Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O Caderno é Seu

O Caderno é Seu

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As anotações nos cadernos escolares são por conta do aluno, os ensinamentos, não.

Não escreverei sobre aulas e cadernos, é feriado e no meu caderno está escrito que a lição de hoje é fazer de hoje um dia bom.

Feito criança escreverei sobre filmes. A gente pode e deve apagar a televisão, ou mudar de canal quando o filme não corresponde às nossas expectativas.

Num dia como o de hoje, feriado, é bom ouvir as crianças enquanto o silêncio da cidade grande se faz presente.

A televisão, nas mãos de uma criança, é mais um brinquedo.

São frases comuns de crianças que assistem a um programa de televisão:

_Não gostei.

Esse não gostou implica em mudar de canal tantas vezes quantas o controle remoto permite. Às vezes esse não gostou significa que a criança quer brincar com o videogame, ou sair para jogar bola, ou tomar um copo de água, ou qualquer outra atividade que lhe chame atenção naquele momento.

Apaguei a televisão e fui experimentar uma receita de bolo para o lanche da tarde.

Existem filmes que fazem mal à gente, não combinam com a nossa educação e nem com a nossa maneira de ver a vida. Outros filmes, por vezes, antigos, nos lembram das pessoas que estavam ao nosso lado quando assistimos ao filme, esse é um filme bom que, por melhor que seja, trará tristeza, é hora de não assistir a reprise. Existem filmes, ainda, que, por incrível que possa parecer nos causam nojo, são filmes que deveriam ser acompanhados das propagandas de sais de fruta para azia e má digestão.

Não tem sentido aproveitar o feriado para assistir um filme que nos faça mal.

Depois da parte da manhã patriótica (Desfile da Independência do Brasil), a tarde foi das escolhas de cada um.

Os filmes na televisão foram uma boa opção para quem não viajou.

Coincidentemente eu assistia ao mesmo canal de alguém das redondezas e, o filme estava me aborrecendo e eu não sabia o motivo.

Naquele silêncio todo, eu ouvi:

_O roteiro é ruim.

Bem que eu pensei no blog, mas fui fazer experiências na cozinha antes de ligar o computador.

As crianças mudam de canal, eu fui brincar de cozinhar. O roteiro era mesmo ruim e as falhas estavam visíveis. Desliguei a televisão.

Como é que eu não percebi o roteiro ruim? Eu acho que é porque eu assistia à televisão sem concentração ao filme que eu estava assistindo. Esse é um erro comum de muitos telespectadores. Às vezes, a gente liga a televisão para passar o tempo e, depois de assistir um filme ruim por dez ou quinze minutos, a gente acha que é perder tempo desligar ou mudar de canal, mas não é. A gente pode se comportar como criança nos momentos de lazer e nos dias de folga.

É obrigação procurar um lazer positivo e, se errar de canal, mudar, desligar a televisão, ir para a cozinha ou sair para passear.

Não é porque se é adulto (a), que podemos impedir que a criança, e um dia todos fomos crianças, queira se divertir, com inocência e alegria, sem cansar de procurar uma nova maneira de brincar, de procurar coisas boas para a vida da gente. Criança nenhuma procura ou se permite aborrecer por conta própria.

Eu acho que hoje aprendi algo de bom e de novo, um jeito diferente de fazer bolo.

domingo, 6 de setembro de 2015

Meditação

Meditação

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É hora de ouvir

E meditar

Sobre o porvir.

 

O que há de vir

É o acreditar

Sem se iludir,

 

É o discernir

 

Sem se empolgar.

sábado, 5 de setembro de 2015

Famílias

Famílias

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Brincam de esconde-esconde,

Cantam melodias belas;

Terra essa de não sei onde,

Flores nessas janelas.

 

Sonho que corresponde

Logo à vida, sem velas,

Cedo ao dia, antes das onze,

Luzes que são amarelas.

 

Criança brinca com bonde,

Mãe, sempre de espiadelas,

Pai que parece conde,

Solto às suas lapelas.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Tempo de Liberdade

Tempo de Liberdade

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Essa história, contada por Yana, esse seria o primeiro nome escolhido para a criança, ganha a expressão libertária do amor.

Vivíamos o melhor tempo de liberdade que o Brasil pode viver, estávamos no tempo onde Juscelino governava. Nós, jovens, podíamos expressas as nossas ideias sem que houvesse nenhum tipo de contrassenso por parte dos demais.

Ninguém era poderoso o suficiente para dizer que calar seria melhor, o governo garantia a liberdade de expressão. Aqueles homens idealistas os nossos amados J K: Juscelino K., do Brasil e John K., nos Estados Unidos.

