Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

domingo, 7 de junho de 2015

A Prova de Joaquina

A Prova de Joaquina

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Joaquina tinha prova de história antiga e adormeceu tentando decorar o que estava escrito sobre os povos antigos naquele capítulo do livro.

Os fenícios eram excelentes comerciantes que comerciavam desde Londres até a Grécia e chegaram a montar um império que foi erradicado, inventaram o alfabeto e o levou mundo afora dando origem a linguagem tal qual a conhecemos nos dias de hoje.

Os egípcios dos povos antigos eram excelentes em arquitetura e artes, tinham como qualidades a adaptabilidade e a continuidade dos seus conhecimentos através de sistemas matemáticos originais e próprios.

Os gregos antigos trouxeram ensinamentos filosóficos, culturais e políticos estudados até hoje, estudos atemporais.

Sonhava com o livro e as imagens do livro, também com a escola.

Ao sonho aparece o professor de inglês, naquele seu jeito pausado e circunspecto de ser. Ao invés de ensinar gramática e verbos, ensinava história.

_Joaquina, não se preocupe tanto com a prova de história. O que você escreveu é suficiente para uma criança. Deixe o estudo difícil sobre os fenícios para mim. Eu faço pós-graduação e viajarei para a pesquisa de mestrado. A obrigação de saber muito sobre os fenícios é minha.

Dito isso, o professor de inglês desapareceu do sonho. Agora surgia a professora de desenho matemático que dizia a ela:

_Joaquina, acrescente ao texto sobre os egípcios que eles construíram as pirâmides. Cite esse exemplo e a resposta será muito boa para a prova de amanhã.

A professora desapareceu do sonho, mas apareceu a professora de literatura.

_Joaquina, você já leu algumas histórias da mitologia. Lerá muito mais porque são histórias fascinantes, pensadores instigantes, política incessante. Não queira saber tudo, fique contente com a boa resposta.

A professora de literatura não desapareceu, foi para outra sala se reunir com os outros mestres.

Ao entrar na sala e encontrar-se com o professor de inglês, quis saber algumas situações históricas sobre os fenícios.

_Os fenícios não desapareceram, como se supões, mudaram a forma e o método.

A professora de desenho matemático pediu ao professor de inglês, se possível, que compartilhasse todos os desenhos encontrados para que ela os transformasse em cálculos.

O professor de inglês gostou muito da ideia que enriqueceria o seu trabalho de mestrado.

A professora de literatura pediu aos outros dois que permitissem que ela pensasse filosoficamente depois que lesse os estudos comuns de ambos, se fosse possível.

O professor de inglês e a professora de desenho argumentaram com a professora de literatura. Ela poderia ler e filosofar sobre os estudos, mas alertaram-na de que ela não poderia dizer que conhecia a matéria, porque, de fato, desconhecia. Um texto não bastaria para que ela pudesse afirmar certamente sobre os complexos conceitos intrínsecos daqueles povos antigos.

A professora de literatura concordou, era culta suficiente para saber que eles não a ofendiam nem a magoavam com a assertiva. Os estudos seriam lidos como parte de conhecimento geral pessoal, como se fossem mais uma história mitológica, mesmo sem o serem.

O professor de inglês e a professora de desenho matemático ficaram contentes e se colocaram à disposição para esclarecerem as suas dúvidas e resolverem todas as questões que, por ventura, outros alunos trouxessem a elas sobre essas questões.

O sonho desapareceu e Joaquina dormiu até a manhã seguinte, com as respostas decoradas.

sábado, 6 de junho de 2015

Ser Mulher / Reflexão

Ser Mulher / Reflexão

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Aquela mãe com a filha nos braços está em mim como a menina no colo da mãe e a apoiadora das artes da avó.

É inconcebível não sentir a feminilidade como parte de mim, é interessante ser assim como se fosse uma eterna gestação, um barrigão de mãe, filha e avó.

Há mulheres que não desejam a maternidade como se a maternidade não pudesse ser um estado de espírito, um olhar a vida com afeição com ou sem concepção.

Nada impede uma mulher de ser, agir e pensar nas mais variadas situações.

Vejo a mãe sofrida com a criança nos braços e, ao olhar os seus pés, vejo as sapatilhas que doei. Olho-a de cima a baixo e me vejo naquele olhar, preocupada e ansiosa pelo bem estar da criança.

