Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

terça-feira, 30 de junho de 2015

O Vendedor Correto / Crônica do Cotidiano

O Vendedor Correto / Crônica do Cotidiano

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Saí para saber do roteador wi-fi portátil para ver se eu consigo me acertar com o tablet. Fiz downloads e off-line eu posso ler em qualquer lugar, mas o tablet e a internet são um problema para mim.

Acredito que não seja somente eu, mas em cada lugar onde tem o wi-fi gratuito, a gente tem que perguntar o código de acesso e demora mais tempo acessando do que usufruindo da internet.

Ao final das contas quem carrega a internet pra valer é o celular.

_A senhora tem internet no celular e se a senhora não precisa de tablet para algum uso efetivo, use o celular. É mais barato e mais leve, não pesa na bolsa.

Ele está absolutamente certo.

_O seu tablet tem lugar para chip?

Eu digo que não.

_A senhora não imagina a minha dor de cabeça. Grande parte das pessoas compra tablet com wi-fi e pensa que o roteador wi-fi faz milagres. A senhora tem um tablet barato, daqueles do tipo quebra-galho onde a internet não fica rápida nem com a sua internet wi-fi dentro de casa. A maioria das pessoas pensa que nós podemos resolver o problema da internet lenta no tablet, mas o problema é com o tablet, não é nosso. Nós vendemos tablets compatíveis com alta velocidade, mas é um desperdício de dinheiro para as pessoas que pouco precisam do tablet quando estão em trânsito.

Eu saí muito satisfeita com o atendimento e manterei o meu celular com a operadora de telefonia móvel.

Otimista, fui ao café.

Algumas moças conversavam. Enquanto eu pegava o trocado para pagar o café, elas riam muito.

_Ah, gente. Vamos fazer um preço. Vamos cobrar mil e quinhentos reais para falar mal e, se for para falar bem a gente cobra dois mil reais. Falar mal é muito mais fácil que falar bem.

Fosse o que fosse elas dividiriam a fatura.

A distância da conversa anterior com essa faz com que a gente reflita. Melhor sair rápido do café e voltar pra casa. Manhã cheia.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Colcha de Retalhos

Colcha de Retalhos

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São panos sobrados,

Fios entrelaçados;

Colcha de Retalhos.

 

Quadrados dobrados,

Bem arrematados;

Cartas de baralhos.

 

Retângulos dados

 

Dão muitos trabalhos.

domingo, 28 de junho de 2015

Venderam a Casa / Reflexão

Venderam a Casa

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Venderam a casa. Chegará o momento em que todos os vizinhos saberão. Quem vende a sua casa, seja por que motivo for, terá que dizer e, se não disser, quando os novos moradores chegarem, a constatação se dará.

Natural é que, os moradores da região, queiram saber quem serão os novos vizinhos, todos nós temos vizinhos que gostamos que sejam nossos vizinhos e outros dos quais nos perguntamos se alguém os merece como vizinhos.

Particularmente, gostei muito dos novos vizinhos, cordiais e educados, gente que vale à pena vizinhar, respeitando-se a privacidade de cada um.

Os novos vizinhos têm algo de alma em comum, algo antigo e algo moderno.

A grande maioria dos novos vizinhos são estrangeiros, americanos e europeus, além dos vizinhos brasileiros que conquistaram certo posto de respeito no meu coração.

Moradora antiga da região eu já tive vários vizinhos, já me adaptei a muitos vizinhos, gente que bem quis e malquis convivências. Culturas diversas são desafiadoras, exigem o apuramento das concordâncias, muito interessante.

Assim somos nós por mudanças nas nossas vidas, os vizinhos também passam por mudanças, a opção é deles.

Interessante é observar que quando se tem novos vizinhos, os moradores do bairro querem logo saber sobre a convivência. Para mim, ótima.

Eu também não sei nada, além disso, pois não sou bisbilhoteira quanto às miudezas dos outros.

Alguns outros cogitam o motivo da venda, provavelmente porque encontraram algum lugar melhor para si.

A gente não pode adiantar sobre como será dali em diante, mas as coisas vão conforme estão e, se está tudo bem, está. Porque ninguém sabe quais problemas enfrentará na existência, nem eu, nem eles e nem vocês que me leem.

Estou escrevendo para dizer que venderam a casa e que tenho novos vizinhos.

Mas, qual é o sentido de dizer que venderam a casa e que se têm novos vizinhos?

O sentido de escrever isto é que muita gente vendeu a casa na região e existem ruas próximas onde duas ou três casas não estão à venda ou foram vendidas.

O bairro tende a ter outra feição tendo em vista que quem faz as características de um bairro são os seus moradores.