Eu era casada e contei do meu esgotamento nervoso ao meu marido:

_Você sabe o que eu tenho vontade de fazer? Eu tenho vontade de tirar a roupa e sair nua pela cidade gritando para dizer que somos livres e que ninguém pode tirar essa nossa liberdade.

O meu marido perguntou o porquê da nudez?

_A roupa me afoga, é como se me faltasse o fôlego da vida. Muita gente não valoriza o que tem e até sonha com todo tipo de opressão possível. Eu quero gritar essa liberdade.

Fazia frio, muito frio e eu querendo dizer ao mundo que ele podia ser livre, que a falta de liberdade era o que realmente destruía o mundo.

O meu marido perguntou se o meu casaco de lã inglesa tinha vindo da lavanderia. Aquele casaco era um bem valioso, comprado em prestações suadas, mas com ele, não havia geada que o vencesse.

Naquele dia, ele foi o homem dos meus sonhos.

Ele disse sorrindo, com o olhar mais terno e calmo que alguma mulher pode perceber, para que eu ficasse nua e vestisse o casaco de lã.

Eu, muito surpresa com a atitude gentil dele, mas com o esgotamento emocional causado por fatores outros, os quais ele sabia, tirei a roupa e vesti o casaco de lã.

Andamos e conversamos por quase uma hora. Estávamos de braços dados. De repente, eu me acalmei e me achei sem sentido e ilógica. Disse a ele que estava calma e que, se ele quisesse, podíamos voltar pra casa.

Voltamos, tomamos um banho quente e, depois, lá pelas três e meia da manhã eu fiz uma macarronada para nós dois e logo amanheceu o dia seguinte.

Desde aquela noite, nós acostumamos a sair a pé de madrugada para conversar quando tínhamos a oportunidade de não ter compromissos na manhã seguinte.

Depois vieram os ladrões, a polícia, as drogas e outros governos. As meias palavras, as meias verdades, o casamento sem a devida comunhão que a intimidade das almas pode propiciar, a repressão do espírito como forma de convivência adequada e as redes de controle social, onde dentro de casa, como se prisioneiros fôssemos, deixamos a vista cansada na televisão para contar que somos pessoas de bem e dizemos amém, não aos padres e pastores, mas ao controle social feito por gente que não sabemos em que tipo de lar foi criado e nem se sabe o significado da palavra liberdade.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Ditos Populares

Ditos Populares

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Outro dia conversando com uma senhora da geração anterior à minha, ela veio com a frase:

_Cada um se vira com o limão que tem.

A frase lembrou alguns ditos populares que eu ouvi na infância, tais como:

“Cada um se vira como pode.”

“A gente faz conforme dá para fazer.”

E os ditos vieram à cabeça.

Um ditado de costureira:

“Costura o pano e a roupa dura mais um ano, depois costura outra vez que dura mais um mês.”

Um ditado bancário:

“Você tem que saber com quem está lidando para poder se defender. Primeiro saiba quem é e depois ofereça o empréstimo.”

Um ditado do direito:

“Mais vale um mau acordo com uma pessoa honesta do que um bom acordo com uma pessoa desonesta, pois muitos problemas vêm dessa decisão.”

Um ditado alcoolizado:

“Eu posso beber porque não me embriago.”

Um ditado funerário:

“Tarde demais.”

Um ditado religioso:

“O pouco, com Deus, é muito.”

Um ditado descansado:

“Sempre resta uma esperança.”

Um ditado de apresentação:

“O hábito não faz o monge.”

Um ditado formal:

“Em Roma, conforme (como) os romanos.”

Um ditado generoso:

“Faça o bem sem olhar a quem.”

Assim fiz o dia aqui no blog.

No que tange aos dezoito capítulos da Bíblia que li com alegria, são critério vosso, mas é um livro muito bom.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Ovo de Serpente

Ovo de Serpente

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O ovo da serpente,

Com línguas de fogo,

Expressada à mente

Em forma de jogo,

 

Que assusta latente

Com olhos de lodo

E visão fremente,

Dizendo que é engodo,

 

Avistou-se ardente,

E, não passa de ovo;

O mal reticente.

Não importa, viu-se o ovo.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Sincronismo

Sincronismo

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Nada ruim, mas tudo diferente,

Planos mudados e coincidências

Úteis, não óbvias e impensadamente,

Formam essas raras subsequências.

 

É o momento que faz tanta gente

Ir à busca das ambivalências,

Luzes de um espelho do “eu” eloquente,

Alma que fala por transparências.

 

Vinda ao tempo, que é incessantemente,

Esse prumo das resplandecências,

Todo momento tem seu regente,

Essa sincronia das transcendências.