Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

A Luz Enquanto Verdade

A Luz Enquanto Verdade


Quando uma história é séria,
Não muda e se repete,
Um ritmo não é pilhéria,
E o respeito é o tapete

Que discute a miséria,
E empresta o patinete:
Espírito e matéria
Formam um só verbete.

Jamais a despautéria
À luz que se compete,
Pode causar a impérvia,
Pois dela não carece.





quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Nesse Caso, Não É A Ingenuidade

Nesse Caso, Não É A Ingenuidade

     Clara Clarice faz coisas que ninguém faz.
     Pobre da moça do estacionamento:
     _Quem te sustenta sou eu que trago o meu carro para estacionar aqui. Se é de luxo, problema meu. É bom que você baixe a cabeça mesmo, do contrário, eu falo com o dono e te mando embora. Não duvide da minha influência npo seu emprego.
     Hoje é a segunda vez. O primeiro foi um homem, bem apanhado:
     _Doze reais de estacionamento? Um roubo. Mas eu posso, entendeu?
     Ela olhou para ele assustada.
     _Não me olhe com essa cara de assustada, que eu devia era esfregar uma nota de cem reais. Pelo menos para você ter a oportunidade de ver uma nota de cem reais uma vez na vida.
     Ela ficou séria.
     _Não me olhe com seriedade! A tua obrigação é calar a boca e me ouvir. Você é paga para isso! Escute, cale a boca e não faça cara nenhuma, porque do contrário eu digo que você afronta os fregueses do estacionamento.
     Clara Clarice ficou triste, mas continuou o dia no estacionamento.
     _Fica sentada o dia inteiro na folga? Na hora em que eu puder eu tiro essa sua folga de tratar com cliente bem de vida o dia inteiro. O que você pensa que é? 
     O sorriso de cordialidade é obrigação da função.
     O telefone toca.
     _Quer um carro novo?
     Ela diz que não e se despede.
     O telefone toca:
     _Tem seguro de vida?
     Ela diz que a empresa paga um seguro de vida para ela.
     O telefone toca:
     _Quem é o responsável pela linha telefônica?
     Ela diz que não é ela.
     Uma parente aparece no estacionamento para vê-la.
     _Como é que eu, que paguei o preço para ter tudo o que eu tenho, não tenho essa boa disposição com os meus clientes?
     Clara Clarice perde a paciência:
     _O preço que você pagou é o preço que você pagou. Ninguém tem que pagar o preço que você pagou para não ter o que você tem porque não quer ter o que você tem. Siga bem com o seu preço e as suas conquistas, os seus planos são seus e não meus. Porque, se você tivesse o que eu tenho, você teria que ter muita paciência. Mas algo eu posso te dizer: Não iria te procurar porque sofri uma frustração, eu me resolvo. Resolva-se e viva como quiser.
     A parente saiu aborrecida com a resposta.
     Dali a pouco, chega o chefe:
     _Clara Clarice, acabo de ser assaltado, tenho que dar queixa à poilícia, e você cuida de tudo enquanto eu estiver fora.
     _Deixa comigo, chefe.
     O dia acabou e Clara Clarice voltou para casa. Ao ir ao banheiro para lavar as mãos, ela se olha no espelho e diz para si mesma:
     _Por hoje acabou? O que está acontecendo? Será que eu não sei o que está acontecendo na cidade? Pensou em Erasmo Carlos, precisa lembrar que existe. 
        

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Tecido Próprio

Tecido Próprio


De novo, o frio,
Quieto e arredio,
Querendo rede


E algo macio
Longe ao arrepio,
Sem que segrede


Ao casario,


 À colcha e o suede.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Serafim de Bom Humor

Serafim de Bom Humor


Serafim enganou o diabo,
Que anda mais que o próprio rabo,
E mal não fez o voador,
Antes a tirou; cultor


Da fé aprazada aqui e à cabo
Contra os males que são o diabo.
Enganado, o causador
De grande e grave temor


Busca a falta com o rabo,
Busca a Serafim e ao quiabo,
Cão de dente rangedor,
 Algo assim constrangedor.


Serafim não fica brabo,
Engana com seu sucuabo;
Bem enganou o enganador,
E diverte o historiador.

