Quindim
Do que eu não sei,
Melhor assim,
Pois não sonhei.
Eu saberei
Desse quindim
Sabor de rei,
E o comerei
Num botequim.
É um blog com artes e contos, crônicas, comentários, imagens e, arteiros em geral
Quindim
Do que eu não sei,
Melhor assim,
Pois não sonhei.
Eu saberei
Desse quindim
Sabor de rei,
E o comerei
Num botequim.
Estranheza dos Sons
Quatro pianos e nenhuma certeza;
Distinção da percussão, meio difusa,
Grave diante da mediana leveza.
A espontânea dissonância em presteza
Alternada por cantiga e fusa
Expressada com perfeita justeza,
Explicitam a incomum estranheza
Dos sons díspares que soam à graúda.
Sorte na Fila/ Crônica do Cotidiano
Que fila de papo bom. Estávamos em quatro ou cinco pessoas. A demora começou e o bate papo também.
Lembrei-me de um lugar, a senhora que estava atrás de mim, acompanhada da mãe dela, uma senhora bastante simpática e disposta para os setenta e tantos anos que ela orgulhosamente contava, se lembrou de um evento.
Eu estava lá, há mais de vinte anos, era uma festa da cidade.
O senhor que estava atrás dela, também de cabelos grisalhos repetiu a frase:
_Eu também estava lá.
À frente, um jovem que prestava atenção na conversa.
De repente, a fila não era mais fila, era uma roda de mais ou menos seis pessoas numa conversa animada.
Lembramos-nos da festa, dos detalhes, dos enfeites e do quanto foi bom estarmos lá naquele dia.
Nenhuns de nós conheciam um ao outro e cada um disse da sua visão, obviamente idealizada, da festa. Passaram-se vinte anos desde então e a oportunidade é rara de se haver outra conversa dessas numa fila.
A senhora que estava com a mãe, que estava feliz com a coincidência e com a conversa, disse da possibilidade de nos reencontrarmos daqui a vinte anos.
_Se estivermos bem conforme, Graças a Deus, a sua mãe está, quem sabe?
O garoto participava da roda, mas aguardou o momento de falar. Os momentos de pausa são os ideais para se iniciar um tema.
_Eu não sabia o que dar de presente para o meu pai nos Dias dos Pais, mas agora eu sei que tenho que dar um presente para que ele se lembre da lembrança daqui a muitos anos.
O garoto de mais ou menos vinte anos contou da história da família dele e nós desejamos felicidades para ele e o seu pai.
Chegou à vez do garoto e depois a minha e depois assim por diante.
A fila daquele momento prazeroso se desfez. Passei numa banca de revistas e comprei um daqueles docinhos e vim caminhando devagar, lembrando-me da festa, do bolo e das velas, da iluminação.
Saímos sem saber quem somos, mas acrescidos de sonhos para o futuro.
Filho Metafísico
A metafísica, eterna e breve;
Maravilhosa em todo escarcéu,
Dimensionando o tempo em que crede
Na realidade oculta do céu,
Que abençoou um anjo e cuidou da verve,
E fez bonito esse arranha-céu
Aos quais alguns chamam Darma leme,
Que é a realidade na qual se creu,
E, onde o sofrer por certo se absteve,
D’um seu devir, ou, então, se escondeu,
Vivificando o ser ainda imberbe,
Fez Jesus Cristo. Oh Pai! Filho Seu.
A Busca
Essa interrogação
Que surge a questionar
Sem xis e nem questão
E nem se cogitar
Onde mora a razão
Nesse vão perguntar.
Inventa uma canção
Que segue a caminhar,
Todo dia é apreciação,
Sem parar, ao cantar,
Com toda devoção.
Agosto a se buscar.
Pontes / Comentário
Existem pontes de todos os tamanhos e funções e todas são necessárias. Até as pontes em praças e jardins cumprem o papel de ligar o que estava desligado pela impossibilidade física, são decorativas e alegram o passeio dos transeuntes.
As pontes, todas elas, podem, por alguma causalidade, cair ou serem interditadas por rachaduras. As pontes reconstruídas dificilmente serão exatamente iguais às originais. São necessárias desde o primeiro projeto.
Excetuando algumas pontes europeias, cujos engenheiros são considerados os arquitetos estéticos dos séculos passados e recebem manutenção constante, temos pontes que servem exclusivamente para facilitação de acesso entre duas localidades separadas por questões topográficas de determinada região.
Aqui no Brasil temos pontes admiráveis como a que liga a cidade do Rio de Janeiro até Niterói e a ponte JK, em Brasília. Na maioria das localidades uma ponte encurta o trajeto cotidiano dos moradores do local. Essas pontes exigem o mínimo indispensável para que exista o trânsito possibilitado entre dois pontos distintos.
Toda ponte carrega consigo uma história: a história da sua idealização, ou seja, os motivos que criaram a necessidade da sua existência. São diversos os motivos que levam a essas necessidades. Para a maioria dos moradores de um local a história de uma ponte comum não necessita mais do que o nome do seu idealizador numa placa fixada ao corrimão. Lendas e fatos pitorescos são inventados em todos os lugares onde existem pontes e a origem de toda ponte conta com a história e a lenda criada em torno dela.
As pontes são tão importantes para a humanidade que ao final do filme A Ponte Sobre o Rio Kuwait, é difícil não se emocionar quando explodem a ponte que não passava de um artifício de guerra.
No dia a dia, no entanto, toda ponte que cai, causa um transtorno imenso para aqueles que habitualmente transitam por ela. Ninguém pode esquecer que quando uma ponte cai, sobram os muros que foram a sua sustentação. A ponte imaginária construída sobre a ponte que caiu é muito mais terrível do que a construção de nova ponte sobre os muros existentes.
As pontes são diferentes entre si, a reconstrução de nova ponte, exige uma reinauguração e a adição da placa com o nome do novo responsável por sua construção ao lado do idealizador original da mesma. Supondo que a diferença entre a primeira ponte e a segunda exista somente uma placa indicativa a mais, a ponte é outra.
As necessidades dos moradores de um local se modificam com o passar do tempo e pontes se transformam em viadutos ou pontes de dois a três andares, conforme verificamos nos Estados Unidos da América, mas continuam cumprindo a função de ponte.
Se alguém conhecer um lugar onde uma ponte se tornou desnecessária, que conte, porque eu desconheço.
Eu gosto de observar pontes e não é de hoje, quando criança eu pedia para passear sobre pontes, o que causava certos cuidados por parte dos meus pais.
Estão construindo um aparador ao lado de uma ponte de madeira rústica perto de onde moro. Ontem perguntei ao trabalhador se o aparador estará ao lado da ponte e ele disse que sim. Disse a ele que estavam de parabéns porque o lugar estava ficando bonito e seguro.
Que o domingo possa ser feito de pontes, a que vocês idealizarem, por que a idealização de uma ponte pode ser o começo de muitos projetos bons.
Alazão Fugaz
A página rabiscada ao caderno
É um lápis de palavreado indeciso
Que, em dúvida, ao dicionário moderno,
Prolixo, se justifica conciso.
Sonetos desalinhados são o eterno,
Um clássico dirigido ao impreciso
Olhar do leitor, o seu ego fraterno,
Que rima à vista imperfeita e a seu viso.
Porque toda a explicação é fugidia
E interna, de metafórica ação;
Ao leigo, uma teimosia a cobardia,
Imposta pelo meio culto à vadia
Vontade do poeta-autor do alazão
Fugaz que é a imaginação do seu dia.