Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Quindim

Quindim

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Do que eu não sei,

Melhor assim,

Pois não sonhei.

 

Eu saberei

Desse quindim

Sabor de rei,

 

E o comerei

 

Num botequim.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Estranheza dos Sons

Estranheza dos Sons

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Quatro pianos e nenhuma certeza;

Distinção da percussão, meio difusa,

Grave diante da mediana leveza.

 

A espontânea dissonância em presteza

Alternada por cantiga e fusa

Expressada com perfeita justeza,

 

Explicitam a incomum estranheza

 

Dos sons díspares que soam à graúda.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Sorte na Fila / Crônica do Cotidiano

Sorte na Fila/ Crônica do Cotidiano

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Que fila de papo bom. Estávamos em quatro ou cinco pessoas. A demora começou e o bate papo também.

Lembrei-me de um lugar, a senhora que estava atrás de mim, acompanhada da mãe dela, uma senhora bastante simpática e disposta para os setenta e tantos anos que ela orgulhosamente contava, se lembrou de um evento.

Eu estava lá, há mais de vinte anos, era uma festa da cidade.

O senhor que estava atrás dela, também de cabelos grisalhos repetiu a frase:

_Eu também estava lá.

À frente, um jovem que prestava atenção na conversa.

De repente, a fila não era mais fila, era uma roda de mais ou menos seis pessoas numa conversa animada.

Lembramos-nos da festa, dos detalhes, dos enfeites e do quanto foi bom estarmos lá naquele dia.

Nenhuns de nós conheciam um ao outro e cada um disse da sua visão, obviamente idealizada, da festa. Passaram-se vinte anos desde então e a oportunidade é rara de se haver outra conversa dessas numa fila.

A senhora que estava com a mãe, que estava feliz com a coincidência e com a conversa, disse da possibilidade de nos reencontrarmos daqui a vinte anos.

_Se estivermos bem conforme, Graças a Deus, a sua mãe está, quem sabe?

O garoto participava da roda, mas aguardou o momento de falar. Os momentos de pausa são os ideais para se iniciar um tema.

_Eu não sabia o que dar de presente para o meu pai nos Dias dos Pais, mas agora eu sei que tenho que dar um presente para que ele se lembre da lembrança daqui a muitos anos.

O garoto de mais ou menos vinte anos contou da história da família dele e nós desejamos felicidades para ele e o seu pai.

Chegou à vez do garoto e depois a minha e depois assim por diante.

A fila daquele momento prazeroso se desfez. Passei numa banca de revistas e comprei um daqueles docinhos e vim caminhando devagar, lembrando-me da festa, do bolo e das velas, da iluminação.

Saímos sem saber quem somos, mas acrescidos de sonhos para o futuro.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Filho Metafísico

Filho Metafísico

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A metafísica, eterna e breve;

Maravilhosa em todo escarcéu,

Dimensionando o tempo em que crede

Na realidade oculta do céu,

 

Que abençoou um anjo e cuidou da verve,

E fez bonito esse arranha-céu

Aos quais alguns chamam Darma leme,

Que é a realidade na qual se creu,

 

E, onde o sofrer por certo se absteve,

D’um seu devir, ou, então, se escondeu,

Vivificando o ser ainda imberbe,

Fez Jesus Cristo. Oh Pai! Filho Seu.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A Busca

A Busca

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Essa interrogação

Que surge a questionar

Sem xis e nem questão

E nem se cogitar

 

Onde mora a razão

Nesse vão perguntar.

Inventa uma canção

Que segue a caminhar,

 

Todo dia é apreciação,

Sem parar, ao cantar,

Com toda devoção.

Agosto a se buscar.

domingo, 2 de agosto de 2015

Pontes / Comentário

Pontes / Comentário

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Existem pontes de todos os tamanhos e funções e todas são necessárias. Até as pontes em praças e jardins cumprem o papel de ligar o que estava desligado pela impossibilidade física, são decorativas e alegram o passeio dos transeuntes.

As pontes, todas elas, podem, por alguma causalidade, cair ou serem interditadas por rachaduras. As pontes reconstruídas dificilmente serão exatamente iguais às originais. São necessárias desde o primeiro projeto.

Excetuando algumas pontes europeias, cujos engenheiros são considerados os arquitetos estéticos dos séculos passados e recebem manutenção constante, temos pontes que servem exclusivamente para facilitação de acesso entre duas localidades separadas por questões topográficas de determinada região.

Aqui no Brasil temos pontes admiráveis como a que liga a cidade do Rio de Janeiro até Niterói e a ponte JK, em Brasília. Na maioria das localidades uma ponte encurta o trajeto cotidiano dos moradores do local. Essas pontes exigem o mínimo indispensável para que exista o trânsito possibilitado entre dois pontos distintos.

Toda ponte carrega consigo uma história: a história da sua idealização, ou seja, os motivos que criaram a necessidade da sua existência. São diversos os motivos que levam a essas necessidades. Para a maioria dos moradores de um local a história de uma ponte comum não necessita mais do que o nome do seu idealizador numa placa fixada ao corrimão. Lendas e fatos pitorescos são inventados em todos os lugares onde existem pontes e a origem de toda ponte conta com a história e a lenda criada em torno dela.

As pontes são tão importantes para a humanidade que ao final do filme A Ponte Sobre o Rio Kuwait, é difícil não se emocionar quando explodem a ponte que não passava de um artifício de guerra.

No dia a dia, no entanto, toda ponte que cai, causa um transtorno imenso para aqueles que habitualmente transitam por ela. Ninguém pode esquecer que quando uma ponte cai, sobram os muros que foram a sua sustentação. A ponte imaginária construída sobre a ponte que caiu é muito mais terrível do que a construção de nova ponte sobre os muros existentes.

As pontes são diferentes entre si, a reconstrução de nova ponte, exige uma reinauguração e a adição da placa com o nome do novo responsável por sua construção ao lado do idealizador original da mesma. Supondo que a diferença entre a primeira ponte e a segunda exista somente uma placa indicativa a mais, a ponte é outra.

As necessidades dos moradores de um local se modificam com o passar do tempo e pontes se transformam em viadutos ou pontes de dois a três andares, conforme verificamos nos Estados Unidos da América, mas continuam cumprindo a função de ponte.

Se alguém conhecer um lugar onde uma ponte se tornou desnecessária, que conte, porque eu desconheço.

Eu gosto de observar pontes e não é de hoje, quando criança eu pedia para passear sobre pontes, o que causava certos cuidados por parte dos meus pais.

Estão construindo um aparador ao lado de uma ponte de madeira rústica perto de onde moro. Ontem perguntei ao trabalhador se o aparador estará ao lado da ponte e ele disse que sim. Disse a ele que estavam de parabéns porque o lugar estava ficando bonito e seguro.

Que o domingo possa ser feito de pontes, a que vocês idealizarem, por que a idealização de uma ponte pode ser o começo de muitos projetos bons.

sábado, 1 de agosto de 2015

Alazão Fugaz

Alazão Fugaz

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A página rabiscada ao caderno

É um lápis de palavreado indeciso

Que, em dúvida, ao dicionário moderno,

Prolixo, se justifica conciso.

 

Sonetos desalinhados são o eterno,

Um clássico dirigido ao impreciso

Olhar do leitor, o seu ego fraterno,

Que rima à vista imperfeita e a seu viso.

 

Porque toda a explicação é fugidia

E interna, de metafórica ação;

Ao leigo, uma teimosia a cobardia,

 

Imposta pelo meio culto à vadia

Vontade do poeta-autor do alazão

Fugaz que é a imaginação do seu dia.