Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

sábado, 30 de maio de 2015

Imersão Cultural

     Quantas horas de teorias, de aprendizado, de acertos e equívocos, de pensamentos diversos, esse espelhamento que nos faz mais sábios!
     Quando se faz uma imersão cultural, as certezas são menores, pois as ideias das quais se toma conhecimento são inovadoras e distintas. Nenhuma teoria boa é vã, mas precisa de amadurecimento.
     Nessa imersão cultural, muitos assuntos foram abordados, com constatações, discussão de algumas definições das circunstâncias universais do ser humano numa sociedade robotizada.
     As relações interpessoais com a sociedade e o poder nessa sociedade, que além de virtual convive com a realidade que é o sistema virtual presente na realidade, desde os pontos de ônibus até a exposição exagerada de quem se atreve a opinar seriamente numa rede social.
     Todas as circunstâncias serão sentidas pelas próximas gerações. Como serão percebidas essas novas relações interpessoais são a origem de novos problemas sociais.
     Nobres e plebeus numa mesma praça, republicanos e, também os famintos, falando a mesma linguagem, A realidade supera as expectativas, pois os conhecimentos sequer imaginados, agora, são reais.
     Diuturnamente tem gente trabalhando para que a interação entre os povos seja pacífica e não traumática.
     Sei que há muito para se escrever à respeito, mas temas universais não devem ser escritos às pressas.
     A riqueza cultural serve para investimentos. Melhor que sejam investimentos do que o desperdício tolo que o conservadorismo despreza e que o consumismo desenfreado aniquila quando o compartilhamento equivocado é um ideal superado.
     Mas de que adianta saber, por exemplo, que a ausência de conhecimento não se dá bem com a boa vontade do sábio?
     Preciso de tempo para absorver toda essa gama de conhecimentos gerais ainda não digeridas e, quem sabe, não voltar ao assunto.
     Mas, por hoje, precisava dizer.
     Bom final de semana para todos vocês.  

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Bella Pasta

A experiência materna

É despropositada,

Macarronada terna

E espiritualizada,


Aqueceu o frio que inverna,

De amor à mesa dada,

No caminho à Lucerna

Fez-se a tal bacalhoada.


Em Gandhi a paz governa

Em versão equilibrada

Ao quadro que encaderna,

Que boa macarronada!

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Ideias Diferentes de Paz / Reflexão

     Revejo os conceitos de estado laico e da função religiosa de propagar Deus e enviar missões ao mundo inteiro.
     Gostei muito de uma frase ouvida ao acaso da circunstância, uma pergunta inovadora:
     _Como se pode explicar o que é estado laico sem se ensinar religião? O estado laico se impõe à medida que o conceito de religião é ensinado nas escolas.
     Existem cidades onde o estado contribui com a igreja mensalmente Um pedaço do terreno onde a igreja é construída é propriedade do estado e essa é a contribuição do estado para a igreja por tempo indefinido, em princípio perpétuo. Dentro da igreja, não está escrito que o estado é laico, o conceito laico é a contribuição constante e a área de não mais que dois metros quadrados.
     O estado também é um agenciador da paz quando propicia a interação entre os povos de maneira eclética, facilitando o comércio e o progresso e promovendo a ordem entre o necessário progresso das regiões afetadas por conflitos.
     Coincidência foi a lembrança da frase da bandeira nacional: Ordem e Progresso. Função de estado.
     Às igrejas cabe o envio de auxílio às regiões afetadas por todo e qualquer conflito assim como no caso de calamidades naturais.
     Ouvi outra expressão que me chamou atenção:
     _Um povo aculturado se deixa enganar facilmente, não por vontade, mas porque é carente da cultura universal.
     Esse termo aculturado não foi dito sem propósito. Todos os povos precisam de conhecimento e cultura. Função de estado. Não se espera de nenhuma igreja que ela traga conhecimento humano aos povos.
     Às igrejas cabe os ensinamentos teológicos. Os conceitos de céu e inferno mudam conforme a doutrina seguida pelo fiel.
     As funções de estado não mudam.
     Manter um povo com falta de conhecimento pode significar, com o passar dos anos, a desestruturação de qualquer estado.
     Que conhecimento é esse? Esse conhecimento necessariamente passa pelo conceito do ser humano, das necessidades dos seres humanos de educarem os seus filhos para uma vida digna e que seja a circunstância uma aliada das aplicações dos conhecimentos adquiridos evitando sofrimentos desnecessários.
     Os sofrimentos desnecessários são aqueles que parte das pessoas sabem, como o hábito de lavar as mãos quando chega em casa porque existem muitos males vindos da falta de higiene.
     O ensino de história nas escolas poderia ser mais interessante, romanceada. Aliás, está escrito no livro citado pela palestrante que a segunda esposa de Napoleão Bonaparte era contraparente de D. Pedro I, rei do Brasil na época do Império.
     A parte romanceada dessa história eram que os casamentos, no Império, promoviam a paz entre os povos. Como ironia, foi dito, que hoje em dia é exatamente o contrário, o casamento promove a guerra nas famílias.
     Como se sabe, D. João VI veio para o Brasil porque Napoleão Bonaparte iria invadir Portugal. Com o segundo casamento todo e qualquer problema entre Napoleão e Portugal foi resolvido.
     Numa ilação apropriada da palestrante ficou clara a aprovação da instituição igreja aos casamentos que promovem a paz.
     As igrejas e os estados dialogam, não se pertencem.
     O texto está parecendo uma coleção de antiguidades, mas não.
     A maneira de diminuírem-se as favelas  do país dependem das funções do estado. Não cabe às igrejas o ensino da alfabetização, mas ao estado.

