane.
Após as apresentações de nomes e funções, diz sobre Cristina Borges.
_Cristina Borges é alguém que não pode ter dívidas. Sempre que temos problemas nas cobranças sorteamos alguém para ser Cristina Borges. A senhora nos desculpe pelo transtorno. Eu também não sabia que ele tinha voltado com a Cristina Borges. Não me pergunte que é ele. Pedirei que tome cuidado porque algum dia Cristina Borges será descoberta. O departamento de cobranças não fica nessa cidade e, para entrar com pedido de reclamação, a questão ficará muito cara. Eu tenho um pedido a fazer para a senhora: mantenha o cartão da loja ativo, parcele algo que não custe mais do que cinquenta reais e, em seis meses o assunto estará esquecido na sua vizinhança e em meio aos seus contatos. Infelizmente, além de comerciantes, sabemos criar boatos. Esse boato eu apago.
Giovane olhou para a loja de departamentos. Ainda não tinha dado o dinheiro para o pagamento da sua compra.
_Parcele no cartão da loja.
A gerente sorriu dizendo que todos os problemas estavam resolvidos.
Essas foram as calças jeans mais cara da sua vida.
Mas que grande confusão...
ResponderExcluirHavia necessidade?
QUEM CONTA UM CONTO, AUMENTA UM PONTO...
ResponderExcluirBeijo, Yaya.