Muitos dos que vendem as suas casas preferem morar em apartamentos. Muitos até mesmo perguntam se eu também venderei a casa. A minha resposta é a mesma, eu não sei. Hoje tenho uma opinião e amanhã posso ter outra, tudo é possível, mas, por enquanto, a resposta é não.

Preciso, no entanto, estar atenta às modificações urbanas que acontecerão, porque acontecerão. São novos vizinhos por aqui e novos vizinhos de bairro a algumas quadras de onde estou.

As mudanças que são imperceptíveis hoje e aos poucos serão visíveis e por certo, terei que me adaptar ao novo bairro que eu consegui sem vender casa alguma.

E foi assim que a minha casa mudou de bairro e eu me mudei sem saber.

Parece uma crônica, mas é uma reflexão.

sábado, 27 de junho de 2015

Uma Lenda / Crônica Junina

Uma Lenda

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Há uma história que, para mim, virou lenda.

Conto o caso conforme é contado, em ordem cronológica.

Observem os pontos comuns, posto que os tenham, muito embora se passando em locais diferentes e ambientes diferentes.

A primeira vez que ouvi essa história foi quando passamos um final de semana no litoral do Paraná, Antonina, há mais de dez anos atrás.

Cuidados com o mar são obrigatórios, mas fomos avisados para não adentrarmos em bosques. Diziam que havia areia movediça e que somente os acostumados a andar nas matas poderiam caminhar e, mesmo assim, com cuidado, nunca desacompanhados por estes lugares. Contaram que há mais de cem anos que a história se repete, é gente que some por não conhecer os banhados sempre cobertos de vegetação que parecem terra firme e não é. Disseram que existem lugares que é próprio para especialistas que, por sua vez, vão munidos de cordas e facas caso se atolem e sempre em dois ou mais conhecidos.

Estávamos lá para descansar e o suco de laranja na varanda do hotel era mais aprazível do que uma longa caminhada.

A segunda vez que ouvi essa história foi em Itajaí, no estado de Santa Catarina, cidade onde há muita gente para prevenir os visitantes sobre os cuidados com o mar, pois é uma cidade que abriga um porto.

Dessa vez, fomos por outros motivos, negócios e se passou em dois mil e nove.

Contou-me uma moradora que tomasse cuidado com os passeios. Disse que por lá, na região do litoral, havia uma sereia que cantava todos os lugares bonitos para se visitar.

Contaram-nos que em meio aos lugares bonitos, existe um lugar aonde as pessoas vão para não voltar e que esse lugar é no meio do mar. Disse que existe um lugar no mar que é próprio para especialistas porque é cheio de algas que se enroscam nos pés, causando buracos na areia e, que se o turista for sozinho, acaba por morrer afogado em maré rasa, pois as algas o enterram. Disseram que a sereia também indicava esse lugar quando estava zangada.

Aconselhou-nos a ficar na região entre Navegantes e Balneário Camboriú sem procurar praias desabitadas. Disse que a praia de navegantes era boa para o surf e Balneário Camboriú, para a praia em família.

As histórias são essas, mas em ambientes diversos. A primeira diz respeito às matas e a segunda diz respeito ao mar.

Em época de junho, não custa nada contar aos amigos.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Vívida / Crônica do Cotidiano

Vívida / Crônica do Cotidiano

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Com setenta e seis anos me chamou para conversar sobre um tema polêmico: o ensino do gênero na escola.

Queria conversar, dizer o que pensa e ouvir respostas. Eu tinha tempo e sentei para ouvi-la.

Contou-me que chamou os netos para conversar. Como professora aposentada pelo estado de Santa Catarina, sentiu-se na obrigação de conversar com os netos sobre o gênero.

_Eu chamei os meus netos, cozinhei uma panela com pinhões e, enquanto descascávamos o pinhão, contei sobre o pinheiro. Disse que até o pinheiro tem gênero. O pinheiro macho tem as hastes longas. A árvore pinheiro fêmea é mais rechonchuda e é a que dá o fruto pinhão. Disse que o pinheiro macho é o responsável pela fecundação da árvore fêmea. Disse que Deus criou o homem e a mulher e essa foi a vontade dele. Quem dá a luz ao bebê é a mulher que concebe com a ajuda do homem, diferentes na anatomia pela própria natureza.

Eu perguntei onde é que estava a polêmica.

Ela disse que desejam ensinar às crianças de uma maneira com a qual ela discorda. Diz ela que querem ensinar que toda a natureza sexual é neutra até que se escolha a opção sexual.

Uma conversa sob o ponto de vista cristão, mas muito interessante.