domingo, 11 de agosto de 2019

Vestibular / Conto participante de Concurso Literário


Vestibular


Joana lembra a história da bisavó, Teresa Piedosa, que veio para o Brasil depois da construção da imigração italiana ao Brasil. Famílias inteiras foram separadas em nome da fome.  Na sua família haviam apenas mulheres e crianças quando tomou a decisão. Os homens tinham morrido em um acidente nas minas de carvão. Teresa era costureira e tinha um filho de dois anos chamado Tiago. Deixou a sua mãe, Alzira com 65 anos, e a sua irmã Luzia, de 35 anos, também costureira, na cidade de Torino. Largou o emprego na alfaiataria Belos. Pegou um navio sem se importar consigo mesma, se importava apenas com o filho Tiago.
Desembarcou no Rio de Janeiro em fevereiro de 1.895. 
 Um carregador de navios ajeitou a vida da moça de 27 anos e ela se empregou como lavadeira de um hotel, depois foi parar nas fazendas de café, em São Paulo. Carlo, um imigrante de Gênova, que a tratou com respeito durante a viagem, trabalhava na fazenda Girassol. Ele como lavrador, ela foi trabalhar como cozinheira da casa grande.
  Enquanto Joana lembrava, os Cinzas, extraterrestres humanóides da cor cinza, em seu disco voador, assistiam tudo na tela de projeção de leitura de pensamentos, observava-se a expressão fisionômica de Joana, uma jovem de dezoito anos em fase pré-vestibular.
  Amci2, o mais cinza e mais baixinho contava com 0,90 centímetros de altura, e que não sabia o que eram aquelas imagens, anotava todas as características desconhecidas sobre estes seres diferentes do que conhecia no planeta Ágape25. Chama Pzeg522:
  _Observe, Pzeg522. Eles usam os olhos para se comunicarem qualquer espécie de emoção.
  _O que são olhos?
  _São essas formas ovaladas que parecem uma micro galáxia que ficam abaixo do occipital e acima dos orifícios aeróbicos.
Pzeg522, impressionado, colocou estes dados no seu PC para pesquisar mais tarde.
  Neste estado que a abdução extraterrestre produz em humanos terráqueos, os pensamentos mudam como um devaneio; Joana começa a pensar nas baladas do fim de semana.
  _Senhor Amci2, a tela mudou. O que é que vemos agora?
  _Oras, Pzeg522, isto é uma simples sessão de barulho e reaperto. Eles chacoalham para verificar quais peças do organismo estão soltas e depois uns ajudam os outros a se reapertarem sob a luz pulsante. Para não ouvirem o barulho dos ossos se agrupando, eles colocam aquele som surdo e ritmado. Deve ser um anestésico.
  Pzeg522 correu ao computador e digitou tudo o que havia ouvido, e pergunta:
  _ Quando a devolveremos ao seu habitat?
  _ É só esta noite Pzeg522, Amanhã ela acordará normalmente no seu ambiente natural, de onde a trouxemos.
     Pzeg522 pensou, pensou e bolou um plano: ele colocou um teletransmissor no dente canino da moça e continuaria estudando a espécie humana.
     No dia seguinte, Joana acordou bem, foi às aulas, tudo igual ao que sempre fazia nos seus dias. Porém, quando voltava para casa, no começo da noite, algo aconteceu. As luzes vermelhas dos semáforos a incomodavam. Tinha a estranha sensação, somente quando via o semáforo com o sinal vermelho, que um destes era animal e iria devorá-la. Chegou à sua casa e percebeu que as luzes amarelas das lâmpadas deixavam-na melhor.
     Após alguns dias com esse mal estar, ela achou que estudava demais e saiu com os amigos para se distrair.
     Enquanto isso, na nave dos cinzas, que por motivo de manutenção ainda estava na órbita terrestre, Pzeg 522 andava muito agitado, coisa que não era o seu costume. Preocupado com o tele- transmissor na criatura, ele não se concentrava em suas atividades.
     Amci2 desconfiou do comportamento de colega. Os cinzas tem uma particularidade, eles não mentem. Se mentirem, a verdade aparece numa barra rolante na testa, não mentem porque não podem. Ele, então perguntou:
     _ O que há de errado Pzeg522?
     _ Você é doido, Pzeg522. Com aquele teletransmissor a criatura entrará em contato conosco cada vez que vir uma luz vermelha. A luz vermelha significa telefone, lembra?
     _ Esqueci, vamos abduzi-la para a nave? Respondeu muito aborrecido e triste.
     _ Se fizermos isso, ela ficará da cor cinza e quebraremos o regulamento das expedições. Não existe criatura humana da cor cinza e nós não modificamos a natureza de nenhum ser.
     _ Mas, e se descermos a Terra?
     _ Viramos Objeto de Experimento Cirúrgico.   
Pzeg522 teve outra idéia. Enviaria a energia atrativa invertida com um pedaço de folha coletora de teletransmissores até o local que ela estivesse. O pedaço da folha chegaria até o dente canino esquerdo e traria de volta o objeto lá deixado.
     _ Vamos tentar isto agora, respondeu Amci2.
     Ligaram a tela do projetor. Aguardavam a hora em que a criatura estivesse parcialmente desativada, ou seja, dormindo.
     Joana mostrava inconsciente a intensa atividade cerebral: português, Ronaldo, matemática, Ronaldo, história, Ronaldo, química, Ronaldo.
     Para os cinzas, Joana estava com dificuldades no item Ronaldo. Enviaram a energia ovalada de cor prata brilhante. Com muito cuidado guiaram a forma energética até próximo a boca da criatura. Quando Joana, bocejou, sonhando, a forma aproximou o papel atrativo do seu canino e retirou o tele- transmissor.
     _Sucesso, festejavam os cinzas.
     Amci2, censurou Pzeg522:
     _ Não faça mais isso, é perigoso. Ainda não se sabe que efeitos produzirão o contato dos nosso objetos com a atmosfera terrestre. Consulte o regulamento antes de qualquer procedimento.
     Pzeg522 aceitou feliz a repreensão.
     Joana acordou aliviada, se sentindo bem. Decidiu tirar um final de Sábado todas as semanas para passear e não surtar com tanto estudo.    

  




sábado, 10 de agosto de 2019

Tagarela




Tagarela


Da janela
Passarinho
Feito ninho,
Arandela


D'uma tela,
Onde alinho
E sublinho
Quem me vela;


Olhadela
Que adivinho
Num cantinho
Tagarela.



sexta-feira, 9 de agosto de 2019

A Releitura

A Releitura


Um texto tem mil faces,
Novo é o poeta e o escrito
Quando vêm novas fases,
Porque o texto é irrestrito,

E questiona os impasses
À luz de um contradito.
Existem muitos quases
Ao que vive descrito

Em seus muitos enlaces;
Além do que é transcrito,
Estão todas as frases
Com sentido não dito.