 

terça-feira, 26 de maio de 2015

Rumores

 
 
Histórias cíclicas e mundiais,
 
Dos homens que mudam suas roupas,
 
Contínuas mudanças são as iguais.
 
 
Percebem-se as caricaturais
 
Lembranças, aquelas que são roucas;
 
Mas ditas nas portas dos umbrais.
 
 
Os muros conversam infernais
 
Rumores em sórdidos feudais.
  

domingo, 24 de maio de 2015

Canções
 
 
Onde vou e porque estou
É tão particular,
Esse vou porque sou,
Esse estou a me enrolar
 
Se o café começou
Esse fado a cantar,
Certa que assim estou
Vivo à canção e ao saudar.
 
Esse meu disco ondeou,
Faixa de se buscar
Tanto, que emocionou;
Baía de luz a saudar.


sexta-feira, 22 de maio de 2015

Rimas de Pomar

Rimas de Pomar

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Tiro um poema da manga,

Bolso sem uniforme,

Que já foi alguma canga,

Como se fosse informe.

 

Verso d’uma pitanga,

Qual criança e árvore enorme,

Rimo de bugiganga,

Mando que se transforme.

 

Sei comer a moranga,

Jaca do desinforme,

Corro ao pomar da manga

Rosa ao sonho que dorme.

História do Papagaio

História do Papagaio

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Era uma vez uma menina que gostava de ouvir histórias. Nem sempre havia quem quisesse contar histórias, mas ela procurava quem lhe contasse histórias.

Um dia, após muito insistir com todos os que estavam a sua volta que lhe contasse uma história, acharam por bem lhe dar um papagaio de presente.

Criança precisa se distrair, não pode se comportar como adulta.

Ela amava o papagaio e ensinava ao papagaio a pedir que contassem uma história para ele.

O papagaio não aprendeu a frase, mas, ao invés disso, ele mesmo contava uma história.

Papagaio que é papagaio se repete e a menina acabou por decorar a história sem jamais entendê-la.

_No caminho de casa havia duas casas iguais.

A menina perguntou se as casas eram casas de meia parede ou sobrados.

_No caminho de casa havia duas casas iguais.

A menina perguntou o que eram casas iguais.

_No caminho de casa havia duas casas iguais com mesas de comidas iguais: café da manhã, almoço e jantar. Iguais.

A menina disse ao papagaio para continuar.

_A visita nas duas casas iguais era obrigatória para se chegar a casa onde eu morava.

A menina perguntou por que era obrigatória a visita nessas duas casas iguais antes de chegar a casa dele.

_Até hoje não sei.

A menina ficou curiosa e perguntou com certa rapidez:

_Eram bandidos?

O papagaio disse que jamais almoçaria com bandidos.

_Eram policiais?

O papagaio disse que o seu dono era amigo do delegado da cidade e conversavam quando se encontravam, mas que nunca chegaram a se visitar.

_Eram empresários?

O papagaio disse que os empresários da cidade eram fazendeiros e moravam longe em belíssimas casas de campo. Viam-se de vez em quando.

_Eram políticos?

O papagaio disse que o seu dono, que era muito amoroso, evitava deixá-lo perto de políticos.

A menina, cansada de tentar adivinhar, perguntou quem eram.

_Eram pequenos comerciantes.

A menina disse que o motivo eram as compras.

_Nunca compramos nada deles.

A menina mudou a pergunta e perguntou o motivo dessas visitas.

_Para que não houvesse briga.

A menina quis saber quem brigaria com quem.

_Eram duas casas iguais, das quais se sabia que se não houvesse a visita, eles brigariam entre si e toda a cidade seria envolvida na briga deles.

A menina disse que as casas eram más.

_Não eram más, não eram. Eles brigavam entre si para mostrarem um ao outro qual deles era mais generoso. A mesa era imensa e os comes e bebes também. Para todos os visitantes.

A menina perguntou sobre o que conversavam nas visitas.

_Amenidades.

A menina não se conformava com as respostas. Queria saber da visita obrigatória nas casas iguais.

_Eu não sei.

A menina pensou e pensou e disse ao papagaio que o motivo era para que eles não brigassem. Brigar é coisa feia, coisa que não se faz.

O papagaio disse à menina que talvez ela tivesse razão.

_Dizem que eles brigam de maneira diferente.

A menina quis saber o que era brigar de maneira diferente.

_Eu não sei. É uma briga que só eles entendem.

A menina parou de fazer perguntas ao papagaio. Afinal se é feio se meter em brigas, se meter com quem briga de maneira diferente do jeito que a gente entende o que é brigar é mais perigoso.

Em todo caso, ela amou ouvir essa história do papagaio.