Vejo a menina no colo da mãe querendo sair do colo e andar sozinha, pequenina, confiante de que tudo sempre termina bem e me vejo criança, querendo que tudo fique bem. Por alguns instantes me abstraio da realidade e penso como ela. Quem sabe? A gente nunca sabe nada mesmo. A criança é a eterna esperança no pensamento de uma mulher.

Vejo a avozinha deixar um papel no chão e junto o papel e entrego a ela e ela me diz que ainda há motivos para acreditar na gentileza do ser humano. Parecia algo importante para ela. Tomara envelhecer pensando que há motivos para crer no ser humano.

Depois, fiquei parada, em silêncio, pensativa. Essa luz vinda dessas mulheres me era tão necessária quanto um desjejum de manhã.

A gente vê tantas coisas que se esquece dessas sutilezas necessárias à vida de toda mulher que são o embalar e ser embalada com ternura para algum dia ser alvo da atenção de estranhas que juntam os nossos papéis na sociedade.

Mais do que papéis é o instinto que nos faz assim, bicho-mulher, mas são as sutilezas do viver que nos elaboram em nossas manifestações infantis, maternais e racionais.

O melhor é não precisar entender o que se passa na cabeça de uma mulher, mulher não tem explicação, é o tal do sexto-sentido pra cá, bolo pra lá, conversa descuidada não sei aonde, que, às vezes, nem mesmo a gente se entende.

E, se procurar a racionalidade nesses sentidos, ela se perde em qualquer canto de delicadeza, como se perde esse texto em menina, mãe e avó.

Ah! Deixa pra lá.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Privacidade

Privacidade

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Não é que seja algum medo,

Muito menos segredo;

É a tal privacidade

 

Pela qual enveredo.

Hóspede sem enredo,

Uma liberalidade.

 

Meu bom dia acorda cedo,

 

Meio sol, grande cidade.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Um Conselho Exótico

Um Conselho Exótico

Seja bom, ou seja, mal, se o caminho não te agrada não o siga, menos mal é a menor contrariedade possível.

Existem bons lugares e boas pessoas que não te convém, não é por quem, é porque você também pensa e é alguém.

Não passe duas vezes por uma porta, somente porque está aberta, pois uma porta de desagrado você entra e sai.

A generosidade não tem preço, não faça com que a sua tenha.

Situar-se é sempre bom, pois enquanto o rei Henrique VIII, na Inglaterra, gastava o seu tempo querendo o filho sem se importar com a esposa, o rei Luís XIII sonhava em construir Versalhes e Portugal descobria o Brasil. Onde você gostaria de estar?

Se você não tem o biótipo adequado, aceite, existe algum lugar onde esperam por você.

Insista em dizer daquilo para o qual você não serve, é normal não ser útil em algum lugar.

Faça o melhor que pode, mesmo que seja pouco ou quase nada. Quanta gente espera por esse quase nada vindo de você e você nem sabe.

Saiba que existe gente de todo o tipo, então você pode ser do jeito que é, mas aguente as consequências. Essa pode ser a melhor parte da sua vida.

Conselho é um ponto de vista, não precisa vestir, basta ser atencioso para com ele.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Nostalgia

Nostalgia

 

Vamos às roupas,

Que não são poucas,

Com alegria.

 

Mantas e toucas,

Secas e soltas

Ao sol do dia.

 

Sonha que poupas

 

A nostalgia.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Motorista Pé no Chão / Crônica do Cotidiano

Motorista Pé no Chão / Crônica do Cotidiano

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Motorista também pensa. Ele estava concentrado no volante e falando como se ninguém estivesse ouvindo.

Comentávamos sobre pontes e passarelas, as construções da cidade.

Entre pontes, passarelas e viadutos, ele divagou, numa divagação tão sincera e correta de raciocínio que estou pensando até agora.

Dizia ele que, no Brasil, as construções acontecem e os melhoramentos também, mas tudo é pensado para o curto prazo.

_Como as nossas obras são pensadas para a execução em curto prazo, acabam por serem mais caras. Se tivéssemos obras com prazos maiores e a certeza de que as eleições não interromperiam as obras, poderíamos escolher os projetos com cuidado e atenção aos detalhes e estabelecer um prazo razoável para a conclusão das obras. Em consequência de que tudo deve ficar pronto em dois, ou no máximo, em três anos, a quantidade de projetos arquitetônicos é menor, as escolhas são rápidas e os custos ficam entre os cinco ou seis projetos cujas empresas possuem condições de realizar as obras em menos tempo.

Foi dito a ele que o prazo longo facilita a prorrogação do prazo por tempo indeterminado.