Ela continuou a argumentação:

_Essa educação é errônea, pois a sexualidade, sob o ponto de vista natural, nasce com o gênero feminino e masculino, são diferentes. Agora, se mais tarde, depois de crescida essa criança, ela opta por uma orientação sexual diferente daquela que a natureza e o Criador a fez, ela que se autodetermine. Como é que eu vou ensinar a uma criança que ela não tem gênero sexual? Como é que eu vou ensinar a uma criança que é na juventude que se descobre se é macho ou fêmea?

Eu disse a ela que me sentia agradecida a Deus por não ter filhos em idade escolar.

A moça que estava por perto contou que eu não faço a ideia do que é receber ligações da escola querendo uma resposta pronta do pai ou da mãe. Segundo a moça, a fórmula é conversar com os filhos e com a professora para saber como conduzir a educação da melhor maneira possível. Ela não se exime da responsabilidade de educar os filhos e quem manda é ela e quem aguenta as pressões da escola é ela.

A senhora continuou dizendo que os governos são necessários em todos os países do mundo, mas que deve se cuidar quando mexe com assuntos delicados.

O assunto estava juntando gente na porta do estabelecimento comercial.

Para amenizar o entusiasmo que o assunto causava, lembrando que ela havia falado em governos, eu citei o terrorismo e perguntei o que ela achava.

Ela baixou a voz e me disse para calar a boca, é um perigo para todos.

Ela tinha razão. Depois é que tomamos conhecimento do que se passa no mundo.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Circunspecções

Circunspecções

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Rearrumada a casa

Com canções, lições,

Que esse estudo embala

Às alterações,

 

É a cortina e a sala

Sem contradições

Na sonora gala

Das composições.

 

Quando o piano fala

De argumentações

Na fraseada escala,

São circunspecções.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

A Questão do Uniforme

A Questão do Uniforme

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As lojas de departamentos começaram a surgir no Brasil na década de 1.970.

Antes da existência dessas lojas as opções para compras de roupas eram poucas. Existiam as butiques e as costureiras e as lojas de tecidos. A maioria das mulheres de classe média, que não trabalhavam fora, confeccionavam as roupas em casa. As que trabalhavam tinham um número de saias e blusas contadas para o trabalho e as roupas para os finais de semana. Os uniformes escolares dos filhos eram parte da economia doméstica, pois bastavam dois uniformes e a roupa da semana dos filhos estava feita. Crianças crescem e os uniformes ajudavam a comprar ou costurar roupas novas.

O conceito de que usar uniformes era desnecessário veio com uma loja de departamentos com roupas para adultos, jovens e crianças. As moças que atendiam como vendedoras usavam calças jeans azul e camisetas brancas sem o logotipo bordado.

Aconteceram tantos mal entendidos dentro da loja que os donos da referida loja vestiram as moças com camisetas de algodão coloridas e com o logotipo da loja. Na época grande parte das jovens vestia-se com calças jeans azuis e camisetas brancas. Dentro da loja as freguesas perguntavam umas às outras:

_Você é vendedora da loja?

Muita gente olhava e saia sem comprar nada devido a não identificação das vendedoras. Houve um boato que a loja fecharia em breve e, os donos, mudaram a roupa das vendedoras.

Aos poucos os uniformes foram caindo em desuso.

Pergunte se as lojas retiram o logotipo da loja das roupas das vendedoras? Não podem, precisam vender.

O país inteiro comenta do caso da babá cujo clube exigiu uniforme para a entrada.

Eu estava quieta, mas resolvi contar um caso presenciado.

Estava num clube lotado de gente durante o final de semana. Os pais foram pegar um lanche e, a criança caiu do escorregador. Chegaram os responsáveis pela segurança estancaram o sangue da criança, chamaram o atendimento de emergência e precisavam saber quem estava responsável pela criança naquele momento.

Os conhecidos dos pais da criança correram para a lanchonete e avisaram do acontecido.

Realmente havia uma moça próxima dos seguranças olhando a situação com lágrimas nos olhos, mas todos estavam aborrecidos com o que aconteceu e ninguém disse nada.

Quando os pais chegaram e os seguranças do local contaram o que aconteceu, a moça falou em seguida:

_Ele jogou um carrinho de plástico para longe e eu fui pegar. Enquanto isso ele subiu no escorregador e caiu.

Naquele momento descobrimos todos que havia uma babá no lugar. Sem uniforme.

O uniforme é uma utilidade, não um preconceito. Ele protege e informa sobre o usuário facilmente.

Parece que polemizam tudo, desinformam sobre as reais necessidades e utilidades do uso do uniforme.

É o que eu penso. Se quiserem, polemizem.