Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

À Parte

À Parte

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Espera-se a vaga vogar,

Gigante murmúrio a ondular

Que veio inesperado e se espraiou

 

Na areia, que cansou de esperar,

A chuva, e deixou-se inundar;

E, ao gesto do mar se espelhou,

 

Mas viu-se à parte nesse mar.

 

A sorte é do tempo e, esse, voou.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

A Reforma / Crônica de Supermercado

A Reforma / Crônica de Supermercado

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Hoje tinha degustação de café no supermercado, esperei o café.

Nessa fila muito agradável havia um senhor de certa idade contando como reformou a casa dele.

Contava ele que a casa está boa, mas a experiência fora experimental e causa arrepios nele a cada vez que lembra.

Ele comprou o material de construção pessoalmente e contratou a mão de obra de uma pequena empreiteira, pensou que obteria um preço mais barato e obteve. No entanto trabalhou tanto quanto os ajudantes, ou seja, teve que dispor do seu tempo para aprender sobre material de construção.

O material de construção exige cuidados para a sua correta utilização pelo pessoal contratado e ele não sabia disso. Teve que providenciar o armazenamento para o cimento e a cal, além de outras várias e especificadas orientações.

Outro aspecto no qual ele teve que se aprimorar foi durante o tempo da reforma: com sol, ninguém falta, mas com chuva ninguém constrói nada porque o serviço é perdido. O dono da casa deve estar pronto todos os dias e não é avisado do dia em que o pessoal tem quase certeza que vai chover, ou, se eles chegam bem cedo porque choverá somente à tarde.

Eu gostei de ouvir a história dele, porque além de contar, ele transmitia a sensação de uma construção. A fila para o cafezinho era composta por mais ou menos cinco pessoas e, digo mais ou menos, porque uma senhora da chamada melhor idade, impacientou-se com a conversa e saiu da fila. Parecia que a história era a história da qual ela não queria saber, aflitiva mesmo.

Foram alguns minutos que valeram, pois, o que ele queria nos dizer era que o melhor é pagar um pouco mais e deixar o material de construção a ser comprado para a empresa contratada.

Ele também afirmou que é cômodo deixar a mão de obra por conta de uma empreiteira, as ausências e presenças em decorrência da variação climática fica por conta do engenheiro responsável pela reforma.

A experiência do outro fica registrada como deve ficar, na memória de cada um de nós que queríamos um cafezinho da degustação.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Poema Válido

Poema Válido

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O dia ainda segue, com jeito,

De garra afiada ao que cabe,

E quer seresta ao bem feito,

Com chuva ou sol e, à vontade.

 

De nada adianta o ponteio,

Esse meio, se é meia verdade;

Levadas, vão-se ao recreio,

Janela dessa humildade.

 

O cesto está sempre cheio

E o estudo cria a atividade;

À espera fica o rodeio,

Escala ao dia o que te vale.

domingo, 4 de outubro de 2015

À Microbrasilidade

À Microbrasilidade

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Num domingo como o de hoje, tem-se é que comemorar a microbrasilidade presenciada num Shopping da cidade, cuja fila de automóveis passava pelas cidades circunvizinhas, cidades do estado de Santa Catarina como Mafra, Rio Negrinho, Joinvile e Florianópolis até Maceió.

O público dentro do Shopping merecia uma fotografia pela complexidade interpessoal conjunta.

Não deu crônica, deu poesia.

 

Gente de todo lugar,

Noutro lugar à passeio,

Mesmo em carro de alugar,

É o que se vê no recreio.

 

Gente que veio pra comprar,

Quase que estranha a esse meio

Curvo, na luz a brilhar,

Tantas portas são receio.

 

Metropolitano bar,

Vê-se o automóvel cheio,

Vê-se a vontade de estar

N’algum domingo de enleio.

sábado, 3 de outubro de 2015

Linha de Condão

Linha de Condão

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A linha melódica

Difere a canção

Da nota metódica,

 

O acento e a retórica;

É a leal oração

Que fala teórica.

 

Ao amor, é alegórica,

E rege o condão.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Pão de Trigo

Pão de Trigo

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Que venha o cansaço exíguo

Junto ao travesseiro ao lado

E traga o descanso amigo

D’um sonhar apaziguado,

 

Num poema com flor de figo,

Ou, num sonho misturado,

Aos poucos nesse desdigo

Próprio; subconscientizado.

 

Porque a jornada foi o abrigo

Óbvio do muito obrigado,

Ao dia que foi pão de trigo,

Passo a passo feito e assado.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Mal dos Nervos / Miniconto

Mal dos Nervos

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Naquele tempo criança era criança e não se intrometia com os adultos, mas o caso chamou atenção.

Era uma reunião de senhoras e o garoto adolescente estava lá.

Criança não se mete, mas pergunta: por que é que ele veio?

Responderam que ele sofria dos nervos.

_Como assim, sofre dos nervos? Ele é maluco?

Responderam que ele não era maluco. Explicaram que ele estava com a estranha mania de arrancar os fios de cabelos da cabeça e a mãe dele achou por bem não deixá-lo sozinho em casa enquanto a família não soubesse o motivo dessa atitude.

Enquanto as mulheres conversavam, ele lia um livro da escola.

Maria criança, foi até lá e perguntou que livro era aquele e ele respondeu que era de matemática.

Maria saiu de perto dele e foi até a cozinha pegar um doce antes que a mesa fosse servida. Ela podia, ela era filha da dona da casa.

O garoto ficou sozinho na sala com o livro, equidistante das mulheres, que estavam distraídas com seus assuntos. Enquanto comia o doce, da porta da cozinha, Maria viu o garoto arrancando alguns fios de cabelo.

Engoliu o doce com pressa e tomou um copo com água. Voltou à sala onde estavam as mulheres conversando entre si e o garoto estudando. Pé ante pé, foi até ele e perguntou:

_Por que você está arrancando esses fios de cabelo?

O garoto, sem se importar com a idade da menina, que tinha mais ou menos sete anos de idade, respondeu com sinceridade:

_Eu sinto dor, e cada fio de cabelo que eu arranco é um pedaço da minha dor que eu ponho para fora. É um alívio! A minha mãe já me deu remédio para tirar a dor de cabeça, mas não adiantou. Dói muito e esse jeito que eu arranjei parece que está dando certo.

Maria perguntou se ele não tinha medo de ficar careca.

O garoto deu risada e disse que, se ficasse careca, ficaria igual ao pai dele e quem sai aos seus, não é ninguém estranho.

As senhoras se calaram e a mãe do garoto mandou que ele parasse de arrancar os cabelos.

Maria ficou quieta e arranjou o que fazer, não queria arranjar confusão para si mesma.

Passaram-se meses e houve outra reunião de senhoras. Uma delas foi trazida e levada pelo filho, devidamente cabeludo e cheio de pose. Disse às outras mulheres que tinham descoberto o mal do garoto, era mal dos nervos.

Aqueles anos eram conservadores e discretos, e nunca ninguém ficou sabendo que mal era aquele. A última vez que fora avistado tinha feito família e estava bem disposto continuando cabeludo.

Mais uma história com final feliz.