_Eu não digo de adiar a solução de um problema como a construção de uma passarela para pedestres ou uma ponte necessária. Existem obras que precisam de tempo para a execução. Ninguém pode construir, por exemplo, uma hidrelétrica, em poucos anos, sem onerar demais os outros investimentos necessários à população. O país teve que correr contra o tempo para aprontar as obras para a Copa do Mundo quando o correto seria que tivéssemos a infraestrutura necessária antes de sediarmos as competições. O custo foi muito alto e poderíamos assumir que o custo para a Copa foi pesado e tomarmos outras posições em relação aos investimentos necessários para que haja progresso continuado.

Foi dito a ele que, pelo menos, o que se sabe, é que não há continuidade de obras de governos formados por políticos de partidos contrários.

_Possivelmente poderíamos criar uma legislação que obrigasse a continuidade da construção de uma ponte, independentemente do partido que elaborou a ideia para a construção dessa ponte. Estamos nos atrasando em relação aos países desenvolvidos e a falta de investimento em longo prazo se fará sentir daqui a alguns anos. Quando houver a necessidade inadiável de algum melhoramento, os custos cairão sobre a população. Os interesses são tantos que nem mesmo se discutem obras para daqui a dez ou quinze anos. As pontes, as passarelas, os asfaltamentos e alargamentos de avenidas são obras caras e se quisermos fazer em dois ou três anos, certamente a população será penalizada de alguma maneira, enfim, o custo social pode se tornar insuportável.

Foi perguntado a ele, como ele resolveria essa situação.

_Se fosse eu, os novos colégios seriam planejados com dez anos de antecedência e haveria mais colégios do tamanho e qualidade do Colégio Estadual do Paraná. As universidades estaduais teriam seus departamentos de pesquisas pensados em termos de compras de equipamentos com mais antecedência. Eu faria um concurso nas universidades de engenharia para os projetos de pontes e passarelas com valores artísticos no desenho arquitetônico com custo estimado avaliado pelos professores dessas universidades. O valor do custo-benefício de toda e qualquer obra estaria sujeito ao prazo necessário para que não fosse necessário repassar esse custo à população.

Houve silêncio.

_Mas, se ninguém pensar nisso, daqui a alguns anos haverá ruínas onde tínhamos necessidades. A gente tem que pensar a política de um jeito diferente. A política não pode ser desculpa para o atraso do desenvolvimento e muito menos da miséria. Temos ciência de que podemos fazer melhor e mais barato. Não sou a favor de tudo novo ou de reformas constantes no sistema, mas sim a favor do planejamento e da análise constante desse planejamento sem mudanças traumáticas conforme já aconteceram em governos anteriores. Acho que eu penso demais, desculpem.

Não precisa se desculpar, está bem compreendido.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Valores Outros

Valores Outros

Não se faz o bem porque o outro pede ou precisa e muitas das nossas decisões são em consequência da manutenção daquilo que se chama dignidade e caráter.

As nossas convicções podem ser consoantes com o que chamamos digno, independente de outros valores, sejam esses valores morais ou religiosos. São valores próprios em relação a alguma situação.

Sem pensar em convicções quaisquer temos algo insólito para contar.

Havia três mulheres em frente a uma vitrine.

A primeira olhava com curiosidade a vitrine, os produtos e os preços.

A segunda mulher, cheia de véus olhava com desgosto para a primeira.

A terceira mulher disse palavras interessantes às duas outras mulheres.

A terceira mulher disse para a primeira mulher na frente da segunda mulher que esta era a indigna.

A primeira mulher ouviu a palavra indigna e a achou forte demais para ser dita a alguém.

A terceira mulher repetiu o que havia dito e explicitou:

_A primeira mulher tem a curiosidade natural de olhar uma vitrine bonita. A segunda se cerca de proteções para desgostar-se da primeira mulher e, no entanto, mente.

A primeira e a segunda mulher esperaram por mais explicações.

_A segunda mulher possui a liberdade de enganar a todas as demais, menos a quem a protege e, não engana a quem a desposa, porque ele saberia antecipadamente, tendo em vista que sabe de todos os seus passos.

A segunda mulher olhou a terceira mulher, desafiando-a a dizer bem da primeira mulher.

_A primeira mulher está curiosa com a vitrine e não se desgosta que a segunda mulher olhe a vitrine com interesse.

As duas mulheres olharam para a terceira mulher questionando a dedução aparente.

_Nenhuma das mulheres é dona da loja e todas as mulheres passantes podem olhar a vitrine livremente.

Insólita é a repetição dessa história.